segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Dia 3 na Grande Maçã

Ontem fomos ao brunch na Clinton Street Baking & Co. Pelos vistos, lugar afamado, dado o tempo ridículo que esperamos (quase 3 hrs). Estes lugares em NYC dão-se ao luxo de não fazerem reservas e as pessoas vão para lá marcar presença e fila. O que vale é que nesta cidade, os dias são maioritariamente bonitos!  Estava um sol lindo mas um frio e um vento de cortar! A temperatura estava abaixo de 0ºC. E o segredo em NYC no inverno é sempre entrar em lojas ou starbucks para nos aquecermos. 

No tempo de espera, que era muito, resolvemos ir a Little Italy, experimentar um dos restaurantes para enganar a fome. Para quem sabe, Little Italy, faz lembrar aquelas ruas do Algarve cheios de maus restaurantes sazonais, das praias turísticas, em que há aquelas pessoas que nos chamam e falam todas as línguas. Um deles perguntou-nos a nacionalidade e começou a falar-nos em espanhol!!! Hello! Nem sabia onde era Portugal nem que falavamos português... mas tinha a mania que era italiano... Devia ser daqueles bem americanos “red necks”. Entramos, num dos restaurantes, quase a congelar de frio. Eu já não conseguia articular palavras porque a minha mandíbula estava paralisada!!! O restaurante tinha um aspecto exterior que não combinava com o interior... nem guardanapos de pano tinha... Pedimos vários antipasti para partilhar e todos eles eram péssimos. A bruschetta estava ensopada em mau azeite com quadrados de tomate e pão de gosto duvidoso, os cogumelos recheados davam medo de provar a imaginar o resultado da sua ingestão (pareciam com a inscrição: “se querem uma diarreia comam-nos”). O resto eram uns pratos de queijo e salame. Pedimos ainda uma pizza. Nunca na vida comi nada tão mau. A base era daquelas compradas nos supermercados e o recheio para esquecer... O F., tamanha era a desilusão, deixava cair tudo e sujou-se todo!!! Foi a única parte de rir à gargalhada! À hora marcada voltamos para a Clinton Street Baking & Co. O lugar era aceitável mas nada de espectacular, nem guardanapos e toalha de mesa de pano tinha. A minha preferência continua a ser o Sarabeth. Comi “Eggs Benedict” que estavam bons mas nada que justificasse uma espera de 3 hrs...




Esqueci-me de falar das “irmãs da Pipa”. Na sexta estava na fila do MoMA para guardar a mochila e junto a mim estavam umas adolescentes que não deviam ainda ter atingido a idade adulta. Eram portuguesas e o sotaque e pouca flexibilidade na mandíbula pareciam indicar injecções de botox. Esta semelhança fez lembrar-me imediatamente a “Pipa da Samsung”. Aproveito para dizer que não tenho nada contra a Pipa, muito menos contra o seu desejo/sonho de ter uma mala Chanel. Cada um é para o que nasce! Se a miúda tem um trabalho honesto, qual o problema de ter como sonho de consumo uma mala Chanel? Eu não percebo esse desejo porque não faz parte dos meus gostos. Mas não me chocaria ninguém dizer que queria a seriagrafia X, o livro y ou a viagem z. Pessoas que trabalham honestamente têm que ter sonhos. Afinal para que serve a vida? Obviamente que existem milhares de desempregados no nosso país, e não sou indiferente a isso, e milhões de pessoas no mundo a passar fome e subnutridas. E todos somos poucos para ajudar.  No entanto, lembro-me do ideal comunista de querer um mundo pobre sem ricos. Não pobres a desejar viver melhor... Tudo isto para dizer que não tenho simpatia alguma pela Pipa mas detesto as pessoas que apontam o dedo. As “irmãs da Pipa” tinham todas um iphone e todas tinham um bronze invejável de quem tinha passado o Carnaval no Brasil ou uns minutos dentro de um qualquer solário de Lisboa ou Cascais... Eram fúteis, de facto, as suas conversas mas a visita ao MoMa fica sempre bem. No dia seguinte,  ao fim da tarde,  quando subia o Guggenheim encontrei-as sentada, a descansar, num dos sofás. Que mundo pequeno este! Continuavam com os seus iphones mas com um ar desinteressado porque no Guggenheim não se pode fotografar a colecção. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Dia 2 na Grande Maçã


Depois de mais de 30 mns à espera para entrar no Guggenheim com 0 ºC era o dia de se pagar o que se quer. A sugestão é $10 à sexta depois das 5:45 pm. Este museu, mais do que a exposição permanente e as itinerantes  vale pelo edifício. É difícil de acreditar quando vamos escalando o edifício que este abriu em 1959. Parece tão actual, tão moderno, tão irreverente. Enquanto ia vendo a exposição cruzo-me com um grupo de 4 adolescentes portuguesas (que parecem irmãs ou família da Pipa da Samsung) e que ontem já tinha encontrado no MoMA. Qual a probabilidade de encontrar as mesmas pessoas em NYC? Elas pareciam mais interessadas nos seus iphones enquanto aguardavam sentadas, provavelmente a desilusão de serem proibidas fotografias.  A exposição permanente é pequena mas vale a pena ser vista pelas várias obras de Kandisky, Picasso, Cezanne e Degas.

Seguimos para a “Frauces Tavern” (que já falei num post anterior). É um restaurante/museu/bar dos mais antigos de NYC e com um papel importante na Revolução americana. Conta-se que George Washington era um assíduo e que o seu prato preferido era “pot pie”.  Eu comi uma “sheperd pie” e bebi a que eles consideram a melhor stout do mundo “plain porter”. Depois fomos para um bar irlandês perto, na Stone st, “The Dubliner”.









Regresso à Grande Maçã


Regressar a NYC ao fim de 7 meses foi como regressar a casa. Parece que nunca saí daqui. A fila interminável na Alfândega que demorou quase 3 horas, marcar o Super Shuttle e regressar a NYC, não como habitualmente pelo Lincoln Tunnel, mas pela ponte George Washington directamente a Washington Heights. Cheguei ao fim da tarde do dia dos namorados que aqui significa filas e filas e horas de espera em restaurantes, ramos e ramos de flores nos braços das pessoas, mais flores individuais, mais lojas com decorações alusivas ao dia, peluches e mais peluches, balões, muitos balões e muitas cores. Ainda vi a figura mítica de WH, a Dianinha Ross!!! Fomos jantar ao “Las Palmas” que é o restaurante mexicano mais peculiar e autêntico que conheço em Washington Heights. A entrada é uma mercearia mexicana e nas traseiras é um restaurante com 6 mesas. É frequentado principalmente por mexicanos e médicos, estudantes de medicina, grads e afins do Medical Center. A comida é autêntica, muito barata e farta. A senhora que serve à mesa só fala espanhol. Perguntou como sempre se queria picante. Resolvi arriscar o “poquito” que ela sugeriu! O picante era tanto para os meus standards que nem o arroz e o feijão (que não tinham picante) me salvaram. A garrafa de sidral desapareceu! Todo o meu tubo digestivo da boca ao estômago parecia fogo! Acabei no Rite Aid a comprar pastilhas para a acidez no estômago (A., como te compreendo!). Cheguei a casa e o F. mostrou-me todos os seus novos gadjets. Fiquei fascinada com o mini projector portátil. É a verdadeira sala de cinema em casa! Quando o meu corpo teimava que já era hora de acordar, estava a deitar-me, às 3. 



