Eis como vão ser eleitos os próximos governantes da Ucrânia: “Quem quiser pode lançar nomes, de pessoas que conheça, personalidades prestigiadas e sem ligações à política, como reitores de universidades. A cada nome, o povo vai votar de braço no ar, ou aplaudir e gritar. Os nomes que obtiverem mais gritos serão os eleitos”.
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
A vergonha
Eu, tal como muita
gente, mas principalmente tal como o João Miguel Tavares (com quem partilho
muitas das opiniões), na passada sexta-feira, tive vergonha da democracia
portuguesa. Não tenho vergonha de ter contribuído com o meu voto para eleger os
deputados do PSD (mas podia ter tido, caso tivesse tido oportunidade de votar).
Mas, principalmente, vergonha de quem “inventou” um referendo à última da hora por puro oportunismo
político, já depois do projecto de lei ter sido aprovado na Assembleia da
República. Hugo Soares “lançou-se” como
o arauto do referendo mas desconfio que não passa de um fantoche que só cumpre
ordens e abana com a cabeça. É que a pouca preparação que demonstra ter, mesmo
com formação em Direito, envergonha qualquer pessoa. Nem a defender o “seu”
referendo mostra-se à vontade. Vazio de ideias é o que me parece. O debate em
que participou na TVI24 com a Isabel Moreira foi um KO sucessivo do princípio
ao fim. Como se diz na minha terra de nascença (ou nossa, para minha vergonha)
o Hugo Soares levou uma coça da Isabel Moreira.
Hugo Soares é mais um
jotinha que foi subindo na hierarquia do seu partido, muito provavelmente, por
lamber botas. Acresce que não é um grande orador ou um grande argumentador. Não
se lhe conhecessem desempenhos profissionais, fora da política, relevantes. A
minha grande questão, que continua sem resposta, é: qual é o objectivo de
propor um referendo “em cima do joelho” a mando do boss ao boy Hugo Soares?
Tenho vergonha de
quem aceitou a disciplina de voto numa matéria de consciência individual. O
projecto de lei tinha sido aprovado com os votos a favor de mais de uma dúzia
de deputados do PSD. Onde estão eles? O que lhes aconteceu para mudarem de
opinião? Não me lembro em matérias tão delicadas de não haver liberdade
individual. Estamos numa ditadura? O pastor ordena e o rebanho vai atrás?
Palmas para a Teresa Leal Coelho que esteve à altura da sua consciência e dos
eleitores. E palmas para os militantes do PSD que não tiveram receios de
criticar o referendo, entre eles, Marques Mendes, Pacheco Pereira e José Eduardo
Martins. Se ouvir mais alguma vez algum deputado ou governante do PSD invocar a
crise para poupar em qualquer coisa, a minha arma de arremesso será sempre o
referendo.
As famílias de duas
mães e dois pais existem. Ninguém as poderá apagar ou fazer desaparecer. A
única injustiça é que não estão protegidas pela lei. E é nisto que os deputados
que votaram a favor do referendo deveriam envergonhar-se: esta situação existe,
não vai mudar. O que esta lei da co-adopção pretende mudar é o direito de uma
criança ter no papel o que existe na realidade.Agora, para quem ainda não
percebeu o que está em causa: Um casal criou junto um filho e apenas um dos
cônjuges é mãe/pai biologico (a). Separam-se. Todos sabemos como muitas pessoas
se transformam nas separações/divórcios. Que direito tem o conjuge que apesar
de ter sido pai/mãe, que passou noites a fio em claro quando o filho estava
doente, que acompanhou ao médico, que o protegeu? Neste momento, o direito
sobre a criança que criou é zero. Agora imaginem outra situação: imaginemos a
morte de um dos membros do casal que é pai/mãe biológico da criança. Que
direito tem o membro que sobrevive?
Estas famílias já
existem. Só temos que lhe dar um direito que lhes pertence. Não custa nada. Não
prejudica ninguém. Não faz mal a ninguém. Quem for a favor continuará a ser e
quem for contra poderá continuar a sê-lo, democraticamente.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O rescaldo das autárquicas
Sem surpresas, o partido do governo foi o maior derrotado da
noite. Apesar de não ser o governo que estava em avaliação, os votos de
protesto e desagrado vão sempre contra o partido que governa. Foi assim desde
sempre. Quem não se lembra da célebre demissão de António Guterres com a
afirmação: “o país cairia num pântano se eu não me demitisse”.
A vitória de Rui
Moreira foi a vitória de uma forma de fazer política. Não vender sonhos,
despesismo e prometer o que não se pode. Muitos notáveis do PSD apoiaram-no
(Miguel Veiga, Valente de Oliveira e Rui Rio). Luís Filipe Menezes foi uma péssima
escolha como candidato do PSD pelo Porto. As dívidas que deixou em Gaia vão
falar por ele nos próximos tempos. Acho que agora era tempo de regressar ao
anonimato e à profissão que não exerce
há muito tempo. Talvez aí seja útil ao país.
