Washington DC era outro dos posts que deveria
ter há muito publicado. Tinha muita curiosidade em conhecer esta cidade que foi
construída propositadamente para ser a capital dos Estados Unidos. Estava
particularmente interessada em conhecer a arquitectura e ver como funcionava
esta capital planeada para terminar com a disputa entre Filadélfia e Nova
Iorque. Conheço outra capital assim: Canberra, que na minha opinião, é bastante
menos interessante e despida. Não conheço Brasília que foi planeada pelo Oscar
Niemeyer e tem dos mais fabulosos edifícios por metro quadrado. Washington DC
vale a visita. São apenas 4 horas de NYC de autocarro e em poucas horas
encontra-se uma cidade completamente diferente. É uma cidade relativamente
pequena, quase tudo, o que há de mais importante para se visitar fica entre o
capitólio e o Lincoln Memorial. Tudo se encontra numa linha recta de quase 3 kms
e é um magnífico passeio para se fazer na primavera. O que vi: Capitólio, Jardim
Botânico, Washington Monument, White House. Entrei rapidamente no Air and Space Museum. A entrada em todos os
museus é grátis, pena que fechem todos às 5:30... Aquele jardim que se estende
do Washington Monument quase até ao Capitólio é um convite imperdível à sesta.
Se não fosse a vontade do meu pai ir a Washington, teria perdido esta cidade
tão perto de NY e que eu acho que vale a pena o passeio.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
"A moveable feast"
"...As
I ate the oysters with their strong taste of the sea and their faint metallic
taste that the cold white wine washed away, leaving only the sea taste and the
succulent texture, and as I drank their cold liquid from each shell and washed
it down with the crisp taste of the wine, I lost the empty feeling and began to
be happy and to make plans.”
Ernest Hemingway in "A moveable feast"
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Verão em NY
Nunca pensei que NY fosse tão quente no Verão. No ano passado estive cá até ao fim de Junho e já deu para perceber o quão insuportável era. Acho que no ano passado no final de Abril já não conseguia dormir sem ar condicionado.
Saí de Portugal há dois dias e estava um tempo ameno, chego aqui e estão 30 e tal graus. O problema não é a temperatura, é a humidade!!!! Eu que já vivi em Houston, não acho que aqui seja muito diferente. Acho que em NY as noites arrefecem em relação às temperaturas de dia, o que não acontecia em Houston, que as temperaturas eram muito semelhantes de dia e de noite. Mas depois aqui em NY o que se torna insuportável são as estações de metro. Aquilo parecem estufas. De resto, todos os edifícios têm A/C e parece que estamos na Sibéria. Eu no inverno uso roupa de verão e no verão uso roupa de inverno! Não posso andar sem meias porque os pés gelam, quando não trago um casaco uso o dia todo bata para não ter frio. Claro está, que depois estas pessoas não aguentam andar na rua e é vê-los andar com bebidas carregadas de gelo. O que mais me impressiona são os vendedores ambulantes, aqueles que têm pequenas carrinhas que vendem comida. A vida destas pessoas não é fácil. No inverno suportam a neve e no verão este calor insuportável...
