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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Dia 1 - Florença

Florença, 9 de Dezembro 2018

Venho pela primeira vez a Florença para ver a exposição da Marina Abramovic "The cleaner". Para além disso, apesar de todas as maravilhas que me disseram sobre a cidade, dos monumentos, da história, da paisagem, da atmosfera, da comida, dos vinhos, da arte, Florença nunca esteve entre as cidades italianas que tinha mais interesse em conhecer. Como já disse alguém, vim (apenas) para ver e andar por aí. (Mas) ledo engano! E fiquei fascinada pela cidade, pelo ritmo, pelas decorações de Natal, pela proibição de carros em muitas ruas do centro histórico, pelo vinho, pela comida, pela quantidade de pessoas que andam de bicicleta, pela conservação dos edifícios, pela limpeza (comparativamente com outras cidades italianas). 

Saí de Genova às 18:52 no comboio Frecciabianca. Os bilhetes, comprados com a devida antecedência, numa modalidade Super economy (que não permite mudanças nem reembolsos), vale muito a pena, principalmente , em primeira classe. A viagem foi directa de Genova à estação de Campo de Marte em Florenca. Teria, depois que mudar para um comboio regional que me levasse à estação de Santa Maria Novella, mais no centro da cidade e onde o meu hotel ficava. A viagem correu muito bem. A carruagem quase vazia, que é o que se pretende quando se escolhe a primeira classe. Dormi parte do caminho, o que é uma raridade. O comboio saiu a horas, em direcção a Roma. Tudo a parecer perfeito. Já estávamos na primeira estação de Florenca quando percebemos que algo se passava. Uma avaria qualquer numa das linhas que nos deixou parados mais de 50 minutos. O que fazer a não ser esperar? Após quase uma hora, o comboio lá retomou o trajecto e cheguei à estação de Campo de Marte. Quase ninguém. Passava das 11 da noite. Todos os comboios atrasados. Saí em direcção à entrada da estação e nenhum táxi disponível. Chamei um táxi com uma aplicação que uso em Genova e em aproximadamente 5 minutos tinha um táxi. Chovia. Cheguei ao hotel rapidamente, já que a distância não chegava aos 5 km. Paguei 20 euros.  Fiquei no hotel Diplomat da cadeia C-hotels. Escolhi este hotel pela localização, mesmo ao lado da estação de S. Maria Novella, e porque gostei do preço, do estilo minimalista do hotel e dos comentários. Só não vou dar 5 estrelas porque o funcionário da recepção não foi a simpatia em pessoa. De resto, o hotel foi aquilo que prometia. O quarto não era muito grande mas tinha uma cama de casal, uma vista agradável, com um chuveiro bom. Nada a reclamar. 

