Compras em Chelsea e depois segui para Union Square onde era
o “Factory” do Andy Warhol. Uma mistura de estúdio com local onde tudo podia
acontecer. Nas festas que aconteciam lá todos queriam entrar mas poucos eram os
que conseguiam. Hoje, desses tempos, sobra apenas o parque e a estátua
intemporal prateada do Warhol. Não sei se é porque tenho mais tempo e mais
disponibilidade para prestar atenção mas acho que NY está com mais sem-abrigo.
Já não reconheço os mendigos que habitam a paragem do 1 na 168... nem os da
116...No entanto, não pude deixar de reparar que os novos habitantes dos
bancos, são muito jovens. Hoje duas das pessoas que esperavam pelo metro junto
a mim eram dois viciados ou doentes mentais. Não consegui distinguir. Um
imitava vozes de desenhos animados e inventava diálogos e diferentes vozes
entre elas. O outro, era mais velho, e tinha apenas um dente no maxilar
superior. Ria-se muito. Estava num monólogo mas que para ele deveria ser um
diálogo. Numa altura em que discute tanto o estado social em Portugal, faz-nos
bem sair da nossa realidade e perceber como o mundo é bastante mais injusto que
o nosso país. Em NY as pessoas são invisíveis. Aqui nada é de graça! Um destes
dias uma pessoa gritava no metro enquanto apelava à caridade das outras: “Do
not lose your apartment”. Um desempregado aqui cai de repente na miséria. Não
existe estado social que lhe valha. Não tem qualquer tipo de subsídio. Estou sentada no Whole Foods de Union Square
a olhar para azáfama de pessoas e carros que se confundem. Vou à Barnes &Noble, um edifício de vários andares, lindo. Procuro uma cadeira para me sentar
mas nada. Há 6 meses atrás era possível sentar no chão. Agora por razões de
segurança, já não. Passo em frente à New York Film Academy em direcção à
Strand. Impossível não me perder... mas como nõ imagino como vou levar o que já
acumulo... limito-me a 3 livros...
terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Dia 6 e 7 na Grande Maçã
Um destes dias à noite, à ida para casa do F., depois da
ópera, fomos a uma capela no Columbia Medical Center que está fechada para obras.
É enorme, mais parece uma igreja, embora seja sem religião. Estava cheia de pó
das obras e tinha um piano que o F. já experimentara. Fomos para lá. Parecia
daqueles filmes de suspense, meia-luz, silêncio total, ecos, parecia que a
qualquer momento alguém haveria de entrar...Cena mesmo de filme. O F. a tocar
piano, uma capela fechada, no silêncio absoluto, que para lá da porta eram os
corredores do hospital...Depois subimos ao coro, iluminados pela luz do tlm do
F., onde estava um orgão estragado mas q o F. conseguiu tirar algum som. E
depois... tocou duas vezes os sinos!!!! Quando os ouvi tocar lembrei-me
imediatamente da paranóia do meu sobrinho mais velho pelos sinos (que depois
contagiou o mais novo). Durante algum tempo achei que eles tinham um problema.
Mal o mais novo andava e falava mas era vê-los a discutir sinos, principalmente
de Braga, tons e cores. Coleccionavam todo o tipo de sinos. Inclusive os meus
pais trouxeram de NY e Washington umas pequenas réplicas. Até têm sinos com
galos de Barcelos! Existem uns vídeos do mais novo, que mal se equilibra das
pernas, mas que já domina o tom dos sinos “tim-tão, tim-tão”!!! O mais velhos,
outra vez, comeu todos os sinos de chocolate existentes na árvore de Natal e
deixou lá os papéis. Agora o vício é outro: tudo o que tenha Cars 2! E parece
que é uma moda mundial. Na FAO Schwartz e Toys’r’us era ver pais, avós e
crianças, todos à procura do mesmo.
Estes dois dias foam também dedicados às compras. Sentada
num Pret à Manger perto do WTC avisto o já mais alto edifício de NY. Não pára
de crescer. Em frente tenho um “buraco” entre prédios revestido pelos nomes de
muitas cidades do mundo.