Como sou expert em jet lag, às 8 como castigo, estava acordada! Fui almoçar ao Whole Foods em Columbus Circle. Atravessei o Central Park até à FAO Schwartz. Nada de especial, não fosse o porteiro vestido de soldadinho de chumbo e o turístico piano do “Big” (cujo filme eu não me lembro de ter visto). Entrei na Trump Tower e fui ao Starbucks. Os meus gostos são algo duvidáveis mas achei a entrada e aqueles dourados todos no limite do pindérico. Mais tarde, a descer a 5th Avenue, para me aquecer, entrei na igreja de St Thomas pela primeira vez. Todos os bancos são almofadados a veludo e têm bíblias para cada pessoa e almofadas para ajoelhar. Se em Portugal os padres até têm que guardar as hóstias, imaginem almofadas e bíblias onde estariam... A seguir fui ao MoMA só para ver “O grito” do Edvard Munch que depois da desilusão da “Mona Lisa” no Louvre, foi uma agradável surpresa. A sala está escura e depois no meio lá está o quadro que parece desenhado a lápis de cera.






Como não podia deixar de ser, depois de 7 meses, perdi o treino do metro. Tinha que estar às 8 numa exposição e enganei-me a entrar... Já ia pra Brooklyn quando o meu objectivo era West Village.  Cheguei 20 mns atrasada à exposição da Liz Collins. Isto sim era NYC! Uma exposição muito pequena, para lá do esquisito, tínhamos que nos baixar para passar por entre as pessoas porque as peças de arte (t-shirts penduradas num enorme balão) impediam-nos a passagem.  Bebidas à borla, muita gente diferente, música, projectores, roupas excêntricas, penteados espectaculares, valeu a visita. Depois ainda fomos a uma loja de roupa em segunda mão mas não me perdi. Já a noite ia avançada fomos jantar a St Marks Place. Gente, muita gente, restaurante cheios e acabamos num “hole in the wall” a comer comida japonesa. Ainda fomos a um bar mas como o meu jet lag manda em mim voltamos a casa pouco depois da meia-noite.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Django


Não vou fazer a crítica do filme. Primeiro porque as críticas ficam sempre aquém dos filmes e segundo, como diz António Lobo Antunes: "os maus escritores é que acabam a escrever críticas". No entanto,  quero deixar aqui a recomendação. Adoro Tarantino. “Pulp Fiction” é um dos meus filmes favoritos. O humor negro dele, os excessos, tudo é exagerado e kitch. Este filme dá para rir alto. Aquelas cenas da cara tapada são hilariantes e fazem doer a barriga de tanto rir. A banda sonora é excelente, como em todos os filmes do Tarantino. Christoph Waltz tem uma merecida nomeação para o oscar, tão bem interpretado, que me apetece rever. Este ano compete com o também fabuloso Robert De Niro em “Silver Linings Playbook”. Não conheço os papéis dos outros nomeados mas se Christoph Waltz ganhar é mais do que merecido. Este filme vale a pena ser visto no cinema. Samuel L. Jackson aparece quase irreconhecível, este que é um dos actores fetiche de Tarantino. Neste filme tem um papel muito polémico, sendo mais papista que o Papa. E como todas as histórias de amor, tem um final feliz.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

De quem são filhos os póneis?

A L. tem das histórias mais hilariantes que conheço! Sempre que me lembro delas, rio até às lágrimas. A minha predilecta é a história dos póneis. Já ia alta a madrugada e a L. começou com as suas profundas questões filosóficas: "Ó C...... vou perguntar-te uma coisa mas não te podes rir...Os póneis são fihos de quem?". Apesar de sermos as duas biólogas de formação, as espécies animais, e eu acrescentaria no meu caso, as plantas, não são o nosso forte... Como eu a entendo bem... mas na realidade a L. deveria estar a questionar-se de quem são filhos as mulas... Essas sim são o resultado estéril do cruzamento entre um cavalo e burra.

A minha história, não sei se vou ser repetitiva, mas perdoem-me os que já a conhecem passou-se comigo em San Diego numa visita ao Sea World em que vi um espectáculo (não sabia eu de quê) com uma "baleia branca ceguinha" que fazia "puf puf"... que afinal era uma... orca!

A mais recente questão filosófica chegou-me hoje: "Quem é o marido da foca?". O quê? Marido da Foca? As focas e todos os animais irracionais não se casam... mas adiante... o macho da foca é quem? É o cavalo-marinho!!!! Descontrolei-me a rir! Nada melhor que terminar assim o dia!!! "Eu vivo a sorrir".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