A maioria absolutíssima de António Costa também não foi
surpresa para mim. O Fernando Seara era um candidato fraco para Lisboa. E volto
aqui a referir que esta história da lei da limitação dos mandatos tinha que ser
completamente esclarecedora. Se a lei os permitiu candidatar, a soberania do
povo, encarregou-se de os penalizar!
Ricardo Rio, apesar de não ter tido tempo de antenas nos
canais que vi, teve uma vitória histórica em Braga. Só espero que a partir de
agora Mesquita Machado seja bem investigado e se consiga apurar como é que ele
e a sua família conseguem justificar a posse de bens muito superiores aos
ordenados que auferem...
Escandaloso foi o resultado em Oeiras. Como é possível, o
concelho com mais licenciados do país, logo seria esperado que fosse mais instruído,
reagir à vitória do “seguidor” de Isaltino Morais (que está preso por
corrupção) com gritos “Isaltino, Isaltino”. Li inclusive que dezenas de viaturas estiveram junto ao
Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Sintra, a celebrar a vitória de
Paulo Vistas à Câmara de Oeiras. Está tudo doido?
O PSD na Madeira perdeu
estrondosamente, também. Sinal mais do que óbvio para a renovação de outro dos “dinossauros”.
Finalmente o povo da Madeira disse basta a um monopólio do Alberto João Jardim.
Seria tão mais bonito ter saído pelo próprio pé e na hora certa... do que a
partir de agora, empurrado.
Excelentes notícias ontem
foram as vitórias de Rui Costa (campeão do mundo de ciclimo na estrada) e João
Sousa (1º português a vencer um torneio ATP). Um orgulhos para todos os
portugueses!
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Eleições autárquicas
Se eu votasse em Lisboa, o meu voto iria para António Costa.
Nas eleições municipais há mais claramente a percepção do que foi feito. E não
podemos dizer que Lisboa está pior. Lisboa, está de facto melhor. Para além
disso, a equipa deste candidato parece-me muito boa, na sua maioria. Só não
simpatizo com o José Sá Fernandes. Quanto a Fernando Seara, não vou alongar-me
em críticas nem explicá-las. Só refiro que este candidato, tais como tantos outros,
beneficiaram de uma lei propositadamente ambígua para que suscitasse a dúvida
na sua interpretação. Esta lei poderia ter sido clarificada pelos deputados.
Eles assim não quiseram e deixaram para os juízes o poder da dúbia interpretação. Desconheço na
totalidade a obra de Fernando Seara na
Câmara de Sintra e o seu desempenho como presidente. Mas as declarações dos
parafusos e o “tu, pour moi, viens de charrette”... sem comentários...
O Luís Filipe Menezes é outro dos que não teria o meu voto,
pela mesma razão, e não só. Como presidente da Câmara de Gaia foi um
despesista. Quem ganhar as eleições que assuma as dívidas. Como Presidente do
PSD foi uma nulidade. Já para não falar do lamentável discurso que teve há uns
anos num célebre congresso do PSD que queria apelar ao pequenismo e bairrismo
do norte acusando os companheiros de partido de “sulistas, elitistas e liberais”...
Saiu do palco debaixo de apupos e assobios. Espero muito sinceramente que o Rui
Moreira seja o vencedor. Para mim tem o melhor programa, tem uma carreira que
fala por ele, tem apoiantes de peso e um Vereador da cultura que de certeza
absoluta vai deixar marcas no Porto, como o fez, na Capital Europeia da Cultura
em 2001.
Por último, a cidade onde vou votar, Braga. Há décadas
governada em regime feudal por Mesquita Machado e companhia. A cidade rainha
dos elefantes brancos, dos parques de estacionamento subterrâneos, e agora
quase toda a superfície paga. Dizem que é a cidade dos arcebispos mas para mim
é a cidade dos empreiteiros. Agora, coitados, por conta da crise declararam
todos insolvência e foram procurar ares melhores, como os africanos. Uma cidade
em que o crescimento habitacional cresceu em sentido contrário ao da qualidade
arquitectónica. Há uma zona de Braga que parece o Cacém. Serviu para enriquecer
empreiteiros, agentes imobiliários, empresários... Uma cidade em que as
relações promiscuas entre política, futebol e religião nunca se distinguiram.
Conheço mal o Ricardo Rio. Mas acho impossível alguém fazer pior do que o seu
antecessor. Cultura em Braga é zero. Com uma das mais belas e equipadas salas
do país (Theatro Circo) é uma vergonha ser ultrapassada por cidades vizinhas
populacionalmente menores como Guimarães e V.N. Famalicão. Braga tem uma das
maiores e mais bem classificadas universidades portuguesas mas há um fosso
gigantesco entre o campus e a cidade. Para não falar da recolha de lixo que parece
da época mediaval. Não existem contentores nas ruas para lixo orgânico. Os
sacos de lixo são colocados nas calçadas das ruas, à espera que os recolham, e
que os animais (que também são uns dos mais afectados pela crise) não os desfaçam à procura de comida.
