domingo, 8 de abril de 2012

Brunch no Sarabeth's

Ontem fomos "brunchar" no Sarabeth's para festejar os 25 anos mais um mês da C. Como todos os restaurantes que são bons é preciso esperar. Eu não esperei muito porque já cheguei atrasada. Ficamos numa mesa perto da janela. Desta vez decidi experimentar os "Eggs Benedict" com salmão. São dois muffins com dois ovos escalfados e com molho hollandaise. Gostei da experiência. Para além disso bebi 3 chávenas de café...escusado será dizer o que passei a noite a fazer...Depois do brunch tinha que ir ao lab mas a N. convenceu-me a caminhar até Columbus Circle (em linha recta da 80 à 59). O tempo estava lindo, sol, muita gente nas ruas e temperatura amena.


Menu by Neide Vieira

Eggs Benedict by Neide Vieira

Waffles by Neide Vieira

Waffles by Neide Vieira

O Marcos do Meal Plan

Há umas semanas o F. disse-me que uma das pessoas que trabalhava no Meal Plan era brasileiro. Dias depois o F. disse-lhe que eu também era portuguesa. Na quinta-feira passada os meus horários não coincidiam com os do F. e C. e fui sozinha jantar. O Marcos aproximou-se e disse: "Ah, você também é portuguesa"..."Também é doutora dos olhos?". E eu fiquei a olhar espantada para ele e a pensar "doutora dos olhos"?! Lá lhe disse que não era médica e muito menos dos olhos mas que sim era PhD. E ele: "Já? Inteligente você!". Fui sentar-me a jantar e ele apareceu outra vez "Então os seus amigos doutores não vieram hoje não?" E começou com uma lista de histórias sobre as teorias da conspiração, que os terroristas andavam em NY agora mais do que nunca. Que este país vai virar um país de terceiro mundo. E depois virou para outro assunto. Que Portugal é que era, que adorava Portugal, que adorava bacalhau, que Portugal é que é o país do futuro e que vai superar... E que o sonho dele era ir para Portugal! E eu nas poucas oportunidades que tive de falar disse-lhe "O Brasil é que está bem". Ao que ele me respondeu: "Vamos ver quanto tempo vai durar...". Passados uns minutos, já o Marcos tinha voltado para o seu posto e reparo que numa mesa ao lado estavam duas brasileiras. Quando ele voltou eu disse-lhe: "Então, já conheceu aquelas brasileiras?". E ele responde com um ar muito desinteressado: "Eu vejo elas por aí mas se acham". E eu a achar que tinha  feito a boa acção do dia lá tento mudar de assunto. O Marcos é um senhor de meia-idade do Rio de Janeiro (de Santa Tereza, "sabe o bondinho?") que veio para NY há 15 anos à procura de uma vida melhor. Fiquei ontem a perceber a razão do Marcos ter perguntado se eu era doutora dos olhos. A C. explicou-lhe o que fazia e ele à sua maneira fez as suas deduções.

sábado, 7 de abril de 2012

The High Line

Este é o lugar que mais gosto de NYC. É um parque suspenso que aproveita uma linha férrea desactivada, com 2.53 Km que vai de Gansevoort Street (um quarteirão abaixo da 12th Street - Meatpacking District até à 30th Street-Chelsea). Abriu em 2009 e tem uma vista maravilhosa sobre o rio Hudson, ruas, edifícios...E depois é mesmo um parque para as pessoas o aproveitarem. Tem espreguiçadeiras, cadeiras, bancos e mesas ao longo de todo o percurso. Não há fotografias nem palavras que descrevam a beleza deste parque. Tem também outra coisa curiosa, uma espécie de anfiteatro em madeira sobre uma das ruas para as pessoas "observarem o ambiente". Depois existe a obra de arte mais fotografada da High Line, a peça da artista plástica Sarah Sze "Still Life with Landscape (Model for a Habitat)".