"Nem sempre posso “postar” o que é belo. A vida é cruel e há coisas que não podem ser escondidas. No 1º post sobre o meu amigo Cláudio excusei-me a comentários ao acontecimento. Passadas duas semanas e perante as imagens não posso ser indiferente. Não me refiro às imagens por sensacionalismo, mas porque o Cláudio era meu amigo e porque este assunto toca directamente na justiça portuguesa e a todos nós.
Ser pai não significa apenas ser um progenitor. Ser pai é ser PAI em toda a assumpção da palavra. Eu sou PAI e qualquer PAI que seja 4 anos impedido de estar livremente com a sua filha, pode agir irracionalmente. Aliás é do conhecimento público as perturbações psicológicas que o Cláudio Rio Mendes sofreu pelas acções da ex-companheira, filha do assino Ferreira da Silva – Ana Carriço – que abusou do seu poder de juíza para mover influências num série de decisões de tribunal que impediram o Cláudio de ver a sua filha e que denegriram a sua carreira de advogado. Tudo seria evitado se a Ana Carriço percebe-se que seria mais proveitoso para ambos chegar a um acordo que permitisse ao Cláudio ser PAI. Era essa a sua única intenção.
Mas em vez disso e durante 4 anos a única coisa que a Ana Carriço soube fazer foi inventar obstáculos que impedissem o Cláudio de ser PAI. Certamente que a Ana Carriço deve estar contente com toda a situação que criou. O Cláudio agrediu a Ana Carriço, bateu numa idosa, destruiu o carro do sogro, e daí? Se calhar vocês PAIS fariam pior. Neste encontro a filha do Cláudio – Adriana – estava a fazer birras porque passava os dias a ser envenenada e manipulada com discursos dos avós e da mãe. Quantas birras não fazem os nossos filhos em lugares públicos? O que seria se quem assiste interferisse em todas essas situações? Se ainda para mais as relações entre o Cláudio e a família da Ana Carriço eram más, então o juíz que decretou a ordem de visita quinzenal à filha do Cláudio, durante uma hora em lugar PÚBLICO, também devia ter dado ordem de NÃO PROXIMIDADE das pessoas que estiveram ali envolvidas. Isso sim teria evitado o início da confusão e consequente crime. Mas será que esse juíz também não conhecia a sua colega juíza Ana Carriço?
Por fim, o que é que um verdadeiro PAI não faria para poder ser PAI? 4 anos sem a filha? Eu tenho uma filha de 4 anos e não consigo realizar o que seria a minha vida sem ela. Tentando-me colocar na pele do Cláudio e imaginar que me faziam a mim o mesmo que lhe fizeram a ele durante 4 anos, chego a pensar que as suas reacções foram pequenas. Quanto ao assassino Ferreira da Silva qual a sua motivação para as suas reacções? Pelo que observamos aqui, tivessem-lhe feito a ele o mesmo que fizeram ao Cláudio e certamente o seu sogro já tinha sido assassinado há muito mais tempo.
Estou pouco preocupado em saber quantos anos é que o assassino vai estar na prisão. 10, 15 ou 20? É pouco. Preocupa-me sim que exista na justiça gente como a Ana Carriço que como juízes são o fiel das decisões dos tribunais. Só ficarei descansado quando souber que a carreira da juíza Ana Carriço foi interditada.
(E como os principais motivos para a interdição dificilmente serão provados em tribunal, deixo como sugestão o facto da juíza Ana Carriço ter abandonado o local do crime, deixando a vítima a morrer sem chamar assistência médica. É isto um juiz?)
in "Lema: ser do contra blog", 22/02/11 (http://fmcarvalho.wordpress.com/2011/02/22/interditem-a-juiza-ana-carrico/)
Há duas coisas que me irritam profundamente e que tenho de fazer um esforço monstruoso para não me tirarem do sério (o que nem sempre consigo): estar a falar com alguém e essa pessoa olhar para todo o lado menos para mim e fazerem aqueles barulhos inúteis que só poluem (bater com o pé no chão, bater com a mão na mesa...). Hoje, como quase sempre ao almoço, a uma hora que eu escolho para não encontrar muita gente, senta-se numa mesa ao lado uma pessoa sozinha. Eu estava sossegadamente a ler o meu livro enquanto esperava pela comida e a única coisa que ouvia (que ultrapassava o som da televisão e das restantes mesas) era bufar e bater com o tacão no chão. Não sei como consegui segurar-me para não perguntar: " A senhora está com algum problema?". 

Dar e receber


As crianças são uma fonte inesgotável de vitalidade e de força! Convivi sempre com muitas crianças. Tive sempre primos mais novos do que eu e agora tenho sobrinhos. Rapazes, por sinal. Eu sei que sou suspeita para falar deles mas são crianças extraordinárias. Farto-me de rir com eles, com as perguntas, com as respostas, com as deduções, com os olhares. Eles sabem levar-me tão bem! Eu adoro-os mas eles adoram-me! Eles dão-me muito mais do que eu lhes dou.

O mais velho é viciado em legos e em tudo do Cars 2. A rapidez com que ele monta e desmonta legos é impressionante. Adora livros de colorir, tudo o que tenha autocolantes e descobrir diferenças. Passa horas entretido com a mesma coisa.

O mais novo anda viciado em jogos: dominó e cartas são o seu forte! Ganha quase sempre mas está sempre a pedir que quer perder. Tem as perguntas mais hilariantes do mundo. É super alegre! Não se entretem com a mesma coisa por muito tempo. Adora que cantem com ele e que lhe leiam livros. É viciado em tudo o que envolva carros. Desde os 2 anos que sabe todas as marcas. O seu passatempo preferido é pedir aos visitantes que lhes emprestem as chaves do carro. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"Every night I cut out my heart. But in the morning it was full again".

in "The english patient" -  Michael Ondaatje

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mac vs PC

O A. começa a dizer-me "M., não sei como ainda não tens um Mac! O Mac é a tua cara!... Toda a gente que conheço, desde os (as) mais fáceis aos mais reticentes, já se renderam à Apple. É o síndrome do "i": ipod, iphone, ipad...e os macbooks Pro ou Air... Eu quando não tiver mais o que fazer ao dinheiro, que incluí deixar de viajar para a cidade que eu me apaixonei (aka NYC), compro um macbook air e um ipad. Como toda a gente sabe toda a minha electrónica tem que ser à prova de choque, de queda, maus tratos, esquecimentos e afins...Quando comprei o meu ipod touch, naquela altura um objecto de culto,  já tardava não ter um arranhão... Nos primeiros dias após a compra, estava à tarde num bar em Chelsea a olhar para um temporal, com a C., L. e M. e pum.... lá se vai o ipod... ficou com o vidro todo estilhaçado. Como continua até hoje, impecavelmente a funcionar... Para não falar das máquinas fotográficas que perdi ou pisei...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Quotidiano

O meu sobrinho mais novo, que tem 3 anos, anda viciado em dominó. Anda sempre atrás de toda a gente para jogar com ele... o irmão, que é mais velho, desistiu porque perde sempre; o pai , o avô e eu temos sido os mais massacrados e... sobrou para a avó que tinha a desculpa que não sabia jogar:
- Não faz mal avó, eu ensino-te! É assim...
Eu só espero que não descubra rapidamente para que servem as cartas...
O irmão anda viciado em legos do cars 2... monta e desmonta... passa horas nisso. Hoje ouvi-o perguntar ao pai:
-Porque é que este bolo chama-se "Ló"? Ahahahah

Guia para um final feliz (Silver Linings Playbook)

Na sexta, já passava bastante das 10 da noite, acabada de sair do lab, sento-me no shopping a comer qualquer coisa rápida, enquanto esperava pela A. para ir à última sessão de cinema. A essa hora já quase ninguém jantava. No entanto, um olhar mais atento faz-me reparar numa jovem família. Os pais não tinham mais de 18 anos e a bebé não teria mais de 3 meses. Chegaram à mesa com os seus tabuleiros do McDonalds, o carrinho da bebé e a bebé no colo. A mãe apesar de ter sido mãe há tão pouco tempo, exibia a boa forma que só a tenra idade é capaz de manter...e o pai mostrava a parca experiência no simples colo da bebé. É isto que se percebe neste país. A natalidade está a baixar drasticamente, os pais responsáveis adiam os filhos ao limite, e a irresponsabilidade dos muitos jovens manifesta-se na sua contribuição para a natalidade. Tenho algumas amigas que estão a tentar engravidar há anos e não estão bafejadas pela sorte... e tão preparadas que elas estão. A irresponsabilidade dos mais novos levam-nos aos shoppings a horas tardias com crianças de colo que deveriam há muito estar a dormir...Nunca ninguém disse que a vida era justa...

