sexta-feira, 25 de maio de 2012

Central Park


O Central Park é o maior parque no coração de Manhattan rodeado por arranha-céus. Parece o paraíso dentro da cidade que nunca dorme. Parece outra cidade. Lá dentro encontra-se de tudo: animais, jardins, relva, lagos, pistas de corrida e para se andar de bicicleta, árvores, plantas, barcos, um zoo, restaurantes...
Na zona sul do Parque junto à 5ª Avenida com a 59 alugam-se charrettes para passear dentro do parque. Aqui pode avistar-se dois dos mais famosos e bonitos de hotéis de NY: Waldorf Astoria e o Plaza. Mais acima na 65th com a 5ª Avenida tem um zoo com macacos, pinguins e outros animais. Continuando a subir o parque e encontra-se a Alice do País das Maravilhas sentada num gigantesco cogumelo e rodeada pelos principais personagens da história de Lewis Carroll. 
Dentro do parque, entre as ruas 74 e 75, encontra-se o famoso Loeb Boat House. Este fica junto a um enorme lago, facilmente reconhecível de cenas de diferentes filmes. Aqui alugam-se barcos e bicicletas. Seguindo para norte e encontramos o castelo Belvedere na 79. A vista justifica o esforço. Na zona sul do lago fica o Bethesda Terrace, com a fonte Bethesda que é um dos ícones do parque e uma das fontes mais fotografada do mundo.
Na zona oeste junto à 72 fica o memorial a John Lennon (Strawberry Fields).











quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sempre Susan – a memoir of Susan Sontag by Sigrid Nunez