Acordei antes das 7 da manhã, ainda vi o o sol nascer. Voltei para a cama porque ninguém merece madrugar ao fim de semana, mesmo quando Florença nos chama lá fora. Acordei a tempo de tomar o pequeno-almoço e voltei para a cama. Por volta das 11 saí e não quis saber dos conselhos, das dicas, do Lonely planet, dos mapas... Saí para ver, apenas. Fui em direcção ao rio Arno, sem saber. Exactamente na Ponte antes da Ponte Vecchio. Estava um dia lindo. Céu azul. Temperatura amena. Caminhei ao longo do Arno, passei junto ao Museu Galileo, mas não entrei. Tirei a foto da praxe com a Ponte Vecchio ao fundo. Não passei pela ponte. Demasiada gente, demasiada confusão. No Uffizi está patente uma exposição do Leonardo da Vinci sobre um dos códigos. Debaixo dos claustros, os emigrantes de leste fingem que são pintores. Deixei-me enganar em Roma, não serei enganada mais. Vi as estátuas dos grandes: Dante, Leonardo, Michelangelo. [Aprendi com o meu colega de gabinete, de nome Pietro, nascido em Florença, a quem também chamam Ulisses, com cabelo e um longa barba ruiva, que em Florença referem-se a Leonardo Da Vinci como Leonardo e não Da Vinci]. Foi aqui que comecei a achar Florença mais do que esperava. Na Piazza della Signoria é de ficar de boca aberta com as reproduções de David, Hércules, Porseus e Neptuno (que está a ser reconstruído). Sento-me no chão apenas a olhar. E reconheço que preciso rapidamente de um dicionário de personagens mitológicas gregas. Esqueço-me do tempo. Daqui sigo para a casa de Dante. E depois sigo as ruas até ao Duomo. Não porque queria ver o Duomo mas porque queria ver a famosa cúpula. E especificamente queria ver a cúpula desde a Caffetaria delle Oblate situada na Bilioteca com o mesmo nome. Quando chego perto do Duomo e vejo aquela maravilha e o tamanho daquela obra de arte, rendo-me. Que obra explêndida. Não consigo fechar a boca tal é a minha surpresa. Não houve nenhum livro, foto, descrição, publicidade que descrevessem o que o Duomo é na realidade. Só vendo ali. Não há como a duas dimensões reproduzir a magnitude e a beleza de tão maravilhoso monumento. Ainda continuo em choque. Foi das coisas mais bonitas que vi na vida. Mesmo. E daqui sigo para a tal cafetaria que tem uma das vistas mais bonitas do Duomo, ou pelo menos, da mundialmente conhecida cúpula do Duomo de Florença. Não são mais do que 5 minutos a pé. Mas o que descubro? Dia 8 de Dezembro, feriado. Não só está fechado nos feriados como aos domingos. Voltarei. Mas como a desilusão é grande, não como desde o pequeno almoço e já passa das 4 da tarde, entro no primeiro restaurante que vejo. Espreito pela janela. Tem umas bonitas toalhas de pano aos quadrados brancos e vermelhos e umas peças de carne que darão origem ao famoso bistecca alla fiorentina. São 200 a 400 g de carne. Teria que estar faminta para conseguir comer essa quantidade, e mesmo assim, duvido. Não sei o que me fez entrar. Mas pareceu-me agradável, aconchegante, com uma luz discreta (como a Blanche Dubois gostaria). A essa hora ainda havia gente a almoçar e quem me atendeu foi muito simpático e prestável. Vi várias garrafas em cima do balcão e pedi opinião sobre qual deveria optar. Decidi-me por um Chianti, seguindo a sugestão. Depois pedi uma bruschetta que estava maravilhosa de tão simples. Não estava esfomeada, o que melhora a qualidade da apreciação. Eram três fatias de pão (com uns 3 cm) sem sal (como é típico em Florença), com quadrados pequenos de tomate com sal e azeite. Só isto, simplesmente. Acho que o segredo era a qualidade dos produtos. E pedi, também, uma tábua de queijos que veio acompanhada de uma compota de alperce e mel. Na maioria das cidades turísticas, entrar num restaurante assim às cegas, sem uma recomendação, pode revelar-se uma péssima experiência. Não foi o caso. Este restaurante de nome “Lo scudo”, mesmo junto ao Duomo, foi uma escolha muito acertada.


Depois, andei pelas ruas a ver e a entrar nas lojas. As ruas estavam repletas de gente e muito bem decoradas com enfeites e luzes de Natal. Gostei especialmente de uma loja Legami (www.legami.it) que é semelhante à Tiger mas ainda melhor, para pessoas viciadas como eu em esferográficas, cadernos, lápis, borrachas... No fim do dia fui tomar um aperitivo ao Eataly.














sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Peixe na Avenida

O restaurante “Peixe na Avenida” foi inaugurado no início de Setembro e fica numa das ruas perpendiculares à Avenida Liberdade. Ali mesmo ao lado do David Rosas.Um restaurante claro, bem iluminado, moderno, clean, com uma oliveira e uma jarra de andorinhas à entrada. Um bar, ao estilo americano, ao fundo e as mesas não têm toalhas.




A cozinha é comandada pela chef Luísa Fernandes, a chef Luisinha, como é conhecida. Foi enfermeira durante 30 anos até render-se definitivamente à sua paixão pela arte culinária. Do “Tachos de São Bento” mudou-se para a cidade da sua vida, NY. Lá ganhou o concurso culinário Chopped, torna-se chef executiva de vários restaurantes até terminar a sua aventura americana no Robert, o renomado restaurante no topo do Museum of Arts and Design em  Columbus Circle. Para ler mais aqui, aqui e aqui.

Chef Luisa Fernandes

O conceito do "Peixe na Avenida" baseia-se na viagem dos navegadores Portugueses pelo Mundo, poderíamos dizer que uma viagem num transatlântico, mas seria redutor. É uma viagem pelos 7 mares, uma descoberta dos sabores do mundo que incluem influências marcantes dos sabores e ingredientes  portugueses. Aqui, como o nome indica, o peixe é o rei dos ingredientes. Múltiplas fusões de diversas culinárias e várias interpretações pensadas pela Chef Luisinha são o mote para a viagem gastronómica que não deixará, com toda a certeza, ninguém desapontado.


