Oliver Smithies é um dos galardoados com o prémio Nobel em
Medicina, 2007 e que veio dar uma palestra à Universidade do Minho na passada sexta-feira e ontem participou numa conferência com outros laureados na Culturgest. Assistir a uma palestra de um prémio Nobel nunca pode ser
decepcionante. Todas as que vi não foram e esta também não. Este cientista de
88 anos só o aparenta porque as pernas são o seu elo mais fraco. Fala com o
entusiasmo de um jovem. Prende a atenção dos que o assistem. Conta histórias da
infância, da terra onde nasceu, cativa a audiência. Mostra fotos dos originais dos
seus 150 cadernos, onde até hoje, continua a escrever. Considera-se um
cientista de bancada e não um administrador. Os olhos ainda brilham a falar de
ciência. Diz que é muito importante tirar bons apontamentos e escrever o mais
possível de pormenores. Confessa que não almoça. Mas diz que dormir é muito importante.
Muitos dos dias que passa no laboratório são aos fins de semana. Achei
impressionante uma pessoa que tem a juventude mental de um jovem cientista aos
88 anos. Questiona-se com as mesmas coisas e continua a achar que devemos fazer
o que gostamos. Terminou a dizer que a curiosidade dele nunca acaba.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
125 anos de Fernando Pessoa
Sempre que posso tento conhecer lugares, casas, cafés que
foram frequentados por génios. Fico ali quieta a olhar. Perco-me no tempo. Não
dou por ele passar. Fico a imaginar que ali, há alguma coisa especial, uma luz,
uma paisagem, uma inspiração divina para o resultado que nunca morre. Ser
eterno é isto. É permanecer para além da morte. Influenciada pelo 125º
aniversário de Fernando Pessoa, fui conhecer a casa dele em Campo de Ourique.
Sábado, uma tarde maravilhosa, com aquela luz que só Lisboa tem, acreditam que
a biblioteca estava fechada? Resposta de uma funcionária: “Hoje é sábado, está
fechada”. Com um ar que queria ter dito: “com este tempo vem esta gente para
aqui chatear quando deviam estar na praia!”. Não seria suposto uma casa destas
ter a biblioteca aberta ao fim de semana, quando o comum dos mortais só a pode
visitar nestes dias, porque nos restantes trabalha? A coisa começou
imediatamente mal. Mas bastou-me subir ao primeiro andar e ver (mesmo só da
porta de vidro fechada) o famoso quadro de Fernando Pessoa pintado pelo Almada
Negreiros, que esqueci imediatamente tudo. Deixei-me impregnar pelo ambiente.
Entrei no quarto completamente escuro do Pessoa. Ali estava a cama se solteiro,
a cómoda e alguns manuscritos. Sentei-me na cama, não sei se era suposto. E
fiquei ali a olhar, não sei quanto tempo, sozinha. Via apenas símbolos do
Zodíaco e que dali, daquele pequeno quarto tinham saído alguns dos melhores
poemas. Saio, vejo a máquina de escrever, vejo o diploma da escola onde nasceu
e estudou, em Durban. Subo ao 3º andar, o Sonhatório.
Quase tudo ali é interactivo. Podem ouvir-se poemas ditos por artistas
portugueses e brasileiros. Pode ver-se pormenores da vida de Fernando Pessoa.
Numa das salas estão expostos alguns dos objectos pessoais de Pessoa: os tão famosos óculos, um caderno de
apontamentos, um isqueiro de prata. Mas o barulho de uns espanhóis estridentes
tiraram-me a concentração. Nem o meu olhar reprovador os fez desistir. Parecia
que estávamos no circo. Detesto este tipo de pessoas que não tem qualquer tipo
de sensibilidade e só visitam os sítios para poderem dizer aos amigos que
estiveram lá.