Quanto à possível gigantesca abstenção só digo uma coisa:
imitemos o Brasil. Já que as pessoas não sabem valorizar o quanto é importante
votar e ter esse direito que pode mudar o seu mundo, as pessoas deviam ser
punidas se não o fizessem. Provavelmente muito pouca gente se lembra que as
mulheres antes do 25 de Abril não tinham direito de voto. Hoje,
democraticamente, podem decidir não votar. Se não se identificam com nenhuma
candidatura, existe sempre o voto de protesto, branco ou nulo.Agora, não votar,
é um atentado à democracia. Se fosse eu que mandasse era como no Brasil: multa
e passaporte suspenso enquanto não a pagarem. E aí veríamos quem não votaria. A
desculpa esfarrapada do bom tempo e da praia serem o maior amigo da abstenção
cai por terra este ano... o mau tempo impera!
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Portugal europeu. E agora?
A primeira sessão a que assisti foi: "Que europeu sou eu?". O debate foi moderado pelo Carlos Vaz Marques e participaram D. Manuel Clemente, João Proença e Gonçalo M. Tavares.
O Gonçalo M. Tavares falou que na Europa há claramente uma separação, uma ordem, uma organização. Marca claramente europeia. Deu como exemplo que em Marraquexe não existe a diferença entre rua e passeio...Referiu que muitas vezes as cidades mais estimulantes do mundo estão ligadas à pobreza. 'Na Alemanha quando se vê duas pessoas a correr consegue-se distinguir quem é o polícia e quem é o ladrão. Mas não conseguimos distinguir isso no México". Falou também do "saque das macieiras" que é quando chega alguém com 5 maçãs e o pobre tem uma macieira com duas maçãs e o pobre vende...Leu, também, um texto ficcional que deu o nome de "Europa". Este texto envolveu sapatos, atacadores, nós e gravatas, descrevendo de forma metafórica e optimista, a Europa.
O João Proença sente-se sempre um beirão mas é um europeísta convicto. Admira muito outras culturas, e principalmente, os outros países de língua portuguesa. Diz que há uma clara distinção de tratamento e de opinião de europeus do norte e dos europeus do sul. A Europa é considerada como tendo uma população envelhecida. Mas por ex. a emigração dos cidadãos do norte de África para França, com os seus costumes e religiões, está a inverter essa tendência com o elevado número de filhos.
D. Manuel Clemente defendeu que os europeus são muito difíceis de se definir, principalmente, no que se refere à religião. "A Europa não é uma realidade estática, é uma realidade dinâmica. 20 a 25% dos europeus são muçulmanos. A Alemanha tem 5 milhões de turcos, metade da população portuguesa. Quem são, afinal, os alemães hoje?".
Carlos Vaz Marques tem, na minha opinião, a melhor voz da rádio portuguesa. E para além disso, considero-o um dos melhores entrevistadores portugueses, a par com a Anabela Mota Ribeiro. Publicou há anos um conjunto das melhores entrevistas do programa "Pessoal e intransmissível", o qual guardo religiosamente e ao qual volto muitas vezes.
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
A nossa corda bamba
Quem me conhece bem sabe que eu não defendo com
unhas e dentes este governo, aliás nem tiveram o meu voto. Quando foram as
eleições, por imperativos legais, não
pude votar no Consulado de Portugal em NY. Nunca fui uma defensora de Passos
Coelho. Sempre fui descrente quanto ao percurso político e académico dele.
Começou na JSD, saiu aos 30 anos, seguiu a sua vida. Terminou o curso aos 32
anos numa privada... Tinha como “padrinho” o Ângelo Correia e ainda para mais
era amigo desse Miguel Relvas. Depois, achei a escolha de Miguel Relvas uma
vergonha. Muito antes de saber sequer o CV dele, nunca gostei dele. É aquela
coisa “do meu Santo não se cruzar com o dele”. Nunca gostei do homem. E foi
este homem o princípio do fim. Como era amigo de Passos Coelho, a sua nomeação
nunca se deveu à competência técnica nem política, mas às razões da amizade que
a própria razão desconhece. De resto, este governo apesar de sempre muito
criticado, na minha opinião, tem pessoas de muito valor: Paulo Macedo, Paula
Teixeira da Cruz , e até para mim uma boa surpresa, o Miguel Macedo. Mas o
grande defeito de Pedro Passos Coelho é a teimosia. E como a maioria dos
defeitos são sempre irracionais, toldam-nos a razão. O grande erro começa
quando começam as suspeitas sobre Relvas e nesse imediato momento, já que o
próprio não teve a honestidade de se demitir, o primeiro-ministro que o
fizesse. A partir daí, o governo pôs-se cada vez mais a jeito.