Estou a escrever este texto há meses. Demoro imenso. Começo, recomeço, apago, deixo... Decantar e repousar. O simples tão difícil... Tive contacto com a obra da Susan Sontag através das crónicas da Clara Ferreira Alves no “Expresso”. Aliás, quase todos os escritores americanos que adoro conheci-os por intermédio da Clara. Lembro-me perfeitamente de uma crónica, em particular, publicada na semana da sua morte. Isto em 2003. A partir dessa altura comecei a ler alguns livros dela. Desde que estou em NY passei a ler tudo o que encontro sobre elea, biografias, na sua maioria. Há uns anos que tudo o que leio são biografias. Nada mais actual que publicar este texto sobre Susan Sontag a poucos dias da atribuição do prémio de tradução em Língua portuguesa pela sua Fundação (Susan Sontag Foundation) no dia 1 de Junho.
Li o livro “Sempre  Susan – a memoir of Susan Sontag by Sigrid Nunez”  no ano passado.
Sigrid Nunez é autora de 6 livros com boas críticas que descreve Sontag como mentora, amiga e uma inspiração.  Em 1974, depois de ter estudado no Barnard College, estava a frequentar o MFA em Columbia University na tentativa de escrever ficção enquanto arranjou um emprego a ajudar Sontag com a correspondência. Sontag, nessa altura, vivia no último andar na 106th Street com a Riverside Drive com o filho Davied Rieff de 24 anos que estudava em Princeton mas passava a maior parte do tempo em NY. Sigrid começou a andar com David e em pouco tempo mudou-se para a casa deles. Sigrid explica que o título é italiano e que evoca o facto de toda a gente tratar e referir-se a Susan Sontag pelo primeiro nome. Mas ela não explica porque escolheu o título em italiano.
Muito pouco é explicado e descrito neste livro pequeníssimo mas ficamos a perceber o essencial de Susan Sontag. Muitas das passagens parecem lembranças que ela anotou em pequenos cartões e juntou-os sem nenhuma ordem particular.
Susan Sontag  parece ter carregado um trauma de infância pelo egoísmo da mãe pela pouca atenção que lhe dava. Era uma mãe fria, egoísta, narcisista que nunca mostrou afecto pela filha, que nunca reparou que tinha uma filha especial. É descrito também no livro Fala os ataques de asma que Susan tinha em criança e que por esse motivo mudaram-se de NY para Tucson (Arizona) depois de uma estadia breve em Miami. Fala também que Susan bebia um copo de sangue diariamente que a mãe trazia do talho. Aos 3 já lia, aos 8 lia Shakespeare, aos quinze anos o director do liceu chamou-a e disse-lhe: “a menina só está a perder tempo aqui, vamos já dar-lhe o diploma para poder ir para a universidade”. Sontag ingressou imediatamente na universidade e aos 17 casou-se. Nunca perdeu tempo.
Uma das frases de Susan Sontag mais repetia era: “I want two things: I want to work and I want to have fun”
Ela era tão “new yorker”,era tão a imagem que eu tinha das pessoas que viviam em NY: cosmopolitas, intelectuais, modernas. Na opinião de Sigrid Nunez ela era tão “New York” pela sua energia e ambição, no “poder fazer”, espírito de conseguir tudo o que queria, e na convicção do seu excepcionalismo no poder da sua própria escrita, na sua própria criação, no seu poder de renancer, nas possibilidades infindáveis de novas oportunidades. Ela considerava-se uma “beauty freak”. Ela considerava a arte superior à natureza e as cidades muito mais importantes do que os países. Não havia para ela melhor cidade do que NYC (Manhattan) que ela considerava a a capital do século XX.
Susan Sontag recusava-se a ter carteira/bolsa. Não conseguia perceber a ligação das mulheres a esse acessório. Não usava maquilhagem, pintava o cabelo mas deixava aquela madeixa branca tão característica. Usava água de colónia para homem: Dior Homme. Preocupava-se com o peso que oscilava consoante a fase de escrita em que se encontrava, que influenciava também o quanto fumava, o que significava, se fosse muito, que estava também a tomar anfetaminas. Mas adorava comer. Nunca foi adepta de exercício físico, mas adorava andar, quando o tempo começava a aquecer. Ela usava muito preto, que não era a cor que lhe ficava melhor. Achava que Virgínia Woolf era um génio. Não gostava de fazer nada sozinha. Adorava comprar cadernos, canetas e lápis. Sempre adorou viajar. Viajar, para ela, entre outras coisas, era um antídoto para a depressão.
Susan Nunez diz no livro que por causa de Susan Sontag começou a ler rápido e começou a escrever o nome em cada livro novo e que usava um lápis (nunca uma caneta ou esferográfica) para sublinhar. Susan Sontag costumava dizer que se não tivesse sido escritora teria sido médica. Sempre adorou sair (frequentou muito o Studio 54) mas gostava também de receber pessoas em casa.   Dormia muito pouco, o menos possível. Adorava cinema e opera. Quanto mais velha ficava, preferia a amizade e socializar com pessoas mais novas. E gostava também de ir a sítios e fazer coisas associadas com a juventude. Ela era muito física, gostava de ser tocada e de tocar. Era muito fácil de se conversar com ela e se ser confessional. Adorava conversar, quanto mais intimamente melhor.
Ela dizia que poderíamos saber como eram as pessoas pelos livros que liam.  Susan Nunez diz que nessa altura Susan Sontag tinha aproximadamente 6000 livros em casa. Descreve no livro que por influência de Susan começou a organizar os próprios livros por assunto e cronologicamente em vez de ordem alfabética. Susan Sontag chegava sempre atrasada aos encontros marcados e dizia sempre que por essa razão todas as pessoas deviam ter consigo livros (para passar o tempo). Só era pontual para apanhar um vôo ou para a ópera.
Foi enterrada em Paris no mesmo cemitério que Beckett.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gravidez

Esta semana tem passado a correr. Não tenho tido tempo para estar com todas as pessoas que queria estar, não consigo mais espaço para combinar cafés, copos e/ou almoços/jantares. Hoje fui lanchar com uma amiga e como é habitual cruzei-me com várias pessoas conhecidas em Braga. Quando parámos em frente do escritório da J. para nos despedirmos vejo a SG aka "joaninha" e está grávida! (Re)conheci a S. no 2º ano do curso. Estudou no mesmo colégio que eu mas é 3 anos mais velha. Passados uns anos, ela tinha acabado de regressar a casa dos pais depois de ter tirado o curso no Porto. Começamos a sair diariamente, eu desiludida com o meu curso, ela desanimada pelo regresso a Braga... Com ela aprendi a gostar do Oscar Wilde (foi ela que me ofereceu o "De Profundis" e o "Retrato de Dorian Gray"), de Jeff Beckey e re(li) "O Principezinho". Até hoje sei de cor algumas das citações. Foi também com ela que fiquei viciada em bilhar e que passei horas no "Chave D'Ouro" e aprendi a gostar do BA e do Insólito. Nunca conheci uma pessoa que gostasse tanto de vodka limão e que bebesse tantas e ficasse tão bem! Hoje, passados alguns anos dessa boa vida voltamos a estar juntas sem nada combinado. E foi uma alegria vê-la tão alegre, com tão bom aspecto, tão gira e tão grávida do seu F. que se vai juntar a nós em Agosto!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Presidente Obama @ Barnard Commencement 2012