Depois fomos à última sessão ver "Guia para um final feliz". Adorei o filme. Sempre adorei gente louca e desequilibrada . O personagem principal (Bradley Cooper) perdeu tudo: a casa, o trabalho e a mulher. Depois de  apanar a mulher com outro no chuveiro, enquanto passava a música do casamento, descontrolou-se. Este episódio leva-o a ser internado numa instituição durante 8 meses e volta a viver de novo em casa dos pais. . Tem uns pais peculiares pais com uma obsessão pelos Eagles.  O personagem do Robert de Niro é de rir. O argumento deste filme é brilhante. Estas são pessoas com problemas psicológicos e psiquiátricos profundos e muito a sério, não como na maior parte dos filmes em que tornam doenças mentais numa palhaçada ou que aligeiram este tipo de distúrbios.  Estas personagens são palpáveis, reais, emocionalmente complexas e no fundo iguais a nós, que acabamos por ter uma afeição enorme por elas, uns bipolares, outros com DOC, outros com distúrbios sexuais. E o argumento compreende-os de um modo surpreendente e comovente, a dança da vida deles é a catarse do filme à la Tarantino. O filme tem uma velocidade alucinante. Passamos de rir desalmadamente ao choro. Três dos actores estão nomeados para os oscares. Bradley Cooper mostra neste filme o caminho crescente para a carreira que tem feito. Jennifer Lawrence, representa uma jovem viúva com uma história arrasadora e quase tão maluca como a do personagem principal. De todos os filmes nomeados que vi, o oscar de melhor actriz vai para Emmanuelle Riva ou para Jennifer Lawrence.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

So hard to forget


“... Eu conheço uma pessoa que adora fazer a linha intelectual, que sofre mas não perde a pose. É engraçado isso, né? Quando alguém sofre perto de você, você adora ajudar, dar conselho. Agora quando você sofre, você se encolhe, você entra dentro dessa concha e não deixa ninguém te ajudar. Aliás, você despreza a ajuda das pessoas. Vai ver é isso mesmo. Você não precisa da ajuda de ninguém porque você é perfeita. Você é perfeita...”

"Como esquecer" de Malu de Martino

Socorro

Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...

Arnaldo Antunes/Alice Ruiz

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Injustiça


Dizem que o amor cega-nos... Cegar por amor, por menos merecido que seja, nunca deve ser mau. Alguma coisa deve aprender-se com esse sentimento. A ingratidão, que até há muito pouco tempo, era para mim o sentimento mais intolerável, passou a deixar de o ser desde ontem. O pior sentimento do mundo é a injustiça. Felizmente, só aos 33 anos é que senti nas profundezas do meu ser esse sentimento tão cruel. Acho que esse sentimento só será apaziguado com o tempo e/ou drogas legais e/ou uma asneira. Quando no último mês lia o “Diários” do Al Berto não entendia a tendência dele para a depressão, para a noite, para o sombrio, para o mar revolto nos dias de inverno, por becos, pelas insónias... ontem, senti-me como ele. E achava que hoje ao acordar seria outro dia. Aquela história de que “não há nada como um dia depois do outro” ou “amanhã é outro dia” são apenas frases feitas... Hoje é um dia de sobrevivência. E muitos mais virão assim. E nestes dias que me aguardam só espero não perder a fé, que é a única coisa que me resta.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Jodie Foster’s speech, accepting the Cecil B. DeMille Lifetime Achievement Award at the Golden Globes

In the most beautiful and real way, Jodie Foster just stole the Golden Globes: "There's no way I could ever stand here without acknowledging one of the deepest loves of my life. My heroic co-parent, my ex-partner in love but righteous soul sister in life, my confessor, ski buddy, consiglieri, most beloved BFF of 20 years, Cydney Bernard."




O enjoo

Eu, tal como Sartre, sofro de uma grande fraqueza, o enjoo. Eu acho que só não enjoo a andar e quando estou parada. De resto, enjoo no comboio, no carro, no avião, nos barcos e o pior, a conduzir. Este post é fruto da conversa de sábado à noite com uma das amigas que me conhece há mais anos. Estivemos a relembrar o dilema que foi para eu tirar a carta de condução!!! Eu sempre teimei em não tirar a carta, mas aos 24 anos, por motivos de força maior, lá teve que ser. Quando andava nas aulas de condução havia uma senhora que já tinha reprovado inúmeras vezes e insistia com o instrutor que só andava em segunda!!! E o que nos fartamos de rir por causa disso. Nos primeiros meses acordava antes das 7 para chegar à universidade antes das 8 para ter as estradas livres!!! E daí veio o facto de eu enjoar a conduzir. Ninguém acredita mas é verdade!! 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Centésima página

Falo pouco da cidade onde nasci e vivo. Talvez por nostalgia de um tempo que já não existe, por ter sido uma cidade que tinha tudo para ser e perdeu-se com os anos... Quem não se lembra de Braga nos anos 90? Dos projectos musicais, das artes, da vida nocturna? Era a vanguarda a contrastar com o extremo conservadorismo da cidade dos padres, arcebispos e afins. Esta vanguarda cultural perdeu-se com os anos, a cidade foi crescendo sem projecto e sem organização para as freguesias periféricas como cogumelos. Não vou nomear cidades suburbanas parecidas para não ferir susceptibilidades. A verdade, é que com esse crescimento exponencial dos ditos jovens, não significou nem mais cultura nem mais nada. Quem não se lembra do Club 84, Sardinha Biba (o verdadeiro), Trigonometria, Pacha, Deslize, Insólito...? Eu sei que pareço aquelas velhas que dizem que o mundo está perdido e que no tempo delas é que era. Ou talvez uma "velha do Restelo"...

Tudo isto para dizer que há pouco regressada de mundos maiores, tenho redescoberto a cidade. A “Centésima Página” que está a comemorar 13 anos, como me disseram este fim de semana, é do melhor que já vi. Quanto mais vou lá mais gosto de voltar. A C. e o R. adoravam ir para lá escrever. Passavam tardes lá com os computadores no jardim. Agora no inverno, outros pormenores se descobrem. Mesas e cadeiras espalhadas pelo espaço a convidar as pessoas a ficarem. Visualmente é incrível, com aqueles livros todos a subir pelas paredes altíssimas. Sentar ali, sem fazer nada, nem que seja só olhar e perceber os livros a impregnar-nos. Essa sensação é indescritível. E lá encontra-se quase de tudo e o que não se encontra encomenda-se. Ali ninguém pergunta por um livro de Caio Fernando Abreu, Ferreira Gullar, Al Berto e ninguém nos responde com um “Como se escreve?”. Para quem gosta de chás e infusões é uma perdição, há também contos para crianças aos fins de semana, as apresentações de livros com os nossos melhores escritores é mais do que frequente. Era isto que queria dizer, uma livraria onde nos sentimos em casa e onde as nossas dúvidas são sempre simpaticamente respondidas. O que é bom e nos orgulha também é para se publicitar. E numa altura de crise em que só ouvimos discursos pessimistas e maus exemplos, e pessoas mal dispostas, tempos tristes, há que divulgar este espaço que é um orgulho! Posso dizer que não há muitas pessoas que conheçam tantas livrarias como eu. E comentava com a minha mãe na “Centésima Página” que esta livraria é incrível e que não há muitas no mundo assim.






