segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

As memórias das férias de Natal

Há muitos muitos anos, era eu uma criança, e depois adolescente e até depois, quando andava na universidade tínhamos duas semanas de férias de Natal. 

Hoje em dia, tudo parece fácil e toda a gente tem acesso a tudo, e em Portugal, de uma maneira geral todas as cidades são similares no que respeita às ofertas e ao desenvolvimento. Pois bem, as minhas memórias de infância e pré-adolescência eram as trocas de postais de Natal manuscritos. Enviava muitos e recebia-os na mesma proporção. a outra memória das férias de Natal era a ida ao Porto com a minha madrinha. Normalmente ia eu, o meu irmão, a K., e a M. e íamos de autocarro até à Filipa de Lencastre, no Porto, onde a minha madrinha nos ia buscar. Uma das vezes deixou um "moedinhas" à nossa espera e quando chegamos dizia: "A menina está na leitaria". Depois íamos tomar o pequeno-almoço no Majestik, íamos andar na pista de gelo do Bom Sucesso, na Boavista. O almoço era no McDonald's quando este era ainda uma novidade há 20 anos atrás. Lembro-me que fomos aos primeiros dias de abertura do Gaiashopping, onde fomos ao cinema e onde a minha madrinha nos comprava um enorme copo de coca-cola mais um pacote enorme de pipocas para cada um. Íamos também para os salões de jogos onde ela nos pagava todas as máquinas que queríamos jogar. Lembro-me até hoje que a minha madrinha conduzia muito mal e com muita velocidade. Ahahahaha. Esta era essencialmente a época da ida ao Circo e ao cinema. Hoje em dia, as coisas são bem mais fáceis, há muita mais oferta, os miúdos quase não ligam a nada, a estas pequenas coisas, que para mim me ficaram como lembranças para a a vida. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

O meu avô (1919-2010)

Hoje faz exactamente dois anos que o meu avô nos deixou. Nada mais foi igual depois disso. O meu avô nunca esteve doente nem nunca foi internado durante toda a vida até ao dia que teve um enfarte. E esse enfarte foi de tal forma forte que o atirou para uma cama e ele nunca mais pode ser autónomo. Ficou consciente e sóbrio até ao fim. Poucas horas antes de morrer, depois de ter sido internado com uma pneumonia, quando os médicos autorizaram as visitas da família, ele virou-se para uma das filhas e disse: “Podes ligar aos teus irmãos que eu já posso receber visitas”. O meu avô era assim. Adorava visitas. Isto foi ao fim da tarde. De manhã às 8 horas, a minha mãe vem acordar-me porque uma das minhas tias me tinha ligado e a minha mãe achou que tinha sido alguma coisa com o filho dela. Mal chego ao telefone percebi imediatamente. E depois ainda tive que dizer à minha mãe. Fiquei em choque. Só me consegui sentar.

A parte que queria falar, e a melhor era o quanto este António José Martins foi o melhor avô do mundo. O avô que toda a gente queria ter. Tinha um jeito extraordinário para os miúdos. Quando éramos crianças nós tocávamos cavaquinho, violas de plástico e bombo e ele cantava. Sabia muitas canções de assobio. Adorava música. Adorava ler jornais. Era esquerdino para tudo mas aprendera a escrever com a direita. Contava imensas histórias e muitas anedotas. Jogava imenso “às orelhas” com os netos mais novos. E jogava imenso “à sueca” com os adultos. Via imensa televisão, principalmente os programas da manhã e  as notícias. Era um fã acérrimo da RTP. Nunca queria a televisão noutro canal. Era adepto do Vitória de Guimarães e tinha uma queda para o Benfica. Fazia-nos cabanas e quando a minha avó não estava fazia-nos o pequeno-almoço e deixava sempre o leite ferver com medo que estivesse estragado e fizesse mal aos meninos. E para além disso deitava pouco nesquik no leite. Adorava tudo com feijão e tomate. Adorava melancia e meloa no verão. Durante a vida toda sempre comeu maçã à sobremesa. Já o conheci calvo. Saía sempre de fato, gravata e chapéu.  Ficou sem cabelo pouco depois dos vinte, como contava, mas nenhum filho saiu a ele. Ao contrário da minha avó tinha cabelo e olhos escuros. Só a minha mãe e um dos meus tios têm os olhos escuros como ele. Tinha um humor incrível. Um dia o meu avô ia fazer um exame e disseram-lhe para retirar os dentes (placa), caso a tivesse, e ele disse: “Não tiro, isso eu não tiro”. E quando me contou isto a gargalhar nem me lembrei que os dentes eram todos dele. Chamava-me sempre “minha neta”. Elogiava os netos e os filhos como ninguém. Era vê-lo na vila a falar da família. Dava gosto. Adorava surpresas. Era muito alegre e tinha um sorriso lindo. Tinha uma mãos lindas. Era um óptimo conversador. nunca lhe ouvi uma queixa.