Anfitiatro suspenso com vista para uma rua

Vista sobre uma das ruas do anfiteatro suspenso 

IAC building (Frank Gehry)

Edifícios em Chelsea

Empire State Building visto do High Line
 


"Still Life with Landscape (Model for a Habitat)"
Sarah Sze

"Still Life with Landscape (Model for a Habitat)"
Sarah Sze

Empire State Building visto stravés da peça "Still Life with Landscape (Model for a Habitat)"
Sarah Sze

Vista do High Line

Vista do High Line


MoMA

Mais do que que a coleccão, que faz do MoMA um dos melhores museus de arte moderna do mundo, gosto do espaço e da arquitectura. É impressionante a colecção de quadros do Mondrian e do Polock, só para dar 2 exemplos. Tem também os mobiles do Alexander Calder. Consta-se que Calder inventou os seus mobiles após uma visita ao estúdio de Mondrian. Repare-se como reduziu os elementos que compõem as suas peças a formas simples, de limites precisos, pintados de negro, branco ou cinzento, que limitam a estimulação visual essencialmente ao movimento, liberto assim de qualquer outro estímulo. Os exemplos de Calder e Mondrian são dos mais estudados em neurociências pelo estímulo visual das cores  e pela simplicidade.





Frida Khalo
Frida Khalo

Lygia Clark


Mondrian

Rothko


Andy Warhol


Metropolitan Museum of Art

O Metropolitan é um museu gigantesco. Já o visitei várias vezes e acho que ainda não o conheço todo. A colecção do museu parece não acabar desde os túmulos egípcios, às porcelanas de todas as partes do mundo com o meu pessoal destaque para a Companhia das Índias, a colecção de jóias, as mobílias, as pinturas impressionistas, as colecções de roupas. Foi lá que vi a magnífica exposição do Alexander McQueen “Savage Beauty” e só aí percebi  a grandeza do seu talento. Na primavera e verão abre o Iris and B. Gerald Cantor Roof Garden que é um dos bares com melhor vista de NYC.

Já experimentei um dos restaurantes do museu The Petrie Court Café and Wine Bar que é caro como tudo. Mas vale pela vista. Eis a bruschetta que comi da última vez:



Vista do "Roof Garden"

Vista do "Roof Garden"

Truman Capote


Do grande Mondrian


Eis o que queria ter visto lá mas ainda não encontrei:

"The Great Wave" do japonês Hokusai

"Sunset in Venice" do Monet

"The son of Man" do Magritte

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Eric Kandel @ 92Y

Tenho estado ausente. Os meus pais estiveram cá e quase não tive tempo para nada. Estou a preparar os posts com os melhores lugares da "Grande Maçã" e tenciono postá-los ASAP.
Ontem fui assistir a uma palestra do Eric Kandel no 92Y moderada pelo Alan Alda.
92nd Street Y (92Y) é uma instituição cultural multifacetada e um centro comunitário localizado no Upper East Side (UES) na esquina da E. 92nd Street e a Lexington Avenue. Foi fundada em 1874 como Young Men´s and Young Women’s Hebrew Association por profissionais e homens de negócios judeus alemães. Esta instituição guia-se pelos principios judeus mas acolhe todas as pessoas de diferentes raças e crenças. Anualmente , mais de 400000 pessoas vão ao 92Y. Diversos programas acontecem incluíndo palestras e discussões, educação e cultura judia, concertos de música clássica e jazz, de dança, filmes, entre outros.

Eric Richard Kandel é psiquiatra, neurocientista e professor de bioquímica e biofísica em Columbia University College of Physicians and Surgeons. Kandel licenciou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria mas abandonou a prática clínica para se dedicar à investigação em Neurociências. Eric Kandel nasceu em Viena, Austria em 1929 numa família judia de classe média e foi para os Estados Unidos na invasão nazi. Licenciou-se em Medicina na New York University (NYU) e naturalizou-se americano. Foi galardoado com o Prémio Nobel de Fisiologia/Medicina em 2000 pelas descobertas envolvendo a transmissão de sinais entre células nervosas no cérebro humano. É autor de vários livros científicos e dos últimos: “In Search of Memory: The Emergence of a New Science of Mind”, The Age of Insight: The Quest to Understand the Unconscious in Art, Mind, and Brain, from Vienna 1900 to the Present".

Alan Alda é um premiado actor e realizador americano. É conhecido pela série "MASH" e foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário pelo “Aviator”.
Ontem a discussão foi essencialmente  sobre o mais recente livro de Eric Kandel, que explora como em Viena em 1900, cinco das mais explendorosas mentes, das mais diversas áreas, da medicina, à psicologia e pintura, de Sigmund Freud a Gustav Klimt, radicalmente reenquadraram a nossa compreensão de nós próprios e do nosso inconsciente.