terça-feira, 29 de maio de 2012
Crianças vs aviões
Há anos que ando de avião e nunca tive crianças tão mal educadas perto de mim como nestes últimos dois vôos. Toda a gente sabe que enquanto se espera numa sala de embarque o nosso olhar é quase magnético a procurar pelas crianças. Não são os bebés. Esses normalmente, não fazem birras de 7 hrs. Podem, pontualmente, estar com cólicas, mal-dispostos mas nunca horas seguidas. Nunca foram os bebés que me incomodaram nas viagens de avião. O que me incomoda e o que acho intolerável são aquelas crianças de 2-3 anos que para além de choronas, têm birras intermináveis e educações que deixam muito a desejar. A culpa não é delas, é dos pais que acham que viajam sozinhos sem ninguém à volta. Normalmente estas crianças têm determinadas características comuns: não obedecem a regras, fazem o que querem, habitualmente são crianças que deveriam falar quase correctamente mas têm linguagem de bebés de colo de tanto mimo que têm, querem tudo o que as outras crianças têm (mesmo que não seja adequado à idade), não obedecem aos pais, nunca param quietos (são hiperactivos, a nova palavra que está na moda para designar crianças com falta de regras)...No penúltimo vôo mesmo ao meu lado estavam 3 crianças com gradientes crescentes de mau comportamento. O miúdo mais bem comportado não tinha mais de 3 anos e apesar de mal-disposto esteve sempre distraído com os presentes que as hospedeiras lhe trouxeram e nunca se ouviu acima do volume normal. As outras duas crianças eram impossíveis, não tinham mais do que 2 anos mas já mandavam nos pais. As hospedeiras fizeram de tudo para que não perturbassem as outras pessoas e os pais ainda achavam que a culpa era dos outros. Eu imagino o quanto seja difícil ter uma criança bem comportada durante 8 horas. Mas este tipo de crianças são aquelas que se comportam mal mesmo fora dos aviões. Não me venham com a teoria que lhes dá uma coisinha e que ficam assim de repente. Os pais com crianças assim deviam sentir-se, no mínimo, envergonhados por este festival. Mas não! Ainda acham que os outros é que estão errados por ouvir berros, gritos, guinchos e afins (que não envolve linguagem e que mais parece típico dos animais). Só para dizer que o menino de 3 anos, mal o avião parou, eu olhei para trás e achei que ele estava muito pálido e a transpirar. E estava a dizer à mãe que não estava bem. Mal acaba de dizer isto e vomita a mãe. O menino, tão bem comportado, não deu um grito, não levantou a voz, não fez cenas. Após vomitar, recupera a cor e diz à mãe que já não se sente mal. Eu só imagino como teria sido o comportamento das outras duas nesta situação...
No vôo de ontem a coisa piorou muito. Duas crianças mesmo ao meu lado... Qual delas a pior... Tinham uns 3 anos e a única coisa que faziam era gritar. Mas gritar de troça. Daqueles berros irritantes de provocação. E acreditam que ninguém lhes fazia nada? Os pais não tinham mãos? Nunca nas 8 hrs vi uma sapatada, um castigo, nada. Os pais ali a ouvir os berros e só diziam para pararem... E claro que eles com o respeito que lhes tinham berravam cada vez mais. Estas crianças no futuro, não só vão berrar, vão falar alto, insultar e quem sabe bater nos pais. E estes pais bem merecem de tão totós que são. Pois, está bem, hoje em dia não se pode dar uma sapatada numa criança porque vai traumatizá-las. Pois é, fica mal dar uma sapatada mas não fica mal ter este comportamento arruaceiro em tão tenra idade e incomodar dezenas de pessoas que não podem fugir para lado nenhum.
Eu falo disto e não falo sem conhecimento de causa. Eu sempre tive mau feitio e sempre fui teimosa. Fui desde muito cedo castigada pelo meu comportamento, por ser refilona, por responder mal, para terminar as refeições.... Tenho o meu sobrinho mais novo que é assim. Desde que tem 1 ano que quando não lhe fazem o que ele quer, ou o obrigam a fazer qualquer coisa que ele não quer que: ou se atira para o chão ou inclina a cabeça a dar 3 horas. Agora que começou a comer à mesa com os adultos quer, na maioria das vezes, sair da mesa sem acabar de comer ou antes de pedir autorização. E é vê-lo ali com a cabeça de lado até toda a gente terminar. Ele não entende isso agora mas quando for mais velho vai agradecer as regras que a sociedade lhe impõe. E já disse ao meu irmão que as crianças e os aviões não combinam.
domingo, 27 de maio de 2012
Grand Central Station, Crysler Building, United Nations
É considerada a maior estação ferroviária do mundo. Mas para além da
grandeza física, o que cativa e faz a fama é a arquitectura do edifício. O
interior da estação central de comboios é imperdível. É uma fabulosa construção
do início do século XX e um símbolo da época áurea da cidade, antes da
depressão de1929. Os tectos, candeeiros, escadarias e bilheteiras são
lindícimos. O tecto principal é uma gigantesca abobada rectangular pintada de
azul-turquesa, com representações a tinta de ouro de todos os elementos do
zodíaco e constelações. Relativamente perto fica o Crysler building e as Nações
Unidas.