Chegam-nos à mesa diversas variedades de pão quente (tomate seco, escuro, milho e azeitona) . De entrada escolhemos sopa rica do mar e ceviche de atum. Os pratos principais foram diferentes para todos: caril de Goa, moqueca baiana, robalo do mar e polvo assado com vinho tinto da Quinda da Pacheca. Tudo regado com um vinho branco de Palmela. As sobremesas foram também (a)provadas: mil folhas, tarte tartin com gelado de violetas, trilogia de chocolate e mousse de chocolate. Gostava de ter o talento de Hemingway para descrever cheiros e paladares, sentidos não reproduzíveis, ainda. Ficam as fotos e os elogios, nunca suficientes, de competência, simpatia, frescura e qualidade dos produtos, saber receber, e no nosso caso, amizade. A Luisinha há alguns anos que nos conquistou pelo estômago, a sua arte de bem cozinhar e o coração enorme. A repetir, sempre.

Ceviche de atum

Atum do mar grelhado, favas com chouriço alentejano

Moqueca baiana com camarão, peixe do dia, leite de côco, óleo de palma e mandioca

Caril de Gôa com caranguejo, camarão e arroz de cardamomo
Polvo assado com vinho tinto da Quinda da Pacheca, batata doce, cebola roxa e puré de grelos


Mousse de chocolate

Mil folhas








sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Para a minha querida amiga Luisinha (em forma de carta)

A primeira vez que vi a chef Luisinha foi na inauguração do City Sandwich e no Portugal Day no Central Park (em que estava com a Catarina Portas e o Tiago Mexia). O sorriso da Luisinha é a marca da sua personalidade. Quando a vemos, tão pequenina, não imaginamos o mundo que tem lá dentro. Semanas depois fomos ao Robert beber um cocktail. De conhece-la apenas de vista, a conhecê-la mesmo, foi nesse dia que começou a nossa amizade. Senti-me em casa, em família, aquilo que mais falta nos faz em NY: o conforto de uma família. Nunca mais me esqueço que nesse dia nos presenteou com uma panna cotta e bambolinis. Depois desse dia, muitos jantares se seguiram. Ofereceu-nos tanta coisa sem preço. Tratou-nos tão bem. Levei lá toda a gente que conhecia, recomendei muita gente e inclusive o Ruben Alves ainda hoje me fala do jantar memorável que lá teve.

A chef Luisinha é o exemplo que nenhum sonho é impossível. Quando nos faltarem as forças, lembremo-nos dela. Foi enfermeira chefe muitos anos, perdeu um grande amor, e há mais de 10 anos reformou-se e veio para NY lutar pela sua outra paixão: a cozinha. Começar uma vida de novo, depois do meio século de vida, longe de casa, do outro lado do Atlântico, não é fácil, nem é para todos! [Ainda hoje me lembro da história da “morte do Bono!!!]. Não são só sorrisos nem alegrias. Mas a força da Luisinha venceu tudo e tornou-se uma chef reconhecidíssima.

Não me esqueço de todas as histórias fenomenais que a Luisinha contava do hospital, de muitas aventuras de NY, do jantar que tivemos no LOURO (em que a Luisinha pagou a maior parte porque nós, coitadinhos, éramos investigadores - nas palavras dela), dos jantares memoráveis no Robert em que a Luisinha se sentava à nossa mesa e bebia apenas uma água com gás, de como éramos tratados com verdadeiras honras.

A Luisinha, apesar de ter viajado muito, antes de ter mudado para NY nunca aqui tinha estado. Sempre disse que quando viesse a primeira vez ficaria aqui para sempre. É de perder a conta quantas pessoas ajudou. E este exemplo da Luisinha é fundamental, também, para percebermos como a cozinha é uma forma de arte. Para além disso, adora flores como ninguém. E tem a neta uma das suas maiores admiradoras.Tal como a avó, ama NY intensamente.[ Queria há uns anos ter uma banca na Quinta Avenida].