De que acusam Maria Luís Albuquerque afinal? De ser
o bode expiatório de um dossier tão melindroso como as swaps? Ela fez alguma
coisa ilegal? Ontem ouvia um dos comentadores políticos a dizer que ela tinha
muita competência técnica mas que a sua credibilidade política estava em causa
porque a tinham envolvido na “lama” das swaps (mesmo que sem culpa alguma). Vem
a saber-se que esta foi a razão invocada por Paulo Portas para se demitir. Não
por a terem envolvido no caso das swaps mas admirem-se, por ser a continuação
das políticas de Vítor Gaspar! Será mesmo por isto? Com tantos motivos que
portas teve já para se demitir, talvez com mais razão até no caso da TSU,
abandona o barco como os ratos agora? Eu pergunto-me: não haverá
desenvolvimentos no caso dos submarinos? Ou acha Portas que vai coligar-se com
o PS quando houver novas eleições e assim poder continuar no poleiro? E depois
existe ainda outra hipótese: há a
possibilidade de Paulo Portas sair da liderança do CDS-PP? A demissão de
Portas, pelo que se consta, surpreendeu até o núcleo duro do CDS-PP. Ontem à
noite, ouvi perplexa o José Ribeiro e Castro dizer que foi uma surpresa para
ele, que nada fazia esperar. E se Portas discordou assim tanto com a nomeação
da nova ministra das Finanças, como permitiu ou sugeriu que alguém dos eu
partido fosse nomeado Secretário de Estado? Muitas perguntas sem resposta, eu
sei...
Outra coisa que não
percebo, partindo do princípio que Portas se demitiu sem ser surpresa dos seus
pares, se o Primeiro-Ministro soubesse da solidariedade dos ministos do CDS-PP
(Assunção Cristas e Pedro Mota Soares) com Paulo Portas não se teria demitido
ontem à noite? Se estes dois ministros estão tão solidários com Portas e se
esta fosse um decisão conjunta porque ainda não se demitiram?
Alguém acredita que a oposição liderada por António José
Seguro é mesmo alternativa a este governo? Não duvido que o governo já só se aguenta no poder porque não há à
vista qualquer alternativa credível. E as eleições serão mesmo uma
solução? Como? Que consequências terá esta hipótese para os compromissos que
Portugal assumiu? As eleições serão solução para alguma coisa se não se
conseguir uma maioria?
terça-feira, 2 de julho de 2013
Paulo de Morais: o arauto
Este post devia ter sido escrito há dois dias. Não o foi
porque coincidiu com a recta final da escrita de um projecto da FCT, cujo prazo
de submissão, termina hoje. Passei o fim de semana a terminá-lo e submeti-o ontem,
24 horas antes do fim do prazo.
Adiante, no sábado fui à apresentação do livro de Paulo de Morais na Centésima Página. Já li o livro “Da corrupção à crise – Que fazer?” no sábado. Não vou resumir o livro mas aconselho-o entusiasticamente a toda a gente para perceberem coisas, que como eu não imaginava, e para compreender melhor o estado a que chegamos. Temos vários problemas: 1) dívida pública deve-se principalmente ao desperdício, economia desestruturada, predomínio da banca sobre a política e corrupção; 2) dívida privada que se deve principalmente ao imobiliário. Paulo de Morais referiu que o urbanismo é uma máfia semelhante ao tráfico de droga, com a diferença que no tráfico de droga apreende-se a droga, mas no urbanismo não há nenhuma apreensão de prédios. Alguns, segundo Paulo de Morais, até recebem medalhas no 10 de Junho. O imobiliário é a verdadeira bola de neve que não tem fim. A venda de apartamentos foi sobrevalorizada. Hoje as casas valem menos 40%. Existem 2 milhões de casas vazias em Portugal: 500000 de ocupação sazonal (Algarve) e as restantes pertencem a fundos de investimento, imobiliário fechado, têm isenção de IMI e IMT e não são colocadas no mercado porque se assim fosse as rendas no mercado baixariam.
Agora prestem atenção a este escândalo para perceberem como chegamos até aqui. Durante anos, o que se passou com o imobiliário e as relações promiscuas entre banqueiros, câmaras e promotores imobiliários foi o seguinte: um promotor imobiliário comprava um terreno agrícola por 100, ia a uma câmara e transformava esse terreno agrícola em terreno com grande capacidade de construção. Depois ia a um gabinete de engenheiros e arquitectos e mandava fazer um projecto. Saía de lá com um power point, ia ao BPN e um terreno que tinha custado 100, por via da valorização da câmara, passava a valer 1000. O projecto passa a valer 4000 e pedem um empréstimo sobre o projecto. E o que deixavam lá de garantia? O terreno que valia 100!!!! É destas vigarices que o BPN está cheio. Projectos financiados que nunca passaram do power point!