Continuei pelas ruas de Campo de Ourique, fui até aos
Prazeres e sentei-me no regresso na esplanada da Canas.Vi passar várias vezes o eléctrico 28, do qual tenho um desenho
original numa das paredes de casa e um no frigorífico. Muitas pessoas
escaldadas do sol, provavelmente vindas da praia, duas senhoras velhotas a
comer amendoins e a beber imperiais. Há melhor? Levanto-me em direcção à Estrela
e não resisto a entrar no eléctrico. Não há melhor! O percurso é lindo. O eléctrico vai até ao Martim Moniz mas eu
fico pelo Chiado. Olho para o nosso poeta maior. Sigo para a Bertrand. Depois
para a Fnac, onde comprei quatro livros do “Nandinho”, como lhe chama a Maria
Bethânia. Regresso ao largo Camões, onde
num dos quiosques peço uma ginginha. Mas é tão bem servida que se continuo a
bebê-la sem comer nada fico logo ali. Entro num café que faz esquina com a Rua
da Misericórdia e peço um pastel de bacalhau. Todos me perguntam o que tenho no
copo! E eu respondo, simpaticamente, provavelmente já tocada pela ginginha, a
todos. O pastel de bacalhau é medonho mas serve o objectivo. Acabo a ginginha,
agradeço amavelmente a todos os que me fizeram companhia no balcão e a quem me
serviu. Saio e é tempo de meter-me num táxi que me levará a Entrecampos onde
jantei tão bem no Sakura.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Os professores
Fiz todos os meus estudos até à universidade num
colégio privado. Hoje não vou debruçar-me sobre as vantagens e desvantagens.
Tive sempre a mesma professora na primária, desde a 1ª até à 4ª classe. Os
métodos dela, para a época (anos 80) e para a idade que ela tinha (entre os 20
e muitos e os 30 e poucos), eram muito severos. Usava o castigo físico em
demasia, ora as orelhas, ora as reguadas com uma régua de madeira, até à
moderna (lançamento inovador na altura)
régua de plástico flexível que nunca partia. A violência física era
transversal, nem os bons alunos escapavam. Ninguém estava a salvo. Gostava de
encontrá-la para lhe perguntar se ainda continua com estes métodos pouco
ortodoxos. Tirando este pormenor (o adjectivo fica ao critério de cada um) era
uma excelente professora no que respeita ao método de ensino. Nessa altura
decoramos o poema, que sei de cor até hoje:
“Batem leve,
levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim”(...)
Adiante, depois no ciclo tive outros professores que
me marcaram positivamente. Uma professora de Português que nos incentivava a
ler fora das aulas e a anotar as palavras num caderno. Os significados eram
adicionados com recurso a um dicionário. Até hoje uso um dicionário. Desde a
primária que nunca dei muitos erros, mas sem dúvida, este método ajudou imenso.
Foi também com esta professora que eu descobri o gosto da leitura. Tivemos
outra, que os meus amigos que andaram no colégio se recordam, que nos obrigava
a fazer cópias em cadernos de duas linhas para termos a letra bonita!
A Matemática, acho que no 8º ano, tivemos um
professor que era Capitão do Exército. Era super engraçado. Corria toda a gente
com negativas mas era muito boa pessoa. E tinha por hábito destruir os livros
de ponto e sujar a roupa toda com giz. Quando fazíamos barulho pegava no livro
de ponto, batia com ele em cima da secretária e gritava: “Calou, porra!”.
Mais tarde, tivemos um professor, também de
português que era padre e Professor na Católica. Adorava latim e Gil Vicente.
Até hoje detesto essa língua morta e Gil Vicente. Contudo, adorava o
“Principezinho” que analisamos até à exaustão. Nessa altura achei o livro muito
desinteressante. Anos depois, reli-o várias vezes e sei trechos de cor. Este
professor proibia-nos de ler os cantos dos Lusíadas referentes à Ilha dos
Amores. Contudo, digo até hoje o primeiro canto: “As armas e os barões assinados/
que da ocidental praia lusitana/ por mares nunca dantes navegados...”. E o “Mar
Português” de Fernado Pessoa é outro dos exemplos que decorei nessas aulas e
que sei até hoje.
O Padre Fernandes foi quem mais nos incentivou à
leitura em voz alta nas aulas. Quase que só fazíamos isso. Lembro-me do dia que
morreu Miguel Torga, foi como se lhe tivesse morrido uma uma pessoa da família.
Adora Eugénio de Andrade. E tinha a maior biblioteca que alguma vez conheci.
Andava sempre com livros e todos eles dobrados e com pequenos papelinhos a fazer
marcações.