O Presidente Obama anunciou em Março que estaria na cerimónia dos finalistas do Barnard College. A decisão de Obama de falar em Barnard, e não em Columbia, onde ele se formou em 83, surpreendeu muita gente. O Barnard College é uma faculdade só para mulheres que não pertence mas é afiliado a Columbia e situa-se em frente ao Campus principal (Broadway com a 116). Eu moro na 115 com a Broadway. Podem imaginar o que acontece normalmente quando não vem cá o Presidente... O "festival" começou ontem. À tarde o trânsito na Broadway e as ruas até à 113 já estavam cortadas. Nunca vi tanto polícia, cães, metralhadoras, snipers, bombeiros, agentes dos serviços secretos...Cena mesmo à filme.
Menos de uma semana após o apoio ao casamento homossexual. No discurso Obama disse: “Lutem pelo vosso lugar na mesa. Ou melhor, lutem pelo vosso lugar na cabeceira da mesa”. A outra parte do discurso falou sobre os direitos das mulheres e gays nos Estados Unidos. Obama foi muito aplaudido e falou também da infância, dos exemplos que recebeu da mãe e da avó e da influência positiva que a personalidade autoconfiante da mulher exerce sobre as filhas. 
Em 2008 acompanhei muito de perto a campanha presidencial entre Hillary Clinton e Barack Obama. Não tenho problema nenhum em admitir que era uma apoiante ferverosa da Hillary. O Obama neste últimos anos não me surpreendeu como presidente. Mas depois dos anos com Bush na presidência o efeito Obama foi notório. Aprendi a gostar dele. Fala bem, é simpático, culto, progressista, moderno. Não mudou o mundo mas pelo menos os Estados Unidos voltaram a ser o país da vanguarda e das ideias progressistas. Como disse hoje no discurso "o mundo não para, não estagna, os Estados Unidos foi sempre feito de mudança". E quando Bush "mandava no mundo" como é que alguém se sentia seguro? Agora apareceu esta nódoa do Romney. Como é que algém pode votar num mormon para a presidente? Eu não costumo discutir nem a crença nem a religião das pessoas. E muito menos gosto de ridicularizar. Mas por favor, uma "religião" que aparece como uma "aparição"de Jesus a um americano a defender que todas as igrejas/religiões do mundo estão erradas... Pronto, mas deixando esta parte importante de lado, Romney parece viver há 2 séculos atrás... Vocês já ouviram o homem falar? Já ouviram o que ele defende e quais são as ideias que ele defende? É que este republicano está a anos luz do moderado John McCain. E não é que este retrógrado do Romney leva 3 pontos de avanço sobre o Obama? Mas também não sei porque me espanto. Este país foi quem elegeu democraticamente duas vezes seguida o... Bush.


















Todas as fotos foram retiradas do "Columbia Spectator"

A minha casa

Estou sem tempo para escrever e para fazer as coisas que gosto. Mas mesmo assim, no fim de semana consegui arranjar tempo para andar pelas ruas e ir às livrarias. A poucos dias de ir a Portugal, começa a saudade de deixar a minha casa e a minha cidade. Foi sempre assim, quando gosto adopto a cidade como minha. Dizem que NYC fica-nos para sempre. Como tantos outros, eu viverei para sempre em NYC. Quero muito escrever sobre tudo o que vivencio aqui e sobre os livros que leio e li aqui. Só estou a ler livros relacionados de alguma forma com NY e/ou Estados Unidos de alguma forma. Como tantas outras vezes, comecei a encher um apartamento do zero e muitas vezes os esvaziei. As únicas coisas que levo no regresso são os livros que vou comprando sempre.


Começou assim..




 E agora está assim..




sexta-feira, 11 de maio de 2012

A saga do PCR...

Ontem foi das poucas vezes em muito tempo que saí do lab ainda com luz do dia. A maioria dos dias nem sei se faz calor ou frio... Estas células são daquelas especiais, têm que ser acarinhadas e bem tratadas e mesmo assim não se comportam, na maioria das vezes, como eu queria. O mistério destas coisas é fascinante... como é que se retira células do seu ambiente in vivo e são capazes de simular o batimento cardíaco in vitro? Também nunca acreditei que conseguia tirar um curso e muito menos o Doutoramento. Ainda hoje acordo assustada a não saber onde estou e a pensar que tenho Química Analitíca por fazer... Ah?