Quando éramos miúdos e estávamos sempre a mexer na lareira dizia “vais fazer xixi na cama”. E no Natal perguntava sempre “Quem é que hoje fez xixi na cama?” e aquilo era um monte de mãos no ar. Mas como todas as pessoas extraordinárias, tinha um feitio difícil que lhe durava pouco tempo mas tinha uma frase que mandava como uma bala: “Pensa que é aquilo que nunca chega a ser”.
No dia do funeral, um padre grande amigo dele fez-lhe um elogio fúnebre dos mais bonitos que ouvi: “Um homem sério, bom pai de família, um bom marido, grande amigo”.


Amour, de Michael Haneke


Sabemos previamente que Anne morreu, a primeira sequência do filme mostra o arrombamento do apartamento, onde  encontram o corpo de uma mulher morta na cama rodeada de pétalas.“Amor” é um filme surpreendente. As expectativas eram grandes pelas críticas que tinha lido e pela sinopse. Os octagenários actores franceses interpretam em  um casal de músicos cheio de amor e cumplicidades, que quase não precisa de palavras para se entender. Percebe-se a vida cosmopolita deles numa ida a um concerto de um antigo aluno. Mas um dia, como o livro da Joan Didion, toda essa vida desaba, quando ela adoece. O dramático efeito de um acidente vascular cerebral tem numa pessoa que apesar da idade, tinha uma vida normalíssima e que dividiam tudo entre os dois. O corpo entra em declínio e o casal, isolado num apartamento, vive o inferno da própria dor.

O filme, passa-se quase inteiramente num apartamento parisiense,retrata a deterioração lenta, gradual e penosa da velhice, mostrando com compaixão a dor de assistir à doença de um ente querido, de observar sua lenta passagem em direcção à morte, ao fim, sem que nada o consiga evitar.

Este filme mostra acima de tudo o que o amor é capaz de suportar mesmo quando as pessoas nos deixam de reconhecer. A humanidade, compaixão e amor com que aquele marido tratou a mulher até quase ao fim.  O percurso do casal é mostrado em detalhes, na vida quotidiana de um doente, desde o dar de comer, o banho, mudar fraldas... . No limite, ele agride-a, quando tenta que ela beba água e não morra à sede, e ela já sem consciência do que é e do que faz, a cospe. Uma cena particularmente bem filmada.

A minha avó, felizmente, apenas na sua última semana de vida é que se recusou a beber e a comer. E eu revi tanto a minha avó nestas cenas. E este filme mostra e vem dar razão ao que sempre defendi, que as pessoas, apesar das diminuições graduais das suas capacidades, não devem morrer fora de casa e devem ser cuidadas pelos seus familiares próximos. É aquela frase “there is no place like home”.



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar 
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada 
Por causa disso nessa noite. lá no morro, não se fez batucada 

Acreditei nessa conversa mole 
Pensei que o mundo ia se acabar 
E fui tratando de me despedir 
E sem demora fui tratando de aproveitar 
Beijei a boca de quem não devia 
Peguei na mão de quem não conhecia 
Dancei um samba em traje de maiout 
E o tal do mundo não se acabou 

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar 
Ainda disseram que o sol ia nascer antes da madrugada 
Por causa disso nessa noite. lá no morro, não se fez batucada 

Chamei um gajo com quem não me dava 
E perdoei a sua ingratidão 
E festejando o acontecimento 
Gastei com ele mais de um quinhentão 
Agora eu soube, que o gajo anda 
Dizendo coisa que não se passou 
E, vai ter barulho, e vai ter confusão 
Porque o mundo não se acabou 

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar 
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada 
Por causa disso nessa noite. lá no morro, não se fez batucada 

Acreditei nessa conversa mole 
Pensei que o mundo ia se acabar 
E fui tratando de me despedir 
E sem demora fui tratando de aproveitar 
Beijei a boca de quem não devia 
Peguei na mão de quem não conhecia 
Dancei um samba em traje de maiout 
E o tal do mundo não se acabou 


Assis Valente



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Inverno


No dia em que fui mais feliz
eu vi um avião
se espelhar no seu olhar até sumir
de lá pra cá não sei
caminho ao longo do canal
faço longas cartas pra ninguém
e o inverno no Leblon é quase glacial.
Há algo que jamais se esclareceu:
onde foi exatamente que larguei
naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei?
Lá mesmo esqueci
que o destino
sempre me quis só
no deserto sem saudades, sem remorsos, só
sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
só quer me lembrar
que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar

António Cicero

A imperdível rota dos escritores em NYC


Uma das perguntas que se coloca é qual a razão de Manhattan não ter a vida e a boémia literária de outros tempos? Um dos possíveis diagnósticos é o da proibição de fumar nesses locais boémios. Outro dos diagnósticos, embora eu discorde, parece ser a internet. Acho que se vê  muitos escritores nas mesas dos cafés a trabalhar e a procurar a inspiração de uma massa. Há quem diga que a paixão que uma determinada geração nutria pela poesia e ficção foi canalizada para a comida, fazer pickles, chocolate ou cerveja. Hoje os interesses são outros.