O Crysler building foi construído como sede da marca Crysler e
para ser o edifício mais alto do mundo. É apenas um ano mais antigo do que o
Empire State Building e perdeu nessa altura o título de edifício mais alto do
mundo. Apesar disso ainda é considerado o edifício habitável mais alto do mundo
construído em tijolos. O edifício das Nações Unidas fica no Limite do East
River (tem o mesmo nome que o Rio que passa em frente à casa dos meus pais mas
é um bocadinho mais famoso, lol). É um edifício espelhado em tons de azul e
projectado por uma equipa que incluiu o não menos famoso arquitecto brasileiro
Oscar Niemeyer (responsável pelo planeamento da cidade de Brasília e de outras
obras de reconhecido mérito como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói- MAC,
que na minha opinião é a obra mais espectacular dele).
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Central Park
O Central
Park é o maior parque no coração de Manhattan rodeado por arranha-céus. Parece
o paraíso dentro da cidade que nunca dorme. Parece outra cidade. Lá dentro
encontra-se de tudo: animais, jardins, relva, lagos, pistas de corrida e para
se andar de bicicleta, árvores, plantas, barcos, um zoo, restaurantes...
Na zona
sul do Parque junto à 5ª Avenida com a 59 alugam-se charrettes para
passear dentro do parque. Aqui pode avistar-se dois dos mais famosos e bonitos
de hotéis de NY: Waldorf Astoria e o Plaza. Mais acima na 65th com a 5ª Avenida
tem um zoo com macacos, pinguins e outros animais. Continuando a subir o parque
e encontra-se a Alice do País das Maravilhas sentada num gigantesco cogumelo e
rodeada pelos principais personagens da história de Lewis Carroll.
Dentro do
parque, entre as ruas 74 e 75, encontra-se o famoso Loeb Boat House. Este fica
junto a um enorme lago, facilmente reconhecível de cenas de diferentes filmes.
Aqui alugam-se barcos e bicicletas. Seguindo para norte e encontramos o castelo
Belvedere na 79. A vista justifica o esforço. Na zona sul do lago fica o
Bethesda Terrace, com a fonte Bethesda que é um dos ícones do parque e uma das
fontes mais fotografada do mundo.
Na zona
oeste junto à 72 fica o memorial a John Lennon (Strawberry Fields).
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Sempre Susan – a memoir of Susan Sontag by Sigrid Nunez
Estou a escrever este texto há meses. Demoro imenso.
Começo, recomeço, apago, deixo... Decantar e repousar. O simples tão difícil... Tive contacto com a obra da Susan Sontag
através das crónicas da Clara Ferreira Alves no “Expresso”. Aliás, quase todos
os escritores americanos que adoro conheci-os por intermédio da Clara.
Lembro-me perfeitamente de uma crónica, em particular, publicada na semana da
sua morte. Isto em 2003. A partir dessa altura comecei a ler alguns livros
dela. Desde que estou em NY passei a ler tudo o que encontro sobre elea,
biografias, na sua maioria. Há uns anos que tudo o que leio são biografias. Nada
mais actual que publicar este texto sobre Susan Sontag a poucos dias da
atribuição do prémio de tradução em Língua portuguesa pela sua Fundação (Susan
Sontag Foundation) no dia 1 de Junho.
Li o livro “Sempre
Susan – a memoir of Susan Sontag by Sigrid Nunez” no ano passado.