No dia seguinte mais compras. Uma ida a West Village, outro
mundo. Almoço no Fish. Seis ostras, um copo de Merlot e uma sopa de peixe. Vou
arrefecer para a montra exterior da Book Book, onde se encontram verdadeiras
pechinchas. Uma livraria pequena na Bleecker street que era conhecida como “Biography
Bookshop”. Quando a cara e as mãos já não aguentam entra-se e encontra-se
outras tantas perdições. Por cada livro que se compra colocam um marcador. Sigo
pela Bleecker em direcção à W 11th street. Entro na Bookmarc onde se encontra sempre excelentes
livros de arte, mesmo em frente tem uma Magnolia, que hoje pela hora ou por ser
dia de semana não tem fila de turistas. Mesmo ao lado entro na Marc Jacobs e
invisto na prenda da minha afilhada. Como não podia deixar de ser, vou ao 11thstreet Cafe. Tem excelentes omeletes de cebola e coentros e tem wireless.
Passei muitas horas a escrever aqui e só boas memórias. Uma passagem rápida por
Times Square, entra-se num Starbucks para aquecer... Segue-se para jantar ramen
na Broadway com a 125, perto do Main Campus de Columbia, Jin Ramen Noodle Bar. Que
bom! Sake é que não é comigo, nem quente nem frio!
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domingo, 10 de março de 2013
Dia 5 na Grande Maçã
Estava a chover e estes dias em NY pedem locais fechados.
Nada melhor que os museus. Quentes e secos! Escolhi o Metropolitan. Já não me
lembro das vezes que fui lá. A maioria delas nunca foi muito demorada, com a
excepção da vez que fui com os meus pais. Como eu costumo dizer é demasiada
informação para se assimilar. A fachada está em obras mas não havia qualquer
fila. Era início da tarde. Estive apenas poucos minutos para guardar a mochila
e segui para a bilheteira. Os estudantes de Columbia não pagam, arrisquei a
minha sorte a apresentar o meu cartão, apesar de saber que aqui paga-se apenas
o que se quiser. Ela pergunta-me: “Are you student?” e eu respondi “No, I’m
staff” e ela outra vez “you look so young” e estendeu-me imediatamente o
bilhete e para agradecer o elogio ao virar costas disse: “Thanks, I Know but
I’m 33!”. Nestas coisas nunca percebo se é um elogio inocente ou uma
“cantada”...
Não me demorei muito no Metropolitan. Fui ver a exposição
temporária do Matisse. Desculpem-me os fãs mas não morro de amores...Mas ganhei
o meu dia quando ia a passar numa das salas vejo um dos quadros que sempre quis
ver e que nem sabia que estava lá: “Gertrude Stein” do Picasso. Fiquei a saber
que este foi o primeiro Picasso a entrar para a colecção do Metropolitan,
oferecido pela própria Gertrude Stein em 1949. Saí e fui almoçar (já eram quase
5) ao Shake Shack ali mesmo em Upper East Side, na 86 entre a Lexington e a
3ª. Desde que fiz o pedido até me chamarem passaram mais de 20 minutos. Não
achei nada de especial, sinceramente. Depois queria ir à loja da New York
Public Library em Bryant Park mas quando lá cheguei já estava fechado. Como
tinha que fazer tempo lá esperei sentadinha numas mesas e segui depois para a
Opera para ver o “Rigoletto”. Os nossos bilhetes eram “standing seats”. Os
lugares eram excelentes no que diz respeito à vista/ proximidade para o palco.
O problema era mesmo estar de pé!! Ver ópera de pé, não é para mim. Valeu-nos
que no intervalo houve a possibilidade de ocuparmos lugares vazios na
orquestra. A partir desta altura, adorei!
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quinta-feira, 7 de março de 2013
Jantar no Robert
O jantar no Robert, como sempre, foi fenomenal. A chef
Luisinha marcou-nos mesa para as 8 junto à janela. Eu e o FMP ficamos nos
melhores lugares, eu porque estava de visita e ele porque era a primeira vez. A
comida, uma vez mais, estava fantástica. Com os cumprimentos da chef veio:
mexilhões, folhado de brie, carpaccio de atum e parpadelle com trufas. Pratos
principais escolhemos: gnocchi de ricotta, salmão, vieiras e atum à lagareiro.
