segunda-feira, 10 de junho de 2013

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Dia cinzento e frio, a fazer lembrar um dia de inverno, apesar de estarmos a dias do verão... Depois das obras de instalação do gás canalizado na semana passada, hoje foi o dia de terminar as arrumações e limpezas. Eis os despojos das obras!

Passei o dia em casa, vi esporadicamente as comemorações do dia de Portugal. Hoje e sempre, neste dia, tenho orgulho em ser portuguesa. Apesar da crise, do desânimo, do desemprego, do mau momento, Portugal tem como o seu dia, o dia de um poeta. O dia em que morreu Camões é o dia de Camões, dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas no dia todo. Isso não é fantástico? Ao contrário de muitos países, o dia de Portugal, não é o dia de um rei, de um descobridor, de um presidente, de um ditador, ou de um cantor... É o dia de um poeta! Dez de Junho. É fascinante.



domingo, 9 de junho de 2013

Maria Bethânia e as palavras

Entrou no palco ao som de um batuque, com um sorriso aberto e fez logo uma vénia ao público. Maria Betânia, vestida com um casaco branco comprido e umas calças pretas que lhe cobriam parcialmente os pés nus. O mesmo colar de todas as apresentações e pulseiras múltiplas no punho esquerdo compunham o elegante figurino. Um palco minimalista sem adereços composto apenas por Bethânia, Paulo Dafilin na(s) viola(s) e Carlos César na percurssão. 
Uma sala tão bonita, pequena e aconchegante como é o Teatro S. João foi a sala perfeita para um espectáculo como este. Um público que me fez cada vez mais ter orgulho de ser portuguesa. Um espectáculo que foi sobretudo delicadeza, emoção, silêncios e a voz de Maria Bethânia a encher o teatro. Fiquei na terceira fila, tão perto do palco que dava para ver os cabelos cairem quando mexia no cabelo. Maria Bethânia a cantar é de arrepiar. Mas só a voz, sem o auxílio de nenhum instrumento é o dom dela. A voz poderosa e grave que parece não precisar de microfone. Mas Bethânia a ler é impossível de explicar. Ninguém diz poesia como Bethânia. O ritmo, a cadência, o tom, a encenação. Uma expressão dramática espectacular e gestos fortes. Uma cantora que escreve todos os dias e adora caderninhos. Tão delicada, tão educada, tão cerimoniosa, que não se cansou de repetir “Obrigada senhores”. Leu poemas de Carlos Drummond de Andrade, Sophia, Fernando Pessoa e heterónimos, Mário de Andrade, Vinícius de Moraes,Guimarães Rosa, António Ramos Rosa e muitos poetas populares brasileiros. Cantou Caetano, Amália, entre outros.
Maria Bethânia disse: “Criei esta leitura e escolhi textos que ao longo da minha vida tenho dito nos meus espectáculos de cantora. Alguns dos senhores que estão aqui hoje já me viram em cena onde ouso e gosto, também, de me expressar através da palavra falada. Eu gosto de falar, gosto de emprestar a minha voz à minha vida, às histórias, personagens, aos sentimentos que os autores nos revelam. Eu sei que ler, ouvir, dizer poesia, hoje, nesse tempo, nessa correria, nesse desapego, é um desafio. Mas essa ideia me comove e me atrai(...). Eu fiz essa leitura em vários lugares, sempre recebendo escolas com seus professores e alunos ou indo até eles, o que para mim, é uma grande honra. Eu fiz recentemente essa leitura na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Eu li poesia na casado meu poeta. Poeta da minha vida, fonte para a minha sede, poeta que sustenta a minha respiração, o ritmo desassossegado do meu coração.
Cantou trechos do poema “Ciclos”, um poema de Nestor de Oliveira, que foi professor de português dela e de Caetano Veloso numa escola pública do Recôncavo baiano. “Eu me emociono muito, porque, além da didáctica, aprendia-se a ler, a ouvir, a dizer poesia. Caetano Veloso, também seu aluno, foi quem musicou esses versos lindos. E eu falo disso só para lembrar que é possível, sim, ter uma educação boa e plena nas escolas públicas do Brasil”, falou.
Noutra das suas confidências declarou: “Felizmente, podemos ver o extraordinário trabalho de professores que vencem todas as dificuldades, ultrapassam seus limites e dedicam suas vidas, e com grande prazer conseguem cumprir tarefa tão nobre: educar. Eu fui aluna de escola pública. Eu, Maricotinha, recebi a comenda Ordem do desassossego (conferida pela Casa Fernando Pessoa) em reconhecimento aos maiores divulgadores da obra de Fernando Pessoa.
Depois de longas palmas e com o público de pé, Maria Bethânia regressou ao palco: “Leitura não tem bis mas eu estou tão feliz que vou improvisar”.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

The great Gatsby

Como dizia a Clara Ferreira Alves há uns tempos quando foram seleccionados os 100 mais importantes livros de todos os tempos, um dos que ela escolheu foi The great Gastby: “Não é possível passar pela vida sem ler este livro. A obra-prima se Scott Fitzgerald é uma apresentação original ao Sonho Americano. Jay Gatsby veio dos nada e fez-se multimilionário escondendo as origens judias e os negócios sombrios. Veio do nada para reconquistar uma mulher que tinha classe, dinheiro, pedigree. E um marido das universidade Ivy League, de Wall Street e do egoísmo sem barreiras. Daisy e Tom Buchanan ostentam o narcisismo patológico dos que nunca tiveram de lutar. Na mansão do lado social errado, Gatsby avista a luzinha verda da casa de Daisy. Essa luz é o que o faz viver. Nick Carraway, o observador do drama, narra o very unhappy end. Scott Fitzgerald escreve como um diabo, ou seja, imoralmente bem”.