Um dos exemplos que Paulo de Morais deu, recuando aos tempos dos Descobrimento, foi o de D. João II. Como conseguimos fazer os Descobrimentos? D. João II, o Príncipe Perfeito, que introduziu o primeiro livro em Portugal e fez o Tratado de Tordesilhas, derruba a conspiração de Viseu e mata o Duque de Viseu, Duque de Bragança e Duque de Beja. Esta “guerra” contra os fidalgos, com o confisco de bens, permitiu resolver o problema da fazenda pública (vejam como vem de longe e parece crónico ou genético) e lançar os Descobrimentos.
Portugal parece estar como o Brasil, em que há meia dúzia de pessoas, a aproveitar-se do Estado e a perpetuar a riqueza à custa dos portugueses. E estes parecem ser intocáveis. 70% da nossa dívida privada deve-se a estes senhores, 15% crédito ao consumo e apenas 15% para toda a actividade do país. Estes números fazem sentido? Temos de acabar de uma vez por todas com estes promiscuidade entre a política e a banca! Este meu texto parece muito desanimador mas não é. A verdade é que as coisas podem ser mudadas e existem soluções. Fica aqui a minha sugestão para comprarem e lerem o livro de Paulo de Morais.
A outra analogia pode ser também ser feita, com o Sermão de Santo António aos Peixes (tema do post anterior): «...Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande..».
Para terminar, soubemos ontem que o Prof. Vitor Gaspar se
demitiu do governo. Toda a gente bate palmas. O tempo, que ensina tudo e que é
sábio, dirá se foi bom ou mau ministro. Apesar de há algum tempo o nome deste
ministro estar nos remodeláveis, esta demissão surpresa, faz-me perguntar o que
se passou para um homem que parecia aguentar tudo ter atirado a toalha ao chão.
Para os entusiastas, que tanto acreditavam que a saída de Gaspar seria a
solução de todos os nossos problemas, fica a questão se não estaremos a caminho
de uma nova Grécia...
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Ainda a licenciatura de Sócrates
No Público de hoje:
“O antigo vice-reitor da
Universidade Independente (UnI) Rui Verde encontra semelhanças entre os casos
das licenciaturas de Miguel Relvas e José Sócrates e pediu a declaração de
nulidade do curso do antigo primeiro-ministro, em nome do princípio da igualdade
(...) Verde lembra também a avaliação na disciplina de Inglês Técnico,
que foi feita por um professor que não era o da disciplina e da qual não existe
enunciado. Além disso, a pauta de Sócrates “é totalmente diferente das outras”.
O terceiro motivo apontado prende-se com a inexistência do projecto final de
curso, obrigatório para a conclusão de licenciatura”.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Mário Soares, o visionário
Este senhor foi o mesmo que há uns anos, sem qualquer noção do ridículo se auto-proclamou candidato presidencial do seu partido contra o outro camarada, Manuel Alegre. Nesse ano teve uma derrota que o devia ter enchido de vergonha.... Mas pelos vistos não...
E há ainda quem lhe dê tempo de antena. Nunca simpatizei com este homem. Ainda me lembro nitidamente,
apesar da minha memória ser semelhante à de um peixe, da campanha presidencial
Soares vs Freitas do Amaral. Andava na primária e ouvia “Soares é fixe”. O que
me irrita nele é que viveu a vida toda à custa da política, foi o Presidente português
que mais viagens fez. Depois, segundo as biografias mais ou menos autorizadas,
descrevem-no como um bon vivant e um homem de várias mulheres. Para além de lhe
ficar muito bem, como homem de família, dá uma credibilidade desgraçada ao seu
conceituado casamento com a Maria Barroso. Depois o tão badalado acidente do
filho, que fez a sua mulher reconverter-se ao catolicismo, nunca se soube
muito. Nunca se explorou essas ambíguas relações com Angola e se isso tinha
alguma relação directa com o seu enriquecimento pessoal. Não percebo também,
como a sua própria Fundação, que só serve para os seus proveitos pessoais e
para o da família próxima, continua com o apoio do governo português. Foram tão
céleres a extinguir a Fundação Paula Rego mas continuam a patrocinar a Fundação
Mário Soares...
Este senhor, de
fraca memória, deve ter-se esquecido que foi o governo dele nos anos 80 que
pediu ajuda externa para Portugal não cair na banca rota. E foi 20 anos depois, o mesmo partido a que ele pertence, que voltou a pedir ajuda financeira. O que
me deixa boquiaberta não é a entrevista, mas onde esta foi publicada, num dos
mais importantes jornais brasileiros. Este senhor mostra que vergonha na cara é
coisa que ele não tem. Uma das coisas que ele afirma é que “Nunca houve tanto desemprego, tanta pobreza, tanta
miséria ..”. Este senhor sabe por
acaso o que é pobreza e miséria? Ou reparte a sua fortuna pessoal com alguém?
Ou a sua fundação é mecenas de alguém??