Outra das coisas que foi dita, e com a qual concordo, é que hoje os escritores não estão nos bares a beber até morrer, como Dylan Thomas, mas em cafés. Muitos explicam também que a cena literária mudou-se para Brooklyn porque as rendas são bem mais baratas. Por mais que me expliquem e me apresentem razões que morar em Brooklyn é que é, e que ser hipster é que é, e que aquele lado do rio é que está na moda, não me convence. Para mim, Manhattan é Manhattan e ponto.

No "Café Loup" ainda se encontram muitos editores, académicos e escritores. Nos finais dos anos 90, Susan Sontag e Paul Auster eram dos frequentadores habituais.

Muitas das livrarias de Manhattan têm fechado, mas muitos hotéis inspirados em livros têm aberto. Um deles é o “The library Hotel" na Madison, não muito longe da New York Punlic Library na 5ª Avenida e Bryant Park. Este hotel tem almofadas com a seguinte frase: “Book Lovers Never Go to Bed Alone.” Aquelas etiquetas que se colocam nas portas dos quartos para que sejam arrumados ou não se ser incomodado têm a frase: “Please dust off my books.” Uma das razões para se passar algumas horas na "New York Public Library": a loja da biblioteca tem dos melhores presentes relacionados com leitura e livros. Porque é que eu nunca entrei na loja???

O "The Plaza" no Central Park foi onde Truman Capote fez a sua festa “Black and White Ball” em 1966 e onde F. Scott Fittgerald colocou partes no “The Great Gatsby”. Tennessee Williams viveu no último andar do Hotel Elysée em Midtown. Há ainda o mítico Chelsea Hotel onde toda a gente desde Charles Bukowski, Leonard Cohen até Patti Smith por lá ficaram.Arthur C. Clarke escreveu “2001: A Space Odyssey” no Chelsea Hotel.

Em Chelsea, “192 Books”, uma das livrarias que mais frequentei até já  escrevi um post. Fazem muitas leituras com escritores consagrados.  Não é muito grande e tem uma pequena mas brilhante selecção de ficção e não-ficção Para mim esta livraria é adorável.

Há tantas e tão boas livrarias em Manhattan: “Book Book”, também conhecida por ser a antiga livraria das biografias, uma livraria muito pequenina na Bleecker St. repleta de bons livros e alguns em saldo.

A “Book Culture” em Morningside Heights na 112 st com a Broadway. Uma livraria que me faz lembrar a Centésima Página. Cheia de fotos de escritores. Com dois andares, onde as pessoas percebem de livros e sabem aconselhar, onde há cadeirões para nos sentarmos a ler. Passei horas e horas no inverno de NYC nesta livraria por ser muito perto das casas onde morei

Imperdível também a “McNally Jackson" no Soho ou NoLiTa também espectacular. Tem um café e uma loja. Mais do que livros, tem clubes de leitura, apresentações de livros, leituras e muitos eventos.

A St. Marks Bookshop” é uma livraria independente  no Lower East Side, logo, uma zona da cidade que não frequentava muito, só mesmo à noite. Aqui a selecção de livros é excelente, é um edifício renovado, moderno, espaçoso. Tem uma selecção óptima de de revistas literárias e jornais estrangeiros . Vale a pena a visita.

A “Strand” em Union Square, pela localização, pelas pessoas que a frequentam, pelo ambiente da zona , não sei explicar...para mim é um achado. É gigantesca, a sua frase mais conhecida é: “18 Miles of Books.” Na parte exterior tem dezenas de carrinhos com livros de $1 a $5. Encontrei grandes livros no meio destes milhares. Depois, no interior vende-se de tudo dos mais pop, aos tops, a usados, a revistas de especialidade, todos os souvenirs da strand. Tem também no andar superior uma secção de livros antigos, de verdadeiras preciosidades e onde se fazem as leituras e apresentações de livros. Mas o andar inferior é o que mais gosto. Tem sempre imensos livros e CDs a bons preços. Nunca vim de lá a não ser carregada
Há também um novo restaurante e cocktail lounge, Dalloway, na Broome Street- SoHo, ao qual nunca fui. Diz-se que está impregnado com o Espírito de Virginia Woolf. Dizem que é um espaço adorável, com grandes velas, com uma clientela “girl bar scene” (as donas são lésbicas assumidas). Se assim é o restauranet só pode ser bom e de bom gosto.

"The White Horse Tavern", em West Village, também já escrevi um post específico, é uma instituição. Foi onde Dylan Thomas bebeu até morrer, Anaïs Nin e Seymour Krim conversavam e onde alguém um dia rabiscou na parede da casa de banho: “Go home, Kerouac!” durante os anos em que o escritor da geração Beat bebia lá. Vale a pena a visita mas o atendimento é péssimo. Na esplanada pode apreciar-se as vistas e ver por ex a Julianne Moore ou a Natalie Portman.