PAPS, Portuguese Circle, principalmente em cidades difíceis como NY, continuem com este excelente trabalho de aproximar os portugueses. Usem sempre o exemplo da Luisinha e nunca estarão sós.
Luisinha, até muito breve, pessoalmente. A vida sorri sempre a pessoas tão boas e com o coração tão grande. Muito obrigada por nos fazer sentir tão perto de casa e por nos ter mimado tanto.
Com um beijo meu,

A. (M)








quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Dan's Finger Food and Drinks

10.12.2016

Foi a nossa segunda vez. Noite de sábado. Fria, como todas, no inverno do Minho. Mas, felizmente, sem chuva. Não existem reservas. Quando chegamos por volta das 8 a fila de espera era considerável. E o nosso desafio era grande: 10 pessoas (3 crianças, 6 adultos e uma bebé no carrinho). Esperamos aproximadamente uma hora.

A primeira vez que experimentamos foi há mais de 6 meses e ficamos com óptima impressão e com vontade de voltar. Fomos menos mas também levamos uma criança. Pode dizer-se que é um restaurante completamente kids friendly. Existe um menu especificamente para crianças. E os nuggets ( que não são mais do pequenos panadinhos muito bem feitos). Da primeira vez bebemos sangria de frutos vermelhos. A cerveja que existia era de uma marca espanhola da qual não me recordo o nome.

Desta vez, a lista de cervejas era muito maior e incluía as artesanais, nas quais recaiu a nossa escolha. Pedimos 3 tipos diferentes e duas delas em tamanhos familiares e que foram trazidas numa taça de gelo. Pedimos várias entradas. Levamos um bolo de aniversário e foi-nos trazido pratos e talheres (o que muitas vezes não acontece em muitos restaurantes). Apesar de Guimarães ser uma cidade reconhecida pela sua tradicional comida minhota, este Dan’s merece uma visita. De vez em quando os adultos anseiam por um hamburguer de qualidade e uma boas batatas fritas e os miúdos adoram. Pedimos várias doses de de entradas de nuggets e camarão enrolado em bacon. Os adultos escolheram entre os 13 hamburgueres disponíveis e as crianças os respectivos menus mais pequenos.


O melhor: A luz e a iluminação. A meia-luz. E o ambiente a fazer lembrar um típico bar americano. Um dos funcionários que tem um humor que merece ser falado. Dois dos molhos que acompanham o hamburguer: caril e maionese com alho . As batatas fritas

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Uma noite linda daquelas com Moreno Veloso

Dia de manif de taxistas em Lisboa. Eles chamaram de greve, eu chamo de bloqueio. Aeroporto caótico. Filas e filas. Pessoas e mais pessoas. Um mar de gente. Metro congestionado. A verdadeira democracia. Gente de todas as idades e estratos sociais como sardinha em lata. Mas tudo acaba dando bem. Em Lisboa não se vê um único táxi.

O concerto está marcado para as 9. Vou de metro até ao Chiado e vou comer qualquer coisa ao Mini Bar do José Avillez. Quero ficar ao balcão, como sempre quando estou sozinha. O balcão é do bar, para se aguardar enquanto não se tem mesa, mas fazem-me a vontade sem eu pedir muito. O que mais gostei foi da luz. Aquela iluminação de meia-luz como tão bem descreve Blanche DuBois em "Um eléctrico chamado desejo".: "Apaga essa luz demasiado forte! Apaga isso! Não quero ser vista debaixo desse clarão impiedoso! (...) Detesto lâmpadas sem quebra-luz (...) As pessoas frágeis têm de brilhar. Têm de usar cores suaves, cores de asas de borboletas, abafar a luz com uma lanterna de papel". O bar é ao estilo daqueles bares trendy de NYC onde se vai depois do trabalho, ou beber um copo antes ou depois do teatro e, por último, a mais comum das hipóteses, afogar as mágoas em grande estilo a beber uma pipa de massa (para depois garantir uma ressaca daquelas). 
Aqui a iluminação está focada nas garrafas e o que vi preparar leva-me a dizer que voltarei em breve (a minha intenção era voltar no fim do concerto para uma Margarita ou um mojito, mas nem tudo corre sempre como queremos e/ou esperamos. Devagar, dizem. O caminho faz-se caminhando. Paciência é a melhor virtude que podemos ter). Escolhi o mini hambúrguer porque só queria qualquer coisa para segurar o copo de vinho branco José Avillez. Entrei quase às 8:30 e perguntei se conseguia comer qualquer coisa até antes das 9. Disseram-me que sim. Irrepreensível. Às 8:55 já estava a pagar. Simpatia mais do que muita. Humor em doses idênticas e disponibilidade do melhor.