Ontem, no dia em que os professores fizeram greve,
que é um direito que lhes assiste, lembrei-me destes meus mestres. Eu lembro-me
nitidamente que os meus amigos que andavam nas escolas públicas, os professores
faltavam muitas vezes. Naquele tempo invejávamos estas baldas...nós nunca as
tínhamos. A verdade é que nos colégios privados não há greves. O que eu tenho a
dizer é que os professores das escolas públicas foram sempre uns privilegiados ao longo dos anos, e agora, como estão a deixar de ser intocáveis usam da pior
arma, não a greve, mas os alunos. Quantas horas trabalhava um professor? Como é
que era avaliado? Os salários sempre subiram, não por mérito, mas por anos de
serviço. Quanto tempo de férias tinham? Era férias no Natal, na Páscoa, 2 a 3
meses no verão... Claro que estão descontente s porque quem não se sente não é
filho de boa gente. Mas o que queriam? Se toda a sociedade portuguesa está a
ser afectada transversalmente, achavam que se mantinham intocáveis? Esse Mário
Nogueira, que só fala e não diz nada, se eu fosse professora tinha vergonha de
o ter como porta-voz. Que experiência de docência tem este senhor? Viveu a vida
toda a receber um ordenado de professor sem sê-lo. E eu termino com o meu agradecimento
profundo aos meus mestres que tanto me marcaram, tendo a certeza que a
profissão de professor é tão nobre.
domingo, 16 de junho de 2013
Grande Alface
O dia começa de manhã para mim, nada habitual ao domingo.
Ontem caí na cama e doía-me todos os músculos das pernas, até os que eu não
sabia que tinha! Isto é o que acontece a quem não anda a pé. Acordei diversas
vezes durante a noite, nada fora do habitual. E às 9 já estava acordada, antes
do despertador dar o toque de alvorada às 9:30. Fui ao Museu Gulbenkian, não
para ver a exposição permanente, mas para ver
a exposição da Clarice Lispector – A hora da estrela. Está nos últimos
dias, e a última vez que estive cá, não coincidiram os horários. Museu cheio de
famílias, turistas, crianças, novos, velhos. E hoje era de graça, coisa que eu
não sabia, mas agradeci! A exposição, tal como Clarice Lispector é invulgar e
sombria, escura. A primeira sala está coberta de frases da autoria dela, e
fotos, a principal delas a destacar um
dos seus olhos, invulgares. A seguinte é parecida mas iluminada. A seguinte tem
a transmissão de uma entrevista, dada pouco antes de morrer, e da publicação do
seu último livro “A hora da Estrela”. Ali são perceptíveis as marcas deixadas
na sua mão direita, provocadas pelo acidente em casa por conta de ter
adormecido com um cigarro aceso. A sala dos espelhos mostra a trajectória das
cidades por onde Clarice Lispector passou, desde a cidade que nasceu, na
Ucrânia até ao Rio de Janeiro, onde morreu. A última sala é constituída de cima
a baixo por gavetas, as quais só algumas abrem. São muitos documentos, cartas,
cartões, e correspondências entre amigos, dos quais se destaca o poeta e
diplomata João Cabral de Melo Neto. É possível ver também carta a pedir ao Presidente Getúlio Vargas a
nacionalidade brasileira, porque apesar de o único país que conheceu como seu
ter sido o Brasil, ela saíra da Ucrânia bebé de colo. As outras espectacularidades
do museu são os jardins e a esplanada da cafetaria. E o clima e a luz de Lisboa
são exemplares para isso.
Segui para o Cais das colunas. Se me perguntarem a minha
imagem preferida de Lisboa, é sentar-me nas escadas que dão para o rio e estar
ali a olhá-lo sem dar pela passagem do tempo. Quando eu conheci o Mississipi
pela primeira vez em Memphis, foi uma desilusão. Eu que achava que o rio era
grandioso ao estilo do Amazonas, das histórias do Tom Sawyer, quando cheguei lá
apareceu-me um rio normalíssimo. Olhar o Tejo do Cais das Colunas [outra das
vistas magníficas é a vista da Fundação Champalimaud] é majestoso. Na semana
passada festejaram-se os 125 anos de Fernando Pessoa. Não existe poema que descreva tão
bem o Tejo como este:
" O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
(...)