Mais à frente tem a brilhante afirmação “Eu sou partidário da tese da
Argentina e também do Brasil que quando estavam nessa situação disseram: 'nós
não pagamos'....”. Este senhor está bom da cabeça? Não pagamos??? Isso é
solução? O partido do qual ele faz parte assinou um memorando e agora quer
recusar a pagar??
Mais
pérolas: “O Serviço Nacional de Saúde quase desapareceu, há gente que não vai
aos hospitais porque não tem dinheiro para pagar [as contrapartidas cobradas
conforme procedimento]. As universidades, como as de Lisboa, do Porto, de
Coimbra, Aveiro e do Minho, que eram reconhecidas pelo nível internacional,
hoje não têm dinheiro. Os professores são obrigados a sair e a emigrar”. Este
senhor esquece-se de dizer que independentemente de se ser um milionário ou um
indigente, caso se necessite em Portugal de assistência médica, paga-se 20 euros
por uma consulta e necessários exames complementares de diagnóstico. Também se
esqueceu de dizer que o atendimento num Centro de Saúde não ultrapassa os 5
euros. Este senhor já experimentou o sistema de saúde brasileiro ou americano, que quem é pobre morre mesmo?! Deduzo pelas palavras deste senhor, que as
universidades públicas que ele cita que são instituições credíveis e de
reputação internacional, deixaram de o ser por causa da crise...?
Mais
à frente afirma: “Um dos grandes objectivos da Revolução de 25 de abril foi
descolonizar...”. A história ainda vai mostrar como a descolonização foi tão
bem feita...
Para
quem tiver curiosidade, aqui fica o link da entrevista.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Público vs privado
Os meus amigos e os meus familiares mais chegados que
trabalham na função pública não vão gostar de ler isto. Mas a verdade é a
verdade e factos são factos. Comecemos:
1. Quantos dias de férias existe no público? 25 a 30 dias. E
no privado? 22.
2. Quantas horas semanais se trabalha no público? 35 hrs. E
no privado? 40.
3. As pessoas podem ser despedidas no público? Não. E no privado? Sim.
4. A ADSE é outro dos escândalos na diferença de tratamento
e de acesso à saúde entre público e privado. Se os serviços são prestados nos
mesmos locais porque é que os funcionários públicos têm um sub-sistema
específico.
Já pensaram nas diferenças entre os subsídios de reforma dos
funcionários públicos e do privado?
Sabem com que idade pode um juíz do TC pode reformar-se após
apenas 10 anos de trabalho? 40 anos.
Não percebo como o TC considerou constitucional a taxa de
solidariedade aplicada a reformas superiores a 1350 euros...
É curioso como quase ninguém fala disto... Reflictam! [e já
agora, se vos apetecer, comentem].
domingo, 7 de abril de 2013
Relvas vs Sócrates
Numa altura em que a turbulência abunda no nosso país, o
caso Relvas acaba por ser o mal menor, mas aquilo que toda a gente esperava há
muito tempo. Para mal e vergonha dele, não saiu por vontade própria, mas quando
já não mais se podia aguentar. Para quem tem telhados de vidro, a atitude mais
sensata, e que lhe ficaria muito bem, teria sido demitir-se quando o escândalo
rebentou. Imaginemos que eu até acreditava que ele não tinha tido qualquer culpa
na obtenção da forma vergonhosa a sua licenciatura. O problema é que o passado
académico deste senhor não indicava nada de bom. Foi sempre um aluno que passou
à rasca e que as suas médias nunca ultrapassaram os 10 e os 11 valores... Pois
bem, ele poder-se-ia ter matriculado normalmente numa universidade privada e
ter obtido de forma normal o diploma. Acontece que existe, o que para mim veio
assassinar a qualidade e o prestígio das antigas licenciaturas, que passaram
para mestrados sem se ter acrescentado matéria ou carga horária. Mas isso são
outra conversas. Bolonha permite que um medíocre aluno, sem passado académico
brilhante requisite a obtenção de equivalências baseado no seu pseudo CV.
Imaginemos que eu até acredito que o coitadinho do Relvas, na sua boa fé,
requisitou as equivalências, sem pedir qualquer favorecimento nem atenção
particular. Surgem as questões: Não seria mais prudente Relvas ter-se dirigido
a uma universidade pública para pedir equivalências? Qual a razão de serem
sempre as universidades privadas postas em causa e de estes casos passarem-se
exclusivamente nelas? Isto leva-nos para outra questão. As universidades
privadas em Portugal, salvo raras excepções, serviram apenas para “acolher”
alunos que pelos mais diversos motivos não entraram nas candidaturas normais
nas universidades públicas. Para além disso, podemos ver a lista vastíssima de
políticos e ex-políticos, deputados e ex-deputados que engrossam a lista de
alunos e ex-alunos e docentes e ex-docentes destas universidades. Muitas destas
universidades serviram para atribuir graus a estas pessoas. No governo anterior
o caso da licenciatura do Sócrates foi muito semelhante a este caso do Relvas.