Em Cannes, este filme foi escolhido para abrir o festival mas a recepção da imprensa foi de um silêncio sepucral -nem aplausos nem vaias, apenas desprezo. Cannes, talvez como o Festival de Veneza, é a grande montra dos bons filmes e dos grandes realizadores, geralmente que não são sucessos de bilheteira. Tinha que ir ver The great Gastby, o filme. Sabia antes de entrar que iria ser uma desilusão. Posso estar a ser preconceituosa, mas um realizador que escolhe para a banda sonora de um filme, adaptado de um grande livro, o rapper Jay-Z, não combina. Mas queria perceber como aquele público que não deveria saber, na sua maioria, que se tratava de uma das obras primas da literatura americana, estava ali a esgotar a sala. Queria perceber qual o segredo de transformar o livro do F. Scott Fitgerald, que não é um best-seller, mas que foi já várias vezes transformado em filme, ser desta vez um blockbuster. Saí da sala a dizer que se as pessoas não lêem, pelo menos a maioria dos portugueses, mesmo os (as) mais letrados (as), que assistam à forma mais fácil, neste caso, um filme. E se esta é a fórmula de dar a conhecer uma das mais magníficas obras da literatura americana do séc XX, nada há de errado nisso. Provavelmente, estas pessoas que não leram o livro iriam achá-lo uma seca, mas à boa moda de Hollyood, as descrições e os diálogos primorosos, conseguem transformar-se em fogo de artifício visual. 

A comparação do livro com este filme faz lembrar-me de uma história que se passou comigo no Metropolitan Museum. Estava eu a sair do museu, a uma sexta ao fim da tarde onde ia muitas vezes. Nesse dia levava vestida uma t-shirt com a capa do livro The great Gastby que também tinha escrito o nome do autor, F. Scott Fitzgerald. Um segurança para-me e diz-me: “Great t-shirt”. E eu fiquei logo toda emocionada a achar q era um grande elogio, um ameicano a elogiar uma t-shirt de um dos mais espectaculares livros do seu país. Quando ele acrescenta “I´m Scott too”. E pronto! Toda a minha emoção acabou ali. Ele nem sabia quem era o Scott Fitzgerald, quanto mais o que era o The great Gatsby. Para o bem e para o mal, acho que agora já saberá...


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Co-adopção

Há uns tempos lia que muita gente achava a Isabel Moreira uma histérica, principalmente por causa do célebre debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, onde acharam que o tom e voz foram excessivos. Na minha opinião, com uma bancada do contra, como aquela, quem não perderia a pose? Mas de facto, não detesto a voz da Isabel Moreira. A voz que eu detesto é a da Fernanda Câncio. A senhora até pode falar muito bem, escrever muito bem, ter muitos conhecimentos e achar que sabe, mas aquela voz e aquela pose que só lhe falta a mão na cintura, fazem-me apetecer mudar de canal. Eu não aguento ouvi-la muito tempo, principalmente quando o tom aumenta.

O discurso do Marinho Pinto foi ridículo e inacreditável. Se eu não tivesse visto com  os meus próprios olhos, provavelmente acharia que estariam a exagerar. A única coisa que durante todo o programa concordei inteiramente foram os elogios que fez aos pais da Isabel Moreira [Adriano Moreira e Mónica Mayer]. Este homem não parece deste tempo! Este senhor não se pode esquecer que ali não era apenas o Dr. Marinho Pinto mas o mais alto representante dos advogados. E convenhamos que ficou muito mal na fotografia. O auge do ridículo foi quando perguntou a um dos casais de mulheres presentes na plateia: “Tem o direito a esconder um pai às suas filhas?. O Dr. Marinho Pinho sabe que os casais inférteis podem recorrer à fertilização in vitro com um espermatozóide de dador desconhecido?
Claro que todos sabemos e concordamos que uma criança é fruto da fecundação de um óvulo com um espermatozóide  Mas não é isso que está em causa, mas o de garantir direitos a quem não os tem. Esta coisa de podermos opinar em causas alheias é muito bonito e prático. Mas de facto, nós desconhecemos [ou eu pelo menos, falo por mim] o que é criar um(a) filho(a) como tal e ter a remota possibilidade de no futuro não ter qualquer direito sobre ele(a). E encheu-me de orgulho, os partidos mais à direita terem dado liberdade de voto aos deputados que puderam votar em consciência.

Para não falar do discurso pouco científico do  Luís Villas Boas, do Refúgio Aboim Ascensão, e que segundo li é psicólogo. O senhor, com as suas opiniões infundadas, parecia estar preocupado que as instituições como a que dirige ficassem sem crianças e que isso não lhe garantisse emprego no futuro. As crianças precisam de um pai e de uma mãe?! Então as que são criadas parte da vida em instituições como as que dirige? E os filhos de pais que morrem e são criados por apenas um deles ou por família? E aqueles por qualquer outro motivo nunca viveram com os pais? E já agora, se a homossexualidade “se pega”, provavelmente por osmose ou por convívio, de onde “aparecem” tantos homossexuais, na sua maioria criados por um pai e uma mãe heterossexuais?   

A Isabel Moreira, que eu não conheço pessoalmente, mas conheço o que escreve e o que defende, teve uma paciência acima da média a tentar explicar o quão discutível é opinião de quem é contra a lei da co-adopção. Foi clara, aliás, claríssima e deu os exemplos mais concretos de quem esta lei vai conseguir proteger. O Paulo Corte-Real, com a voz linda que tem, é sempre um gosto ouvir.
Aquele pai todo beto que ao defender a sua família com 3 filhos biológicos e 1 adoptado que dizia que este último classificou como uma “estupidez” esta lei. Coitadinho do menino, formatado por estes pais, como poderia ele ter outra opinião? Já está no bom caminho...

Então a queque da advogada que falou contra a lei...pelo amor de Deus!!! Aquela miúda, que não deveria ter mais idade do que eu, se eu fechasse os olhos, teria pensado que era alguém da geração dos meus avós de uma terra algures perdida no interior do nosso país!!!