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá nã está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
(...)
Pelo Tejo vai-se para o mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
(...)
Ricardo Reis
Depois, como estava próxima, fui à Fundação José Saramago.
Para minha surpresa estava fechada. Pelos vistos fecha aos domingos. Para a
“Presidenta” Pilar que está sempre a reclamar de tudo, era óptimo que
explicasse a lógica de fechar a fundação ao domingo, quando os que trabalham
durante a semana não o podem fazer... Sem querer estragar o meu dia que estava
a ser perfeito, encontrei a felicidade mesmo ao lado. Almoço:caracóis,
sardinhas, uma salada, uma imperial e uma coca-cola na esplanada do “Solar dos
bicos”. E ainda estive a avançar a leitura da biografia da Clarice Lispector.
A
meio da tarde, para desgastar, segui pela Praça do Comércio em direcção à Rua
do Alecrim, não tão íngreme como a Bica... Depois segui pela Rua da
Misericórdia até ao Miradouro São Pedro de Alcântara, que juntamente com o
Miradouro de Santa Catarina e a Graça, é
de tirar a respiração. É quase de
desmaiar de tão lindo! Segui até ao Príncipe Real onde me estiquei na relva. Em
Braga, os jardins são para olhar e não para usar. Este não, toda a gente deitada
nos jardins! E eu que só podia fazer isso em casa dos meus avós, tirei a
barriga de misérias e estive ali a olhar para o céu, a ver as nuvens passar
devagarinho, a ouvir as crianças a jogar à bola, os gritos das correrias,
casais de namorados (as) a ler e a aproveitar o sol, esplanadas cheias,
velhinhos nos bancos do jardim, a olhar as palmeiras e outras árvores que não
sei o nome. Aproveitei para mais leitura e até ao último minuto porque queria
que este dia demorasse mais a acabar.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
O Porto
O
Porto não é uma cidade que escolha ir porque gosto. Vou , como vou a tantas
outras, por necessidade, ou porque tenho lá amigos queridos, porque é a cidade
mais perto onde acontece determinado espectáculo. Ao contrário do que muitos
dizem, que não se passa nada no Porto, a bem da verdade, passa-se muita coisa.
A Casa da Música é das coisas mais activas na cidade. O ciclo de conferências
sobre a América organizadas pela Anabela Mota Ribeiro e pela FLAD foram das
coisas mais fantásticas que vi nos últimos tempos. As quintas de leitura no Teatro do Campo
Alegre, as apresentações na belíssima Biblioteca Almenida Garrett, perdida nos
jardim do Palácio de Cristal. Não me posso esquecer de um dos que considero dos
mais bem localizados museus do mundo, Serralves.
Hoje,
para que os meus amigos queridos não me critiquem tanto por não considerar o
Porto, nem de longe nem de perto, uma das minhas cidades, só vou dizer bem!
Na
mesma semana fui duas vezes ao Porto. Coisa rara. E para quem diz que no norte,
e principalmente no Porto as pessoas são todas simpáticas, enganem-se. Um dos
restaurantes classificado como TOP 10 em Francesinhas, mesmo em frente ao
Coliseu, chamado Santiago, por
favor!!! Fica aqui o aviso. As francesinhas são boas, mas o atendimento!!! Não
de todos, mas unicamente uma senhora que parecia saída da cadeia de Custóias:
cabelo oxigenado, os braços cobertos de tatuagens, t-shirt 2 números abaixo do
que devia, gestos rudes, voz alta e a parecer que estava a fazer-nos um favor.
Continuo
a achar que a degradação de muitas ruas do Porto, que noutras cidades até
parecem pitorescas, nesta cidade, parecem decadentes.
Mas
onde eu queria chegar. O melhor restaurante do mundo (onde comi), depois de um
em Philly e do Nobu em NY, foi o Gòshó.
A
outra sugestão foi-me dada por pessoas diferentes. Uma disse-me que era em
frente à Padaria Ribeiro, outra que
era em frente a uma leitaria. Como eu não reconheço nada, achava que eram
restaurantes diferentes. Era o mesmo, o magnífico Kyoto na baixa. As reservas
todas completas a uma sexta à noite, mas um ambiente cool, despretensioso.