Acho que já estive no “McSorley’s Old Ale House” em East Village com a C. no St Patrick’s Day. É o mais antigo bar irlandês de Manhattan, meados do séc. XIX. Nos seus frequentadores incluem-se visitors Abraham Lincoln.

Texto inspirado no artigo “A Critic’s Tour of Literary Manhattan” do do crítico literário DWIGHT GARNER.

Credits“The New York Times” 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Taberna do Félix


É o meu restaurantes preferido em Braga, onde vou regularmente, e onde levo sempre os meus amigos que não são daqui. Na decoração sobressai um toque de requinte, a criar um ambiente algo sofisticado, com mobília do tempo das nossas avós. Dizem que a música é boa, geralmente um jazz soft, já ouvi falar que passa Billie Holiday, mas nunca dei conta. As paredes têm quadros, fotos, panfletos,  postais, flamulas e cartazes, o que torna o ambiente mais característico. Excelente serviço assegurado pela Dª Mina e mais uma colaboradora. Eficiente e sempre simpático. Comida caseira, muito bem confeccionada, bons vinhos e sempre boas sugestões. Todas as ementas são pequenas, mas o que importa é a qualidade e nunca a quantidade. Nunca levei ninguém ao Félix que não tenha gostado. É sempre uma aposta certa. No sábado fizemos lá um jantar com 10 pessoas, maioritariamente amigos que se conhecem há mais de 25 anos, mais as respectivas mulheres/maridos/namoradas. Um jantar com desfiar de memórias para mostrar que na essência continuamos os mesmos! O que jantamos segue em algumas fotos mas que não fotografei tudo. De entrada comemos pataniscas e setas. Os vinhos foram "Farizoa" tinto e "Dom Diogo" verde branco. Como pratos principais: arroz de pato e pataniscas com arroz e feijão frade. Sobremesas: tarte de limão, tarte de queijo no forno e não me lembro se mais alguém escolheu outra coisa...




António Lobo Antunes em Braga


Tenho uma amiga, a C., que adora música e os grandes compositores da geração beat e afins, e o que alguns escrevem, mas não tem a mínima curiosidade sobre as pessoas, sobre o que elas são, ou o que elas pensam. Ou seja, deve detestar biografias. Interessa-se apenas pela obra. Isto é o que pensa António Lobo Antunes.

Na sexta-feira, às 7 da tarde, bem atrasado, entrou na Centésima Página, com aquele ar distraído, desta vez a olhar os livros, com a cara fechada e com aspecto alienado. Começou por falar de como Braga era uma cidade importante para ele. As origens da família paterna eram de perto da Póvoa de Lanhoso. Uma família muito humilde e que o trisavô partiu para o Brasil e fez lá a sua vida mas que no fim veio aqui morrer. Falou mais uma vez do avô, António Lobo Antunes, a pessoa que mais gostou, a ele lhe deve a ternura e o carinho que lhe deu, ao contrário dos pais que nunca lhe deram, por questões de educação.

Depois falou que detesta a arrogância francesa e de como acham que somos apenas um país de porteiras e de mulheres a dias. No entanto, referiu que foi lá que recebeu dos mais importantes prémios literários.

Falou da morte da primeira mulher em 1999 e das cartas que nunca releu e que lhe escreveu de África. E de como as filhas o convenceram a publicá-las antes da sua morte: “Para que essas putas com quem o pai anda saibam de quem o pai gostava era da mãe”.

Não se esqueceu de referir os amigos, principalmente o Eugénio de Andrade, que era tão bonito, e que a doença modificou tanto. Que tinha sempre tanta delicadeza com ele, tão terno, e que quando o visitava tinha sempre uns miminhos como uns biscoitos e vinho fino. António Lobo Antunes disse estar arrependido até hoje de não o ter visitado nos últimos dias porque soube tempos depois que ele o esperava. A senhora que cuidava dele disse-lhe:
-Sr. Dr., O Sr Eugénio dizia-me sempre : “Ponha aí o fatinho que o meu amigo vem ver-me”. Falou também do Miguel Veiga e da colecção enorme de livros que tem, que não sabe como “parecem estar a reproduzir-se entre eles”.

Lamentou também que a crise limita os bons leitores e que quem lê é a burguesia, pequena e média. Os ricos segundo ele leêm revistas de golfe e revistas de economia e as mulheres deles lêem revista de moda francesas.
Falou também do quanto adora Caminha.

Como já tinha referido, acho-o muito menos distante, muito mais bem-disposto, como se a sua presença neste tipo de sessões não fosse um frete. Está muito mais confessional e acho que até mais interessado com os seus leitores. Como se necessitasse de lhes dar uma palavra e ser agradável com eles.

