sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Robert NYC @ Museum of Arts and Design

A primeira vez que fui ao Robert tínhamos ido jantar a um restaurante afegão em Hells Kitchen. Por insistência minha, queria ir para Columbus Circle e passar no local onde tinha sido o mítico Studio 54. Agora é (apenas) um teatro que tinha uma peça com bastante êxito em cena, com um dos actores do "Big Bang theory". Há umas semanas atrás eu tinha estado no bar lounge Stone Rose em Columbus Circle. A vista sobre o Central Park e sobre a estátua do Colombo era magnífica. A ideia era voltar lá para beber um cocktail. 

Quando passávamos no MAD, a C. perguntou porque não experimentar o Robert. Subimos e nessa noite (sábado) havia música ao vivo (piano e contrabaixo). Sentaram-nos numa mesa afastada das janelas. Eu não sou muito de cocktails, normalmente faço escolhas erradas, só bebo coisas básicas e repetitivas como vinho, gin tónico, ou whisky com água com gás. Nesse dia joguei pelo seguro e pedi um cosmopolitan. Pouco depois a C. avisa-me  que atrás de mim estava a chef Luisinha.  Eu apenas a conhecia de me cruzar com ela em eventos do Portuguese Circle, tais como no City Sandwich ou no Portugal Day. A chef Luisinha é uma senhora com uma história de vida interessantíssima. Foi enfermeira muitos anos e há 10 anos reformou-se e foi para NY aventurar-se pela sua outra paixão:  a cozinha. A chef Luisinha reconheceu-me e veio ter connosco à mesa e pouco depois colocou-nos numa mesa junto à janela. Que vista fabulosa! É mesmo uma experiência imperdível. Mas para além do ambiente fantástico, a simpatia e amabilidade de todas as pessoas que lá trabalham, o que provámos nessa noite foi de chorar por mais. A chef Luisinha foi de uma amabilidade e simpatia e presenteou-nos com uma panna cotta e bambolinis. Que noite tão bem passada, com muitas histórias, muitos risos, uma excelente vista, uma sobremesas fabulosas e com a companhia da chef Luisinha.







A experiência foi tão boa que prometemos regressar ao Robert. Combinamos que o meu jantar de despedida de NY seria lá.
No meu último dia em NY fomos jantar ao Robert, previamente combinado com a chef Luisinha. Tinhamos uma mesa à nossa espera junto à janela.  Fomos tão bem recebidos. Começamos por escolher os vinhos e cocktails. Vários tipos de pães foram colocados na mesa e manteiga (da verdadeira, coisa rara em NY).  A chef Luisinha disse-nos que nesse dia o prato especial era bacalhau e que só havia 3. Eu preferi o prato que a chef Luisinha aconselha a todas as vedetas: robalo grelhado (aka branzino). Queria perceber o que o prato tinha de tão especial. O F escolheu pato, o T. e a N. Escolheram bacalhau.  Pouco depois chegavam à mesa uns miminhos da chef Luisinha que nem tenho palavras para descrever.

Mexilhões com chouriço
Salada mista com rabanetes
Risotto de vinho com polvo cozido
 Os mexilhões estavam com um paladar tão português que eu acho que se deveu ao chouriço. Estavam de chorar por mais. O risotto de vinho tinto com polvo era uma adaptação do nosso arroz de polvo. Para os aficionados estava divinal! Provei todos os pratos e todos estavam óptimos. Mas percebi porque é que o Robert Redford e o Bono gostam tanto do robalo. O simples tão difícil. Um robalo do mar grelhado divinalmente grelhado com um pouco de refogado de tomate (que tanto me faz lembrar o da minha avó).