 P.S. Acabei, também no fim de semana, o “Diários” do Al Berto com mais de 500 páginas.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Clarice Lispector

«Just to give you an idea of one of the problems that keeps coming up in translating [Lispector], there are words in Portuguese that are [difficult to] translate. A good example is nada … Lispector says something like, “I am going to think of, literally, the nothing.” Now, as an English speaker, I have to think, “Do I say, literally, ‘the nothing’? Do I say ‘nothingness’? Do I say just ‘nothing’?” But I can’t say just “nothing,” because if I say, “I’m thinking of nothing,” that’s not what she’s saying. She’s thinking of something, but she’s thinking of the nothing. But I have to say that when I think of “the nothing,” I think of The Neverending Story. Do you remember this film? There’s a sinister force in the universe and it’s “The Nothing” and it destroys the realm of the imagination so that people don’t have fantasies or dreams anymore. But that’s a weird peculiar thing to me because maybe I was really moved by that movie as a child and so when I say “the nothing,” I’m thinking, “Oh, The Neverending Story, I wonder if my reader’s going to think The Neverending Story. Maybe I should go with ‘nothingness’.” But then “nothingness” is a little bit too abstract, “the nothing” sounds a little bit more forceful».


Sarah Gerard, the translator of Lispector’s last novel, "A Breath of Life"


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

José Rodrigues (1925-2013)

O verdadeiro pai do meu pai morreu ontem. Sabia que ele existia, cruzei-me algumas vezes com ele mas nunca o tratei como avô. Eu sempre disse que tinha um avô, que era o materno, e Deus foi muito generoso em dar-me esse que foi tão grande. 

O pai do meu pai nunca o assumiu. Naquele tempo, foi um grande amor entre ele e a minha avó paterna mas não se casaram porque ele engravidou uma menor (atenção menor de idade significava ter menos que 21 anos!!!). Conclusão, esse grande amor de que é fruto o meu pai acabou, ou pelo menos, da forma como os dois sonharam, quando a minha avó soube que o namorado se teria de casar porque engravidara uma menor. Enredo de telenovela mexicana, certo?  O meu pai chama-se V. porque era a vontade do pai dele. Depois disso o pai dele teve mais 12 filhos e um deles também se chama V. Soube quando andava no colégio desta história porque um dos meus primos dessa parte me contou uma história que na altura, devido à minha tenra idade, eu não percebi. E só depois quando cheguei a casa é que os meus pais me conseguiram explicar. A partir daí eu soube que tinha um avô paterno verdadeiro. E os filhos dele que são tantos, sempre adoraram o meu pai. O meu pai é o filho mais parecido com o pai dele. Então, desde que cortou o bigode é igual! Claro, com as devidas diferenças de idades. Isto é o que as pessoas diziam porque na minha vida toda vi este meu avô umas 5 vezes. Há umas semanas, antes do Natal, quando estava em Lx, uma das minhas tias da parte da minha mãe disse que tinha visto este meu avô e que lhe pediu para tirar-lhe uma fotografia. Ele não sonhava quem ela era e nem lhe perguntou a razão da fotografia. Nesse dia antes do Natal, a minha tia deixou duas fotografias para mim e para o meu irmão, em casa dos meus pais. Quando vi essa fotografia, onde reconheci o sorriso lindo do meu pai, pensei que iria conhece-lo pessoalmente a troco de nada. Apenas para lhe dizer como reconhecia nele o meu pai. Não cheguei a tempo de fazer isso. Há quatro dias teve um derrame cerebral e sabia que era muito grave. Cheguei a telefonar para o Hospital na terça para saber como estava, acabou por morrer nessa madrugada. Hoje foi o funeral e pude perceber em todos os meu tios o quanto eles são parecidos com o meu pai. São tantos irmãos e reconhecem o meu pai como um deles. Há coisas que têm que ser feitas no momento certo ou nunca mais. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Feliz ano todo!

Feliz dois mil e treze!
Feliz ano todo!
Saúde, justiça, alegrias, verdade!
O tempo sempre sábio, é mágico! O tempo ensina tudo!
Paz no mundo!




"Mas há a vida
que é para ser intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até à última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

Clarice Lispecto
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os 37 anos de casados dos meus pais

Todos os anos os meus pais comemoram este dia. Antigamente jantávamos sempre juntos e eles tiravam uns dias. Mais recentemente passaram a comemorá-lo apenas a dois. Ontem celebraram os 37 anos de casados e é impossível não partilhar esta felicidade tão grande e tão profunda. Tudo o que eu e o meu irmão temos e somos, no sentido mais estruturante e marcante da nossa personalidade, e como pessoas aos nossos pais o devemos. Quem os conhece sabe o quanto são felizes, isso não se disfarça.  Todos os nossos amigos e familiares o comentam. E não é fácil acertar assim no tiro ao alvo! E faço minhas as palavras da Laurinda Alves, cujos pais também comemoraram ontem o seu aniversário de casamento: “Vivo com a consciência do privilégio que é ser filha de pais íntegros, rectos, generosos, alegres, construtivos, bondosos, fiéis aos seus valores e a cada um de nós, e sinto uma gratidão infinita por tê-los tão próximos...”. O meu pai tem 57 anos e a minha mãe 59 e é uma benção te-los ainda juntos.




Domingo em Lisboa

Apesar do tempo atípico para Lisboa, que amanheceu nublada e com um imenso nevoeiro, que nem dava para ver o majestoso Tejo, continuava com aquela luminosidade que só esta cidade tem. Aqui estamos, eu, e Lisboa num reencontro, como se fosse a primeira vez. O que eu não gosto nesta cidade são dos taxistas. Quase sempre parecem mudos e com cara de poucos amigos, conduzem mal e têm carros péssimos. Parecem que estão habituados a corridas de carro. Não poucas vezes discutem com os outros condutores  Na sua maioria fazem sempre o trajecto mais comprido e gostam muito pouco de dar trocos. Foi o que aconteceu, mais uma vez, desta vez entre o Parque das Nações e o Campo Pequeno. Nestas alturas lembro-me tanto do meu querido C. que me salvou tantas vezes de perder o comboio, que me levou a mim e à C. a casa nas muitas noites em que não levávamos carro ou o deixávamos algures pela cidade. Ainda hoje quando não me pode ir buscar manda-me o melhor dos seus amigos e telefona-me a saber se já estou no comboio.