Quando me assinou os livros eu era a última pessoa. Perguntou-me o que fazia e essas coisas que nos levaram a NYC e falou de como gostava da cidade, e da editora na 5ª Avenida, que passou uma temporada lá a escrever na casa do irmão João numa cidade em New Jersey (que ele me perguntou se eu conhecia e que eu nem sequer nunca ouvi falar). Falou de Columbia e de quando o irmão João voltou de lá. Eu disse-lhe que o João Lobo Antunes tinha uma cadeira no Instituto de Neurociências, ele desconhecia...Agradeceu-me por ser uma leitora tão interessada e lá seguimos para o jantar. A idade aos homens ou lhes faz muito bem ou muito mal. A Lobo Antunes, a idade, está a torná-lo mais doce, mais grato. Aquele ar tão característico dele de zangado, irónico, desinteressado, enfadado, já não se lhe reconhece.







À Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva chegou mais de uma hora atrasado. Quem conversou com ele foi o Sérgio Guimarães de Sousa. Falou que a escrita para ele é um  ofício, que precisava de mais 12 anos para fazer tudo aquilo que precisa fazer, que tem muitos problemas em falar dos seus livros. “Porque é que os dias quando somos pequenos são tão lentos e quando somos adultos são tão rápidos?”.
Um dos maiores prazeres da vida foi o encontro extraordinário com o George Steiner em Cambridge, que considera um homem inteligente, com os afectos dentro da inteligência, que tem um piano de Bach em casa e cartas de Freud ao seu pai. “Sabem que ele é judeu, não sabem?”. “E sabem porque é que os judeus nõ se suicidam?”.  “Porque não podem ler o jornal de amanhã”.

Falou que gosta do livro “Monte dos Vendavais” que acha um livro histérico e kitch mas que gosta dele. Falou também do casamento, e de como estes são complicados. As mulheres gostam de variar os restaurantes. Os homen não gostam de variar. E as pessoas acabam de estar presas umas às outras numa rede de mentiras:
-Não gosto de ti (mulher)
- Não é que não goste de ti mas preciso de pensar (homem)
-O problema não está em ti, está em mim (homem)
- Então, rua! (mulher)

Mostra-se muito mais animado, muito mais humorado, muito mais risonho, mais aberto. E não larga os cigarros, que os fuma em todos os lugares proibidos.

Há quem refira que os livros do António Lobo Antunes ou se gostam ou se detestam. Os primeiros livros que editou eram sempre considerados os piores livros do ano. O editor de NYC, sem ler nada da sua obra disse: “Você vai conquistar o mundo”. Estátraduzido em mais de sessenta idiomas.

Depois do livro estar pronto, de tantas revisões, de tanta correcções, de passar pelo “detector de merda” nunca mais olha para ele. Nunca leu nenhum dos seus livros porque tem medo.
Confessa-se admirador de Bach e Schubert. Que é um homem  de poucas lágrimas, é como as grutas, chora para dentro. Chorou quando a mãe das filhas morreu, quando o pai morreu. Não seria capaz de voltar a ser médico, não por medo, mas pela enorme sensação de vazio.
Quando esteve doente há 6 anos um dos pintores amigos dele foi o único que lhe pareceu dizer a verdade: “Aguenta-te”. Recebeu mais de 5000 cartas dos seus leitores. Mas a que mais o marcou foi a de um rapaz do Minho que dizia “Não admito que o meu ídolo se vá abaixo das canetas”. “Fiquei muito comovido”.

Falou que as paredes da sua casa são repletas de estantes com livros. E que a sensação que mais gosta é ter as paredes cheias de livros e deixar impregnar-se por eles. Diz-se uma pessoa metódica e com horários. As pessoas pensam que a arte é feita por iluminados, mas não, é muito trabalho.

Contou também que a mãe era um apessoa muito bonita mas que o pai não. E perguntou-lhe:
-Porque é que a mãe casou com o pai que é tão feio?
-Porque tem uma voz que me transtorna.
Disse também que a mãe não tinha ciúmes e que isso chateava o pai. Uma das vezes, a mãe estava a fazer café enquanto fumava um cigarro e o pai a fumar cachimbo:
-A Maluda quer pintar-me o retrato.
-Está bem-disse a mãe.
-Nú.
(Sem resposta da mãe).
-Da parte de baixo
-Da natureza morta? –perguntou a mãe.
Diz ter cada vez mais orgulho de ser português mas que se recusou a estender a mão ao Primeiro-Ministro na Feira do Livro de Lisboa.
No final, quando começava a preparar-se para assinar os livros das pessoas ainda me viu sair e disse-me:
-Ana, já nos conhecemos há 3 horas!







domingo, 16 de dezembro de 2012

A dor de cabeça que uma ida ao cinema provoca...