Para quem não tenha ninguém na família ou amigos que estão confrontados com o problema que esta lei pode salvaguardar, aconselho a leitura do “Expresso” desta semana. Vejam lá exemplos concretos de pais e mães que dois a dois ou duas a duas vão ser tão bons pais ou melhores que muitos casais heterossexuais. Questionem-se sobre a possibilidade de uma criança programada por um casal do mesmo sexo mas que apenas um dos progenitores é pai ou mãe, o que acontecerá caso a essa pessoa morra? Quem teve a infeliz experiência de saber a demora do funcionamento dos Tribunais de família e menores deste país sabe o tempo que que leva a ser tomada qualquer decisão. Todos os pareceres, avaliações e decisões são demorados e ninguém se preocupa o quanto isso poderá afectar negativamente uma criança. Querem convencer-me de como e com quem ficaria essa criança enquanto esperava os resultados de todos os pareceres e avaliações até à decisão final? Esta lei defenderá que pais e mães tenham os deveres jurídicos que devem exercer em relação a crianças que já são os seus filhos , mas que estão terrivelmente desprotegidos, só isso. Há algum mal? Prejudica alguém?

terça-feira, 28 de maio de 2013

Fim de semana

O fim de semana começa com todos a comermos dieta por causa do meu sobrinho mais velho que estava com uma gastroentrite. Quando a comida é igual para todos torna-se mais difícil dizer que não se quer comer. Já medicado não manifestou qualquer dos sintomas durante o dia o que parecia indicar que estava a melhorar. À tarde fui às compras com o meu afilhado (sobrinho mais novo). Passados 5 minutos de chegarmos ao supermercado já estava a dizer que estava cansado... tempo de despachar e sair. Mal sai fora do supermercado faz logo a observação que estão estacionados 2 carros iguais aos do avô V. Aliás, teve a esperança que um deles lhe pertencesse. Sabia que só veria os avós V. e A. Porque tinham ido a um casamento. À hora de jantar estava sempre a perguntar quantas pessoas eram, e se levavam carros (ele adora pedir as chaves do carro a toda a gente). Chegado o padrinho do K., “cravou-o logo, para jogar a umas cartas improvisadas enquanto o K. dava uma lição de “Cars 2” à G. Esteve a ensinar-lhe os nomes de todos os carros!!!! Quando chegou o L., para além dos chocolates que lhes dá sempre, mas que desta vez não puderam comer, ainda foi “cravado” para uma observação médica aos dois pimpolhos. Aparentemente estavam os dois bem. Felizmente, quando foram para a cama, por volta das 10, o jantar ainda não tinha chegado à sobremesa e por isso não viram os bolos. Noite muito bem passada, com muita conversa, muitas histórias, muitos risos, muitos ditados e muitas gargalhadas. No dia seguinte às às 8 da manhã ouvi ao longe a criançada a tomar o pequeno-almoço com o pai. Mais tarde, pouco passava das 10, ouço o telefone a tocar e o mestre dos atendimentos do telefone, o meu afilhado foi desempenhar a sua função. Era o avô V. a perguntar-lhe se queria ir a VV e ele disse que sim mas que antes queria falar com a avó A. Depois do almoço foi dormir a sesta e quis que fosse com ele para lhe cantar a canção do “Cuco” “para toda a gente”. À noite soube que os dois tinham escarlatina, típico das crianças, e que eu só conhecia a palavra da “Ciranda de bailarina” do Chico Buarque. Pouco depois opiniões médicas asseguravam-me que não era nada de grave.

Ciranda de bailarina
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem (...)

Chico Buarque


No domingo à noite comecei a sentir-me esquisita. De noite tive febre, acordei com febre. Não podia ser escarlatina porque infecta principalmente crianças e não tinha nenhum dos sintomas. Fui ao médico e diagnosticou-me infecção vírica... que é um nome para quase tudo. Assegurou-me que hoje estaria melhor com a medicação que me deu... Mas não... as dores de garganta com que hoje acordei eram muito piores e a febre não tinha desaparecido... como se não bastasse, caiu-me um dente... felizmente não é nenhum da frente! E só consegui consulta para quinta. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Jolie’s Disclosure of Preventive Mastectomy Highlights Dilemma