Adorei!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Dia cinzento e frio, a fazer lembrar um dia de inverno,
apesar de estarmos a dias do verão... Depois das obras de instalação do gás
canalizado na semana passada, hoje foi o dia de terminar as arrumações e limpezas.
Eis os despojos das obras!
Passei o dia em casa, vi esporadicamente as comemorações do
dia de Portugal. Hoje e sempre, neste dia, tenho orgulho em ser portuguesa.
Apesar da crise, do desânimo, do desemprego, do mau momento, Portugal tem como
o seu dia, o dia de um poeta. O dia em que morreu Camões é o dia de Camões, dia
de Portugal e das Comunidades Portuguesas no dia todo. Isso não é fantástico?
Ao contrário de muitos países, o dia de Portugal, não é o dia de um rei, de um
descobridor, de um presidente, de um ditador, ou de um cantor... É o dia de um
poeta! Dez de Junho. É fascinante.
domingo, 9 de junho de 2013
Maria Bethânia e as palavras
Entrou no palco ao som de um batuque, com um sorriso
aberto e fez logo uma vénia ao público. Maria Betânia, vestida com um casaco branco comprido e umas
calças pretas que lhe cobriam parcialmente os pés nus. O mesmo colar de todas
as apresentações e pulseiras múltiplas no punho esquerdo compunham o elegante
figurino. Um palco minimalista sem adereços composto apenas por Bethânia, Paulo
Dafilin na(s) viola(s) e Carlos César na percurssão.
Uma sala tão bonita, pequena e
aconchegante como é o Teatro S. João foi a sala perfeita para um espectáculo
como este. Um público que me fez cada vez mais ter orgulho de ser portuguesa.
Um espectáculo que foi sobretudo delicadeza, emoção, silêncios e a voz de Maria
Bethânia a encher o teatro. Fiquei na terceira fila, tão perto do palco que
dava para ver os cabelos cairem quando mexia no cabelo. Maria Bethânia a cantar
é de arrepiar. Mas só a voz, sem o auxílio de nenhum instrumento é o dom dela.
A voz poderosa e grave que parece não precisar de microfone. Mas Bethânia a ler
é impossível de explicar. Ninguém diz poesia como Bethânia. O ritmo, a
cadência, o tom, a encenação. Uma expressão dramática espectacular e gestos
fortes. Uma cantora que escreve todos os dias e adora caderninhos. Tão delicada,
tão educada, tão cerimoniosa, que não se cansou de repetir “Obrigada senhores”.
Leu poemas de Carlos Drummond de Andrade, Sophia, Fernando Pessoa e heterónimos,
Mário de Andrade, Vinícius de Moraes,Guimarães Rosa, António Ramos Rosa e
muitos poetas populares brasileiros. Cantou Caetano, Amália, entre outros.
Maria Bethânia disse: “Criei esta leitura e escolhi
textos que ao longo da minha vida tenho dito nos meus espectáculos de cantora.
Alguns dos senhores que estão aqui hoje já me viram em cena onde ouso e gosto,
também, de me expressar através da palavra falada. Eu gosto de falar, gosto de
emprestar a minha voz à minha vida, às histórias, personagens, aos sentimentos
que os autores nos revelam. Eu sei que ler, ouvir, dizer poesia, hoje, nesse
tempo, nessa correria, nesse desapego, é um desafio. Mas essa ideia me comove e
me atrai(...). Eu fiz essa leitura em vários lugares, sempre recebendo escolas
com seus professores e alunos ou indo até eles, o que para mim, é uma grande
honra. Eu fiz recentemente essa leitura na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Eu
li poesia na casado meu poeta. Poeta da minha vida, fonte para a minha sede,
poeta que sustenta a minha respiração, o ritmo desassossegado do meu coração.
Cantou trechos do poema “Ciclos”, um poema de Nestor de
Oliveira, que foi professor de português dela e de Caetano Veloso numa escola
pública do Recôncavo baiano. “Eu me emociono muito, porque, além da didáctica,
aprendia-se a ler, a ouvir, a dizer poesia. Caetano Veloso, também seu aluno,
foi quem musicou esses versos lindos. E eu falo disso só para lembrar que é
possível, sim, ter uma educação boa e plena nas escolas públicas do Brasil”,
falou.