O meu sobrinho mais novo mais conhecido por "Afilhado" está na idade dos três, não dos porquês, mas acha que já tem quereres. Como já não os via há dois fins de semana porque estive fora, planeei um ida ao circo com ele e o irmão. Mas qual crise? O circo está completamente esgotado aos fins de semana. Plano número 2: cinema. A única coisa que andam vidrados nos últimos tempos, se os deixarmos passar o tempo em frente à tv ou ao computador, é no "Cars 2". Pois bem, eu a achar que estava a fazer a boa acção do dia viro-me para o meu afilhado e digo-lhe: 
-Sabes onde vamos hoje, afilhado? Ao cinema.
E responde-me ele como se fosse a coisa mais natural do mundo:
-Não vou ao cinema porque me dói a cabeça!
E eu digo-lhe:
-Mas eu, o pai e o K vamos. E tu ficas com quem?
-Com a avó em casa, é que também me dói a perna!
Ainda estivemos numa tentativa de o  convencer que se saiu frustrada. O irmão apesar de querer ir, desanimou-se quando percebeu que não era o "Cars 2" que ia ver... e ainda acrescentou:
-Não quero pipocas no cinema que são daquelas que têm umas coisas duras!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Hélio Oiticica – “Museu é o mundo” @ Museu Colecção Berardo




A exposição do Hélio Oiticica tinha uma projecção do Magic Square nº 5 permanente do Museu do Açude no Rio de Janeiro. 




A exposição valeu por ter visto de perto os “Parangolé Pamplona” a capa que “a gente mesmo faz”.



Parangolé Pamplona

O parangolé pamplona você mesmo faz 
O parangolé pamplona a gente mesmo faz 
Com um retângulo de pano de uma cor só
E é só dançar 
E é só deixar a cor tomar conta do ar
Verde Rosa 
Branco no branco 
no peito nu 
Branco no branco no peito nu
O parangolé pamplona 
Faça você mesmo
E quando o couro come 
É só pegar carona 
Laranja Vermelho
Para o espaço estandarte
"Para o êxtase asa-delta"
Para o delírio porta aberta 
Pleno ar 
Puro Hélio
Mas, o parangolé pamplona você mesmo faz

Adriana Calcanhotto


Artur Bual

Agora deu-me para isto... Já não me bastava a minha paranóia por livros e agora interessar-me por arte. Como não sou rica, nem tão pouco milionária, os meus objectivos são assim por baixo. Encontrei um site de leilões onde foram leiloadas várias serigrafias e desenhos originais... Estava muito interessada numa janela/porta com varanda da Maluda mas ficou para além do meu orçamento... Acabei por conseguir esta serigrafia sobre papel, assinada e datada de 1993, série H.C. numerada 14/20, motivo "Terreiro do Paço", com 45x62 cm (moldura com 78x96 cm). Ainda não a vi pessoalmente. Estou a aguardar o envio. Vamos ver o quão viciada vou ficar... 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"Doze homens e uma sentença"

Ontem fomos eu, a A. e a J. ver a peça "Doze homens e uma sentença" ao Theatro Circo.

A peça começa com a reunião de 12 jurados pela absolvição ou acusação de um jovem de 16 anos que presumivelmente matou o pai com uma facada no peito. Os 12 jurados reúnem-se em volta de uma mesa e começam com uma votação de 11 a considerarem o réu culpado e apenas um a considerá-lo inocente porque não tem certezas. Esta peça é um surpreendente exercício de argumentação.

O calor escaldante que se faz sentir faz os jurados limpar o suor frequentemente do rosto dos 12 homens trancados numa pequena sala com apenas mesa, cadeiras e água. O veredicto tem que ser unânime.  Se os jurados considerarem o réu culpado do assassinato do próprio pai, será executado na cadeira eléctrica, mas se um deles tiver uma dúvida razoável a respeito da culpabilidade, o filho não poderá ser condenado e regressará assim às ruas.

São quase duas horas de acesas discussões, muitos gritos, muitas demonstrações, muitos argumentos e que nos deixa com uma dúvida: os jurados, com todas as provas apresentadas em tribunal têm a certeza absoluta que o jovem é culpado?


António Lobo Antunes no Festival LER

No Domingo ao fim da tarde ainda corri para conseguir assistir ao encerramento da 1ª edição do Festival Ler no Cinema São Jorge. Por volta das 5, quando cheguei ainda me cruzei com Gonçalo M. Tavares e consegui comprar uma 1ª edição do livro do António Lobo Antunes “Não é meia noite quem quer”. Enquanto esperava e as pessoas iam aglomerando-se à espera que a sala abrisse, passou por nós um distante, carrancudo, distraído, antipático, ou quem sabe, somente tímido, Lobo Antunes.

A primeira vez que conheci pessoalmente António Lobo Antunes foi em Braga na Centésima Página e apesar de adorá-lo como escritor achei-o irónico, distante, antipático, revoltado, desinteressado, gozão... e na altura, a conversa foi tediosa, desinteressante, queixosa, pessimista...Aliás, achei que estava a ouvir um louco saído do Miguel Bombarda... e se não fosse as dezenas de livros que carregava comigo teria saído antes de acabar.

