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segunda-feira, 9 de julho de 2018

You need to push (more)

Fim de semana em casa. Dias cansativos e de pouco sono. Horas de viagem. Horas entre aeroportos e aviões. Atrasos. Esperas. Barulho. Muita gente. Mas vale sempre a pena. Muitas horas de cansaço em troca de prazeres. Pequenos luxos. Contacto físico. E como sabe bem depois de semanas desgastantes de trabalho. Após fins de semana em clausura sem ver a luz do dia e sem sentir a temperatura real. Lá fora o Mediterrâneo quente e azul. Sonos trocados. Expectativas defraudadas. Críticas injustas. Muito trabalho sem reconhecimento. Palavras desmotivadoras. Pressão. Reuniões semanais. Necessidade de resultados. Updates. Analogias de guerra. Hierarquias militares. General vs soldados. Touros e cornos. Chef vs descascadores de batatas. Ausência de palmadas nas costas. Tarefeiros. Executantes. Falta de espírito crítico. Faz isto, faz aquilo. E, finalmente, chegar a casa. Massagem. Mimo. Festas na cabeça. Vinhos bons. Comidas predilectas. Conforto. Baterias recarregadas. Amigos. Conversas. E o sobrinho mais velho que diz: “a avó tem um coração sensível. Ela perdoa-nos tudo. Não grita com ninguém. Eu peço-lhe para gritar com o pai e ela não tem coragem”. Como não adorar? E uma carteira com toda a vida lá dentro que se perde. Procuras infindáveis. Desespero. Perspectiva. Assunto arrumado. Nova etapa. E tudo começa de novo. Naturalmente. Outra vez. Riso

domingo, 24 de junho de 2018

Génova - Milão - Verona - Trento

Viagem de 5 horas pela frente. Duas mudanças de comboio. Dia escaldante. Verão (quase) tropical. Tudo brilha de tão húmido. Passa pouco das 8 da manhã e já tudo parece derreter. No comboio para Milão, quase cheio, são sobretudo turistas. A temperatura é quase glacial e obriga-me a vestir uma camisola. Ao meu lado está um senhor, que parece meu avô, impecavelmente vestido. Lê o jornal "La Repubblica" e tem uma pasta. Em frente e ao lado dele estão duas mulheres que falam espanhol. Não lhes presto muita atenção mas uma delas tem uma voz linda. Grave, quase rouca. Quando a vejo levantar, para dar lugar a outra pessoa, reparo como é alta. Num olhar mais atento reparo no excesso de silicone na cara e no nariz cirurgicamente desenhado.   Tem umas mãos lindas, grandes e magras e uns dedos compridos, proporcionais ao seu tamanho. Milão, mudança de comboio para Verona. O cenário muda completamente. O comboio é regional. A temperatura é infernal que só piora com o cheiro a gente. Não existe lugar para todos. Há mais bilhetes vendidos do que lugares. É "tudo ao molho e fé em Deus". Mais de uma hora de viagem pela frente nestas condições. Eu, pelo menos, estou sentada. Ouço  um murmúrio de duas jovens americanas que se questionam como é possível venderem mais bilhetes se não existem condições. Um olhar rápido em volta percebo a presença das pessoas non grata do actual governo italiano. Mulheres grávidas a pedir. Uma jovem com um bebé ao colo e outra pela mão que não devem ver água do banho há muito tempo. A criança pela mão parece uma pena, caminha à velocidade da mãe e mal pousa os pés no chão. Parece voar. Os meus olhos prendem-se nos dela. Apetece-me dar-lhe tudo o que tenho mas sinto-me tão incapaz e impotente. O que ajudá-la hoje mudará na vida dela? E depois lembro-me do actual governo italiano composto por gente da extrema direita, racista e nacionalista. A última do Ministro do Interior, depois de proibir um barco cheio de refugiados de atracar num porto italiano, foi querer expulsar albaneses, romenos e tunisinos. Este já é o Trump europeu. Mas o mais escandaloso é que é aplaudido pelos italianos a qualquer lado que vá. Lembro-me que do outro lado do oceano Atlântico está um presidente eleito democraticamente que separa pais e crianças que tentam a sua sorte ao atravessar ilegalmente a fronteira dos  Estados Unidos. Eu que não tinha televisão até há uma semana atrás e não via notícias que não fosse em jornais ou o que ouvia falar. Comecei a ver as imagens e a ouvir os lamentos das crianças em gaiolas. E não consegui. Não consigo ver aquilo. Isto passa-se no séc XXI. No país que foi um dia a terra das oportunidades, que acolheu refugiados e alguns dos quais se tornaram grandes nomes americanos. O que representava ser americano está a morrer. Não percebo como é possível acontecer esta monstruosidade em pleno ano de 2018. A maldade do ser humano não tem limites.