Sigrid Nunez é autora
de 6 livros com boas críticas que descreve Sontag como mentora, amiga e uma
inspiração. Em 1974, depois de ter
estudado no Barnard College, estava a frequentar o MFA em Columbia University
na tentativa de escrever ficção enquanto arranjou um emprego a ajudar Sontag
com a correspondência. Sontag, nessa altura, vivia no último andar na 106th
Street com a Riverside Drive com o filho Davied Rieff de 24 anos que estudava
em Princeton mas passava a maior parte do tempo em NY. Sigrid começou a andar
com David e em pouco tempo mudou-se para a casa deles. Sigrid explica que o
título é italiano e que evoca o facto de toda a gente tratar e referir-se a
Susan Sontag pelo primeiro nome. Mas ela não explica porque escolheu o título
em italiano.
Muito pouco é explicado
e descrito neste livro pequeníssimo mas ficamos a perceber o essencial de Susan
Sontag. Muitas das passagens parecem lembranças que ela anotou em pequenos
cartões e juntou-os sem nenhuma ordem particular.
Susan
Sontag parece ter carregado um trauma de
infância pelo egoísmo da mãe pela pouca atenção que lhe dava. Era uma mãe fria,
egoísta, narcisista que nunca mostrou afecto pela filha, que nunca reparou que
tinha uma filha especial. É descrito também no livro Fala os ataques de asma
que Susan tinha em criança e que por esse motivo mudaram-se de NY para Tucson
(Arizona) depois de uma estadia breve em Miami. Fala também que Susan bebia um
copo de sangue diariamente que a mãe trazia do talho. Aos 3 já lia, aos 8
lia Shakespeare, aos quinze anos o director do liceu chamou-a e disse-lhe: “a
menina só está a perder tempo aqui, vamos já dar-lhe o diploma para poder ir
para a universidade”. Sontag ingressou imediatamente na universidade e aos 17
casou-se. Nunca perdeu tempo.
Uma das frases de Susan Sontag mais repetia era: “I want two things: I
want to work and I want to have fun”
Ela era tão “new
yorker”,era tão a imagem que eu tinha das pessoas que viviam em NY: cosmopolitas,
intelectuais, modernas. Na opinião de Sigrid Nunez ela era tão “New York” pela
sua energia e ambição, no “poder fazer”, espírito de conseguir tudo o que
queria, e na convicção do seu excepcionalismo no poder da sua própria escrita,
na sua própria criação, no seu poder de renancer, nas possibilidades
infindáveis de novas oportunidades. Ela considerava-se uma “beauty freak”. Ela
considerava a arte superior à natureza e as cidades muito mais importantes do
que os países. Não havia para ela melhor cidade do que NYC (Manhattan) que ela
considerava a a capital do século XX.
Susan Sontag recusava-se
a ter carteira/bolsa. Não conseguia perceber a ligação das mulheres a esse
acessório. Não usava maquilhagem, pintava o cabelo mas deixava aquela madeixa
branca tão característica. Usava água de colónia para homem: Dior Homme.
Preocupava-se com o peso que oscilava consoante a fase de escrita em que se
encontrava, que influenciava também o quanto fumava, o que significava, se
fosse muito, que estava também a tomar anfetaminas. Mas adorava comer. Nunca
foi adepta de exercício físico, mas adorava andar, quando o tempo começava a
aquecer. Ela usava muito preto, que não era a cor que lhe ficava melhor. Achava
que Virgínia Woolf era um génio. Não gostava de fazer nada sozinha. Adorava
comprar cadernos, canetas e lápis. Sempre adorou viajar. Viajar, para ela,
entre outras coisas, era um antídoto para a depressão.
Susan Nunez diz no livro que por causa de
Susan Sontag começou a ler rápido e começou a escrever o nome em cada livro
novo e que usava um lápis (nunca uma caneta ou esferográfica) para sublinhar.
Susan Sontag costumava dizer que se não tivesse sido escritora teria sido
médica. Sempre adorou sair (frequentou muito o Studio 54) mas gostava também de
receber pessoas em casa. Dormia muito pouco, o menos possível. Adorava
cinema e opera. Quanto mais velha ficava, preferia a amizade e socializar com
pessoas mais novas. E gostava também de ir a sítios e fazer coisas associadas
com a juventude. Ela era muito física, gostava de ser tocada e de tocar. Era
muito fácil de se conversar com ela e se ser confessional. Adorava conversar,
quanto mais intimamente melhor.