Encontrei-me com as queridas S. e R. na entrada do Campo Pequeno. Fomos almoçar demoradamente ao “Rubro”. Muito bom. Comemos várias tapas, não me lembro quais (se não as fotografar é o que acontece) e bebemos um excelente vinho espanhol “MURUVE”. Estes almoços e jantares são sempre demorados, carregados de risos e sorrisos, de memórias, de histórias, de disparates e sempre regados a excelentes vinhos e com óptima comida. São as nossas maratonas gastronómicas, como disse um dia a S. Bebi demais, como quase sempre, e nada melhor do que deambular por livrarias onde não conseguia ler nada!! Fomos a várias livrarias no centro de Lisboa para comprar um livro que não encontrei. No fim da tarde atravessamos a minha amada Lx para o meu regresso a casa.



1º Encontro PARSUK/ PAPS/ FIIP - Percursos em Ciência: Diversidade contra a Adversidade – Parte II

A Maria Mota, que eu também só conhecia da televisão, pela malária, como o nosso amigalhaço (não é caríssima?!) Miguel Che Soares. A Maria disse que no 5º ano já sabia o que queria ser quando olhou para um esfregaço de sangue. E que antes de entrar para a faculdade foi visitar com a mãe as duas faculdades de medicina do Porto, uma vez, que era de V.N. Gaia. Gostei desta coisa de ela assumir que é de Gaia e não fazer como todas as pessoas que são de Ermesinde, Gondomar, Maia e afins, dizem que são sempre do Porto. Entrou em Biologia no Porto e disse que detestava ecologia e acordar cedo para ver as aves e isso. Mas como vinha de uma família rígida, o que se começava era para acabar. Contou que ela mais uns amigos, naqueles anos de “vacas gordas” candidataram-se a “fundo perdido” de milhares de escudos para desenvolver umas plantas. E aquilo até ia dar certo. Até que um dia, quando passava num dos corredores do ICBAS viu um anúncio de Mestrado que lhe chamou a atenção. Foi para a entrevista, com a Maria de Sousa (pelo que tenho ouvido dizer bastante intimidadora) e a meio da entrevista mudaram para inglês, que ela não dominava. Saiu a achar que tinha corrido muito mal, que não seria aceite e nem sequer contou a ninguém. Mas afinal enganou-se, foi aceite. E para ela foram meses fantásticos, foi muito duro mas maravilhoso. Foi para Londres e o chefe de laboratório era fantástico, inteligentíssimo mas só esteve com ele de Jan de 1995 a 8 Set de 1995. Reformou-se depois disso. Teve toda a liberdade do mundo. O doutoramento foi “o prazer da descoberta”. Muda-se depois para NYC para fazer o post-doc, aí, foi “o amadurecimento e o entusiasmo extrovertido”. Voltou para Portugal, para o IGC, onde continuou a ter “completa liberdade”. Três anos mais tarde mudou-se para o IMM com muitos investigadores muito jovens, todos têm o prazer pela descoberta. Não falou do regresso a NYC... Reparei, como todos os investigadores tem um vício, o de roer as unhas.

O Nelson Lopes, o outro orador, é médico, farmacêutico e é o responsável pela divisão de ensaios clínicos na BIAL. Começou por dizer que a ideia que as pessoas têm da indústria: “uma investigação de terceira, com trabalho de segunda e ordenado de primeira”. Disse que a indústria recruta cientistas de alto calibre. A carreira dela não foi um percurso convencional para um médico. Entrou em Farmácia, que não gostou. E tal como a Maria Mota, também é de V.N. Gaia e de uma família rígida. Andava numa fase romântica com as leituras do Camilo Castelo Branco. E nessa altura teve uma conversa com um grande amigo, Dr. Jorge Ferreira, grande pneumologista português que lhe disse que ele tinha duas opções: doutoramento ou Medicina. O que ele queria era investigação, algo mais aliciante. Entrou em Medicina na Universidade de Lisboa com o objectivo de seguir investigação clínica.

O Nuno Arantes de Oliveira que eu conheci há muitos anos numa conferência de células estaminais no IST, disse nunca ter sido um aluno brilhante, ao contrários dos oradores anteriores. Apesar de ter feito Biologia, nunca se considerou biólogo, mas a mãe ainda hoje diz que ele é biólogo. Foi a uma entrevista no IGC com o Prof. Coutinho para doutoramento em Biologia e Medicina e foi aceite. Mas ainda sem saber o que queria ser. Escolheu a UCSF em San Francisco. A escolha teve a ver  com a cidade (olha outro como eu!!!)  porque laboratórios fantásticos conheceu ele pelo mundo fora. A cidade para ele era fantástica. O seu doutoramento foi feito na área do envelhecimento e a pergunta a que queria responder era “Porque é que as pessoas morrem?”. Fez um Post-doc na área de inovação. Formou a ATGC/Alfama, empresa de desenvolvimento de fármacos.

Depois ainda houve outros oradores, menos interessantes, na sua forma de cativar a plateia e de contar a sua história.

Gostei de ouvir falar o Carlos Caldas que é oncologista e tem um laboratório no Cambridge Research Institute. Nunca teve fama em Portugal. Primeiro foi para Dallas, depois para Baltimore, Londres e ficou em Cambridge, onde conseguiu a cátedra. Segundo ele “subiu à procura da excelência”. Citou várias vezes poemas, a que não me esqueci foi tirada do “Livro do desassossego” de Fernando Pessoa: “ Saber não ter ilusões” e ainda parafraseou o “Comboio descendente”:

No comboio descendente.
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não

Fernando Pessoa

Um investigador que gosta de poesia, só pode ser bom! E ainda apareceram por lá o Carlhos Fiolhais e o Mariano Gago.

Do segundo da esquerda para a direita: Nelson Lopes, Nuno Arantes Oliveira, Diana Marques, Irene Fonseca e Maria Mota 


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

1º Encontro PARSUK/ PAPS/ FIIP - Percursos em Ciência: Diversidade contra a Adversidade – Parte I

Este primeiro encontro, com lotação esgotada, em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento realizou-se no sábado dia 22. Estavam lá os que mandam na Ciência em Portugal: o Ministro da Educação e Ciência (Nuno Crato), a Secretária de Estado da Ciência (Leonor Parreira) e o Presidente da FCT (Miguel Seabra). Foi surpreendente ver estas pessoas, qque deveriam ter muito mais o que fazer em véspera de Natal, estar presente neste evento. Acho que não está tudo perdido! Falaram que aumentaram ligeiramente as bolsas de pós-doutoramento e diminuíram as bolsas de doutoramento. Querem saber a minha opinião? Acho muito bem.

Começar um doutoramento está a tornar-se a única saída para muitos, mas uma saída ilusória e temporária. É como aqueles candidatos a programas de música que cantam muito mal e que perante um juri percebem que nunca ninguém lhes disse o quão mal cantavam.  Isto dava pano para mangas. Mas com uma população envelhecida, com a falta de incentivos à natalidade, é de perceber que cada vez menos alunos entram nas universidades  e que o número de professores funcionários públicos não diminui, e por isso há que criar novos Mestrados e Programas Doutorais para manter  o sistema. Não sei como isso se resolve. Não tenho uma solução, mas também não acho, como muitos, que existe uma solução a muito curto prazo. As mudanças são dolorosas, envolvem lobbies, e situações estabelecidas intocáveis.