É um restaurante muito bonito, no 9º andar do edifício do Museum of Arts and Design, com um ambiente muito agradável e muito bom gosto, com lindas peças de design. É daqueles restaurantes que se aconselha e que as pessoas não ficarão defraudadas. É uma aposta ganha com toda a certeza. Recomendo vivamente por tudo mas principalmente porque a comida é divinal e isso não se pode fotografar, descrever ou gabar com o realismo adequado ao momento. Uma experiência gastronómica a repetir e vivamente recomendável a toda a gente que passar por NY.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Este texto é para a C. que salvou a minha vida duas vezes-Parte I


Como a Adriana Calcanhotto, acho que escrever ajuda. Coincidentemente,  estive doente na mesma altura que ela escreveu “Saga Lusa”. Ela com um surto psicótico induzido por interacções de drogas legais e eu a “enlouquecer” com um problema de estômago.Ela achava que estava a ficar louca e que não voltaria à realidade e eu achava que ia morrer... ainda para mais... sozinha! Regredindo no tempo, ao verão de 2008, estava eu no "arrozal" na Rice University em Houston, Texas. Estava nas últimas experiências do meu Doutoramento e nos últimos meses em Houston. Adorava a vida que tinha lá. Vivia num complexo com piscina a 3 mns (a alta velocidade) de bicicleta da Universidade. Aquela bicicleta de criança comprada no segundo dia que cheguei a Houston, arrisco dizer, que fez milhares de Kms. Nunca em toda a minha vida estive tão em forma. Ao fim de semana fazia em média 30 kms. O meu orientador de lá dizia sempre que me reconhecia ao longe pela bicicleta e o capacete e que quando encontrava um Malboro caído no chão era meu. Era a melhor e mais fiel consumidora de latte na universidade. Até me ofereceram uma t-shirt “Rice Coffe House” que tenho até hoje.Tinha o meu gabinete espectacular partilhado com mais duas das melhores pessoas que conheci no mundo. Até me ofereceram uma máquina de café, que depois servia para todos. Como (quase) toda a gente sabe nunca precisei de dormir muito. Estava (quase) sempre acordada em todos os fusos horários. Nesse verão, aceitei, talvez fruto de não querer reconhecer que todos os humanos têm um limite, escrever um capítulo de livro a convite do meu orientador. O desafio era irrecusável, pelo menos para mim. Quase que disse que sim de imediato. De dia fazia as experiências no laboratório e de noite escrevia. E foi um ano de muito trabalho porque para além de todas as experiências, tinha os bioreactores que eram 8, todos para mim. Cada um demorava, em condições de esterilidade, uma hora a montar. Para além disso, tinha os estudos in vivo com ratos. Acho que nunca trabalhei tanto. Mas também nunca me senti tão entusiasmada. Adorava aquele clima de Houston, absurdamente quente e húmido. Sempre sol.







Uma noite, como “não há mal que dure sempre nem bem que nunca acabe”, adormeci de cansaço no sofá depois de jantar, enquanto a roupa lavava. Acordei passado pouco tempo muito indisposta, suores frios, muito pálida, uma sensação de fraqueza...Passei a noite a vomitar. Achava que no dia seguinte estaria melhor. Quando acordei na manhã seguinte não consegui comer nada e a sensação de náusea persistia. E isto continuou uns dias, tudo o que comia vomitava e as únicas coisas (em muito pouca quantidade) que o meu estômago aguentava eram bolachas de água e sal e água. Omiti a quase toda a gente o quão mal me estava a sentir. Falei com uma amiga, acho que mais de uma vez, que não estava a sentir-me bem e ela sempre me disse que o mais importante era a saúde, que nada mais importava quando isso estava em causa. E aconselhou-me, se estivesse mal, a voltar para Portugal. Eu aguentei heroicamente até me faltarem as forças todas e até o sinal de alarme soar. Um isolamento de células que demorava uma manhã, nesse dia demorou, quase um dia inteiro. Nesse dia, sentia-me a morrer. Passei o dia a vomitar, não aguentava nada no estômago. Ao fim da tarde percebi que vomitava sangue. O que se pensa numa altura destas? Sozinha, no outro lado do mundo? Eu não tive muitas alternativas. Se lá era fim da tarde, em Portugal era início da madrugada. Primeiro liguei à AR que estava na Turquia (não me atendeu porque já a madrugada ia avançada), liguei para o meu irmão que não me atendeu e depois liguei para a última pessoa que queria ligar aquela hora... Não sei se foi a primeira, mas foi uma das primeiras vezes que não consegui disfarçar ao telefone. Pela primeira vez nessa semana, não omiti o quão mal estava e queria apenas que alguém me dissesse o que eu estava à espera de ouvir, que voltar seria a melhor solução. E ela com uma calma (que mais tarde vim a saber era só disfarce) organizou-me tudo por telefone, deu-me todas as indicações, fez-me todos os planos, preparou-me tudo. Disse-me para ir a casa preparar uma mala com algumas roupas, que logo que amanhecesse em Portugal iria pessoalmente comprar-me um bilhete de avião (disse-me que poderia demorar algum tempo), telefonou aos meus pais, descansou-os. E passadas algumas horas ligou-me (na minha madrugada) a dizer que tinha que estar no aeroporto ao meio-dia e que me tinha arranjado um vôo. Quase ninguém soube deste plano detalhado ao milímetro. Se eu sobrevivi e arranjei forças para uma viagem conseguida tão rápido mas tão longa deve-se a esta pessoa que me garantiu que tudo ia correr bem e que eu ia estar bem para regressar daí a um mês. Como disse Arquimedes: “Dá-me um ponto de apoio e eu moverei o mundo”. Foi essa força que eu senti.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Esquadros