Noutra das suas confidências declarou: “Felizmente,
podemos ver o extraordinário trabalho de professores que vencem todas as
dificuldades, ultrapassam seus limites e dedicam suas vidas, e com grande prazer
conseguem cumprir tarefa tão nobre: educar. Eu fui aluna de escola pública. Eu,
Maricotinha, recebi a comenda Ordem do
desassossego (conferida pela Casa Fernando Pessoa) em reconhecimento aos
maiores divulgadores da obra de Fernando Pessoa.
Depois de longas palmas e com o público de pé, Maria
Bethânia regressou ao palco: “Leitura não tem bis mas eu estou tão feliz que
vou improvisar”.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
The great Gatsby
Como dizia a Clara Ferreira Alves
há uns tempos quando foram seleccionados os 100 mais importantes livros de
todos os tempos, um dos que ela escolheu foi The
great Gastby: “Não é possível passar pela vida sem
ler este livro. A obra-prima se Scott Fitzgerald é uma apresentação original ao
Sonho Americano. Jay Gatsby veio dos nada e fez-se multimilionário escondendo as
origens judias e os negócios sombrios. Veio do nada para reconquistar uma
mulher que tinha classe, dinheiro, pedigree.
E um marido das universidade Ivy League, de Wall Street e do egoísmo sem
barreiras. Daisy e Tom Buchanan ostentam o narcisismo patológico dos que nunca
tiveram de lutar. Na mansão do lado social errado, Gatsby avista a luzinha
verda da casa de Daisy. Essa luz é o que o faz viver. Nick Carraway, o
observador do drama, narra o very unhappy
end. Scott Fitzgerald escreve como um diabo, ou seja, imoralmente bem”.
Em Cannes, este filme foi escolhido
para abrir o festival mas a recepção da imprensa foi de um silêncio sepucral
-nem aplausos nem vaias, apenas desprezo. Cannes, talvez como o Festival de
Veneza, é a grande montra dos bons filmes e dos grandes realizadores,
geralmente que não são sucessos de bilheteira. Tinha que ir ver
The great Gastby, o filme. Sabia
antes de entrar que iria ser uma desilusão. Posso estar a ser preconceituosa,
mas um realizador que escolhe para a banda sonora de um filme, adaptado de um grande
livro, o rapper Jay-Z, não combina. Mas queria perceber
como aquele público que não deveria saber, na sua maioria, que se tratava de
uma das obras primas da literatura americana, estava ali a esgotar a sala.
Queria perceber qual o segredo de transformar o livro do F. Scott Fitgerald,
que não é um best-seller, mas que foi já várias vezes transformado em filme,
ser desta vez um blockbuster. Saí da sala a dizer que se as pessoas não lêem,
pelo menos a maioria dos portugueses, mesmo os (as) mais letrados (as), que
assistam à forma mais fácil, neste caso, um filme. E se esta é a fórmula de dar
a conhecer uma das mais magníficas obras da literatura americana do séc XX,
nada há de errado nisso. Provavelmente, estas pessoas que não leram o livro
iriam achá-lo uma seca, mas à boa moda de Hollyood, as descrições e os diálogos
primorosos, conseguem transformar-se em fogo de artifício visual.
A comparação
do livro com este filme faz lembrar-me de uma história que se passou comigo no Metropolitan Museum. Estava eu a sair do
museu, a uma sexta ao fim da tarde onde ia muitas vezes. Nesse dia levava
vestida uma t-shirt com a capa do livro The
great Gastby que também tinha escrito o nome do autor, F. Scott Fitzgerald. Um segurança para-me e diz-me: “Great
t-shirt”. E eu fiquei logo toda emocionada a achar q era um grande elogio, um
ameicano a elogiar uma t-shirt de um dos mais espectaculares livros do seu
país. Quando ele acrescenta “I´m Scott too”. E pronto! Toda a minha emoção
acabou ali. Ele nem sabia quem era o Scott Fitzgerald, quanto mais o que era o The great Gatsby. Para o bem e para o
mal, acho que agora já saberá...