Mas agora começou a parte melhor (para mim a pior!!!): PCR!!!. Depois da saga de construir os primers começa a parte da quantificação de RNA, cDNA, PCR... essas coisas todas com siglas e letras que para mim é uma maravilha... eu que não decoro nomes vou decorar siglas... ok! Podem gozar!!!  Ah e lembro-me do inventor do PCR e Nobel da Química Kary Mullis que é um surfista, que vive em La Jolla, perto de San Diego e quando era novo sintetizava ácido lisérgico (aka LSD) para consumo próprio... Quando estive lá ainda não tinha lido a biografia dele "Dancing Naked in the Mind Field". Só com esta idade e depois de um doutoramento é que começo a aprender na prática a técnica de PCR. Claro que me lembro vagamente das aulas práticas, já não sei em quais cadeiras... Passava mais tempo preocupada com a minha equipa das cartas. E lembro-me sempre daquelas perguntas idiotas que colocava ainda há pouco tempo à Marilu: "Como é que é fisicamente?"... Sei agora que os primers vêm liofilizados e que não precisam de estar no congelador/frigorífico. Hoje quando cheguei ao meu gabinete ia tendo um ataque cardíaco porque vi os primers em cima da minha secretária... Lá me explicaram que só depois de preparar as soluções é que precisam de refrigeração. Foi uma alegria enorme ver aqueles tubos minúsculos que têm uns pozinhos imperceptíveis aos meus olhos cada vez mais ceguetas!! Depois da discussão que demorou uma semana com os representantes da Invitrogen! Acho que nunca liguei tanto para ninguém e nunca me ligaram tanto! Repetiram 4 vezes o controlo de qualidade dos primers e só na última passaram... Eu só perguntava se a culpa era minha... Tanta letra... Podia ter-me enganado numa... Pronto, eu sei que não são letras são pb!!! Ui, mas isto já a história vai a meio porque a verdadeira dor de cabeça começou na construção dos primers. Só nomes lindos: NCBI, gene ID, Ensemble, Gene bank, Blast... Fora a cabeça em água que deixei algumas pessoas!!! Pronto, eu reconheço que os meus amigos nunca me abandonam e estão sempre disponíveis quando preciso deles! Está bem assim? Chega?

Ontem comecei a extracção de RNA. Uma sensação espectacular. Para mim talvez semelhante ao medo de andar de avião. Sempre cheia de medo de contaminar o raio das amostras, sempre a querer lavar as mãos com RNA zap. Isto faz-me lembrar alguém que viciava os alunos a estar sempre com as mãos molhadas em 70% etanol...Parece que o TOC me atacou! Passei o dia com dor de estômago. Mas a melhor parte do dia foi quando tinha que reconhecer o pellet no fundo dos tubos!!! Nem com óculos lá chegava! E ainda me diziam  que era grande. Aquilo nem uma caganita de mosca era!

Hoje fui quantificar o RNA. Outra vez TOC. Limpar, limpar, limpar! Estou a ficar obsessiva e ainda vou no segundo dia!!! Almocei às 6 da tarde. Jantei à meia-noite. Que tal? Para saber que a qualidade do meu RNA é uma merda!!! O L. percebeu à distância que eu estava inquieta... era esta a palavra?

Fica aqui um vídeo que a C. me mostrou há uns anos nem sei qual a razão porque na altura não fazia PCR e não me imaginava a fazer!!!! Riam-se:

terça-feira, 8 de maio de 2012

I'm singing in the rain

"I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feelin'
I'm happy again..."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os meus esquecimentos

Tenho dormido menos que o habitual e ando a trabalhar mais... Isto associado com um problema que tenho de nascença que é "cabeça no ar" nunca dá resultado... Tenho péssima memória para nomes, é uma vergonha, confundo os nomes todos, posso até saber a letra inicial mas nunca acerto no dito. Depois, nunca sei onde deixo as coisas, diariamente, repetidamente, não sei onde deixo os óculos e as chaves...Isto herdei totalmente do meu pai. Aliás, parece que o vejo em mim nestas situações. O meu pai até hoje nunca sabe  onde deixa os papéis, mas eu consegui aprender a conviver com este defeito, ele continua a fazer uma tempestade sempre que isso acontece! E nunca é ele que muda as coisas de lugar, são os outros. Os outros é que vão por ex. à secretária dele tirar-lhe um papel específico que só ele sabe qual é e fazê-lo aparecer noutro lugar! Adoro isto no meu pai. Na maioria das vezes rimos sempre imenso.