"Eu ando pelo mundo
prestando atenção em cores que eu não sei o nome
cores de Almodovar
cores de Frida Khalo
cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora..."

Adriana Calcanhotto

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sarah Sze




The letting go by Siddhartha Mukherjee

"It had rained heavily the night before. The steep stone steps of the ghat are slick and slippery, and when my father pulls me onto the boat, the water feels more stable than the ground. The boatman rows out toward the open river, and the city of Varanasi swings into full view.
On the bank, wrestlers are performing calisthenics; a vendor is selling marigolds; a man is throwing birdseed at pigeons. The river moves sluggishly at first — but then a current forces the boat around the bend, and we are floating silently by the Manikarnika ghat, where the dead are burned.
I am 8 or 9 years old. Save a distant uncle who has died of renal failure, I have had no personal experience of death. I imagine it as little more than a corporeal exit from the world.It is an unforgettable sight: row upon row of burning bodies on wooden pyres by the river’s edge. There are dozens of pyres lighted at the ghat, like lanterns along the river.Around them, a circus of death unfolds(...)
Decades later, having trained as an oncologist in Boston, I attend the funeral service of a woman who has died after a long battle with cancer. I remember approaching the coffin, and then registering something odd: the woman has been coiffed and dressed up, and there is the faintest blush of lipstick — lipstick? — on her mouth(…)
At medical rounds a few days later, I ask some residents and interns about death: how many have carried the body of a parent? What does the weight feel like? And what about the ritual of bathing and cleansing?"(...)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Nova Iorque como escolha

Ao contrário do Lobo Antunes, que escreveu um dia sobre a sua ida para NY foi convidado pelo seu mestre Melvin D. Yahr que lhe disse: “Come with me to New York” e João Lobo Antunes, “tal como os apóstolos, quando ouviram o chamamento, deixou tudo e segui-o”. Eu não fui para NY com um convite. Eu sempre quis viver em NY, ter essa experiência de viver noutro mundo. Na cidade em que tudo é possível. Ao contrário da maioria das pessoas, que escolhem a cidade para onde vão trabalhar baseado na qualidade do laboratório/orientador, eu escolhi a cidade. Obviamente, que conhecia a tão afamada Columbia University mas não foi isso que me moveu. Esse foi apenas o caminho mais fácil para viver em NY. Sempre quis provar para mim mesma a tal da lenda da música: “ If I can make it there, I'll make it anywhere”.

Eu sabia que queria viver em NY. Não sabia como isso aconteceria. Queria, não sabia se um dia isso iria concretizar-se. Era como uma imagem distante e nublada, quase inatíngível que  povoava o meu consciente. Achava que não passaria de um sonho ou desejo irrealizável. Aquele tipo de pensamento que só acontece nos filmes. Tal como desde sempre achei que não me formaria, quanto mais acabar um doutoramento... Ainda hoje, quase toda a gente sabe, acordo a pensar que ainda não consegui acabar o curso.