«One of the defining moments in the history of breast cancer occurred in 1974 when the first lady, Betty Ford, spoke openly about her mastectomy, lifting a veil of secrecy from the disease and ushering in a new era of breast cancer awareness.
Now four decades later, another leading lady — the actress Angelina Jolie — has focused public attention on breast cancer again, but this time with an even bolder message: A woman at genetic risk should feel empowered to remove both breasts as a way to prevent the disease. Ms. Jolie revealed on Tuesday that because she carries a cancer-causing mutation, she has had a double mastectomy.
“She’s the biggest name of all, and I think given her prominence and her visibility not only as a famous person but also a beautiful actress, it’s going to carry a lot of weight for women,” said Barron H. Lerner, a medical historian and the author of “The Breast Cancer Wars.”
Breast cancer experts and advocates applauded the manner in which Ms. Jolie explored her options and made informed decisions, saying it might influence some women with strong family histories of breast cancer to get genetic tests.
But some doctors also expressed worry that her disclosure could be misinterpreted by other women, fueling the trend toward mastectomies that are not medically necessary for many early-stage breast cancers. In recent years, doctors have reported a virtual epidemic of preventive mastectomies among women who have cancer in one breast and decide to remove the healthy one as well, even though they do not have genetic mutations that increase their risk and their odds of a second breast cancer are very low.
Ms. Jolie wrote on the Op-Ed page of The New York Times that she had tested positive for a genetic mutation known as BRCA1, which left her with an exceedingly high risk for developing breast and ovarian cancer. Her mother died at 56 after nearly a decade with cancer, though Ms. Jolie did not specify which type. After genetic counseling, Ms. Jolie opted to have both breasts removed and to undergo reconstructive surgery.
Ms. Jolie, 37, who declined to be interviewed for this article, was treated at the Pink Lotus Breast Center in Beverly Hills, Calif., a clinic opened in 2009 by Dr. Kristi Funk, identified on its Web site as a former director of patient education at the breast center at Cedars-Sinai Medical Center in Los Angeles.
Her condition is rare. Mutations in BRCA1 and another gene called BRCA2 are estimated to cause only 5 percent to 10 percent of breast cancers and 10 percent to 15 percent of ovarian cancers among white women in the United States. The mutations are found in other racial and ethnic groups as well, but it is not known how common they are.
About 30 percent of women who are found to have BRCA mutations choose preventive mastectomies, said Dr. Kenneth Offit, chief of clinical genetics at Memorial Sloan-Kettering Cancer Center in New York. Those who have seen family members die young from the disease are most likely to opt for the surgery.
“It’s important to make it clear that a BRCA mutation is a special, high-risk situation,” said Dr. Monica Morrow, chief of the breast service at Sloan-Kettering. For women at very high risk, preventive mastectomy makes sense, but few women fall into that category, she said.
For women’s health advocates, the trend toward double mastectomies in women who do not have mutations is frustrating. Studies in the 1970s and 1980s proved that for many patients, lumpectomy was as safe as mastectomy, and the findings were seen as a victory for women.
Even so, there is increasing demand for mastectomy. Dr. Morrow says that she has often tried to talk patients out of it without success. Some imagine their risk of new or recurring cancer to be far higher than it really is. Others think that their breasts will match up better if both are removed and reconstructed.
Ms. Jolie’s decision highlights the painful dilemma facing women with BRCA mutations.
“She is a special case, and you can completely understand why she did it,” said Dr. Susan Love, the author of a best-seller, “Dr. Susan Love’s Breast Book,” and a breast surgeon. “But what I hope that people realize is that we really don’t have good prevention for breast cancer. When you have to cut off normal body parts to prevent a disease, that’s really pretty barbaric when you think about it.”
Women who carry BRCA mutations have, on average, about a 65 percent risk of eventually developing breast cancer, as opposed to a risk of about 12 percent for most women. For some mutation carriers, the risk may be higher; Ms. Jolie wrote that the estimate for her was 87 percent.
Because the BRCA mutations are rare and the test expensive — about $3,000 — it is not recommended for most women.
But for women with breast cancer who do have mutations, knowing their status can help them make further treatment decisions, like whether to have an unaffected breast or their ovaries removed.
Women who should consider testing are those who have breast cancer before age 50, a family history of both breast and ovarian cancer, or many close relatives with breast cancer, especially if it developed before age 50. Any woman with ovarian cancer should consider being tested, as should Ashkenazi Jewish women with breast or ovarian cancer. Men with breast cancer and their families should also ask about the possibility of a genetic predisposition to the disease.
Because the cancer risks for carriers are so high, women with the mutations are often advised to have their breasts and ovaries removed as a preventive measure. It is generally considered safe to wait long enough to have children before having the ovaries removed, but the operation should be done by age 40, said Dr. Susan M. Domchek, an expert on cancer genetics at the University of Pennsylvania and the executive director of its Basser Research Center, which specializes in BRCA mutations. There is no reliable way to screen for ovarian cancer, and most cases are detected at a relatively late stage, when the disease is harder to treat and more likely to be fatal.
Ms. Jolie said that she herself had a 50 percent risk of ovarian cancer. “I started with the breasts, as my risk of breast cancer is higher than my risk of ovarian cancer, and the surgery is more complex,” she wrote.
Removing the breasts is not the only option, Dr. Domchek said. Some women with BRCA mutations choose close monitoring with mammograms and M.R.I. scans once a year, staggered so that they have one scan or the other every six months. Those tests offer a chance to find cancer early.
For some women, certain drugs can lower the risk of breast cancer, but not as much aspreventive mastectomy.
It is also possible for women who are mutation carriers to avoid passing the gene to their children, by undergoing in vitro fertilization and having embryos screened for BRCA genes. Then, only embryos free of mutations can be implanted.
Ms. Jolie’s celebrity and her roles as a mother of six and a movie star who plays strong women, including the swashbuckling archaeologist Lara Croft, may give her decision far-reaching impact.
Dr. Isabelle Bedrosian, a surgical oncologist at M. D. Anderson Cancer Center in Houston, has been a vocal critic of the trend toward double mastectomy among women who are not at high genetic risk. However, she hopes the decision by Ms. Jolie will focus women on the value of genetic counseling and making informed decisions.
“I think there is an important upside to the story, and that is that women will hopefully be more curious about their family history,” Dr. Bedrosian said. “We need to be careful that one message does not apply to all. Angelina’s situation is very unique. People should not be quick to say ‘I should do like she did,’ because you may not be like her.”».

In "The New York Times", May 14, 2013 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Quem tem medo compra um cão

Nunca acreditei que o Benfica ganhasse ao Porto no Dragão. Mas a verdade é que tinha uma confiança imensa quanto à possibilidade de um empate. A minha esperança era que o Benfica entrasse a jogar para ganhar. A verdade, é que jogamos para empatar. E quem joga para empatar, arrisca-se a perder. Quando aos 60 minutos, o JJ teima em segurar o empate previ que a derrota aconteceria em breve. O medo foi o que nos tramou. A mim não porque eu a perder tanto valia por um como por muitos.... mas essa foi a indicação do JJ quando fez as substituições para segurar o resultado. Se o JJ vai jogar com este medo contra o Chelsea arrisca-se a apanhar poucas...E quando me dizem que se o Benfica não tem sofrido o golo da derrota passados os 90 minutos, não estaria contra o JJ, reafirmo. Mesmo que o Benfica empatasse seria uma crítica. Um candidato ao título não pode ter medo! E como dizia o meu querido avô: "Não fiques triste porque eles ganham sempre!".