Ela dizia que poderíamos saber como eram as
pessoas pelos livros que liam. Susan
Nunez diz que nessa altura Susan Sontag tinha aproximadamente 6000 livros em casa.
Descreve no livro que por influência de Susan começou a organizar os próprios
livros por assunto e cronologicamente em vez de ordem alfabética. Susan Sontag
chegava sempre atrasada aos encontros marcados e dizia sempre que por essa
razão todas as pessoas deviam ter consigo livros (para passar o tempo). Só era
pontual para apanhar um vôo ou para a ópera.
Foi enterrada em Paris
no mesmo cemitério que Beckett.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Gravidez
Esta semana tem passado a correr. Não tenho tido tempo para estar com todas as pessoas que queria estar, não consigo mais espaço para combinar cafés, copos e/ou almoços/jantares. Hoje fui lanchar com uma amiga e como é habitual cruzei-me com várias pessoas conhecidas em Braga. Quando parámos em frente do escritório da J. para nos despedirmos vejo a SG aka "joaninha" e está grávida! (Re)conheci a S. no 2º ano do curso. Estudou no mesmo colégio que eu mas é 3 anos mais velha. Passados uns anos, ela tinha acabado de regressar a casa dos pais depois de ter tirado o curso no Porto. Começamos a sair diariamente, eu desiludida com o meu curso, ela desanimada pelo regresso a Braga... Com ela aprendi a gostar do Oscar Wilde (foi ela que me ofereceu o "De Profundis" e o "Retrato de Dorian Gray"), de Jeff Beckey e re(li) "O Principezinho". Até hoje sei de cor algumas das citações. Foi também com ela que fiquei viciada em bilhar e que passei horas no "Chave D'Ouro" e aprendi a gostar do BA e do Insólito. Nunca conheci uma pessoa que gostasse tanto de vodka limão e que bebesse tantas e ficasse tão bem! Hoje, passados alguns anos dessa boa vida voltamos a estar juntas sem nada combinado. E foi uma alegria vê-la tão alegre, com tão bom aspecto, tão gira e tão grávida do seu F. que se vai juntar a nós em Agosto!
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Presidente Obama @ Barnard Commencement 2012
O Presidente Obama anunciou em Março que estaria na cerimónia dos finalistas do Barnard College. A decisão de Obama de falar em Barnard, e não em Columbia, onde ele se formou em 83, surpreendeu muita gente. O Barnard College é uma faculdade só para mulheres que não pertence mas é afiliado a Columbia e situa-se em frente ao Campus principal (Broadway com a 116). Eu moro na 115 com a Broadway. Podem imaginar o que acontece normalmente quando não vem cá o Presidente... O "festival" começou ontem. À tarde o trânsito na Broadway e as ruas até à 113 já estavam cortadas. Nunca vi tanto polícia, cães, metralhadoras, snipers, bombeiros, agentes dos serviços secretos...Cena mesmo à filme.
Menos de uma semana após o apoio ao casamento homossexual. No discurso Obama disse: “Lutem pelo vosso lugar na mesa. Ou melhor, lutem pelo vosso lugar na cabeceira da mesa”. A outra parte do discurso falou sobre os direitos das mulheres e gays nos Estados Unidos. Obama foi muito aplaudido e falou também da infância, dos exemplos que recebeu da mãe e da avó e da influência positiva que a personalidade autoconfiante da mulher exerce sobre as filhas.