A minha primeira impressão da cidade não foi aquela coisa turística de desmaiar porque a cidade era linda. É isso para mim, agora, e muito mais. Quando fui pela primeira vez a NY, como turista, quando pisei pela primeira vez Times Square foi qualquer coisa transcendente. E só não foi mais porque já havia estado em Shanghai e o impacto desvanesceu-se.

Joan Didion escreveu que NY é uma cidade “for only the very rich and the very poor”. Concordo. E NY é uma cidade para quando se é jovem, livre e sem falta de dinheiro. Se não houver a conjugação destas 3 permissas, NY perderá a graça, com toda a certeza.

NY antes de Giuliani era uma cidade com uma elevada taxa de homicídios, o que obrigava a saber gerir o risco e o medo, sobretudo quando se viajava no metro. Bem diferente dos dias de hoje. Nunca me senti insegura em NY, nem mesmo quando saía do lab de madrugada. O barulho que nunca pára, é agravado muitas vezes, demasiadas vezes,  pelo alarme estridente de ambulâncias e carros de polícia da cidade que nunca dorme.

Outra coisa que se aprende em NY é: “If you live in New York, even if you’re catholic you’re Jewish”.
Nunca vi cidade no mundo com gente tão bizarra que grita e fala alto para si própria e que muita gente nos adverte para evitar o contacto visual.

Sabem aquelas cidades, vilas, aldeias, com aquelas pracinhas? Eu sou o contrário disso. Aquilo que a maioria das pessoas bucólicas acha uma paz, uma calma, um sonho.  Eu até posso achar bonito, mas se tivesse nascido num lugar assim, teria ido embora no máximo com 3 anos de idade...

Joan Didion escreveu também que em NY “Nobody watches, everyone performs”. NY fica-nos para sempre. Como tantos outros, eu viverei para sempre em NY.











quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ernest Hemingway in "A moveable Feast"

“As I ate the oysters with their strong taste of the sea and their faint metallic taste that the cold white wine washed away, leaving only the sea taste and the succulent texture, and as I drank their cold liquid from each shell and washed it down with the crisp taste of the wine, I lost the empty feeling and began to be happy and to make plans.” 


@Fish (Bleecker St.)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As 3 fases da vida de um cientista segundo João Lobo Antunes

"Na primeira fase trabalha, na segunda fala do que fez, na terceira diz apenas: «Deixe que lhe mostre o meu laboratório»".


Dylan Thomas

Se em meu ofício, ou arte severa,
Vou labutando, na quietude
Da noite, enquanto, à luz cantante
De encapelada lua jazem
Tantos amantes que entre os braços
As próprias dores vão estreitando
Não é por pão, nem por ambição,
Nem para em palcos de marfim
Pavonear-me, trocando encantos,
Mas pelo simples salário pago
Pelo secreto coração deles.

Dylan Thomas
Tradução Mário Faustino




sexta-feira, 13 de julho de 2012

Saga da mudança


Há um conselho que dou sempre para quem se muda/viaja mas que nunca o aplico a mim: organizar as coisas com tempo. Depois de ter vivido em várias casas, depois de as colocar habitáveis, e depois de as desmontar... ninguém consegue imaginar o que se consegue acumular em 6 meses e que terão que se reduzir a 2 malas (em que obviamente entrará o pagamento do excesso de peso e uma mala extra) e uma mala de mão que não ultrapasse os 8Kgs. Agora expliquem-me como se consegue levar alguma coisa de jeito numa mala de mão que per se pesa 5 kgs? Truque número 1: uma mochila ajuda. A mochila (que nunca ninguém se preocupa em pesar) serve para levar os livros mais pesados e que servirá também  para ser estrategicamente colocada de lado para que ninguém repare no peso (que normalmente ultrapassa os 15kgs).