Verona é a próxima mudança de comboio. Como uma focaccia alta e bebo uma Don Pellegrino. O comboio, apesar de regional, não vai cheio, a temperatura é baixa e a limpeza faz-me pensar que entrei noutro país. A paisagem muda. Os vales e planícies dão lugar às montanhas. As casas fazem lembrar-me a Áustria e a Suiça. Lembro-me que estou a caminho do Tirol. Os Alpes do Marco. Próxima e última paragem: Trento. O calor é abrasador. Tarde nublada. Humidade quase insuportável. A pele brilha. No parque junto à estação, pelo qual passo a caminho de uma das faculdades, tem a estátua de Dante. O tamanho do parque mostra o quão pequena é a cidade. Não parece que estou em Itália. Os carros param nas passadeiras. As tuas estão limpas. As pessoas falam baixo. Até fenotipicamente são diferentes. Começo a ver sandálias com meias. O outfit diz (quase) tudo. Paro numa gelataria. Depois de uma bola de gelado de limão e outra de pistachio faz-me achar que foi uma das melhores gelatarias onde estive. A cidade está rodeada de montanhas e sinto-me como num caldeirão. A sensação é que não há para onde fugir. Antes da hora combinada chego ao destino. Espero, como sempre. Não me importo porque tenho um livro. Uma hora depois estamos a caminho do que deve ser uma das praças mas famosas da cidade, em frente ao Duomo. Na uma hora e meia seguinte beberemos 2 copos de vinho branco e 2 aperol spritz. Quero provar a famosa bebida Hugo mas não servem. O que me trouxe aqui vale bem esta hora e meia e as dez horas de viagem. E tudo o que eu queria, consegui. Há melhor sensação? A caminho do hotel ainda me sento noutra esplanada a beber outro aperol spritz. Decido apanhar um táxi. Fico num bom hotel da cidade porque depois de cinco horas de viagem acho que mereço. São 8 da noite e o quarto está frio. Tudo o que queria. Bebo água e deito-me. Adormeço, não antes de pedir que me acordem às 7. Acordarei por volta da meia-noite e voltarei a adormecer. Tomarei o pequeno-almoço, o mesmo de sempre. E reclamarei, como sempre, desta nova moda de leite em pó. Que saudades das antigas cafeteiras de leite e café. Às 8 um táxi espera-me. Cinco minutos depois estarei na estação. Vinte e sete minutos depois apanharei o comboio que me levará a Verona. Aí mudarei para outro para Milão, onde farei uma mudança para Génova. Viagem sem percalços. Estarei em Génova antes das duas da tarde. O taxista, simpático, coisa rara em Génova, dir-me-á que devo ser muito inteligente quando lhe digo o meu destino: Instituto Italiano de Tecnologia. Ainda chegarei a tempo de almoçar na cantina. E 30 minutos depois estarei a tirar fotos no "meu" microscópio. Apesar de muitas imagens de merda, não perco o entusiasmo. Será este mar e esta temperatura que me fazem ser optimista?