Em 2008 acompanhei muito de perto a campanha presidencial entre Hillary Clinton e Barack Obama. Não tenho problema nenhum em admitir que era uma apoiante ferverosa da Hillary. O Obama neste últimos anos não me surpreendeu como presidente. Mas depois dos anos com Bush na presidência o efeito Obama foi notório. Aprendi a gostar dele. Fala bem, é simpático, culto, progressista, moderno. Não mudou o mundo mas pelo menos os Estados Unidos voltaram a ser o país da vanguarda e das ideias progressistas. Como disse hoje no discurso "o mundo não para, não estagna, os Estados Unidos foi sempre feito de mudança". E quando Bush "mandava no mundo" como é que alguém se sentia seguro? Agora apareceu esta nódoa do Romney. Como é que algém pode votar num mormon para a presidente? Eu não costumo discutir nem a crença nem a religião das pessoas. E muito menos gosto de ridicularizar. Mas por favor, uma "religião" que aparece como uma "aparição"de Jesus a um americano a defender que todas as igrejas/religiões do mundo estão erradas... Pronto, mas deixando esta parte importante de lado, Romney parece viver há 2 séculos atrás... Vocês já ouviram o homem falar? Já ouviram o que ele defende e quais são as ideias que ele defende? É que este republicano está a anos luz do moderado John McCain. E não é que este retrógrado do Romney leva 3 pontos de avanço sobre o Obama? Mas também não sei porque me espanto. Este país foi quem elegeu democraticamente duas vezes seguida o... Bush.
Todas as fotos foram retiradas do "Columbia Spectator"
A minha casa
Estou sem tempo para escrever e para fazer as coisas que gosto. Mas mesmo assim, no fim de semana consegui arranjar tempo para andar pelas ruas e ir às livrarias. A poucos dias de ir a Portugal, começa a saudade de deixar a minha casa e a minha cidade. Foi sempre assim, quando gosto adopto a cidade como minha. Dizem que NYC fica-nos para sempre. Como
tantos outros, eu viverei para sempre em NYC. Quero muito escrever sobre tudo o que vivencio aqui e sobre os livros que leio e li aqui. Só estou a ler livros relacionados de alguma forma com NY e/ou Estados Unidos de alguma forma. Como tantas outras vezes, comecei a encher um apartamento do zero e muitas vezes os esvaziei. As únicas coisas que levo no regresso são os livros que vou comprando sempre.
Começou assim..
E agora está assim..
sexta-feira, 11 de maio de 2012
A saga do PCR...
Ontem foi das poucas vezes em muito tempo que saí do lab ainda com luz do dia. A maioria dos dias nem sei se faz calor ou frio... Estas células são daquelas especiais, têm que ser acarinhadas e bem tratadas e mesmo assim não se comportam, na maioria das vezes, como eu queria. O mistério destas coisas é fascinante... como é que se retira células do seu ambiente in vivo e são capazes de simular o batimento cardíaco in vitro? Também nunca acreditei que conseguia tirar um curso e muito menos o Doutoramento. Ainda hoje acordo assustada a não saber onde estou e a pensar que tenho Química Analitíca por fazer... Ah?
Mas agora começou a parte melhor (para mim a pior!!!): PCR!!!. Depois da saga de construir os primers começa a parte da quantificação de RNA, cDNA, PCR... essas coisas todas com siglas e letras que para mim é uma maravilha... eu que não decoro nomes vou decorar siglas... ok! Podem gozar!!! Ah e lembro-me do inventor do PCR e Nobel da Química Kary Mullis que é um surfista, que vive em La Jolla, perto de San Diego e quando era novo sintetizava ácido lisérgico (aka LSD) para consumo próprio... Quando estive lá ainda não tinha lido a biografia dele "Dancing Naked in the Mind Field". Só com esta idade e depois de um doutoramento é que começo a aprender na prática a técnica de PCR. Claro que me lembro vagamente das aulas práticas, já não sei em quais cadeiras... Passava mais tempo preocupada com a minha equipa das cartas. E lembro-me sempre daquelas perguntas idiotas que colocava ainda há pouco tempo à Marilu: "Como é que é fisicamente?"... Sei agora que os primers vêm liofilizados e que não precisam de estar no congelador/frigorífico. Hoje quando cheguei ao meu gabinete ia tendo um ataque cardíaco porque vi os primers em cima da minha secretária... Lá me explicaram que só depois de preparar as soluções é que precisam de refrigeração. Foi uma alegria enorme ver aqueles tubos minúsculos que têm uns pozinhos imperceptíveis aos meus olhos cada vez mais ceguetas!! Depois da discussão que demorou uma semana com os representantes da Invitrogen! Acho que nunca liguei tanto para ninguém e nunca me ligaram tanto! Repetiram 4 vezes o controlo de qualidade dos primers e só na última passaram... Eu só perguntava se a culpa era minha... Tanta letra... Podia ter-me enganado numa... Pronto, eu sei que não são letras são pb!!! Ui, mas isto já a história vai a meio porque a verdadeira dor de cabeça começou na construção dos primers. Só nomes lindos: NCBI, gene ID, Ensemble, Gene bank, Blast... Fora a cabeça em água que deixei algumas pessoas!!! Pronto, eu reconheço que os meus amigos nunca me abandonam e estão sempre disponíveis quando preciso deles! Está bem assim? Chega?