Quando me mudei da minha casa para a casa do F. deixei tudo para a última. E como não podia deixar nem um alfinete no apartamento acabamos por ter que fazer 2 carregamentos. A brincadeira ficou por $130. Sabem aquela cena do filme “Up in the air” em que o personagem do George Clooney diz que a vida dele cabe toda numa mochila/mala? Eu sou o oposto. Quero sempre tudo, nunca faço escolhas, adio. Ah, e aquela característica tão minha de ser apanhada de surpresa! Que nos últimos dias me tem dado umas valentes dores de cabeça. Mas isso ficará para um próximo post...

Não sei o que tanto tenho nas malas... porque mais de metade dos livros tiveram que ficar num caixote na casa do F. que ficam a aguardar o meu regresso ou vão depender da boa vontade e capacidade física dos próximos voluntários...A tv que queria trazer, dá para rir... onde pensava eu que ia trazer uma tv??? A almofada e os lençóis que eu tanto gostava ficaram para a C. O poster do MoMA teve que ficar e será enviado pelo correio... à quantidade de tralha que trazia à minha volta poderia ser interpretado como uma arma! E ainda deixei a minha “bíblia”, que me acompanhou no doutoramento e que tem a grossura de 5 moleskine A5, em casa do F. Sem falar na lista de tudo que o F. tem para vender... 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

As horas

Ao contrário do que acontece muitas vezes, vi primeiro o filme, e só depois li o livro. Depois de ter lido o livro acho que o filme está muito parecido. Nesse ano, a Nicole Kidman ganhou o Oscar de melhor actriz no papel de Virgínia Woolf. Não é que discorde, mas as interpretações da Meryl Streep, e principalmente, da Julianne Moore são uma lição de interpretação. É fácil gostar-se da personagem da Meryl Streep (Clarice) que sempre fez tudo direitinho na vida, que nunca ousou, que nunca pisou o risco. E é fácil odiar-se a personagem da Julianne Moore (Laura Brown). Não sei se pela interpretação da personagem já velhinha a tentar explicar o inexplicável, não consigo condenar o que ela fez: “Laura Brown, a mulher que tentou morrer e falhou, a mulher que fugiu da família, está viva quando os outros, todos os que lutaram para sobreviver na sua esteira, morreram. Ela está viva agora, depois de um cancro do fígado ter levado o seu ex-marido, depois de a sua filha ter sido morta por um condutor bêbado. Está viva depois de Richard ter saltado da janela para um leito de vidro partido”.


192 Books


Tempo é mesmo o que me falta. Mesmo dormindo poucas horas não consigo fazer tudo o que quero. NY lá fora e eu enfiada no lab. Pelo menos as coisas começaram a correr melhor. Consegui uns minutos para me sentar a uma sexta à noite e quero escrever sobre a apresentação do livro do Daniel Mendelsohn onde se falou da compilação dos poemas do grego C.P. Cavafy na 192 Books em Chelsea. 
O que me levou a esta apresentação não foi o autor do livro, nem o poeta sobre o qual escreveu, não conhecia nenhum dos dois. Fui porque na apresentação estaria também o Michael Cunningham. Sou mesmo admiradora dele. Primeiro dos livros, e mais tarde, da leitura teatral e enfática dele. Quando cheguei à 192 Books, atrasada como sempre, quase nem tinha espaço para estar espremida no meio de tanta gente. É este tipo de coisas que admiro em NY. As apresentações de livros, as livrarias independentes, as leituras, as palestras, qualquer coisa que tenha livros, está sempre lotada. Nesta apresentação em particular falou-se de C.P. Cavafy e as três pessoas que apresentaram o livro: Jonathan Galassi, Michael Cunningham e Daniel Mendelsohn (autor) leram cada um 5 poemas escolhidos por eles. Comprei o livro, que para além de pesadíssimo, foi bastante mais caro do que se comprasse na Amazon... Aqui ficam uns recuerdos:

  Da esquerda para a direira (bem lá no fundo): Jonathan Galassi, Daniel Mendelsohn e Michael Cunningham (Copyright: 192 Books)





quarta-feira, 27 de junho de 2012

A importância dos resultados


Estive “desaparecida” alguns dias, mergulhada em preocupações de trabalho e em procurar respostas para uma experiência não estar a resultar. Depois de vários dias e várias noites, em que dormi poucas horas, e que o meu foco foi (quase só este), tinha decidido que hoje era o dia da decisão final. Hoje ou seria o começo da luta contra o tempo ou seria o dia que desistia do trabalho e aproveitaria (apenas) a cidade e iria para Miami. Por volta das 6 a C. perguntou-me se queria ir jantar. Eu disse logo que sim, fosse para comemorar ou para chorar. Passava pouco das 7 quando a resposta para o meu imbróglio apareceu! Dias assim são raros em ciência. E é sempre uma catarse de emoções, em que entendo as razões de alguns sacrifícios valerem a pena. Cheguei 10 minutos atrasada ao encontro com a C. em frente ao hospital. E gritei-lhe de longe (com a folha de resultados na mão) que tinha sido por uma boa causa. 

domingo, 24 de junho de 2012

Pride em NY

Enquanto escrevo estou sentada num café pequenino em West Wilage chamado 11th street Cafe. Queria ter encontrado um café que descobri com o L. no ano passado no dia do pride. Mas como sempre, quando não tomo noto, a minha memória (extremamente) selectiva aka “de peixe” descarta tudo.

Hoje no dia do Pride, tudo lá fora é multidão. Multidão de pessoas, de lixo, de cores. Este ano celebra-se o primeiro Pride depois da legalização do casamento em NY. Como a maioria das pessoas que me conhece sabe, não sou grande adepta de multidões, nem de manifestações, sejam elas referentes ao que for. Provavelmente, este é um traço da minha personalidade. Acho o significado de todas as manifestações importantes, eu é que não participo nelas. Mas estar em NY e não assistir ao Pride é daquelas coisas, que quem tiver oportunidade, não deve perder a experiência. Tanta gente, tão diferente, diferentes tribos e credos. Mas há uma parte muito exibicionista e folclórica. Homens quase nus, travestidos, demasiado maquilhados, drag queens, algumas mulheres a mostrar as mamas, mas a indumentária dominante parece ser a moda dos minúsculos calções, quer se tenha corpo ou não. Faz parte do show, como diz a música. Invejo, muito honestamente, a auto-estima destas pessoas.

Este ano vim ao Pride, lamento, não para ver a marcha mas para encontrar as massagens de 10 mins a 10 dólares de asiáticos no Pride Street Fair que acontece na Hudson Street desde a W 14 até (quase) à 11. Já estava desanimada quando, finalmente, encontrei a barraca das massagens. Estava mesmo a precisar. O senhor (que não falava inglês) mas que no fim soube dizer “dear, tip!”, insistiu no meu ombro esquerdo e aquilo doeu mesmo e depois demorou-se no trapézio...será este o nome?....No final dos 10 minutos não sei se saí de lá melhor ou pior.... sei q saí a ver mal do olho esquerdo por estar com a cara enfiada naquelas cadeiras... No percurso ainda me colaram um autocolante  “Obama Pride”!

Ontem fui jantar a um restaurante português, Pão, que (quase) todos os portugueses que moram em NY conhecem. Portugueses mesmo, só este, o Alfama e o de inspiração portuguesa, nouvelle cuisine, com uma estrela Michelin, o Aldea. Fiquei na esplanada. Estava uma noite quente, abafada, como a maioria das noites de verão de NY, quase não corria brisa, mas talvez por estar perto do rio, torna-se uma das zonas mais suportáveis de se estar.
Comi um caldo verde, pastéis de bacalhau e ameijoas à Bulhão Pato, acompanhado por um branco Quinta de Cabriz. Para sentir-me ainda (bem) mais culpada comi uma mousse de chocolate. Para desgastar, e porque estava mesmo cheia, resolvi andar, que é uma coisa que aprendi a gostar em NY. Sempre ruas diferentes, percursos alternativos, nunca nada é igual.  Da Spring Street segui até à 34 (Penn Station). O melhor destes percursos são sempre as pessoas. E ontem, particularmente por ser sábado, como deve acontecer em todas as cidades do mundo, os subúrbios “visitam” a cidade. Por muitos lugares que frequente, ao sábado à noite, parece que há uma hegemonia na vestimenta. Aqueles vestidos colados ao corpo que deixam (quase) tudo à vista. Podia até ter um toque de classe, mas não, este traje não favorece a maioria das pessoas, digo eu. Mesmo as mulheres com o corpo melhor do mundo ficam com um aspecto vulgar.  E então, ontem no meu percurso era vê-las a passar por mim todas iguais, só as cores mudavam, e os tamanhos. A maioria, não sei bem qual a razão usa números que lhes deixaram há muito de servir. E a maioria também, tenta equilibrar-se, o melhor que pode (e sabe), nos seus saltos altos. Nunca vi tanta gente a não saber andar de saltos altos! É quase um esterótipo.