Anos depois, no domingo, ia com essa falta de expectativa mas quando começo a ver o início da conversa com a simpatia e sorrisos do Carlos Vaz Marques comecei a pensar que o Lobo Antunes ficasse cativado. E foi o que aconteceu. Eu acho o Carlos Vaz Marques o melhor entrevistador/ conversador deste país depois da ausência da Margarida Marante (noutro estilo). [Fazendo um parêntesis, foi depois de uma entrevista do António Lobo Antunes à Margarida Marante sobre o “Esplendor de Portugal” que comecei a ser uma fiel leitora dele]. Nesta conversa falou-se de tudo. Elogiou a voz do Carlos Vaz Marques dizendo “é a voz mais bonita que conheço”. Falou de tudo, de sentimentos, da família, de escritores, de livros, de escrita, da doença... Um incomum Lobo Antunes mais descontraído, confessional e que conseguia para além do seu humor característico, contar piadas e rir-se. Cada vez mais nota-se uma abertura nas suas conversas, fala cada vez mais da família e do pai. Nota-se que apaziguou de um período de afecto conturbado. Disse ter sido muito injusto com muita gente, principalmente com a família. E disse também que pediu desculpa a Vasco Graça Moura “um grande poeta”. Elogiou Scott Fitzgerald mas disse que achava grandes escritores chatos como Thomas Mann e Kafka. Mencionou que Garrett e Herculano eram escritores que escreveram maravilhosamente bem. O filme que mais viu na vida foi “Joselito, o pequeno cantor”. Adora filmes piegas.Assumiu para ele o maior defeito é a ingratidão. Afirmou também que viveu sempre aterrorizado com o tempo desde menino, que sempre sentiu que tinha muito pouco tempo e viveu e vive com esse medo.“as mentiras que os outros exigem que nós digamos”. Citou frases mal feitas de vários livros: “Quando acordou estava morta”; “Era uma praia perto do mar”.

No plano auto-confessional disse aos 14 anos disse aos pais que queria deixar de estudar  e ser escritor. “Teria ficado um Prado Coelho se fosse para letras. Já que não foi para letras foi para medicina. Escolheu medicina por pertencer a uma família de médicos. Sempre estudou jogadas de xadrez, estudava tudo menos Medicina. Falou da guerra e de como os generais sempre foram para com ele muito generosos, leais e honestos. Confessou que a pessoa que mais gostou foi do avô materno, a pessoa mais tolerante que conheceu. Fazia-lhe carinhos, ao contrário dos pais que nunca o fizeram. Os seus amigos eram sempre mais velhos e os melhores foram Cardoso Pires, Eugénio de Andrade e Ernesto Melo Antunes. “Quando um amigo morre fica um vazio”.

Quando esteve doente há 6 anos, o cirurgião pegou-lhe na mão e ele, dessa forma, achava que não ia morrer. O quanto esse gesto foi importante para ele.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

The Big Lettuce

Viajei para Faro com a Ryanair. Sou pouco habitual. Foi a minha 2ª vez. Quase ia perdendo o avião e ainda por cima implicaram com a minha mala (acho que é o modelo mais pequeno da Samsonite que eu comprei propositadamente para ser a minha mala de cabina). Depois de ter ficado doente quando me disseram que eram 53 euros e que não podia pagar com CC ainda fui levantar dinheiro... lá segui para o avião debaixo de chuva diluviana. Pouco mais de uma hora aterramos em Faro, outro dilúvio mas mais quente, com a minha querida G. À minha espera. A minha apresentação ainda não estava pronta mas já tinha lido a tese e as perguntas que iria fazer... Ainda passei parte da noite a adiantar a apresentação. Dormi pouquíssimo. Faro estava lindo de manhã. Seguimos para a Universidade. Seminário de uma hora acabamos e seguimos para o sushi. Às 3 defesa da tese de Mestrado. O que parecia uma tese não muito brilhante, verificou-se o contrário pelo brilhantismo da apresentação da candidata e pela defesa segura e conhecedora do trabalho. Eu que ia com uma opinião, rendi-me completamente e não tive dúvida nenhuma em dar a nota. Sou justa sempre e sou generosa quando fico rendida. Saí feliz pelo dever cumprido.