O presidente da FCT disse que o financiamento dos projectos aumentou de 70 para 90 milhões. Eu de números não percebo nada, mas como ninguém na sala contestou, eu acredito.  Ele disse também que a FCT antigamente era um multibanco e  é agora muito mais gestão. Falaram na habitual meritocracia e de um sistema de boas práticas de avaliação. Propôs uma coisa que eu já há muito pensei. E o Ministro falou para aquela sala de investigadores que era um luxo podermos fazer ciência em Portugal, porque não estávamos no 3º mundo. No Uganda não deve haver dinheiro para comer, quanto mais para ciência. Claro, e eu por mim falo, que ninguém imagina o quanto um doutoramento feito, em parte no estrangeiro, nos enriquece. A questão é que um país como o nosso, não se pode dar ao luxo de patrocinar na totalidade bolsas, ajudas de custo, propinas e afins. O mais justo seria um sistema de co-financiamento, mecenatos ou projectos. Eu, com muito desgosto meu, não fiz o doutoramento à custa da FCT, que a única coisa q me pagou no meu doutoramento foi a impressão das teses. Mas fiz o doutoramento porque alguém acreditou em mim e me deu uma bolsa equivalente à da FCT e que arranjou um acordo com um laboratório estrangeiro (que é comum no meu grupo) para o qual vamos pro bono mas as experiências são sustentadas pelo lab de acolhimento.


Da esquerda para a direita: João Íncio, Leonor Parreira. Nuno Crato, Miguel Seabra e Tiago Fleming Outeiro

O orador seguinte foi o António Coutinho, ex-director do Instituto Gulbenkian de Ciência. Acho que nunca o tinha ouvido falar pessoalmente. Pelo sotaque notei ali qualquer coisa do norte, achei que fosse do Porto, confirmo agora na wikipedia que é de Aveiro. Começou por dizer a piada que um colega indiano lhe dissera que o presidente e o primeiro-ministro indiano sabem calcular uma derivada. Formou-se em Medicina e o internato complementar na FMUP e queriam que fosse para a tropa, e como ele não queria foi para fora. Esteve 30 anos fora. Como ele disse, não percebia nadinha de investigação e o primeiro orientador dele disse-lhe: “You go around and talk to the people, I´m not here to teach technitians”. “You need to know what you want to do”. Segundo ele, os estudantes têm que saber fazer e convencer o orientador sobre a sua ideia. Claro que ele criticou esta nova forma de fazer doutoramento em 3 anos que é totalmente não-inovadora. Os alunos não desenvolvem a sua ideia, desenvolvem a ideia dos seus orientadores, que é a coisa pior que se pode fazer, proibir os jovens de pensar por eles próprios. O Prof. Coutinho disse que em 1972 trabalhou dia e noite e não fez nada que se visse, nada de jeito, isto no Karoliska Institute. Mas depois de resolver o problema, as coisas acabam sempre por acontecer.
Depois, mudou-se para Basileia para fazer o Post-Doc e as questões mudaram e já eram 3:
What you want to know? Then, is just to think about it all the time and to find the most acute continuation;

Uns anos mais tarde foi nomeado catedrático de Medicina- Head of Department.Não havia ninguém lá dentro.  Nunca tinha feito administração nenhuma na vida a não ser dos seus ratos. Mas afirmou que lá foram passados os melhores anos da vida dele. Arrisquem, foi o que disse.

Na sua opinião é uma excelente altura para se voltar para Portugal. O dinheiro está a diminuir mas a execução está a aumentar, as farpas lançadas. As posições da FCT são livres, por mérito.

O IGC por muitas críticas que se façam, tem n laboratórios individuais, com n PIs, tem uma média de publicação incrível em termos de Factor de Impacto, as ERC atribuídas a iniciantes são imensas. E ele diz uma coisa, claro que é mais importante e tem mais valor um Science ou um Nature ser conseguido aqui do que em qualquer outro lab do mundo. Quando falou de publicações, referiu sempre que era o factor de impacto que contava e não o número.
Fez uma crítica directa aos painéis de avaliação da FCT, que não compreendia, como é que as pessoas que estão nos conselhos científicos são as mesmas que estão a concorrer para essas mesmas grants.

E terminou a dizer “Deus nos livre ou o Menino Jesus de pormos a nacionalidade à frente da qualidade científica”. E eu termino a dizer que quem me dera que o CV dos estrangeiros fosse avaliado como o nosso e não pelo facto de ser estrangeiro já ser bom! Mas eu sei do que é que ele está a falar, daquelas “cabeças” estrangeiras que estão no IGC e que o seu CV fala por eles.
António Coutinho

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

As memórias das férias de Natal

Há muitos muitos anos, era eu uma criança, e depois adolescente e até depois, quando andava na universidade tínhamos duas semanas de férias de Natal. 

Hoje em dia, tudo parece fácil e toda a gente tem acesso a tudo, e em Portugal, de uma maneira geral todas as cidades são similares no que respeita às ofertas e ao desenvolvimento. Pois bem, as minhas memórias de infância e pré-adolescência eram as trocas de postais de Natal manuscritos. Enviava muitos e recebia-os na mesma proporção. a outra memória das férias de Natal era a ida ao Porto com a minha madrinha. Normalmente ia eu, o meu irmão, a K., e a M. e íamos de autocarro até à Filipa de Lencastre, no Porto, onde a minha madrinha nos ia buscar. Uma das vezes deixou um "moedinhas" à nossa espera e quando chegamos dizia: "A menina está na leitaria". Depois íamos tomar o pequeno-almoço no Majestik, íamos andar na pista de gelo do Bom Sucesso, na Boavista. O almoço era no McDonald's quando este era ainda uma novidade há 20 anos atrás. Lembro-me que fomos aos primeiros dias de abertura do Gaiashopping, onde fomos ao cinema e onde a minha madrinha nos comprava um enorme copo de coca-cola mais um pacote enorme de pipocas para cada um. Íamos também para os salões de jogos onde ela nos pagava todas as máquinas que queríamos jogar. Lembro-me até hoje que a minha madrinha conduzia muito mal e com muita velocidade. Ahahahaha. Esta era essencialmente a época da ida ao Circo e ao cinema. Hoje em dia, as coisas são bem mais fáceis, há muita mais oferta, os miúdos quase não ligam a nada, a estas pequenas coisas, que para mim me ficaram como lembranças para a a vida. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

O meu avô (1919-2010)

Hoje faz exactamente dois anos que o meu avô nos deixou. Nada mais foi igual depois disso. O meu avô nunca esteve doente nem nunca foi internado durante toda a vida até ao dia que teve um enfarte. E esse enfarte foi de tal forma forte que o atirou para uma cama e ele nunca mais pode ser autónomo. Ficou consciente e sóbrio até ao fim. Poucas horas antes de morrer, depois de ter sido internado com uma pneumonia, quando os médicos autorizaram as visitas da família, ele virou-se para uma das filhas e disse: “Podes ligar aos teus irmãos que eu já posso receber visitas”. O meu avô era assim. Adorava visitas. Isto foi ao fim da tarde. De manhã às 8 horas, a minha mãe vem acordar-me porque uma das minhas tias me tinha ligado e a minha mãe achou que tinha sido alguma coisa com o filho dela. Mal chego ao telefone percebi imediatamente. E depois ainda tive que dizer à minha mãe. Fiquei em choque. Só me consegui sentar.