Agora, vou para o lab, onde me esperam umas boas horas entre trocar os meios às células, captar no microscópio o batimento das células nos meus materiais e aproveitar o tempo a “correr” PCRs.


sábado, 23 de junho de 2012

Jelly beans

Ando viciada nesta m****! Era tão mais feliz quando nem sabia que isto existia...


Fim de semana passado


O melhor de NYC é que raramente se repete alguma coisa. Descobrimos sempre coisas novas e lugares aos quais talvez não voltaremos. Desta vez tive a visita da S. Que chegou duas horas atrasada por causa da trovoada em Miami. Acabamos por ir jantar ao Metro Diner que foi talvez onde mais jantei no ano passado. Não sei que branca me deu mas quando fomos para pagar, quando o gerente  dá o troco, eu pego em todas as notas e moedas e saio. Mal saio do restaurante a S. pergunta-me da gorjeta e aí voltei à realidade. Não sei o que me deu mas por momentos pensei estar em Portugal e esqueci-me completamente da obrigatória gorjeta. A maioria dos turistas, principalmente europeus, discorda. Muitos deles escapam-se de dar a “aconselhada” gorjeta de 15-20% e é por isso que muitos dos restaurantes quando desconfiam que são turistas incluem na conta a gorjeta. Se me perguntarem se concordo, discordo completamente. Mas é um sistema enraizado. A maioria das pessoas que trabalha nos restaurantes ou não tem ordenado ou recebe pouquíssimo e o seu salário baseia-se na “aconselhada” gorjeta. Agora imaginem-me a não dar gorjeta e pensar que a pessoa que me serviu fica sem salário. É que aqui não tem nada a ver com Portugal, a gorjeta não é um complemento ao ordenado, é mesmo o ordenado.
No dia seguinte fomos ao Boathouse no Central Park a conselho de um conhecido da S. Antes disso passamos por Strawberry Fields que eu não conhecia e pela Bethesda Fontain. O Boathouse tem uma vista espectacular para o lago com barcos no Central Park. É um lago do Bom Jesus gigante, como disse a S. Esperamos uma hora por uma mesa. O brunch não foi dos melhores mas o lugar e a vista valem a visita e o preço. Percorremos o Central Park até Columbus Circle e fomos de Metro até Chelsea onde entramos no High Line até ao MeatPacking District. Continuamos a descer pelas ruas de West Village e paramos para um copo no White Horse Tavern onde Dylan Thomas bebeu até morrer. O objectivo era “ver o ambiente” no Top of the Standard Hotel (o antigo Boom Boom Room) famoso pela melhor vista de de NY, tudo em vidro, inclusive as casas de banho. Mas como não atinei com o hotel, decidimos ficar na esplanada do White Horse Tavern. E grande escolha, segundo a S., que acabou por ver a Julianne Moore e a filha. Pequenina, magrinha e tão bonita ao vivo como na tv, de preto e com uns óculos Ray-Ban iguais aos meus! Continuamos a descer em direcção à Freedom Tower, passamos por Chinatown e por Tribeca e paramos numa trattoria italiana para um aperitivo. Acabamos a comer uma salada e mais copos de vinho. O objectivo era ver o pôr-do-sol em Battery Park. Ainda chegamos a tempo e tivemos a ideia de atravessar o Ferry até Staten Island porque a S. Nunca tinha andado e eu nunca o tinha feito ao fim da tarde/noite. Vale a pena! Depois, continuamos à beira rio até ao Pier 17 e seguimos para Chinatown onde levamos a S. ao mítico Joe’s Shanghai para provar os soup dumplings. A S. não ficou fã. Eu, por mais que lá vá, gosto cada vez mais... Seguimos para Little Italy para a sobremesa na Little Ferrara. Depois do dia inteiro a andar ainda faltava mais uma coisa: Stone Rose Lounge, aconselhado por um expert de Miami. O sítio só podia valer a pena. Lá regressamos a Columbus Circle e estavamos vestidas com a roupa que andamos todo o dia, e eu especificamente de ténis All Star. A S. deu-me a táctica infalível de colocar os óculos de ler. Ahahhaha. Entramos sem problema. Tinha uma vista espantosa sobre Columbus Circle e Central Park. Tinha um DJ com música boa, pessoas bonitas mas que não vêm à cidade só ao fim de semana, o dress code não era o típico “quanto mais mostrar melhor” nem os tacões (que a maioria não sabe equilibrar-se com classe neles). Os cocktails eram bons e fortes, pelo menos os que experimentamos. Ao entrar no táxi de regresso a casa reparamos que duas miúdas com o habitual dress code de fim de semana não conseguiram entrar... A táctica dos óculos funcionou!