Chegar a Lisboa, vinda do Sul, atravessar a Ponte 25 de Abril e aparecer aquele mar imenso de claridade, aquele rio gigante e aquela cidade que se debruça sobre nós, é algo que não se explica por palavras. E a luz de Lisboa é única!
Como o dia anterior tinha sido longo, com uma lecture e como arguente principal numa tese de Mestrado, não tinha dormido quase nada. Mas o dia acabou com um brilhante peixe de mar fresquíssimo.  Vinho branco, salada montanhesa  e torta de amêndoa. Se é para fazer asneira, é em grande. Depois seguimos para o “artistas” uma associação cultural tipo Velha-a-Branca mas centenário. Decorria uma festa electro com dois DJs.
Como não sou mais tão jovem assim, não fiz muitos planos para Lisboa. Mas tinha uma conversa marcada por volta das 6. Essa que me fez ir a Lx. Saí do hotel e fui ao El Corte Inglês procurar uns ténis da Tiger Mexico 66. Acreditam que não sabiam o que era nem a marca?? Na secção se desporto!! Perdi-me nos livros e depois fui jantar ao gourmet. Tinha combinado ir à festa do “fim do Mundo” do “Alfama-te” mas estava cansadíssima.

No dia seguinte tinha combinado peq. almoço com duas amigas. Acabei por tomar o meu no hotel e seguimos para o Corte Inglês. Falamos imenso de política e de discordar e muita coisa mas concordar em tantas outras. Atrás de mim estava uma senhora que quando eu defendia a inutilidade da greve se insurge e diz-me:...As minhas amigas foram umas queridas e levaram-me ao CCB porque eu queria ver a exposição do Hélio Oiticica. Até lá chegarmos fizemos um verdadeiro tour por LX, melhor do que aqueles autocarros do City Sightseeing.
Lá cheguei ao Museu Berardo e já passava da uma. Comecei pela exposição do Hélio Oiticica que tinha uma projecção do Magic Square nº 5 permanente do Museu do Açude no Rio de Janeiro. A exposição valeu por ter visto de perto os “Parangolé Pamplona” a capa que “a gente mesmo faz”.


A colecção Berardo estava  muito reduzida nem Paula Rego, Nem Warhol, Licheistein, Mondrian, Klein, Picasso... nadinha. Só 2 Julião Sarmento e o retrato do Joe Berardo pelo Julião Sarmento. O resto não reconheci nada. Depois andei nos jardins dos Jerónimos e fui aos pasteis de Belém comprar uns mimos para os papis e mano. 
Regresso à Rua da Prata, vejo as lojas, vou para a Rua Augusta com lojas engraçadas e artistas de rua, rua cheia. Na rua Augusta apaixono-me por uma aguarela de um eléctrico com um motivo de azulejo. Vou para a Rua do Ouro. 




Subo pela Rua Do Carmo, a abarrotar de gente. Que bem me senti ver a minha capital com as lojas foras dos centros comerciais repletas de gente, castanhas a assar, pessoas a passear, muita gente. Entro na Foot Locker e pergunto novamente pelos ténis: “Ah? Não conheço essa marca...” OMG, estou na capital ou na província?! Quem trabalha nas lojas não é suposto ter formação?? 
Fui à Assírio e Alvim onde no dia anterior tinha sido a apresentação do livro do Al Berto.
Adiante, sigo para o Chiado para a Benard mas estava fechada. Torro dinheiro na Massimo Dutti e sou ainda ajudada pelo Nuno Santos que via o mesmo pullover que eu queria para o meu irmão mas que não tinha a certeza do número. Ele questiona a funcionária sobre a existência da mesma com cotoveleiras e eu aproveito para pedir o mesmo. Perguntei se sabia se um L corresponde ao 40 ao que ele diz: “Eu sou um XL”.



 Depois fui à rua Anchieta aos saldos da Bertrand, nada que me agradasse. Sigo para a “Vida Portuguesa” onde me perdi pelos sabonetes da Ach Brito, um táxi dos antigos vermelho e verde para o meu sobrinho mais velho e uma moto com condutor e com uma carroça para o mais novo.



Sigo para o Cinema São Jorge para o Festival da Ler para ver a conversa entre o Carlos Vaz Marques e ainda me cruzei com o Gonçalo M. Tavares. Saio, com muita pena minha às 6:40 para ainda passar no hotel e seguir para o Oriente. O taxista dizia-me que era quase impossível chegar a tempo... 





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"É só alguém descobrir a super mulher que tu és que estarás perdida e eu também"

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O que é mais importante: a pergunta ou a resposta?

Há muitos anos perguntava à Adriana Calcanhotto o seguinte (antes de saber que o Vínícius de Moraes era sogro dela: 

- Apesar das sucessivas comparações que tens sido sujeita, principalmente com Elis Regina, eu diria que a tua trajectória como excelente compositora assemelha-se muito mais a Vinícius de Moraes pela erudição do vocabulário, pela forma extraordinária que escreve poesia em língua portuguesa  e pelo veículo das palavras ser a música. Será que daqui a alguns anos serás definida como uma grande poetisa que fez canções maravilhosas? Era assim que gostarias de ser definida?

- Ana, eu detesto comparações (como qualquer artista) mas considero um elogio a analogia que fazes com Vinícius, a quem amo muito. Na verdade eu gostaria mesmo era de ser indefinível, inclassificável, hoje ou daqui a alguns anos.

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