Ontem comecei a extracção de RNA. Uma sensação espectacular. Para mim talvez semelhante ao medo de andar de avião. Sempre cheia de medo de contaminar o raio das amostras, sempre a querer lavar as mãos com RNA zap. Isto faz-me lembrar alguém que viciava os alunos a estar sempre com as mãos molhadas em 70% etanol...Parece que o TOC me atacou! Passei o dia com dor de estômago. Mas a melhor parte do dia foi quando tinha que reconhecer o pellet no fundo dos tubos!!! Nem com óculos lá chegava! E ainda me diziam que era grande. Aquilo nem uma caganita de mosca era!
Hoje fui quantificar o RNA. Outra vez TOC. Limpar, limpar, limpar! Estou a ficar obsessiva e ainda vou no segundo dia!!! Almocei às 6 da tarde. Jantei à meia-noite. Que tal? Para saber que a qualidade do meu RNA é uma merda!!! O L. percebeu à distância que eu estava inquieta... era esta a palavra?
Fica aqui um vídeo que a C. me mostrou há uns anos nem sei qual a razão porque na altura não fazia PCR e não me imaginava a fazer!!!! Riam-se:
Fica aqui um vídeo que a C. me mostrou há uns anos nem sei qual a razão porque na altura não fazia PCR e não me imaginava a fazer!!!! Riam-se:
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terça-feira, 8 de maio de 2012
I'm singing in the rain
"I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feelin'
I'm happy again..."
Just singing in the rain
What a glorious feelin'
I'm happy again..."
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Os meus esquecimentos
Tenho dormido menos que o habitual e ando a trabalhar mais... Isto associado com um problema que tenho de nascença que é "cabeça no ar" nunca dá resultado... Tenho péssima memória para nomes, é uma vergonha, confundo os nomes todos, posso até saber a letra inicial mas nunca acerto no dito. Depois, nunca sei onde deixo as coisas, diariamente, repetidamente, não sei onde deixo os óculos e as chaves...Isto herdei totalmente do meu pai. Aliás, parece que o vejo em mim nestas situações. O meu pai até hoje nunca sabe onde deixa os papéis, mas eu consegui aprender a conviver com este defeito, ele continua a fazer uma tempestade sempre que isso acontece! E nunca é ele que muda as coisas de lugar, são os outros. Os outros é que vão por ex. à secretária dele tirar-lhe um papel específico que só ele sabe qual é e fazê-lo aparecer noutro lugar! Adoro isto no meu pai. Na maioria das vezes rimos sempre imenso.
Mas não contei a pior situação que me lembro. Quando fui a Toronto, o meu vôo estava atrasado e fui jantar a um daqueles bares de aeroporto, muito barulhentos, com muitas tvs e que tinha internet. Abri o computador e passei assim as horas que faltavam. Entretanto jantei, paguei a conta e saí. Quando chego à sala de embarque sento-me e vou à mochila buscar o computador. Não estava... Lembrei-me imediatamente que o tinha deixado na mesa do bar!!! Eu sabia que ia voltar lá e o computador ia estar no sítio que o tinha deixado mas assustei-me com a situação. Isto já passou de ser os óculos, a chave, o telemóvel para passar a ser o computador que estava à minha frente e que o deixei aberto na mesa!