Mas não contei a pior situação que me lembro. Quando fui a Toronto, o meu vôo estava atrasado e fui jantar a um daqueles bares de aeroporto, muito barulhentos, com muitas tvs e que tinha internet. Abri o computador e passei assim as horas que faltavam. Entretanto jantei, paguei a conta e saí. Quando chego à sala de embarque sento-me e vou à mochila buscar o computador. Não estava... Lembrei-me imediatamente que o tinha deixado na mesa do bar!!! Eu sabia que ia voltar lá e o computador ia estar no sítio que o tinha deixado mas assustei-me com a situação. Isto já passou de ser os óculos, a chave, o telemóvel para passar a ser o computador que estava à minha frente e que o deixei aberto na mesa!

Tudo isto para dizer que há umas semanas comprei um bilhete (dos caros, num bom lugar) para ver uma conversa com a Diane Keaton. Sempre tive a ideia que era dia 2 de Maio (hoje). Tinha escrito na minha agenda. Ontem imprimi o bilhete e tudo! Mas hoje quando acordei, depois de ter dormido duas horas, vejo no FB um comentário de como tinha sido a conversa de ontem!!! Ontem??!!! Como assim??!!! Perdi o bilhete, a conversa e o livro que tinha direito... há dias assim...

Diane Keaton ontem no 92Y a assinar a autobiografia
(Photo:92Y)

domingo, 29 de abril de 2012

As obras de arte dos meus sobrinhos

Quando os meus pais decidiram vir a NYC perguntaram-me o que eu queria que eles trouxessem. Respondi que queria um desenho de cada um dos meus sobrinhos para colocar no frigorífico...Nunca pensei que fosse uma tarefa tão complicada... 

Quem já conheceu os meus sobrinhos pessoalmente e passou com eles algumas horas percebe imediatamente que desenhar não é o forte deles... O mais velho está sempre a dizer que não consegue desenhar, e tem sempre desculpas ou porque  lhe dói as mãos, ou porque  lhe dói os dedos, a barriga.... O que ele gosta mesmo é de andar atrás das pessoas com os lápis de cor ou de cera ou então com um quadro daqueles que dá para apagar. Então um dos passatempos preferidos dele é não deixar as pessoas em paz e pedir para desenhar as coisas mais estranhas... deve ser para testar a paciência delas. O meu sobrinho mais velho tem duas pancas: Mickey e os sinos. Claro está, que o que ele mais pede é para desenharem Mickeys e sinos. E depois vai dizendo que está bem, ou não está bem, maior, mais pequeno, aqui, ali...vai dando as instruções. E quando a coisa corre bem é ver a cara de satisfação no final! 

O meu sobrinho mais novo nem precisa de inventar desculpas. Não desenha mesmo. Não desenha e pronto. É sincero, não gosta! O que ele mais gosta é mesmo de carros. Desde que tem um ano e meio que sabe as marcas todas dos carros e foi através deles que aprendeu os números (por causa das matrículas) e as cores. Das coisas que me rio sozinha até hoje é que na praia tínhamos que andar uns 5 mns a pé até ao parque da Marina de Portimão e ele mal saía do areal começava a pedir colo. Como é que o pai o convencia a ir de mão dada até ao carro? Vamos lá ver os carros, quantos carros iguais ao do pai (queria dizer da mesma marca), iguais aos do avô, iguais aos da Ana Margarida.... e ele lá ia a contar e a dizer as cores. As crianças são mesmo fáceis de convencer. Isto era assim todos os dias!

Como a tarefa de os fazer desenhar não foi fácil de conseguir, o meu irmão, que tanto desenha para eles já lhe apanhou o jeito! Ideia do meu irmão: faz dois desenhos e diz a cada um para lhes desenhar o que lhes apetecesse para os avós levarem para a Ana Margarida que eles acham que mora "lá em cima" (Empire State Building) e que se teletransporta num avião. Sempre que falamos o mais velho pergunta-me sempre o mesmo: "Estás quase a chegar?". O resultado dos desenhos deles provoca-me sempre uma gargalhada sempre que passo pelo frigorífico. O desenho do mais novo é completamente abstracto, não se consegue entender, e tenho muitas dúvidas que o próprio saiba explicar. Devia ter pensado para ele mesmo: "vou rabiscar isto e eles ficam contentes e eu também!". Este deve sair à tia que ainda hoje se ri com os desenhos  da infância. Nunca consegui desenhar. E o que desenhava até para mim era estranho... O mais velho, como também detesta desenhar, foi pelo caminho mais fácil... escreveu o nome dele, que é a única coisa perceptível que ele consegue fazer com um lápis. Seguem as duas obras de arte:

Rabiscos do sobrinho mais novo sobre desenho do pai

Assinado pelo sobrinho mais velho sobre desenho do pai

Birdland

Ontem fui pela primeira vez a um clube de jazz daqueles que aparecem nos filmes: Birdland. Quem me conhece bem sabe que eu sou uma total analfabeta no que respeita ao jazz e não sou grande apreciadora. Há uns tempos soube que a Paula Morelembaum e o Marcos Valle iam actuar neste clube duas vezes/dia durante uma semana. Conseguimos comprar bilhetes para o último concerto: sábado ás 11 da noite. Foi uma verdadeira experiência. O palco rodeado de mesas, sala a meia-luz, podia-se comer e beber. Bebi Key Lime Pie Martini. Fica a recomendação.  Mas é fraquinho... As margaritas do Cubby Hole é que são...



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vida precária I


Acabo de ler no Público que o governo quer cobrar IRS aos bolseiros da FCT.  Para ser mais correcta, não é o governo, é o ministério das finanças, porque o ministro da educação e ciência é contra... Isto depois de termos assinado um contrato (no meu caso, renovável anualmente até 36 meses) com a FCT em que numa das alíneas diz exactamente que os bolseiros estão isentos desse pagamento. Eu não seria absolutamente contra se tivéssemos os mesmos direitos de todos os trabalhadores. Somos apenas pagos 12 meses/ano, não descontamos para a segurança social sobre o valor que ganhamos, não temos direito a 13º mês nem subsídio de férias e/ou subsídio de desemprego. Para piorar o cenário, somos talvez a única classe em Portugal que não vê os salários actualizados há 10 anos. De facto, nós não existimos. Duvido muito que hoje algum bolseiro consiga contrair um empréstimo. E vivemos nesta corda-bamba. 

Quem está a começar a carreira científica acha tudo maravilhoso e nem pensa. O futuro é algo muito longe, a euforia dos 20 acompanha-nos e isso de planos a longo prazo não existe. Quando comecei o meu doutoramento nem imaginava no buraco sem fundo que me metia... Aquele entusiasmo inicial de que vamos revolucionar o mundo e que alguém é o arauto das boas novas... Nunca, nessa altura houve pensamentos pessimistas.  Alguém, que pela primeira vez nos dava valor profissional e nos animava a sermos mais, maiores.  Citando o João Lobo Antunes: “tal como os apóstolos, quando ouviram o chamamento, deixamos  tudo e segui-lo”.  E eu comecei o meu doutoramento neste entusiasmo cego, fascinada por resultados, uma vida punk de se passar noites no lab, num tempo em que se podia fumar cigarros em todo o lado, jantar a horas que se deveria estar a dormir, viver de noite e, ainda por cima, de dia. Mas tudo muito divertido, muito companheiro, muita ajuda, tudo a remar para o mesmo lado.. Horas infindáveis, dias e noites que se confundiam, choros de desespero de não se conseguir solucionar um problema antes de uma conferência... Algumas músicas que me acompanharam nesses dias, e hoje quando as oiço, ainda me fazem arrepiar ao lembrar-me desse desespero. 

Depois essa coisa do mundo adulto, viajar e conhecer cidades novas, com pessoas que eram “cool” que nos mostravam o mundo. E nessa altura o objectivo era produzir mais e melhor para sermos seleccionados para apresentações orais nas conferências. E sim, não vou dizer que foi péssimo, que detestei. Não, adorei, na maioria das vezes. O problema era mesmo as apresentações. Eu costumo dizer até hoje que perdi anos de vida. Na minha primeira apresentação oral na Suiça,  era eu ainda um “bebé de fraldas” (na gíria científica) a acabar o meu estágio. Lembro-me até hoje de estar na plateia e dizer ao meu orientador que ia à casa de banho. Quando regressei ele disse-me que estava preocupado e que já estava a prepara-se para fazer a apresentação por mim. Sobrevivi a esse dia e muitos mais haviam de vir. 