quinta-feira, 21 de junho de 2018

Cinque Terre

Domingo de Páscoa. Sol. Temperatura primaveril. Visitas. Nada planeado. Destino: Cinque Terre. Directo a La Spezia. Escolhemos apenas o meio de transporte: comboio. Dormi o caminho todo. Antes ainda de adormecer tive que ver um homem  a cortar as unhas e outro a coser um botão do casaco. Chegados a La Spezia percebemos o que nos esperaria: gente, muita gente. Um mar de turistas. Em La Spezia apanhamos o comboio regional que pára em cada uma das aldeias de Cinque Terre. Saímos na primeira no sentido sul para norte: Riomaggiore. Tinha lido que era a maior e onde havia o "cammino dell'amore" que ligava à próxima aldeia. Foi aqui que passamos mais tempo. Saídos dos comboio avista-se o mar e as escarpas. Começamos a descer por caminhos de terra e escadas estreitas. Nas falésias veem-se pessoas nas podes mais improváveis.  Muita gente parece arriscar a vida a troco da melhor foto. Esplanadas com vista privilegiada. Uma turista com uma mala a descer escadas sem fim com tacões. Carrinhos de bebés. Crianças com menos de quatro anos. Começam a perceber-se as primeiras queimaduras solares. Gente muito branca que não se protegeu devidamente. Chegados ao centro da aldeia há uma estrutura preparada para a avalanche de turistas. Cafés, lojas, restaurantes, casas de banho que cobram um euro, esplanadas, comidas take away, mercearias, supermercados, gelatarias...chegados ao pé do mar olhamos para trás e percebemos q este é o cenário que conhecemos há muito das Cinque Terre. Casas construídas nas falésias de cores diferentes. Impressionante, sim. Maravilhoso, com menos gente. Almoçamos sentados num as escadas fritura misti. Vários peixes que escolhemos num cartucho de papel com um palito grande. Fish sem chips. Depois de almoçarmos ficamos a saber que o caminho dela ore está fechado. Decidimos n sair na próxima aldeia mas em Vernazza. Talvez a mais pequena e menos preparada aldeia. As pessoas eram tantas que a única forma de locomoção era andar ao ritmo e no sentido da multidão. Quando finalmente chegamos ao pé do mar há um pequeno areal e alguns barcos. As esplanadas não tem um lugar vago. Não existe chão visível. Caminhamos na direcção inversa em direcção à estação de comboios. Esperamos impacientemente na fila para chegar estação. Caótico, sem organização, turistas rudes, gente que dispensávamos encontrar pelo caminho. Depois do infernal teste à paciência, tomo a decisão difícil, de não sair em mais nenhuma aldeia a não ser na última: al mare. Estava tão cansada que a primeira esplanada que avistei nem pensei, sentei-me. A vista não podia ser melhor. O Mediterrâneo imenso com a cor do mar que começa a aquecer. Numa das mesas ao meu lado vejo uma desarrumação de papéis, cadernos e livros espalhados sobre a mesa. Ao contrário de mim, escreve num computador que é uma maçã trincada. Tem como vista um mar azul imenso. Tem olhos claros, cabelo claro, pele nórdica e muitas sardas. Vive de escrever. Escreve coisas das quais gosta menos para patrocinar o grande projecto de vida, um romance. Invejo a coragem e a sinceridade.









segunda-feira, 4 de junho de 2018

O chefe

Pastelaria mais antiga da cidade. Agora, um misto de bar, restaurante. Fim da tarde. A disputa de mesas é grande. Vejo várias pessoas que desistem de esperar por uma mesa e pessoas que depois de terem uma mesa desist porque a espera é muita. Os funcionários são muitos e têm o medo estampado na cara. Parecem não poder estar parados. Falta-lhes cor. Mas a maioria dos clientes tem uma cor que eu não consigo nem depois de um mês na praia. As bebidas mais pedidas são negroni e aperol spritz. Percebo o temor dos funcionários com uma pessoa que foi muito simpática comigo e me sentou. O homem só é simpático com os clientes porque para os funcionários só grita e gesticula. Mas para os clientes transforma-se. É o chefe. Sempre ele. Austero. Cara fechada. Fato impecável. Alto. Hirto. Os funcionários temem-no. Passei uma hora aqui a apreciar. Até me distraí de ler. Apesar de toda a gente ter sido mais do que amável comigo, dificilmente voltarei.  Trabalhar não é isto. O medo não deve fazer parte da nossa vida em tempos de paz. Nada o justifica. E os chefes não podem ser ser isto.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Uma volta de 180 graus


Tenho 38 anos. Um emprego pela primeira vez na vida. Um contrato por 2 anos, com tudo a que um trabalhador tem direito. Mas, para isso, tive que mudar a minha vida toda. Deixei a minha casa com tudo o que de confortável e conhecido tem. Os hábitos. Uma cadela que encontrei quando ela tinha 4 meses e da qual achei que nunca me iria separar. A família, Os amigos.