Tudo isto para dizer que há umas semanas comprei um bilhete (dos caros, num bom lugar) para ver uma conversa com a Diane Keaton. Sempre tive a ideia que era dia 2 de Maio (hoje). Tinha escrito na minha agenda. Ontem imprimi o bilhete e tudo! Mas hoje quando acordei, depois de ter dormido duas horas, vejo no FB um comentário de como tinha sido a conversa de ontem!!! Ontem??!!! Como assim??!!! Perdi o bilhete, a conversa e o livro que tinha direito... há dias assim...
Diane Keaton ontem no 92Y a assinar a autobiografia
(Photo:92Y)
domingo, 29 de abril de 2012
As obras de arte dos meus sobrinhos
Quando os meus pais decidiram vir a NYC perguntaram-me o que eu queria que eles trouxessem. Respondi que queria um desenho de cada um dos meus sobrinhos para colocar no frigorífico...Nunca pensei que fosse uma tarefa tão complicada...
Quem já conheceu os meus sobrinhos pessoalmente e passou com eles algumas horas percebe imediatamente que desenhar não é o forte deles... O mais velho está sempre a dizer que não consegue desenhar, e tem sempre desculpas ou porque lhe dói as mãos, ou porque lhe dói os dedos, a barriga.... O que ele gosta mesmo é de andar atrás das pessoas com os lápis de cor ou de cera ou então com um quadro daqueles que dá para apagar. Então um dos passatempos preferidos dele é não deixar as pessoas em paz e pedir para desenhar as coisas mais estranhas... deve ser para testar a paciência delas. O meu sobrinho mais velho tem duas pancas: Mickey e os sinos. Claro está, que o que ele mais pede é para desenharem Mickeys e sinos. E depois vai dizendo que está bem, ou não está bem, maior, mais pequeno, aqui, ali...vai dando as instruções. E quando a coisa corre bem é ver a cara de satisfação no final!
O meu sobrinho mais novo nem precisa de inventar desculpas. Não desenha mesmo. Não desenha e pronto. É sincero, não gosta! O que ele mais gosta é mesmo de carros. Desde que tem um ano e meio que sabe as marcas todas dos carros e foi através deles que aprendeu os números (por causa das matrículas) e as cores. Das coisas que me rio sozinha até hoje é que na praia tínhamos que andar uns 5 mns a pé até ao parque da Marina de Portimão e ele mal saía do areal começava a pedir colo. Como é que o pai o convencia a ir de mão dada até ao carro? Vamos lá ver os carros, quantos carros iguais ao do pai (queria dizer da mesma marca), iguais aos do avô, iguais aos da Ana Margarida.... e ele lá ia a contar e a dizer as cores. As crianças são mesmo fáceis de convencer. Isto era assim todos os dias!
Como a tarefa de os fazer desenhar não foi fácil de conseguir, o meu irmão, que tanto desenha para eles já lhe apanhou o jeito! Ideia do meu irmão: faz dois desenhos e diz a cada um para lhes desenhar o que lhes apetecesse para os avós levarem para a Ana Margarida que eles acham que mora "lá em cima" (Empire State Building) e que se teletransporta num avião. Sempre que falamos o mais velho pergunta-me sempre o mesmo: "Estás quase a chegar?". O resultado dos desenhos deles provoca-me sempre uma gargalhada sempre que passo pelo frigorífico. O desenho do mais novo é completamente abstracto, não se consegue entender, e tenho muitas dúvidas que o próprio saiba explicar. Devia ter pensado para ele mesmo: "vou rabiscar isto e eles ficam contentes e eu também!". Este deve sair à tia que ainda hoje se ri com os desenhos da infância. Nunca consegui desenhar. E o que desenhava até para mim era estranho... O mais velho, como também detesta desenhar, foi pelo caminho mais fácil... escreveu o nome dele, que é a única coisa perceptível que ele consegue fazer com um lápis. Seguem as duas obras de arte:
Rabiscos do sobrinho mais novo sobre desenho do pai
Assinado pelo sobrinho mais velho sobre desenho do pai
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