Repito a mesma experiência de há uns anos atrás. Parece que foi ontem mas já foi em 2006! Quando vivi em Houston mobilei a casa duas vezes. Tudo comprado do zero. Hoje, passados quase 6 anos, volto a fazer o mesmo. Mudou apenas a cidade. Só que desta vez foi bem mais fácil porque não envolveu a minha ida a lojas. Tudo foi comprado pela internet. Foi nessa altura que entrei pela primeira vez no IKEA. Saí à mesma velocidade que entrei. Limitei-me à lista que levava na mão e não olhei para mais nada. Dessa vez não foi uma experiência má. Passados uns anos, no último verão, voltei a entrar no IKEA, numa cidade diferente. Muitas das pessoas que me conhecem começam agora a dizer que o defeito não é da loja mas da cidade.... Adiante, jurei que nunca mais. A experiência foi tão má que saí de lá com uma dor de cabeça que não me passou com nada!!! E acabei por não trazer quase nada do que me propunha porque não encontrei metade... Perdoem-me os defensores do IKEA mas para mim não dá. Para mim resultaria muito bem se as vendas fossem online e se não tivesse que entrar lá e suportar aquela música, que tal como quase todas as lojas em Portugal, só serve para poluir. Nunca percebi este excesso de música no mundo, música no elevador, música nas lojas, música nos hotéis, nos cafés... para quê? Termino com 3 fotos de fases diferentes e que prova que até eu sou capaz de o fazer!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
A saudade
Numa das minhas viagens Lisboa – NY fiquei naqueles
lugares que toda a gente ambiciona, que ficam imediatamente a seguir à business
class. Consegui pela primeira vez, desde que ando de avião, um desses lugares.
São espaçosos e pode estender-se as pernas. Disseram-me, depois, que tive sorte
de não apanhar uma família com os seus filhos chorões... mas de facto, isso não
aconteceu. Ao meu lado ficou uma menina (julgava eu não ser maior de idade) com
aquele aspecto de quem vai fazer o último ano do secundário na escola americana e
viver em casa de uma família. Saberia eu depois, que isso também não
correspondia à verdade.
Eu sou
daquelas pessoas que joga no campeonato dos que quase morrem de medo de andar
de avião. Acho desconfortável, temível, incontrolável... acho sempre que é um
desafio à natureza.... Mas tento sempre abstrair-me e ocupar-me com o maior
número de coisas porque nunca durmo. Tentei uma vez dormir (por indução do
sono) há alguns anos atrás. Numa viagem Frankfurt- Xangai viajava com mais 3
amigas e também colegas mas tive o azar de ficar separada delas. Como a viagem
demorava 12 horas resolvi tomar 1 victan. Não fez efeito... Na viagem de
regresso em vez de 1 tomei 2. Não sei o que aquilo provocou em mim....fiquei
num estado tal que achavam que eu tinha morrido, inclusivé, acharam que eu
tinha aberto a testa tal foi a força com que bati com a mesma naquelas mesas
que abrem no avião... Tudo isto para dizer que a partir desse dia passei a não
determinar as acções do meu corpo. Como quase sempre, também nunca durmo na
noite anterior a viajar (que novidade... muita gente acha que não durmo, de
todo, e que estou acordada em quase todos os fusos horários). Como, quase sem excepções, não falo com a(s) pessoa(s)
que viajam ao meu lado (corroborando a minha fama de anti-social). Desta vez
foi diferente. A menina que viaja ao meu lado, chamada R, e que já não era tão
menina assim, demonstrava um aparente entusiamo de quem sai de casa dos pais
pela primeira vez. Passados uns minutos
do avião ter levantado começo a reparar que a R. está a chorar
incontrolavelmente. Não aquele choro histérico, mas um choro silencioso, de
quem tem vergonha de estar a sentir o que ela estava a sentir naquele momento.
As lágrimas eram tantas que lhe molharam os joelhos. E ela chorava
silenciosamente ao ler o que me parecia ser uma carta que ela retirara de um
envelope. Disse-me mais tarde que tinha sido a mãe a escrever. Tentei ignorar
porque achei que aquilo passaria com o terminar da carta. Não só não terminou,
como piorou quando abriu um caderno. Não tive como não ver. O caderno estava
cheio de orações e com santinhos colados. Pensei para mim “Afinal esta miúda
não vai terminar o secundário numa escola americana... é mormon e vai dedicar
um ano da vida dela a fazer o que os mormons fazem na idade dela”. Não podia
estar mais enganada. Duas tentativas de adivinhar falhadas. Não a podia
ignorar. Perguntei-lhe se precisava de ajuda, se havia alguma coisa que eu
pudesse fazer. Contou-me que não era a primeira vez que viajava para os Estados
Unidos, que já tinha passado uma temporada de 6 meses no final do mestrado.
Regressava, agora, para um curso de 4 meses numa prestigiada universidade.
Contou-me que chorava de saudade, que tinha passado 6 meses em Portugal depois
dos 6 meses nos Estados Unidos. Compreendi-a tão bem. Por melhor e por maior
que seja o desafio destas etapas na nossa vida profissional, por mais
excitantes que sejam as cidades para onde nos mudamos, por muito que essas
experiências enriqueçam o nosso CV, por mais amigos que tenhamos, não há nada
igual à nossa casa. E eu, que tenho sempre o coração apertado quando saio de
Portugal, arranjei forças onde não as tinha, e tentei convence-la que tudo ia
correr bem e que é assim mesmo: a saudade. Essa palavra tão portuguesa e que
não se consegue traduzir noutra língua.
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