Copyright: A bola

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ser benfiquista

Já não me lembrava de andar tão empolgada com o futebol desde que o Benfica foi campeão com o Toni. Nessa altura eu andava no secundário, era sócia do Braga, e fui ao estádio ver o Benfica ser campeão. Eu e quase todos os meus amigos do colégio, benfiquistas ou não. O que eu sei é que o jogo foi no final das aulas, num dia de semana, no estádio 1º de maio e contra o Gil Vicente. Se não me engano ganhamos 2-0. Nesses anos eu era uma adepta ferrenha do Benfica. Dessa época tenho todos os cromos de uma caderneta inteira autografada pelos jogadores!!! Mas também era sócia do Braga e via quase todos os jogos
Hoje, a coisa mudou. Não sou mais sócia do Braga, apesar de estar sempre muito bem colocado na tabela classificativa. Não me reconheço com os adeptos. São demasiado bairristas e pequeninos, bem ao estilo do Porto. Mais parece uma equipa filial do Porto, um Porto-B. Ou não fosse o seu presidente “Dragão de Ouro”. De qualquer das formas, continuo a achar o estádio AXA uma das mais bonitas obras de arquitectura idealizadas por um arquitecto português. Conheço mal a equipa do Benfica mas o meu “benfiquismo” (que mais parece um micróbio) tomou conta de mim e esta euforia de final de campeonato voltou a fazer-me acreditar. De outra maneira, não estaria a equacionar ir ver o último jogo do Benfica contra o Moreirense ao estádio da Luz. Já não me lembrava o que era ver jogos de futebol e sofrer mesmo! Dessa forma, já só sofria pela selecção. Os Jogos do Europeu de 2006 eram todos de manhã ou à hora de almoço quando eu estava em Houston. Cheguei a pedir ao meu chefe para faltar a reuniões. O Europeu de 2012 foi todo sofrido em NY. Ou no meu gabinete em frente ao computador ou em bares. Como ainda n cometo loucuras como ir a Amesterdão  ver a final Benfica-Chelsea, fiquei-me pelo devaneio da final do campeonato. Isto é, se não perdermos no Porto...E como diz uma amiga minha que é tão do Porto como eu sou do Benfica: "Não separe o futebol o que o gin uniu"! Salve!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

valter hugo mãe


valter hugo mãe é o escritor que não usa maiúsculas. Conheci-o há muitos anos através da poesia, quando eu própria descobria esse novo encanto. O valter tinha alguns livros de poesia publicados e era nessa altura sócio e editor da saudosa Quasi. Era daquelas editoras que só publicava o que era bom, sobretudo poesia, mesmo que não se vendessem muitos exemplares. Nessa altura eu procurei por todo lado um livro dele que se chama E o resto da minha alegria, uma frase de uma música da Adriana Calcanhotto, Mentiras. Não encontrei o livro em lado nenhum e resolvi perder a vergonha e escrever ao valter a perguntar onde o poderia comprar. Não sei onde me meter quando estou com as pessoas à minha frente, mas por escrito, tenho toda a coragem do mundo. Passados uns dias, mais rápido do que o que poderia esperar, recebo um bilhete lindo do valter e o livro, que nas palavras dele tinha o prazer de me oferecer. Aquele livro tão tocante e as palavras do valter só para mim atingiram-me para sempre. Escrevemo-nos mais algumas vezes, estivemos juntos algumas vezes e ele continuou, sem motivo nenhum, a ser muito amável e simpático comigo. Mais tarde, foi ele que me deu convites (não só para mim como para os meus amigos) para os lançamentos dos livros Letra só do Caetano Veloso e Algumas Letras da Adriana Calcanhotto. E ainda foi tão gentil ao conseguir-me os livros autografados nas noites respectivas. Essas noites mágicas e irrepetíveis no Teatro do Campo Alegre, no Porto, ficaram para mim, inesquecíveis.

É de uma doçura incrível e acho que tem uma timidez quase tão profunda quanto a minha. Não fiquei surpreendida, quando anos depois, ele teve aquela recepção tão calorosa na Festa Literária de Paraty. Quando vi na internet o video da comoção geral, daquele texto belíssimo que leu, percebi a reacção daquelas pessoas. Quando há alguns dias a Adriana assinava a capa do livro dele, que é a colecção dos relógios dela, ficou surpreendida com aquele livro que é quase uma relíquia e dizia-me: “Ele agora é uma vedeta no Brasil. Adorado!”. Eu sabia. Eu sei.

Foi também através dele que descobri Antony Hegarty, a voz e a alma dos Antony and the Johnsons. Depois  de muitos anos, e de muitos livros, de muitas edições esgotadas e muitos prémios, depois de ser um famoso, consagrado e lido escritor e eu ser uma fiel leitora, para mim será sempre aquele rapaz doce com um sorriso lindo!








terça-feira, 30 de abril de 2013

As actividades dos mais novos


As crianças entre os 3 e os 4 passam a vida a querer calçar os sapatos dos adultos. Está a tentar aprender a apertar os atacadores mas não se tem revelado tarefa fácil. As outras actividades do meu sobrinho mais novo são as cartas e o dominó. Para além disso anda agora com a mania das moedas e pede sempre para atirá-las ao ar como os árbitros fazem. Depois esconde as moedas numa das mãos e está sempre a perguntar qual delas está vazia. Esta semana desequilibrou-se e o evento vai ficar-lhe registado para sempre na testa! Já diz que o "dodoi" é grande mas que mudou para um penso pequenino.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ainda a licenciatura de Sócrates


No Público de hoje:
“O antigo vice-reitor da Universidade Independente (UnI) Rui Verde encontra semelhanças entre os casos das licenciaturas de Miguel Relvas e José Sócrates e pediu a declaração de nulidade do curso do antigo primeiro-ministro, em nome do princípio da igualdade (...) Verde lembra também a avaliação na disciplina de Inglês Técnico, que foi feita por um professor que não era o da disciplina e da qual não existe enunciado. Além disso, a pauta de Sócrates “é totalmente diferente das outras”. O terceiro motivo apontado prende-se com a inexistência do projecto final de curso, obrigatório para a conclusão de licenciatura”.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Mário Soares, o visionário

Este senhor foi o mesmo que há uns anos, sem qualquer noção do ridículo se auto-proclamou candidato presidencial do seu partido contra o outro camarada, Manuel Alegre. Nesse ano teve uma derrota que o devia ter enchido de vergonha.... Mas pelos vistos não... 
E há ainda quem lhe dê tempo de antena. Nunca simpatizei com este homem. Ainda me lembro nitidamente, apesar da minha memória ser semelhante à de um peixe, da campanha presidencial Soares vs Freitas do Amaral. Andava na primária e ouvia “Soares é fixe”. O que me irrita nele é que viveu a vida toda à custa da política, foi o Presidente português que mais viagens fez. Depois, segundo as biografias mais ou menos autorizadas, descrevem-no como um bon vivant e um homem de várias mulheres. Para além de lhe ficar muito bem, como homem de família, dá uma credibilidade desgraçada ao seu conceituado casamento com a Maria Barroso. Depois o tão badalado acidente do filho, que fez a sua mulher reconverter-se ao catolicismo, nunca se soube muito. Nunca se explorou essas ambíguas relações com Angola e se isso tinha alguma relação directa com o seu enriquecimento pessoal. Não percebo também, como a sua própria Fundação, que só serve para os seus proveitos pessoais e para o da família próxima, continua com o apoio do governo português. Foram tão céleres a extinguir a Fundação Paula Rego mas continuam a patrocinar a Fundação Mário Soares...