Eric Kandel e Alan Alba (Source: 92Y)






sexta-feira, 23 de março de 2012

Found Memories

Ontem tinha de estar às 9 no MoMA para ver o filme "Found Memories - Histórias Que Só Existem Quando Lembradas" da cineasta brasileira Julia Murat que estreava no festival de cinema "New Directors/ New Films".   Fui jantar com o F. ao Meal Plan e ainda tinha que fazer uma leitura de uma placa antes de sair. Claro, conversa mais conversa já eram 8:30.. solução: apanhar um táxi. Pela primeira vez em NYC era uma senhora a conduzir. Comecei a achar que não tinha sido boa ideia... eu disse "MoMa" e toda a gente em NYC reconhece, toda a gente sabe onde é mas ainda tive que dar a morada... Mete-se na West Highway e comecei a achar que ia morrer ali. A senhora não sabia o que era uma recta, estava sempre a mexer com o volante. Quando regressamos ao engarrafamento respirei de alívio. Aí começamos a falar. 

A senhora não entendia quase nada de inglês. Eu pergunta-lhe uma coisa e ela respondia-me outra completamente diferente. Parecia uma conversa de malucos. Ela falava em espanhol e eu respondia em inglês... Mas no meio das conversas sem nexo soube que tinha sido casada com um português do Porto que tinha morrido há 20 anos, aos 44 anos de ataque cardíaco fulminante. E a senhora (que não me lembro o nome, ela disse-me mas tenho este problema grave de não me lembrar dos nomes ou confundi-los) quando eu lhe disse que era de Braga, disse-me que conhecia muito bem, que era tão bonita. E que costumava falar com o marido em português mas que como se tinham passado 20 anos já pouco se lembrava. Dizia ela que era uma língua tão bonita. 

Cheguei às 9 em ponto ao MoMA e a Julia Murat já estava a falar. Coitadinha, nervosa e grávida. E emocionada pelo privilégio do filme ter sido escolhido para o festival. É esta parte que mais gosto aqui. Os realizadores e os actores a falarem sobre os filmes, das histórias que estão por trás deles, de como surgiu a ideia, de como foram seleccionados os actores... Nos primeiros minutos achei o filme um tédio. Um filme quase mudo, pela quase ausência de diálogos, com o silêncio como companhia, escuro, mas com uma fotografia lindíssima. Eu que não percebo nada disso, consegui ser tocada pela qualidade da filmagem. Não demorou muito a ficar completamente rendida. Um filme simples, numa região do interior profundo do Brasil e que me fez ter a certeza que se eu vivesse num lugar assim morreria. Uma dúzia de velhinhos com uma rotina diária quase mecânica, que assiste apenas ao passar do tempo, fazem pão, o café, vão à missa, almoçam juntos. Mas o que mais me tocou, isto tem a ver com as minhas lembranças, foi uma música que eu só conhecia a letra: "quando eu morrer/ não quero choro nem vela/ mas uma fita amarela/ com o nome dela". 

E vou para casa e o que faço? Tento acabar os projectos da FCT... A que horas fui dormir? Quase 8! E a que horas acordei? Às 10 para me mudarem um painel da janela. Penso em ir para o lab e o que acontece? Recebo um email a dizer que o lab está fechado e o acesso aquele corredor, inclusive os elevadores, estão fechados porque alguém entornou 500 ml de mercaptoetanol... eu nem quero imaginar o cheiro. Se os serviços de segurança não permitirem acesso ao lab às 8 da manhã, as minhas células estarão mortas....

Don DeLillo

Ontem de manhã adormeci e acordei atrasada para a reunião de grupo... Não sei porque teimo, quando me atraso, apanhar um táxi de minha casa para o lab. De metro são pouco mais de 10 minutos... mas deve ser psicológico... acho sempre que chego mais rápido de táxi... E para quê? Se as reuniões nunca começam a horas?! Isto sou eu mais a minha consciência... Bem, lá saio eu de casa, atravesso a rua e tento que algum táxi pare. Sempre a mesma aventura. Lá consigo um táxi. Esta semana tem estado bastante quente e o táxi estava com todos os vidros abertos. Eu ia entretida com qualquer coisa (que devia ser um livro) e não estava atenta ao que se passava à minha volta. Sei que o táxi estava parado num dos semáforos e ouço: "É me***, é m****, ca*****!". Levanto a cabeça e olho para a estrada e está um senhor a trabalhar e deveria estar a insultar o colega, que pela cara, não falava a mesma língua. E era do norte, pela pronúncia! Ah, e não tinha dentes! Se não fosse pela idade dele diria que andava metido na heroína...mas neste caso, devia ser mais... copos! 