Outra das memórias que tenho foi numa cidade no fim do mundo, Memphis. Isto em 2005. Aquilo era uma cidade fantasma, às 6 não havia nada... Lembro-me apenas da Beale Street cheia de clubes de jazz e do rio Mississipi, que fiquei tão desiludida quando vi. Eu a pensar que aquilo era tipo o rio Amazonas... Mas o que queria mesmo falar é que o centro de congressos era gigante, bem à medida das cidades da América profunda. Tudo é grande. Uma das primeiras coisas que o meu orientador fazia era mostrar-nos a sala onde íamos fazer a apresentação para que não caíssemos redondas de surpresa. Bem, quando chego à sala... aquilo não era uma sala, aquilo parecia a FIL. Tinha um palco e dois ecrãs gigantes que parecia que era a Madonna que ia actuar! Eu quase morri. Devia ter ficado com tão mau aspecto que o meu orientador disse-me: “Não te preocupes que vão dividir a sala. Isto é só para a sessão de abertura”. Fingi que acreditei. Chegada a hora lá subi ao palco com o microfone de lapela (tão sofisticada que era a coisa). Percebi rapidamente que os ecrãs eram tão longe do pódio que o laser era imperceptível. O sistema naquela altura já era muito à frente (tipo ipad) tocava-se no ecrã do computador e isso era reflectido nos ecrãs gigantes. Desisti, claro de apontar porque as minhas mãos pareciam dois abanadores. Também aqui sobrevivi. 

A conferência seguinte, nesse mesmo ano foi em Shanghai. A conferência que eu mais queria ir e fui! Só fomos 6 pessoas: 4 alunas e 2 chefes. Foi a conferência e a cidade mais surreal onde estive. Desde os taxistas não entenderem o alfabeto ocidental, sim, porque lá nem ousávamos falar, era mesmo tudo escrito em mandarim! As pessoas ficavam a olhar para nós na rua porque éramos as únicas pessoas não-asiáticas. A nossa companheira inseparável era a máquina calculadora. Tudo era negociado. Marcávamos o preço na máquina e a partir daí começava o negócio. Comemos as coisas mais absurdas: andorinha, tartaruga e afins. Até há uma história da AR que se entusiasmou ao ver o que ela achava ser abacate e mete uma colher cheia à boca... e o que era? Wasabi!!! A aventura de comprarmos meias de vidro para a C porque o tempo passou de tropical a glaciar... Eu nunca fiz tanta mímica na vida! A simpatia das senhoras na loja até hoje me comove. O quão mal fiquei num jantar no hotel porque a ementa estava em chinês e não conseguíamos pedir nada de jeito e depois acabamos a noite num bar a beber vinho tinto. Claro que nem vou descrever o resultado. A aventura ainda maior de nos terem levado para o hotel errado e de nos tentarem explicar em chinês que os nossos nomes não constavam na lista. Mas nós insistíamos que sim, que era aquele hotel... só me lembro de ter acordado a meio da tarde, a recuperar do jet lag, com a M. a dizer que estava noutro hotel e que o nosso era o errado... E foi também nessa semana que eu fiz uma amizade que me ficou para a vida, com uma pessoa, como quase todas as outras, eu não gostei à primeira vista. Estas amizades são o que ficam para a vida e o que me fazem olhar para trás e não arrepender-me das escolhas que fiz. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Evento "Portuguese Circle"@ City Sandwich

Ontem ao fim da tarde alguns portugueses (e não só) juntaram-se com o pretexto de provar as sandes do City Sandwich em Hells Kitchen. Há algum tempo que queria ir lá pelas apelativas sandes de nomes tão portugueses como: Nuno, Henrique, António, Fátima... O dono chef é um italiano nascido em Nápoles, criado em Long Island, viveu em Lisboa e voltou para Nova Iorque. O nome dele é Michael Guerrieri, é muito simpático, fala fluentemente português e tudo o que provei estava divino. O Michael tem também um restaurante em Lisboa, na Artilharia um que se chama Mezzaluna. O jantar foi tipo cocktail em que várias sandes do menu foram servidas e as mais apreciadas foram repetidas várias vezes acompanhadas por vinhos da casa Esporão. De todas as que provei as minhas preferidas foram: Nuno ( morcela, grelos, tomate, alho, mozarella e azeite); Auntie (sardinhas, cebola salteada, coentros e azeite) e Henrique (alheira, grelos, mozarella e azeite). Algumas fotos sugestivas:








Todas as fotos são do Henrique Mano

terça-feira, 24 de abril de 2012

Directa no lab

São quase 6 da manhã e eu estou a fazer a primeira directa de trabalho!!! Hoje revelou-se um mundo novo para mim: primers, genes, exões, pares de bases, pcr.... que nó!!! Primers para mais de 20 genes!!! Só vejo letras...AAGGCTAGCTATCG....???!!! Tenho os passarinhos a cantar na janela do lab... está a amanhecer! Good Morning NY!