Não é a primeira vez que mudo na vida. Já vivi em 3 cidades diferentes. Esta é a quarta. Braga, Houston, NY, Genova. Durante anos, com tantas mudanças de casa e 3 cidades, não me sentia em casa em parte nenhuma. Mas depois de alguns anos seguidos em Braga comecei a sentir que pelo menos aquele apartamento fora sido preenchido à minha imagem. Começar de novo com uma mala de 32 kgs, uma mala de mão e uma mochila. Tudo o resto ficou para trás. Desenhei um cenário catastrófico. Pensei que não ia gostar de nada e criticar tudo. Está a ser mais fácil do que pensava. Diria que são duas coisas muito importantes: o tempo e as pessoas. As pessoas são o melhor. Acolhedoras. Simpáticas. Mesmo sem partilharmos a mesma língua conseguimos perceber-nos. Falam muito com as mãos. Falam alto. Riem muito. São parecidas, nas qualidades com os portugueses. Felizmente, como diria o Eça não têm o aspecto desconsolado dos doentes dos intestinos. Vivo pela primeira vez na vida em frente ao mar. Mas não há a angústia do mar. Apesar de haver dias com ou sem chuva, cinzentos, o mar nao adquire aquela cor depressiva cinza chumbo. Não tenho elevador. Vivo num quarto andar. O local de trabalho é bom. Deram-me um computador, 3 batas brancas e duas azuis. Tenho 2 cacifos e uma secretária. A cantina e o bar são óptimos. Bom, bonito e barato. Comida boa a preço de cantina. Estou viciada em cappuccinos. E na simpatia das senhoras do bar. Sinto-me acolhida. Aqui não tenho carro. Felizmente, dizem os meus amigos. Com as ultrapassagens  que fazem pela direita e esquerda, não demoraria muito a causar uma tragédia com as milhares de scooters. Um destes dias deixaram-me em frente a casa, e apesar do aviso  para ter cuidado com a porta e com as scooters, causei estragos. Ando a pé, de metro e de autocarro. Acho os transportes eficientes, embora o metro feche às 9 da noite, ridiculamente. Os táxis são caros mas muitas vezes, por preguiça, não lhes resisto. Ainda tenho uma casa praticamente vazia, só com o indispensável. Mas dizem-me que agradável, parece uma casa de praia. Ainda não tenho internet ilimitada nem telemóvel italiano. Foi este o grande problema encontrado e que mais demorei a resolver. Todos os outros foram rapidamente solucionáveis. Não tenho televisão nem vou ter, eu que não adormecia sem ela. Não tenho fotografias. Trouxe 10 livros. Ainda me custa olhar para os cães e para crianças e não ter saudades. Falo todos os dias com as mesmas pessoas que falava em Portugal, até mais. Saudade é a palavra que mais me ocorre desde que me mudei. Quem, quando está sozinho, não se intimida com o silencio? Planos, ao contrário do que esperava, não faço a longo prazo. Só (ainda) não consigo conjugar os verbos no futuro. No presente, sempre no presente. Sobre o texto da mudança, uma das minhas amigas achou-o triste. Falhei o objectivo porque nada nele é triste.
Tenho dinheiro, mais do que algum dia. Mas quero coisas que ele não compra.