A parte que queria falar, e a melhor era o quanto este António José Martins foi o melhor avô do mundo. O avô que toda a gente queria ter. Tinha um jeito extraordinário para os miúdos. Quando éramos crianças nós tocávamos cavaquinho, violas de plástico e bombo e ele cantava. Sabia muitas canções de assobio. Adorava música. Adorava ler jornais. Era esquerdino para tudo mas aprendera a escrever com a direita. Contava imensas histórias e muitas anedotas. Jogava imenso “às orelhas” com os netos mais novos. E jogava imenso “à sueca” com os adultos. Via imensa televisão, principalmente os programas da manhã e  as notícias. Era um fã acérrimo da RTP. Nunca queria a televisão noutro canal. Era adepto do Vitória de Guimarães e tinha uma queda para o Benfica. Fazia-nos cabanas e quando a minha avó não estava fazia-nos o pequeno-almoço e deixava sempre o leite ferver com medo que estivesse estragado e fizesse mal aos meninos. E para além disso deitava pouco nesquik no leite. Adorava tudo com feijão e tomate. Adorava melancia e meloa no verão. Durante a vida toda sempre comeu maçã à sobremesa. Já o conheci calvo. Saía sempre de fato, gravata e chapéu.  Ficou sem cabelo pouco depois dos vinte, como contava, mas nenhum filho saiu a ele. Ao contrário da minha avó tinha cabelo e olhos escuros. Só a minha mãe e um dos meus tios têm os olhos escuros como ele. Tinha um humor incrível. Um dia o meu avô ia fazer um exame e disseram-lhe para retirar os dentes (placa), caso a tivesse, e ele disse: “Não tiro, isso eu não tiro”. E quando me contou isto a gargalhar nem me lembrei que os dentes eram todos dele. Chamava-me sempre “minha neta”. Elogiava os netos e os filhos como ninguém. Era vê-lo na vila a falar da família. Dava gosto. Adorava surpresas. Era muito alegre e tinha um sorriso lindo. Tinha uma mãos lindas. Era um óptimo conversador. nunca lhe ouvi uma queixa.

Quando éramos miúdos e estávamos sempre a mexer na lareira dizia “vais fazer xixi na cama”. E no Natal perguntava sempre “Quem é que hoje fez xixi na cama?” e aquilo era um monte de mãos no ar. Mas como todas as pessoas extraordinárias, tinha um feitio difícil que lhe durava pouco tempo mas tinha uma frase que mandava como uma bala: “Pensa que é aquilo que nunca chega a ser”.
No dia do funeral, um padre grande amigo dele fez-lhe um elogio fúnebre dos mais bonitos que ouvi: “Um homem sério, bom pai de família, um bom marido, grande amigo”.


Amour, de Michael Haneke


Sabemos previamente que Anne morreu, a primeira sequência do filme mostra o arrombamento do apartamento, onde  encontram o corpo de uma mulher morta na cama rodeada de pétalas.“Amor” é um filme surpreendente. As expectativas eram grandes pelas críticas que tinha lido e pela sinopse. Os octagenários actores franceses interpretam em  um casal de músicos cheio de amor e cumplicidades, que quase não precisa de palavras para se entender. Percebe-se a vida cosmopolita deles numa ida a um concerto de um antigo aluno. Mas um dia, como o livro da Joan Didion, toda essa vida desaba, quando ela adoece. O dramático efeito de um acidente vascular cerebral tem numa pessoa que apesar da idade, tinha uma vida normalíssima e que dividiam tudo entre os dois. O corpo entra em declínio e o casal, isolado num apartamento, vive o inferno da própria dor.

O filme, passa-se quase inteiramente num apartamento parisiense,retrata a deterioração lenta, gradual e penosa da velhice, mostrando com compaixão a dor de assistir à doença de um ente querido, de observar sua lenta passagem em direcção à morte, ao fim, sem que nada o consiga evitar.

Este filme mostra acima de tudo o que o amor é capaz de suportar mesmo quando as pessoas nos deixam de reconhecer. A humanidade, compaixão e amor com que aquele marido tratou a mulher até quase ao fim.  O percurso do casal é mostrado em detalhes, na vida quotidiana de um doente, desde o dar de comer, o banho, mudar fraldas... . No limite, ele agride-a, quando tenta que ela beba água e não morra à sede, e ela já sem consciência do que é e do que faz, a cospe. Uma cena particularmente bem filmada.

A minha avó, felizmente, apenas na sua última semana de vida é que se recusou a beber e a comer. E eu revi tanto a minha avó nestas cenas. E este filme mostra e vem dar razão ao que sempre defendi, que as pessoas, apesar das diminuições graduais das suas capacidades, não devem morrer fora de casa e devem ser cuidadas pelos seus familiares próximos. É aquela frase “there is no place like home”.



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar 
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada 
Por causa disso nessa noite. lá no morro, não se fez batucada 

Acreditei nessa conversa mole 
Pensei que o mundo ia se acabar 
E fui tratando de me despedir 
E sem demora fui tratando de aproveitar 
Beijei a boca de quem não devia 
Peguei na mão de quem não conhecia 
Dancei um samba em traje de maiout 
E o tal do mundo não se acabou 

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar 
Ainda disseram que o sol ia nascer antes da madrugada 
Por causa disso nessa noite. lá no morro, não se fez batucada 

Chamei um gajo com quem não me dava 
E perdoei a sua ingratidão 
E festejando o acontecimento 
Gastei com ele mais de um quinhentão 
Agora eu soube, que o gajo anda 
Dizendo coisa que não se passou 
E, vai ter barulho, e vai ter confusão 
Porque o mundo não se acabou 

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso, minha gente lá de casa, começou a rezar 
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada 
Por causa disso nessa noite. lá no morro, não se fez batucada 

Acreditei nessa conversa mole 
Pensei que o mundo ia se acabar 
E fui tratando de me despedir 
E sem demora fui tratando de aproveitar 
Beijei a boca de quem não devia 
Peguei na mão de quem não conhecia 
Dancei um samba em traje de maiout 
E o tal do mundo não se acabou 


Assis Valente



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