O Teatro São Luiz estava composto. A sala, para quem não conhece, é muito bonita no estilo do Teatro Nacional São João. As cortinas estão fechadas. Não esperamos muito para o início. Algumas caras conhecidas na plateia: Anabela Mota Ribeiro, Matilde Campilho, um dos músicos da banda Cê, achei que vi o Domenico Lacellotti (mas como sou pitosga, não aposto).
As cortinas abrem e lá está Moreno Veloso e a banda (Pedro Sá, Rafael Rocha e Bruno Di Lullo). Estão debaixo de uma iluminação de várias cores com uma espécie de vários candeeiros de luzes pequeninas. Eu não conhecia o Moreno no palco. Nem nunca nos cruzamos na vida. Mas este menino de 44 anos tem uma doçura misturada com um riso lindo e uma alegria que deve vir da Bahia. Não imaginava que fosse tão extrovertido. Sentia-se em casa, era notório. E rodeado de amigos. Um menino grande. Um despojado. É daqueles concertos que não se vai para cantar nem para reconhecer mas apenas para ouvir. Foi o que fiz. Não me lembrei do telemóvel. Perdi a noção do tempo. Não reconheci todas as músicas, nem esse era o objectivo. Mas cantou Mambeado aquela que diz: “Que lindo es estar en la tierra/ después de haber vivido el infierno”. Fechei os olhos e ouvi, somente.Que bem que o Moreno a canta.  Depois, chamou ao palco Luana Carvalho que tudo o que cantou eu gostei. E eu que quase não oiço música e que não gosto de quase nada. Cantaram juntos, a tão esperada por mim, Deusa do Amor, um verdadeiro hino ao Carnaval de Salvador mas com batida suave, uma melodia de amor, que eu tenho ouvido em loop: uma verdadeiracantada”: “Tudo fica mais bonito quando você está por perto/ você me levou ao delírio por isso eu confesso/ os seus beijos são ardentes/ quando você se aproxima o meu corpo sente/.../ Balanço o alicerce mais forte que tem nesse mundo/ O cupido me flechou”. Não é lindo? Não são necessárias grandes metáforas e eufemismos para descrever o maior dos sentimentos. Luana Carvalho que eu não conhecia nem nunca ouvi falar, imagino que a maioria também não. Vi-a pela primeira vez no Folio, em Óbidos num showcase de música e poesia (para ler mais aqui e aqui). Não se esqueçam, esta menina ainda vai dar muitas cartas! É só talento. Muitos, numa só. Depois, sozinho, cantou Coisa boa a canção de ninar para os seus “filhinhos”, Mar português de Pessoa, Noite de Santo António. Dançou muito com Luana Carvalho. Mostrou que sabe dançar. Tem swing. Dança muito! Uma alegria. Voltou duas vezes ao palco, incluiu Arriverdeci e Leãozinho.
No final do concerto saimos felizes e de bem com a vida. A felicidade num instante. É isto, apenas.






Todas as fotos, com excepção da primeira, foram gentilmente cedidas pela Catarina Henriques


E no dia seguinte seria talvez o dia mais feliz da minha vida. Mas esse merece um texto à parte. Aguardem. Eu gostava de dizer que sou inspirada e que escrever é inspiração. Mas para mim é trabalho, tempo, inspiração e disponibilidade. Conjugar estas coisas é uma tarefa hercúlica, para mim. Desculpem, para quem pede muito e mais e mais.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Tasca Torta

Aconselhada no hotel, vim parar à Tasca Torta. Meia dúzia de mesas é o tamanho do restaurante. Quem nos recebe é um senhor de óculos com um humor peculiar. É-me dada a ementa. Olho em volta e os pratos têm todos óptimo aspecto. Pergunto por sugestões e nada me é aconselhado. Depende do meu gosto. Começamos pelo vinho. O antigo Vinha da Defesa que agora é apenas Defesa. Branco. Escolho uma entrada. Vieiras em cama de legumes. Enquanto espero, colocam-me copo e garrafa na mesa. E água, sem pedir. Aproveito e saio para fumar um cigarro, do prazer, não de viciada. Regresso e colocam-me as vieiras na mesa, como na foto. Simples. Rúcula,  courgette e umas pitadas de sal. Já vou em 2 copos de branco. Segue-se a espetada de frango com farinheira. E colocam-me um copo, que provo, e é vinho do porto LVD 10 anos Offley. O prato principal é uma experiência sensorial. A espetada, com pimento vermelho, cogumelos e frango acompanhada de um arroz de grelos/ espinafres  e uma salada de alface, rúcula, tomate cherry e cebola com um molho de mel. Meu Deus! O vinho agora muda para tinto: Cabeça de ToiroComer, beber livros e viajar! É isto que levamos da vida. Eu, pelo menos. A sobremesa entre o melhor chocolate do mundo, que conheço tão bem de NY, e uma mousse de pêra rocha com raspas de chocolate, massa filo eum molho de frutos vermelhos. A escolha é a última. Pouco doce. Nada enjoativo. Mesmo cheia, consegue ser a cereja no topo do bolo. Quem passar por Óbidos, não se esqueça de passar por aqui.Quem gostar de um humor judeu, quem está atrás do balcão, é do melhor que há.










quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MICHIZAKI

Doze de Julho de 2016

Aproveitámos para comemorar o regresso da C. e do F. ao mundo depois de terminarem a escrita e a entrega das teses de doutoramento. O pior, segundo a maioria diz, está feito. Para mim, o pior, que é a defesa pública, ainda está para chegar. Felizmente para eles, que discordam de mim, a defesa será peanuts. Como nós arranjamos qualquer desculpa para festejar, o que quer que seja, fomos ao Michizaki. Ao contrário da maioria dos restaurantes japoneses all you can eat que servem os clássicos sushi, sashimi, crepes, temaki, katsu... em alguns restaurantes encontra-se ramen (mas não em Braga). Os melhores que experimentei em Portugal são o Gosho e um que acho que já fechou em Lisboa que era na R. da Misericórdia: UMAI.

Este Michizaki é pequeno. Convém reservar mesa. Tem um balcão onde se vê os chefs a preparar os pratos. Tem uma decoração minimalista e bem conseguida. Tem umas cadeiras lindíssimas e alguns bonsai. Não parece um restaurante mas um bar. A ideia é de degustação. Tudo é servido em pequenas doses (3 ou 4 unidades). Tem um boa carta de bebidas. Eu escolhi uma sakerinha (uma espécie de caipirinha com sake com pouco ou quase nenhum açucar). Pelo menu percebemos que existem diferentes opções para o almoço e para o jantar, incluindo o almoço, as famosas bento box. O que nos despertou o interesse foi saber que havia Tokoyaki  (uns bolinhos com polvo que são servidos a escaldar). Foi o que mais comemos. Experimentamos diferentes tipos de sashimi. De ressaltar que a variedade de peixes era maior que a normal e que a qualidade era perfeitamente distinguível. Comemos ainda uma massa vegetariana e pickles japoneses (que estavam maravilhosos). Eu comi ainda uma sopa miso.

O serviço é rápido. A espera entre os pratos mesmo quando se pede para repetir é muito aceitável. O ambiente é agradável. O espaço tem bom gosto. Produtos de óptima qualidade. Vale muito a pena. Não é barato nem nada que se compare (para se ficar satisfeita e eu como pouco): + 30 €/pessoa. Não é para desanimar nem para demover a vontade de experimentar. O preço é alto, mas justo. Para a qualidade e a experiência é um must go.



Copyrights: Braga Cool e Michizaki.

domingo, 27 de abril de 2014

Solar dos Presuntos

16 de Abril, quarta-feira à noite. Dia de Porto-Benfica para a Taça de Portugal. A entrada do “Solar dos Presuntos” está repleta de pessoas. Algumas têm mesa marcada, outras não. A espera é de meia-hora. Muito amavelmente, Pedro Cardoso é quem recebe as pessoas. Já vi muita gente simpática, mas tanta simpatia por metro quadrado e um serviço assim, foi a primeira vez. À entrada está, também, um grande aquário com lagostas. As paredes do restaurante estão cobertas por fotografias de gente conhecida. Gente das artes, do espectáculo, futebol, música, política, portugueses e estrangeiros. Gente da ciência não vi, mas é provável que por lá também estejam.

Esperei cinco minutos e levaram-me à mesa, no terceiro piso. O José Luís foi a pessoa responsável pela minha mesa. Mesa posta, um prato com queijo de S. Jorge, presunto e paio. Um cesto de pão chega com diferentes tipos. A minha atenção vai para a baguete acabada de sair do forno. Acho que nem em Paris comi nenhuma tão boa. Como direcciono o meu apetite para a baguete barrada com manteiga, não toco no presunto, queijo e paio. Tinha que fazer escolhas pois o estômago não chega para tudo. Depois de uma vista rápida pela ementa pergunto o que me sugerem. Carne ou peixe é a pergunta. Peixe, é a resposta. Posta de cherne, peixe galo... mas estava inclinada para uma das especialidades da casa: açorda de lavagante. O vinho que me trazem é “Carvalhos” do Douro, também sugerido. Eu que não sou muito apreciadora dos vinhos do Douro, fiquei rendida à combinação. Foi o vinho ideal para acompanhar o prato.