domingo, 22 de abril de 2012

Tribeca Film Festival

Já tinha comprado o bilhete há bastante tempo para ver a conversa entre Michael Moore e Susan Sarandon. Ninguém adivinhava o tempinho maravilhoso de hoje...e de ontem... Já não me lembrava de ver chover assim em NYC. O caos, como podem imaginar, instalou-se. Filas de trânsito intermináveis, mais pessoas a pedir para os táxis pararem do que os táxis que circulavam...Como hoje é domingo levantei-me tarde mas tinha que ir ao lab antes de ir para o festival. O tempo que demorou para entrar e sair do metro (no total uns 2 minutos) foi o suficiente para os meus pés parecerem que estavam descalços, mas na verdade, estavam numa pocinha de água (que eram os meus ténis). Já saí de casa atrasada, demorei mais tempo no lab do que o que queria, saí atrasada do lab, corri para o Starbucks para comer qualquer coisa e para molhar-me mais um bocadinho... 

Como já passava das 2 e o festival começava às 3, e como eu estava quase do lado oposto da ilha, tenho a brilhante ideia (a de sempre) de ir de táxi. E como não aprendo, por mais repetições que aconteçam, lá fui eu perguntar aos "gipsys" quanto era até Tribeca... Percebi imediatamente que não fazia ideia do que eu estava a dizer, não sei se não entendi inglês (embora esta palavra seja a mesma em quase todas as línguas) ou se não sabia onde era (o que era ainda mais grave)... Mas como eu já estava por tudo, e a chuva não perdoava, agora não eram apenas os pés que pareciam descalços... Ainda me perguntou qual era a rua.... "Chambers" respondi eu. Ele começou a pensar, e eu debaixo de chuva, e lá responde: "30 dolars". E eu sem nem esperar um segundo entrei no carro. Ele disse-me que se não houvesse trânsito chegaríamos em 20 minutos. Que optimista que era o homem! Isso nem à noite!!! Mas para abreviar, o que supostamente demoraria 20 minutos transformou-se numa hora. Pela janela do carro via o dilúvio de NYC. Mas cheguei onde queria! A conversa entre a Susan Sarandon e o Michael Moore foi o que seria de esperar, interessante. Se alguém naquele auditório fosse republicano devia ter detestado. E o melhor guarda-se sempre para o fim, as perguntas do público. 









sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nature boy

There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy
And sad of eye
But very wise
Was he

And then one day
A magic day he came my way
And while we spoke of many things, fools and kings
This he said to me
"The greatest thing
You'll ever learn
Is just to love
And be loved
In return"



Eden Ahbez

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Encontros imediatos

Já ia atrasada para me encontrar com o F. no lab dele quando encontro no corredor a lab manager do meu lab. Não sei porque razão especial, não falamos muito no lab, mas quando me encontra fora dele começa sempre a fazer-me imensas perguntas. Eu que costumo usar um atalho entre edifícios, costumo subir as escadas até ao 14º piso (porque não existe o 13º) e depois percorro um labirinto de corredores que me leva ao Black Building onde vou de elevador até ao lab do F. Era isto que estava a pensar fazer, quando a conversa estava a meio e encontramos os elevadores do P&S. Eu não tive coragem de dizer que ia por outro sítio... porque quem não conhece podia achar que era uma desculpa. Toda a gente que vai descer usa estes elevadores como é que eu ia explicar à lab manager que ia por umas escadas manhosas até ao 14º para depois descer para o 4º?! Tive sempre destes problemas por pensar que as pessoas podem achar que é uma desculpa ou algo do género. Lá descemos de elevador, que demorou alguns minutos, porque aquela hora o elevador pára em todas as capelinhas.... Chego ao 1º andar e percebo que o corredor que dá acesso ao outro edifício está fechado para obras, percebo também que já passa das 5:30 e por isso a porta principal do P&S está fechada... Resta-me percorrer os corredores do Presbyterian Hospital e fazer novamente o caminho que deveria ter feito...

domingo, 8 de abril de 2012

Almoço de Páscoa no Manolo's Tapas

Grande escolha esta de almoçar no Manolo Tapas. Sangria razoável, ambiente familiar, bom serviço, comida muito semelhante à nativa. Aprovadíssimo! Seguem-se as fotos do grande almoço:


Sangria

Alcachofras com presunto

Croquetes

Lulas grelhadas

Camarões com filet mignon

Chouriço


Tarte de amêndoa

facebook