quinta-feira, 22 de março de 2018

Mudança

Munida de uma mala grande, uma mala de mão e uma mochila tenho a sensação de que faltará sempre alguma coisa. Desta vez, como sempre, não será excepção. Combinara com o meu irmão duas horas e quarenta minutos antes, como pessoa prevenida que sou. Uma amiga iria ter comigo ao aeroporto. Na última confirmação do voo percebo que confundi 16 com 5 da tarde. As horas em 24 números em vez de doze (diferenciadas apenas pela terminologia de manhã ou de tarde) sempre foram uma dor de cabeça, como distinguir a esquerda e a direita. Percebo que estou atrasada e nenhum dos elevadores funcionava de manhã. Entro em pânico. Ligo ao meu irmão se há alguma possibilidade de me ir buscar imediatamente. Ligo à minha amiga para desistir de ir ter comigo ao aeroporto. Como detesto despedidas até o universo ajudou. A viagem até ao aeroporto parece um voo. Sem tempo nem para olhar para trás, o meu foco é entregar a bagagem. Descubro que a mala tem 12 kgs a mais. Finjo não reparar e a pessoa da companhia aérea decide ajudar e finge comigo. Não tenho tempo de pensar em nada. Tudo em mim é calor. Voo para Munique, sem sobressaltos, respirando fundo. Descubro, mais rápido do que esperava, que me esqueci do caderno onde tomo notas. Nada de muito dramático. Mas como gosto sempre de encontrar qualquer coisa, agarro-me ao que há. A espera em Munique é rápida. Sigo para Génova num avião assustadoramente pequeno. Finjo ignorar. Passados uns minutos, sentada no lugar que me foi atribuído (junto à janela e sem ninguém ao lado), começo a transpirar (coisa nada comum). Estou gelada, tremo, os dentes batem, as gotas de água escorrem-me pela testa e pescoço, a minha palidez denuncia-me porque tenho olhares a seguir-me. Tenho falta de ar. Estou em pânico mas tento não perder a pose. Demorada e disfarçadamente tiro as bombas de asma e finjo que tudo está controlado. Minutos depois estou bem, só o cabelo molhado mostra o que se passara. Tenho o R. à minha espera no aeroporto de sorriso aberto. Sinto-me em casa com ele. Saímos do aeroporto e o que mais me choca são as ruas cheias de prostitutas. Contrariamente ao que seria de esperar, são caucasianas, não têm aspecto de cadente, são jovens e são muitas. O R. deixou-me no hotel que eu escolhi pela proximidade do meu apartamento. Nunca mais voltarei a este hotel e desaconselho-o a toda a gente. Supostamente era um hotel quatro estrelas. Mas disso nem a decadência lhe restava. O recepcionista era antipático, ainda existia chave, as alcatifas estavam sem cor e em mau estado, o quarto era pequeno e desconfortável, a tv era do tamanho de um ecrã 15’’ e a limpeza deixava a desejar. Lembro-me de ter comentado com uma amiga o quão mau era o hotel e respondeu-me que era um bom sinal porque sentir-me-ia muito mais confortável no novo apartamento. Não vou alongar-me nos comentários sobre o pequeno-almoço porque nem nos motéis dos Estados Unidos é tão fraco. A segunda pessoa antipática que me apareceu foi o taxista que mostrou o seu desagrado quando lhe disse que o meu apartamento era a menos de 1 Km. Cheguei à hora marcada para assinar contrato e o apartamento pareceu-me bem melhor do que nas fotos. Na opinião dos locais, a localização não é das melhores mas eu acho conveniente. Fica a 2 minutos da entrada do metro, em frente ao porto de Génova, tem mercearia e quiosque e outras lojas de conveniência. As ofertas de cafés e restaurantes são poucas. E o bairro é multicultural e multi-étnico. Tal como no primeiro apartamento que vivi em NY, o prédio não tem elevador e vivo num quarto andar.

Passada a fase de tudo parecer fácil, como receber o ordenado numa conta portuguesa e o pagamento do depósito e renda através de transferência bancária de uma conta portuguesa para uma conta italiana, começou a aventura: ter internet e telemóvel. Fui a um centro comercial para encontrar várias  empresas possíveis. Logo na primeira, praticamente desisti. Não poderiam ter sido mais simpáticos comigo e falavam inglês.  Depois mais de uma hora, de várias explicações, tentativas de pagamento com cartão de crédito português chegaram a um veredicto: só poderia fazer contrato de internet com um cartão de crédito italiano ou um cartão especial que se adquire nos correios chamado POSTPAID EVOLUTION. Os simpáticos disseram-me para ir aos correios italianos (Poste Italiane). Depois de andar 15 minutos a pé, disseram-me que para ter este cartão só com o código fiscal original (eu só tinha uma cópia) e o “attestato di soggiorno”. Regresso à loja e informo os simpáticos que não é possível. Como estou num centro comercial, aproveito e compro um microondas e improvisei o transporte com um carrinho de ir às compras. Chegada a casa subo quatro andares com o microondas. Volto ao hotel, onde deixei a mala com 35 kgs e regresso a casa de táxi. Demorou exactamente 25 minutos entre paragens entre degraus, vãos de escada e vontade de deixar (simplesmente) cair a mala no sentido da gravidade... O resultado foi bolhas nas mãos idênticas a quem levanta ferro nos ginásios, obras e afins.





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