A única diferença é que de facto o Sócrates, antes de se matricular na
Independente, já tinha um bacharelato em Engenharia Civil pelo ISEC. Embora, já
se achasse engenheiro à época. Adiante, outros tostões. O Sócrates, já com um passado
académico, apresentou as disciplinas efectuadas, e pediu as respectivas
equivalências. Nada de mal. O problema começa nas disciplinas às quais não lhe
deram equivalência e a forma como ele as terminou com sucesso. Ok, partindo do
princípio que eu acredito na boa fé de todas as pessoas e o Sócrates fez apenas
aquilo que lhe foi pedido. Não é estranho para o comum dos alunos que
frequentou uma universidade e terminou uma licenciatura com mais ou menos
dificuldades, se questione como é possível efectuar uma prova escrita fora das
instalações da universidade e enviá-la por fax? Seria menos questionável se lhe
tivesse sido pedido por exemplo uma monografia. Mas não, foi um exame escrito
que depois foi enviado porque fax para o regente da disciplina. Isto é
espectacular. Andamos nós, qual patetas, a acabar licenciaturas com um júri de
pelo menos 3 pessoas doutoradas, mestrados com painéis de no mínimo 3 pessoas
doutoradas e júris de doutoramento com pelo menos 5 pessoas doutoradas, para
estas pessoas acabarem os cursos com exames escritos feitos fora das
universidades. Ok, continuando a achar que não tem mal nenhum, que é apenas um
pormenor, vem o diploma. O diploma de Sócrates, como é público, está datado de
um domingo... As coisas quando começam mal nunca acabam bem. Quem começa com
uma mentira nunca a consegue manter sempre ou para sempre. A licenciatura do
Sócrates foi passada a “pente fino” pelo Ministério Público que não encontrou
matéria duvidosa. Pois bem, aqui começa a minha admiração pelo Prof. Crato. O
Prof. Gago, ministro da tutela à época, lavou as mãos qual Pilates e não
considerou questionável este assunto. O Prof. Crato, independentemente de fazer
parte do governo e de Relvas ser seu colega ministro, não o tratou de forma diferente.
Avisou como deveria o Primeiro-Ministro do resultado da investigação e enviou-a
para o Ministério Público. A ver vamos se o Ministério Público, ao contrário de
Sócrates, vai encontrar alguma coisa nesta licenciatura. Como estava escrito no
“Expresso” Relvas entrou Doutor (devia ter sido escrito Dr. porque Doutor é o
grau dos doutorados) e sai Senhor. Que estes episódios ensinem às pessoas que,
como dizia a nossa Amália “quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada”.
Grande Crato, obrigada!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
A demissão do Relvas
Um dia depois da nomeação do embaixador do impulso jovem, o
ministro da tutela demite-se. Fica a questão: este também vai demitir-se?
terça-feira, 2 de abril de 2013
O "embaixador" nomeado pelo Relvas
Leio no “Dinheiro vivo” que o Relvas acaba de nomear para
embaixador do programa “Impulso jovem” o “vendedor de banha da cobra” Miguel
Gonçalves "que conheceu no you tube". Para quem ainda não chegou lá é aquele que fala como quer
para quem quer em programas de tv e toda a gente bate palmas às suas
palhaçadas. Esta é a versão universitária do Tino de Rans, que na sua humildade
e simplicidade protagonizou um inflamado discurso num congresso do PS e cumpriu
o seu sonho ao “tascar” um abraço ao seu camarada Guterres. Estes exemplos são
comuns em todas as aldeias, vilas, cidades pequenas e afins. O problema é estes
casos serem usados como casos de sucesso, quando na verdade, são o motivo da
risota popular de que o nosso caro Eça falava no seu tempo, mas que se mostra
mais actual do que nunca. Podem acusar-me de inveja deste Miguel Gonçalves (não
confundir com o Miguel Gonçalves Mendes realizador do "José e Pilar"). Mas um bocadinho de aprumo no seu discurso não lhe ficaria mal: “eu queria falar cumbosco”; “a
berdadeira rebuluçon”; “eu andei sempre de mangas arregaçadas” e com sound
bites baratos e de qualidade duvidosa (“uns choram outros vendem lenços”, “pimenta
no cú dos outros é refresco”). Para acrescentar, claro que nem tudo o que este
senhor diz é verdade... Neste video (11:27 até 11:58) este senhor diz assim: “Um
dos melhores exemplos que conheço é a minha cara-metade, Tânia. Tinha um sonho
maior que era ser professora universitária. Trabalhou a licenciatura inteira
para acabar o curso com uma média galáctica. Aos 22 foi professora de Economia
na Universidade do Minho. Esteve lá 6 meses. Detestou. Não era a paixão dela,
afinal de contas. Mas ela começou tudo de novo. E foi aquela experiência que
lhe permitiu perceber que ela gostava muito daquele ambiente da academia. E foi
uma das primeiras pessoas na Europa a criar um instituto europeu de
excelência...”. Este senhor que faz
discursos públicos, e não entre quatro paredes para alguns amigos, tem que ter
mais atenção com o que diz. Mesmo que queira vender irrealidades. Claro que
sabemos que a realidade não é tão bonita como a ficção. Há uma figura de estilo
que se chama hipérbole. E eu prefiro usar esta palavra para definir esta parte
do discurso. De facto, a cara-metade dele, não criou nenhuma rede de excelência
nem a ajudou a criar. Mas foi, de facto contratada para trabalhar nesta rede de
excelência europeia, tal como eu e outras dezenas de pessoas. Os louros devem
ser atribuídos, de facto, a quem idealizou e concebeu esta rede de excelência
que foi antes de eu entrar para o grupo. Eu lembro-me do dia em que se soube.