Este senhor, de fraca memória, deve ter-se esquecido que foi o governo dele nos anos 80 que pediu ajuda externa para Portugal não cair na banca rota. E foi 20 anos depois, o mesmo partido a que ele pertence, que voltou a pedir ajuda financeira. O que me deixa boquiaberta não é a entrevista, mas onde esta foi publicada, num dos mais importantes jornais brasileiros. Este senhor mostra que vergonha na cara é coisa que ele não tem. Uma das coisas que ele afirma é que “Nunca houve tanto desemprego, tanta pobreza, tanta miséria ..”. Este senhor sabe por acaso o que é pobreza e miséria? Ou reparte a sua fortuna pessoal com alguém? Ou a sua fundação é mecenas de alguém??

Mais à frente tem a brilhante afirmação “Eu sou partidário da tese da Argentina e também do Brasil que quando estavam nessa situação disseram: 'nós não pagamos'....”. Este senhor está bom da cabeça? Não pagamos??? Isso é solução? O partido do qual ele faz parte assinou um memorando e agora quer recusar a pagar??

Mais pérolas: “O Serviço Nacional de Saúde quase desapareceu, há gente que não vai aos hospitais porque não tem dinheiro para pagar [as contrapartidas cobradas conforme procedimento]. As universidades, como as de Lisboa, do Porto, de Coimbra, Aveiro e do Minho, que eram reconhecidas pelo nível internacional, hoje não têm dinheiro. Os professores são obrigados a sair e a emigrar”. Este senhor esquece-se de dizer que independentemente de se ser um milionário ou um indigente, caso se necessite em Portugal de assistência médica, paga-se 20 euros por uma consulta e necessários exames complementares de diagnóstico. Também se esqueceu de dizer que o atendimento num Centro de Saúde não ultrapassa os 5 euros. Este senhor já experimentou o sistema de saúde brasileiro ou americano, que quem é pobre morre mesmo?! Deduzo pelas palavras deste senhor, que as universidades públicas que ele cita que são instituições credíveis e de reputação internacional, deixaram de o ser por causa da crise...?

Mais à frente afirma: “Um dos grandes objectivos da Revolução de 25 de abril foi descolonizar...”. A história ainda vai mostrar como a descolonização foi tão bem feita...
Para quem tiver curiosidade, aqui fica o link da entrevista

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Os pais e os filhos


Hoje de manhã li um post da Laurinda Alves que fala tão bem e tão claramente de um assunto que tenho discutido com muita gente. Quem tem família, nomeadamente pais e avós, em algum momento da vida já se questionou sobre isto. Numa época que se lê tantas histórias nos jornais e ouvimos amigos a falar do que se passa nos hospitais, este texto da Laurinda Alves é tão reconfortante:
“O MAIOR PRESENTE DA VIDA? Poder ter os meus pais a morar comigo naquele que é seguramente o último ciclo da vida deles, e podermos todos fazer esta escolha com liberdade e sem aflições. Ou seja, sem ser em estado de emergência, estando eles ainda com saúde e muita autonomia. Não concebo maior dádiva do que esta, e sei que muitos filhos gostariam de poder fazer o mesmo com os seus pais, em vez de os visitarem à pressa na vertigem dos dias ou, pior, de os irem ver ao hospital ou a um lar de onde é impossível não sairmos sempre meio desolados. Confesso que o testemunho que os meus próprios pais deram, quando trouxeram os meus avós para nossa casa, me marcou para o resto da vida. A minha querida-adorada avó Laurinda morreu na sua cama, no seu quarto, em nossa casa, rodeada por toda a família alargada e numerosa. Não consigo imaginar uma morte mais tranquila. Deus queira que este nosso ciclo familiar ainda seja longo e feliz, mas há muitos anos que sonhava com isto. Comove-me a realização deste sonho e se há pais que merecem este suplemento de alegria e ternura, são pais como os meus. E há muitos como eles, felizmente. Amanhã, depois e depois estamos em mudanças. Muito cansativo, mas muito bom."

terça-feira, 23 de abril de 2013

Stories I only tell my friends

Na falta de inspiração e de tempo para escrever algo como deva ser, mas para manter a actividade deste blog, aqui vai uma coisa levezinha. O lançamento do livro do Rob Lowe em NYC há 2 anos, mais coisa menos coisa. 




sexta-feira, 19 de abril de 2013

Olhos de onda @ Casa da Música


Como a própria Adriana diz nunca nada é igual todas as noites. Apesar de ela cumprir um rigoroso alinhamento. Até as piadas obedecem a um roteiro pré-definido. Tudo obedece estritamente a um guião como se de uma peça teatral se tratasse. Adriana Calcanhotto é assim, tudo nela e nos seus espectáculos é pura arte.Basta reparar na pontualidade, no cuidado do figurino, nas luzes, e até na simplicidade do palco onde ela passa quase uma hora e meia.

No Porto, cidade que ela diz "estar no seu destino" (ela é quem sabe), cantou os já conhecidos poemas do Mário de Sá-Carneiro, O outro e Vislumbre. Seguiu-se Eu vivo a sorrir:pro caso de o destino me haver reservado a alegria/ e o meu fado estar fadado a ser a sua sina”. Não parece tão português?

A terceira foi Três, dos irmãos António Cicero e Marina Lima, “ uma das tais que ela gostaria de ter feito mas não fez”: “(...) Trêseu quero tudo o que há/ o mundo e seu amor/ não quero ter que optar/ quero poder partir/ quero poder ficar/ poder fantasiar/ sem nexo e em qualquer lugar/ com seu sexo junto ao mar”.