Restaurante completamente cheio. As três salas cheias. À minha frente, um casal de japoneses não trocam uma palavra durante todo o jantar. Devem estar a jogar “ao sério”. À minha volta vários casais e muitos brasileiros. Os brasileiros são a população maior deste restaurante, pelo menos nesta noite. Todas as pessoas responsáveis pelo serviço de mesa dominam vários idiomas, são muito simpáticos e têm conhecimento de vinhos. As paredes deste terceiro andar, fotos grandes de Amália e Rui de Carvalho, entre outros, e muitas caricaturas.

O José Luís traz uma pequena panela com a açorda de aspecto divinal, com um ovo cru e muitos coentros. Mistura tudo muito bem e serve-me. O cheiro perfumado dos coentros é indescritível. O vinho mostra-se perfeito para acompanhar este prato. O José Luís vem frequentemente perguntar se a açorda está boa.  Chega a hora da sobremesa. É-me sugerido o “melhor do mundo”. Recuso amavelmente porque já conheço. Quero outra coisa. O José Luís faz-me uma surpresa e traz-me pão de Ló de Monção com doce de ovos e canela. Foi a catarse. Terminei com um descafeinado. Serviço exemplar. Comida muito bem feita. Carta de vinhos muito completa. Tenho a certeza que ninguém se vai arrepender.



terça-feira, 1 de abril de 2014

Os encantos e recantos de Lisboa

Um dos restaurantes que queria experimentar há muito era o UMAI. Paulo Morais, o dono, está referenciado como um dos melhores chefs de cozinha japonesa do país. As especialidades deste restaurante incluem países como Índia, Tailândia, Vietname, Coreia ou China. Sábado à noite numa rua meio Chiado meio Bairro Alto, mais propriamente na Rua da Misericórdia, é para esquecer. A hora avançada não é sinónimo de restaurante vazio mas antes de populoso e barulhento. Pessoas já bem bebidas e a falar como se as outras fossem surdas. Provavelmente fui no dia errado e esqueci o objectivo deste restaurante. A palavra-chave deste restaurante deverá ser: partilha. Experimentar várias coisas, vários pratos, vários sabores porque as doses parecem abundantes para uma pessoa só. Atendimento impecável. Comecei por um cocktail (cujo nome não me lembro) mas era com frutos vermelhos, gin e água com gás. Recomendo. 


A sopa misoshiru foi menos que mediana. De todas as que provei pelo mundo fora, mesmo nos restaurantes menos afamados, superaram esta. Escolhi, depois, 15 peças de sashimi com 3 peixes diferentes. Os nomes dos peixes foram-me ditos, mas eu não os retive. A sobremesa foi aquilo que mais surpreendeu. As palavras não conseguem descrever a surpresa do que chamam de ensaio, o que equivale a dizer a surpresa do chef. Como Hemingway pedira para descrever o sabor de uma pêra no livro “Moveable feast” poderia descrever esta extraordinária sobremesa. Mas como não tenho o dom dos adjectivos como Hemingway, fica a foto: 


Mas concordo com quem uma vez disse que o português é uma língua que usa muitas palavras para se dizer o que noutra língua se poderia dizer com uma.


Há locais difíceis de encontrar para quem não é local. Pois bem, o jardim do Palácio das Galveias é um desses. Um encanto no meio da cidade. Um género de Bryant Park ladeado pelo edifício sede da Caixa Geral de Depósitos. O jardim está muito bem cuidado. Há cadeiras para apanhar sol. Tem um quiosque que serve refeições ligeiras e onde se pode beber (até) vinho. As sanduíches valem a pena e o serviço é muito simpático e impecável.  Encontrem as diferenças:


terça-feira, 25 de março de 2014

Um saltinho até ao Algarve

Estou atrasada para apanhar o avião. Para piorar, não activei a via verde. Sem velocidades loucas e sem perigos, chego ao aeroporto. Passo, sem problemas, pela segurança vazia. Nunca percebi este aeroporto Francisco Sá Carneiro, sempre às moscas. Tanto espaço para tão pouca gente... Tão poucos aviões, tão poucas pessoas, mais funcionários que passageiros, lojas às moscas. Chego à porta de embarque. Bancos compostos, o voo parece estar cheio. Só penso que não impliquem com a mala, como fizeram na única vez que viajei com a Ryanair. Chegada a hora lá vamos nós, filinha indiana, exterior, nevoeiro, frio, esforços para não perder a pose ao subir a escada com a mala de mão. Percebo que agora a Ryanair atribui-nos um lugar, óptimo. Sinto-me menos feliz quando percebo que vou literalmente entalada entre duas pessoas. Tento ler algumas das coisas que levo... mas o cansaço fala mais alto...o voo que dura perto de uma hora, na minha percepção demorou 5 minutos. Acordo quando o avião começa a abanar como um berço e eu só me lembro da frase do VES: “Não quero ser carne para peixe!!”. Eu habituada à TAP, aterro desajeitadamente (se não tivesse o cinto teria batido com a cabeça no tecto) com um “ai”. Mas o pior já passou, respiro de alívio. A temperatura é bastante mais alta que no Porto. Passam das 11 da noite e tenho a G. à minha espera. Em casa, em vez de dormirmos cedo, colocamos a conversa em dia e preparo o meu estágio para ficar afónica (isto acontece sempre que me encontro com a G.). Aterro na cama, e pela primeira vez em duas semanas, adormeço sem dificuldade. Interrogo-me se não será por não ter a minha vizinha maluca aos pontapés à minha porta diariamente ou a gata do vizinho que está com o cio... Acordo tarde. Banho. Festinhas no “Estibi” (aka HTB). Pequeno-almoço com o pão alentejano com manteiga. Sol, muito sol lá fora. O que mais se pode querer? Em 5 minutos estamos na Universidade. Apenas o tempo de subir até ao gabinete da G. e atinar com os vídeos que teimam em nunca funcionar. Dou a palestra em 45 minutos. Consegui cumprir o tempo. Perguntas e pessoas interessadas (ou disfarçam muito bem). Ideias novas, sugestões. Bom para o ego, sempre. Vamos almoçar à cantina 3Bs: “BOM, BONITO e BARATO”. A verdade, é que não fui eu que paguei. 

Início da tarde, aula para os alunos de Ciências Biomédicas. Pelo que a G. me disse aparecem todos ou quase todos. Assinam a folha de presenças. Eu, como não sei dar aulas, e como despejar matéria toda a gente pode fazer, decidi falar do meu percurso académico. Desde que aprendi a escrever aos 3 anos até agora. Juntamente com a apresentação powerpoint, falei de tudo, de ter andado dos 6 aos 18 anos num colégio de padres, que não entrei no curso que queria, que não gostei do curso, que escolhi o meu estágio por acaso porque fui a uma aula teórica à tarde, de Houston, do Ike, de osso, do doutoramento, de NY, do coração, dos meus sobrinhos... Fiz um intervalo, não muito convencida que a maioria regressaria. Para meu espanto, apareceram novamente todos. 

À noite fomos jantar ao “Tertúlia Algarvia”. Bebemos vinho algarvio, que foi uma estreia para mim. Entradas: pão, azeitonas e Queijo de cabra gratinado com maçã reineta. E para jantar: Tentáculos de polvo com grelos e batata a murro, Costeletas de borrego com molho de hortelã e puré, Bife de novilho à Tertúlia com redução de medronho. Sobremesas: Fofo de chocolate e alfarroba, molho de frutos vermelhos e sorvete de citrinos, Fatia de torta regional (alfarroba) e Tarte de requeijão, compota de abóbora e granizado de amêndoa amarga. Depois deste repasto, só nos restava andar muito... e lá fomos olhar os telhados algarvios, a cidade antiga de Faro, as ruelas, os bares e a ria. Ainda fomos beber um copo. Mais uma vez, dormi como um bebé e acordei sem despertador perto da hora de almoço.








Próximo destino: Praia de Faro. Que luz, que sol, que temperatura, que qualidade de vida. Mesmo em frente à praia, a um metro do areal tínhamos já mesa guardada pelo P. Que linda a cor do mar nesse dia, estar só de camisa e muita gente, tal como nós, a aproveitar a temperatura e a paisagem. Que influência tem o sol em mim. Dias claros e luminosos. O azul do céu e o azul do mar e o brilho dos raios. Imagem indescritível.





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