sexta-feira, 22 de junho de 2012

THREE LIVES & COMPANY

THREE LIVES is an anachronism.
It is the shop around the corner.
A touchstone in a neighborhood.
A place with a human face and a cast of characters.
84 Charing Cross Road colored by the time and place.
A haven for people who read.

"One of the greatest bookstores on the face of the Earth. Every single person who works there is incredibly knowledgeable and well read and full of soul. You can walk in and ask anybody, really, what they've read lately and they'll tell you something - very likely something you've never heard of. [But] it's always going to be something interesting and fabulous. I go there when I'm feeling depressed and discouraged, and I always feel rejuvenated".- Michael Cunningham.

Como é possível eu ainda não conhecer esta livraria, esse "santuário", e para Michael Cunningham, como descreve nos agradecimentos do livro "As horas", o centro do universo civilizado. Daqui a umas horas vou conhecer. E só podia ser onde?! West Village!!



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sidi Hustvedt e Paul Auster


Como tantos outros escritores, que tive a sorte de ver em NY, Paul Auster era um dos que estava na lista. Há algum tempo tinha comprado bilhete para ver uma conversa com ele num dos eventos da Pen. Infelizmente, a presença dele foi cancelada e não foi dessa vez que o vi. Soube há uns tempos que le iria apresentar o livro de Sidi Hustvedt na Strand. Não sabia quem era Sidi Hustvedt, nem tão pouco se era homem ou mulher. E por falta de tempo, nem isso fui pesquisar... Mas achava que era um homem. Quando cheguei à Strand, atrasada, como sempre por ser muito cedo para mim, já a Sidi estava a ler partes do livro. Percebi que era uma mulher. E mesmo sem saber nada sobre ela e sobre os livros dela achei a conversa interessantíssima. Sidi Hustvedt é uma escritora com vários livros publicados, é doutorada em Literatura Inglesa por Columbia University, tem um enorme interesse e conhecimento sobre neurociências, conhece Antonio Damasio, é muito viajada... Tudo isto fiquei a saber lá. Estas foram muitas das respostas dela às perguntas do Paul Auster. O livro “Living, thinking, looking” é uma colecção de crónicas. Ainda não o li, mas pouco mais de uma hora em que a escritora leu passagens do livro e em que repondeu às perguntas de Paul Auster, deixaram-me muito entusiasmada. Claro está que entrará para a pilha de livros que me acompanha e que aumenta a cada dia. Acabei de saber hoje que Sidi Hustvedt é a mulher de Paul Auster e estão casados desde 1981.










facebook