Inverno, escrita com António Cicero e que nunca falta nos concertos da Adriana, mais referências ao destino, a saudade e ao mar: “...Lá mesmo esqueciQue o destino/ Sempre me quis só/ no deserto sem saudade, sem remorso só/ Sem amarras, barco embriagado ao mar...”. 

O nome da cidade,lindíssima canção que Caetano Veloso  escreveu baseado num livro de Clarice Lispector, A hora da Estrela. Esta canção fala da chegada ao Rio de Janeiro da Macabé que é a personagem central do livro.

A partir daqui começam os habituais monólogos confessionais da Adriana: “Vocês podem perguntar o que é que a próxima música tem a ver com Portugal e eu vou explicar. A Marisa Monte faz de vez em quando um ‘amigo oculto’, um ‘amigo secreto’, isso tem um nome diferente em cada lugar, enfim, é um sorteio...Ela fez o convite onde os compositores faziam composições de um sorteio, do acaso. Ela me ligou dizendo:  “Traga uma melodia, uma letra,  um trecho, um refrão, uma ideia...”. Eu levei o que eu tinha, uma melodia e no sorteio tirei o Dadi que é um autor de melodias, não faz letras. Então eu fui embora e me esqueci do assunto. Um tempo depois, algum tempo depois, eu esqueci logo porque a minha memória é um poço sem fundo. Muito tempo depois, eu estava no camarim no Coliseu de Lisboa pronta para entrar para fazer o espectáculo e me aviaram que o Arnaldo Antunes estava na plateia: “ele quer falar com você porque trouxe  a letra da canção de vocês”. E eu “A letra da nossa canção?!”. Isso tudo para dizer que nós concebemos essa canção em Portugal, no camarim do Coliseu de Lisboa e o Dé Palmeira, meu director musical, é que deu o título à canção: Para lá”.

Cantou também a inédita Olhos de onda quebatiza o alinhamento, qualquer que ele seja, fiz enquanto ensaiava. Além de inaugurar nova safra, o que sempre é motivo de alegria, a canção ajudou a dar o norte do recital. Constatei quando essa canção nasceu que as outras já estavam também falando do que ela fala e da língua portuguesa e do mar da língua e por aí vai”.

Olhos de onda
Ela parece comigo
Nalgumas coisas, doidas
Naquilo que crê não deixar transparecer
Ela parece comigo
Numas pequenas coisas
Gosta da lua cheia sobre a Lagoa
Porque será que ela tem os olhos de onda?
Porque será que ela tem medo de amar
Ela parece comigo
Nalgumas coisas, doidas
Naquilo que crê não deixar transparecer
Ela parece comigo
Numa porção de coisas
Gosta da lua inteira sobre Lisboa
Porque será que ela tem os olhos de onda?
Porque será que ela tem medo de amar?

Seu pensamento foi a seguinte. Para quem ainda tivesse dúvidas que este concerto foi tão pensado para Portugal, como a própria assumiu: “A uma hora dessas/ por onde andará seu pensamento/ Dará voltas na Terra/ ou no estacionamento? Onde longe Londres Lisboa/ou na minha cama?...”.

As confissões continuam com Motivos reais banais: “ Essa é uma das minhas parcerias com o Wally Salomão. Quando ele estava vivo nós trabalhavamos da seguinte forma: ele mandava o poema e eu começava a musicar e aí ele ia fazendo uma modificações. Modificações no vocabulário do Wally eram  apenas acréscimos, ele não fazia ideia o que eram cortes. Ele acrescentava versos, mais 2 veros, mais 3 versos, mais 8 versos, mais estrofes... e não havia como musicar e eu aí dizia “Parou aqui, tudo o mais que você acrescentar você publica no seu livro. Este trecho, de um poema muito extenso dele, eu fiz uma canção pequena que se chama Motivos reais banais.

A próxima canção foi um  poema do Augusto de Campos “que é um poema interactivo, para ser lido na tela do computador. E o Cid Campos, filho do Augusto, musicou esse poema. O que ele diz nesse poema é que após 50 anos de poesia concreta, ele está respondendo na verdade,  aos detractores  que disseram que ele com a poesia concreta ia levar a poesia para um lugar sem saída, ia se encurralar, q a poesia ia se pôr num beco sem saída. E ele fez esse poema lindo para dizer: “É isso mesmo”.

Por esta altura, alguém do lado oposto da plateia gritou, também com o sotaque do outro lado do Atlântico, “Adriana, você é a melhor!”, ao que ela respondeu envergonhada “Agora você me desconcentrou”.

Seguiu-se Tua popularizada por Maria Bethânia e Maldito rádio que contou com um colaborador, que ia mudando de estação de rádio e respectivas interferências. Leva-nos à questão: O que é ou não música? O que é arte? O que é apenas barulho que só polui?...

Devolva-me, não podia faltar mas faltou em Lisboa...

Cantou uma desconhecida, que me apetecia ter tido coragem no fim do concerto, perguntar qual o nome da canção com “você desperdiçou sexo do bom”.

Você não quis
Não deu valor
Que sendo amor de verdade
Desperdiçou sexo do bom
Meu próprio som, silêncio e outras raridades
Que faço eu?
Aonde vou?
Uma dor que me reparte
Aonde for
Para quem eu dou
A flor que em flor se  debate?
....

Para terminar deixou as que toda a gente estava à espera de ouvir:  Esquadros, Mais feliz, Cantada e Vambora.

O primeiro encore foi com Fico assim sem você do seu alter-ego Partimpim e terminou com Maresia, trocou  "um amor em cada porto” por “um amor aqui no Porto” e onde soltou o cabelo e ventoinhas simulavam o vento vindo do mar.

Depois de alguma insistência, La Calcanhotto voltou, não devia estar à espera. O segundo encore parece não ter sido pensado. Ela surge novamente no palco, um tanto ou quanto perdida, ao estilo de discos pedidos: “O que vocês querem ouvir?” E terminou com Ela é carioca e Mentiras.