O FMP esteve a contar-nos a aventura de emigrante. O filme
que foi ter sido aceite numa empresa e quando chegou a NYC percebeu que a
pessoa que o tinha contratado tinha sido despedida... A experiência de estar a
trabalhar com chineses. A vida dele com 2 roommates, espectacular,
principalmente porque um deles é um “caçador” de talentos da Broadway que faz
isto há 18 anos, que só come saladas, mas que é obeso!!! Falou-nos de como ele
é um ouviste generoso dos seus longos monólogos... e como teve agora um click,
vai deixar NY e voltar para o Ohio. A vida aos olhos do FMP é uma comédia.
Apesar de todos os precalços ele continua a rir e a fazer rir! Combinamos outro
jantar num restaurante novo em West Village, Louro.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Dia 4 na Grande Maçã
Estou sentada à mesa do Fiorello. São 2:15 da tarde. O
restaurante está meio cheio. Fico numa mesa junto à janela mas prefiro olhar
para o restaurante. Imediatamente ao meu lado tenho uma mãe com uma criança.
Não são turistas, são locais e parecem ser clientes habituais porque toda a
gente as conhece. Ambas comem pasta. Ambas não, a filha que não aparenta ter
mais de 4 anos, não toca na comida e a mãe não parece importar-se. Falam da
última vez que fizeram ski e das aulas que a filha teve. A mãe bebe vinho tinto
e chama várias vezes a filha à atenção para não abanar a mesa com a boneca. A
mãe continua com o seu monólogo como se tivesse uma adulta à sua frente. A
maioria das mesas parece ocupada por locais, uma vez que é o feriado do Dia do
Presidente. A mãe ao lado continua a não importar-se que a filha tenha o prato
intacto e continua ocupada com o prato de massa à sua frente. Falam que de
seguida vão ao supermercado e depois para casa “sweet pea”. Afinal a filha não
tem 4 anos, tem 5. E a mãe continua a conversa, desta vez, a perguntar-lhe se
está cansada... De seguida, o assunto passa a intelectual. Dizem palavras em
chinês e sueco. A mãe explica-lhe que na Australia se usa “G’day mate!”. A
filha questiona a mãe sobre russo, o que a mãe diz desconhecer. A filha
pergunta o que é uma pop star. E a mãe explica-lhe que uma pop star são
cantores que cantam música popular. A mãe é linda. Deve passar dos 40, talvez
uns 45. Não usa maquilhagem mas é naturalmente bonita. É esquerdina e está
sobreamente vestida de preto. É uma intelectual. Percebe-se que tem muito mundo
e não é apenas uma dondoca com dinheiro. A filha tinha a beleza da mãe. Pedi
uma salada caprese, um tiramisu e um café. A mousse de chocolate é a
especialidade da casa, e apesar de ser uma das minha perdições, não me
apeteceu. O tiramisu foi uma péssima escolha, uma verdadeira desilusão. Era
gigante e extremamente artificial, como a maior parte das sobremesas em NYC.
Passam das 4 da tarde e o restaurante está cada vez mais cheio. A maior parte
das pessoas são velhotas mas reparo que numa das mesas ao lado está a Pink.
Ainda não percebi se as pessoas estão a almoçar ou a jantar. Percebo que muitas
bebem champanhe e dry martinis. A senhora que se está ao meu lado, depois da
mãe e da filha, lê Elisabete George e é extremamente simpática para quem a
atende. Já deve passar dos 70 e tem uma voz e um sotaque que me fazem lembrar a
Susan Sontag. Pouco depois saio do Fiorello e vejo a praça em frente ao Lincoln
Center repleta de mesas e cadeiras onde simplesmente as pessoas se sentam a ver
os outros passar, ou a apanhar sol, ou a comer.
Vou até à Macys e a algumas
lojas em Herald Square enquanto faço tempo para o jantar no Robert. O jantar no
Robert foi fabuloso, como sempre. A
vista sobre Columbus Circle e Central Park é de cortar a respiração, o
restaurante é de um excelente bom gosto, o serviço é impecável, mas acima de
tudo, a comida é excelente e de qualidade. Desta vez, com os cumprimentos da
Chef Luisinha, comemos de entrada: mexilhões, carpaccio de atum, parpadelle com
trufas pretas e folhado de queijo brie. Por mais palavras que use, não consigo
descrever a experiência! Todas a provas foram fabulosas. Como pratos principais
escolhemos: gnocchi de ricotta, vieiras, atum e salmão. Como sobremesa ainda
tivemos um miminho da Chef Luisinha que fazia lembrar o paladar do Ferrero
Rocher.
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