À noite fui à New School University assistir à entrega do prémio "Story Prize" para pequenas histórias. Os nomeados eram dois escritores que eu não conhecia: Steven Millhauser (que ganhou o prémio), Edith Pearlman, e Don DeLillo. Foi só por causa deste último que fui. E valeu muito a pena.


Winner of The Story Prize Steven Millhauser
[Photo by Beowulf Sheehan]

Finalist Don DeLillo [Photo by Beowulf Sheehan] 

Finalist Edith Pearlman [Photo by Beowulf Sheehan] 

domingo, 18 de março de 2012

Domingo em Astor Place

Quase recuperada da gripe saí de casa em direcção a Astor Place. Acho os edifícios desta zona diferentes dos que são característicos de NYC. Mas o meu objectivo final era uma loja que me tinham aconselhado que se chama Astor Wines & Spirits e eu chamo de "Paraíso dos vinhos". Nunca estive numa loja tão grande de vinhos, com tão bons vinhos e com gente que percebesse tanto de vinhos. Segue o resultado das minhas compras de hoje.






quinta-feira, 15 de março de 2012

Exploring the Creative Process – A Conversation with Siddhartha Mukherjee and Sarah Sze


(Top) Sarah Sze; (Bottom) Siddhartha Mukherjee.

MacArthur Fellow Sarah Sze and Pulitzer-prize-winner Siddhartha Mukherjee are an exceptional couple who have both pursued their professional and creative passions to the top of their respective fields in Art and Science. This evening they are joined by Vishakha N. Desai, President, Asia Society for a wide-ranging and insightful discussion on the creative process.
Sarah Sze was born in Boston, Massachusetts, to Chinese and American parents. She was awarded a bachelor’s degree from Yale University and later a Master of Fine Arts from the School of Visual Arts in New York. Since the late 1990s she has shown her work in numerous international exhibitions in Kanazawa, Lyon, Venice, Melbourne, and Turin. Her notable solo exhibitions and projects include installations at the Whitney Museum of American Art in 2003, Museum of Fine Arts, Boston in 2002, and Museum of Contemporary Art, Chicago in 1999. She is a 2003 MacArthur Fellow.  It was recently announced that Sze has been chosen to represent the USA at the 2013 Venice Biennale. 
Siddhartha Mukherjee is a physician and researcher. His book The Emperor of All Maladies: A Biography of Cancer won the 2011 Pulitzer Prize in general non-fiction. Mukherjee is an assistant professor of medicine at Columbia University and a staff cancer physician at Columbia University Medical Center. A Rhodes Scholar, he graduated from Stanford University, University of Oxford, and Harvard Medical School. He has published articles inNatureThe New England Journal of MedicineThe New York Times, and The New Republic.
Source: Asia Society  New York



terça-feira, 13 de março de 2012

Detachment


É um filme de Tony Kaye, cujo protagonista é  Adrien Brody (“The pianist”). Este filme tem como narrador o próprio Adrien (Henry Barnes) no papel de um professor substituto numa escola pública de NY, com todos os problemas sociais associados. Percebe-se desde o inicio que Henry evita a todo o custo alguma ligação emocional com as pessoas que o rodeiam. No começo, as suas ligações emocionais resumem-se apenas ao avô demente e às memórias que o atormentam. É um filme tocante, comovente, profundo, muito bem filmado e cheio de pormenores. Num determinado momento do filme dá-se a explosão do aparente controlo das diversas pessoas... Henry destrói uma sala de aula quando uma colega insinua comportamentos inapropriados quando está apenas a tentar ajudar uma aluna... a psicóloga que não resiste à apatia, à inércia e à falta de ambição de uma aluna pseudoiludida tem um ataque psicótico... Num tempo em que os males do mundo são sempre destacados, é de uma sensibilidade comovente o personagem de Adrien Brody que parece viver com toda a infelicidade dele e do que os rodeiam às costas. “Todos temos o caos dentro de nós”. No debate após o filme deu para perceber pela reacção dos muitos espectadores que muitos eram professores e que a realidade retratada no filme era semelhante ao que de facto existe nas escolas públicas americanas.

Adrien Broady na discussão após a projecção do filme @ 92Y Tribeca

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