Eu era um “bebé de fraldas”, uma estagiária naquele tempo. Lembro-me das comemorações
no lab, mas de facto, a cara-metade deste senhor ainda não estava no grupo e
como tal, não criou nenhuma rede de excelência. Miguel Gonçalves, na conferência de imprensa quando questionado sobre as políticas do
governo e sobre austeridade, responde: “Estais a tentar apanhar-me de um lado e do
outro. Eu não sei. Faz perguntas importantes.... “Faz uma pergunta que consiga responder...”.Este senhor
que cita Platão e Pessoa não sabe opinar sobre o governo que o contrata?
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
A importância da eleição de Obama
Em 2008, quando estava em Houston, acompanhei muito de perto a escolha dos democratas entre Barack Obama e Hillary Clinton. Naquela altura eu fui uma defensora acérrima da Hillary. Nunca gostei muito de rótulos, nem de classificações, nem de definições, nada que pudesse ser redutor. Afinal, há coisas na vida que são inclassificáveis e indefiníveis por palavras. Por tudo isto, o que eu gostava na Hillary não era o facto de ela ser mulher, ou de ser uma minoria, ou ter chegado onde muitos homens queriam ter chegado. Eu gostava da determinação dela, dos discursos que não eram tão cativantes como os do Obama mas que falavam de coisas mais profundas, parecia que não se importava em dizer apenas o que as pessoas queriam ouvir. Por ex, Obama só apoiou o casamento entre pessoas do mesmo sexo este ano, Hillary já o apoiava em 2008. A Hillary parecia não se importar com o que a maioria queria que ela dissesse, ela tinha ideias e causas próprias e defendeu-as. Mas acima de tudo, o que de mais impressionante há nesta mulher, é que sendo uma mulher de um ex-presidente como foi Clinton, que passou pela humilhação pública do caso Lewinsky, pela chacota mundial, e que mesmo assim não se escondeu e não se deixou humilhar. Muitos apostavam na morte política anunciada dela. A história veio mostrar-se outra. Este é o exemplo de que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher. E eu tenho tanta pena que a Hillary não tenha sido a candidata dos democratas nas eleições de 2008. Continuo a achar que a Hillary é muito melhor que Obama. E Obama veio a adoptar algumas das coisas que Hillary defendia. Acho que a governação dele ficou muito aquém do que prometeu. Aliás, eu lembro-me que na altura os americanos achavam que ele iria ser o salvador da pátria, um milagreiro. Os anos mostraram que Obama é apenas um humano, apesar de ser uma das pessoas mais poderosas do mundo. Acho que é um tipo bem intencionado, arrasta multidões, inteligente, andou nas melhores universidades do país e é um exemplo de uma criança que foi educado pela mãe e pelos avós maternos, que chegou onde as elites chegam. Esse é o sonho americano. Mas prometer a reforma do sistema de saúde, "nacionalizando" o que é privado...foi muito... Alguém que conhecesse bem o sistema de saúde americano acreditava que ele era capaz de combater o lobby das seguradoras e dar assistência médica para todos? Isto era quase a utopia do sistema comunista leninista. Mas nunca ninguém poderá dizer que Obama não teve uma excelente prestação internacional. Basta ouvir as críticas de Romney sobre a relação actual EUA-Rússia. Ou por ex. a retirada do Iraque, a forma como tem lidado com o Irão, não ter intervido na Síria (não se achando o maior do mundo à Bush). A paz no mundo ficou melhor na era Obama. Mas depois de Bush, qualquer um faria melhor. No entanto, com esta ameaça Romney para presidente dos EUA ia ser a desgraçada. Aquele discurso pró-americano de que a América é a melhor e soberana de todos os países, pró-guerra a lembrar a malograda era Bush, anti-Russia a fazer avivar a nostálgica guerra-fria... e muitos outros exemplos. À boa maneira americana, o povo é de extremos. Felizmente, para o mundo, os americanos decidiram-se pelo seguro. E eu quero acreditar que o mundo com Obama é um mundo mais seguro.
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