Olhos de onda @ Culturgest


No livrinho que nos deram à entrada tinha um texto da Adriana:
Adoro o palco da Culturgest. Nunca vou esquecer do meu primeiro concerto em Lisboa, sozinha com minha guitarra e uma audiência mágica, em Outubro de 2000. Na primeira noite caí de amores pela cidade, e por Portugal, dentro dela. Naquela noite fiz amigos queridos e é tudo nítido e intocado na minha memória, em geral bem turva. Naquela noite entrei em Portugal, ou Portugal entrou em mim, vá lá, para sempre, a porta de entrada sendo o convite da Culturgest, por António Pinto Ribeiro. Lembro que no camarim, em um carrinho, haviam garrafas de guaraná do Brasil sem que ninguém houvesse pedido e aquilo me comoveu logo antes de entrar em cena. Lembro também de sentir mais frio do que imaginava. Lembro sobretudo do frio na barriga antes de entrar no palco, que de algum jeito dura até hoje.

De modo que quando recebi o convite para me apresentar no mesmo formato solo, nas comemorações de vinte anos da casa, disse sim na mesma hora. Não tinha um concerto preparado, não tocava há muito, não saberia se conseguiria e até aqui, sinceramente, não sei, mas por isso mesmo. Andava doida para retomar a guitarra, portanto para inventar um roteiro pensado para Portugal, para pegar a estrada, pela janela do quarto, pela janela do carro, trancafiada em quartos de hotel enquanto Portugal está lá fora, tocando compulsivamente para que o concerto seja lindo e inesquecível como só em Portugal pode ser, enfim, o novo convite da Culturgest era tudo o que mais eu podia querer no momento em que ele chegou. Depois pegar a estrada seca, com Diogo ao volante, comer doces de ovos em Aveiro, partir atrás de baleias açoreanas, ir ao Fado e acordar inchada na manhã seguinte para dar entrevistas sem parar, me emocionar cantando meus poetas amados para as pessoas, pensando bem, o que mais alguém poderia querer?(...) Fiz turnês solo, pela Europa, toquei na África, no jardim das esculturas do MoMA, no complexo do Alemão no Rio, em salas antigas, em salas míticas, em ginásios, em espeluncas. Foi sempre assim, tomando e retomando, que convivemos, o instrumento fora de moda no Brasil, e eu.

A retomada desta vez deve-se ao fato de que precisei parar de tocar, o abandono desta vez foi obrigatório, por conta de uma lesão chatinha na mão direita. Exatos um ano e seis meses sem poder tocar sendo que no justo momento em que deveria sair em turnê com O micróbio do samba, punhado de canções que compus e gravei, adivinhem, na guitarra. O óbvio, que seria então não fazer os concertos do álbum, acabei não conseguindo, já que não tive coragem de cancelar os três concertos portugueses agendados e eles acabaram gerando o Micróbio vivo e o resto é lenda.

No mais, como sempre digo, no meu ofício quem comanda são as canções, e não me debato com isso. Gosto, aliás, de ser levada por elas. Então nunca tenho a menor pretensão de ser coerente com um alinhamento adiantado, adiantando que ando tocando aquelas das quais estava com muitas saudades, algumas das quais havia até esquecido, algumas do micróbio do samba, algumas das quais tenho inveja porque gostava de as ter escrito, algumas que escrevi mas foram gravadas por outros artistas, poemas que musiquei, e alguma coisa nova que ninguém é de ferro. Olhos de onda, por exemplo, que batiza o alinhamento, qualquer que ele seja, fiz enquanto ensaiava. Além de inaugurar nova safra, o que sempre é motivo de alegria, a canção ajudou a dar o norte do recital. Constatei quando essa canção nasceu que as outras já estavam também falando do que ela fala e da língua portuguesa e do mar da língua e por aí vai.

De tudo um pouquinho, como a receita da felicidade, deixando sempre aberto o espaço para poetas que me apareçam e para novas canções que podem sempre me arrebatar mais perto da hora ou que podem ser escritas no camarim, sacrificando para isso certezas absolutas no repertório, tudo é possível, graças aos deuses.
Aqui estamos, eu, a guitarra e algumas canções que adoro, nos reencontrando, como se fosse a primeira vez, nos encontrando pela primeira vez quando é o caso, desejando viver mais uma noite "daquelas", no palco querido da Culturgest, antes de por o pé na estrada, enfim. Importante é que aquele frio na barriga antes de entrar no palco sozinha com minha guitarra, permanece, se não aumentou e foi para isso que vim”.

Quem escreve assim, como não esperar o melhor?

Dizem que não há concerto como o primeiro. Começo a acreditar que é verdade.  A primeira vez que vi a Adriana foi há muitos anos, em 2000 ou 2001 no dia 1 de Portugal (24 de Junho), em Guimarães. Estava um dia de calor que tudo parecia derreter. Eu não conhecia o trabalho dela e fiquei a gostar nessa tarde e nessa noite.  Tocou com o António Chaínho e mais um violoncelista e um percurssionista. O concerto foi na Praça de Santiago e enche para vê-la.
Hoje passados mais de 10 anos, a receita voltou a ser quase a mesma. Entra elegantemente vestida de vestido azul petróleo a cobrir-lhe os pés e cabelo preso. Achei o concerto melancólico ou eu é que estou “tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar”.  Apeteceu-me chorar várias vezes. Mas tinha um gajo a ressonar ao meu lado, com a cabeça tombada quase a tocar-me no ombro. Eu, a um metro de distância do palco, passei o tempo envergonhada porque achei que a Adriana ouvisse e visse aquelas figuras.
O alinhamento do concerto, segundo a própria, foi escolhido propositadamente para a estreia em Lisboa. Os dois poemas de Sá-Carneiro “O outro” e “Vislumbre”, não podiam ser esquecidos. Cantou a novíssima “Olhos de onda” que dá o nome ao espectáculo. Canta outra quase desconhecida “Maldito rádio” com um “ajudante” a mudar de estação enquanto ela toca. Não se esqueceu das mais conhecidas "Inverno", “Esquadros”, “Mais feliz”, “Vambora”. O encore terminou triunfalmente ao som de “Fico assim sem você “ e “Maresia” (na qual ela solta o cabelo e um ventilador simula o vento vindo do mar). A Adriana, com quase 48 anos mostra que é como o vinho do Porto.  Eu cortaria o cabelo....mas ela é quem sabe!


Copyright: Hiromi Konishi
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