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Co-adopção
Há uns tempos lia
que muita gente achava a Isabel Moreira uma histérica, principalmente por causa
do célebre debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, onde acharam
que o tom e voz foram excessivos. Na minha opinião, com uma bancada do contra,
como aquela, quem não perderia a pose? Mas de facto, não detesto a voz da
Isabel Moreira. A voz que eu detesto é a da Fernanda Câncio. A senhora até pode
falar muito bem, escrever muito bem, ter muitos conhecimentos e achar que sabe,
mas aquela voz e aquela pose que só lhe falta a mão na cintura, fazem-me
apetecer mudar de canal. Eu não aguento ouvi-la muito tempo, principalmente
quando o tom aumenta.
O discurso do
Marinho Pinto foi ridículo e inacreditável. Se eu não tivesse visto com os meus próprios olhos, provavelmente acharia
que estariam a exagerar. A única coisa que durante todo o programa concordei
inteiramente foram os elogios que fez aos pais da Isabel Moreira [Adriano
Moreira e Mónica Mayer]. Este homem não parece deste tempo! Este senhor não se
pode esquecer que ali não era apenas o Dr. Marinho Pinto mas o mais alto
representante dos advogados. E convenhamos que ficou muito mal na fotografia. O
auge do ridículo foi quando perguntou a um dos casais de mulheres presentes na plateia: “Tem o direito a esconder um pai às
suas filhas?. O Dr. Marinho Pinho sabe que os casais inférteis podem
recorrer à fertilização in vitro com um espermatozóide de dador desconhecido?
Claro que todos
sabemos e concordamos que uma criança é fruto da fecundação de um óvulo com um espermatozóide Mas não é isso que está em causa, mas o de garantir direitos a
quem não os tem. Esta coisa de podermos opinar em causas alheias é muito bonito
e prático. Mas de facto, nós desconhecemos [ou eu pelo menos, falo por mim] o
que é criar um(a) filho(a) como tal e ter a remota possibilidade de no futuro
não ter qualquer direito sobre ele(a). E encheu-me de orgulho, os partidos mais
à direita terem dado liberdade de voto aos deputados que puderam votar em
consciência.
Para não falar do discurso
pouco científico do Luís Villas Boas, do Refúgio Aboim Ascensão, e
que segundo li é psicólogo. O senhor, com as suas opiniões infundadas,
parecia estar preocupado que as instituições como a que dirige ficassem sem
crianças e que isso não lhe garantisse emprego no futuro. As crianças precisam
de um pai e de uma mãe?! Então as que são criadas parte da vida em instituições
como as que dirige? E os filhos de pais que morrem e são criados por apenas um
deles ou por família? E aqueles por qualquer outro motivo nunca viveram com os
pais? E já agora, se a homossexualidade “se pega”, provavelmente por osmose ou
por convívio, de onde “aparecem” tantos homossexuais, na sua maioria criados
por um pai e uma mãe heterossexuais?
A Isabel Moreira,
que eu não conheço pessoalmente, mas conheço o que escreve e o que defende,
teve uma paciência acima da média a tentar explicar o quão discutível é opinião
de quem é contra a lei da co-adopção. Foi clara, aliás, claríssima e deu os
exemplos mais concretos de quem esta lei vai conseguir proteger. O Paulo
Corte-Real, com a voz linda que tem, é sempre um gosto ouvir.
Aquele pai todo beto
que ao defender a sua família com 3 filhos biológicos e 1 adoptado que dizia
que este último classificou como uma “estupidez” esta lei. Coitadinho do menino,
formatado por estes pais, como poderia ele ter outra opinião? Já está no bom
caminho...
Então a queque da
advogada que falou contra a lei...pelo amor de Deus!!! Aquela miúda, que não
deveria ter mais idade do que eu, se eu fechasse os olhos, teria pensado que era
alguém da geração dos meus avós de uma terra algures perdida no interior do
nosso país!!!
terça-feira, 28 de maio de 2013
Fim de semana
O fim de semana
começa com todos a comermos dieta por causa do meu sobrinho mais velho que
estava com uma gastroentrite. Quando a comida é igual para todos torna-se mais
difícil dizer que não se quer comer. Já medicado não manifestou qualquer dos
sintomas durante o dia o que parecia indicar que estava a melhorar. À tarde fui
às compras com o meu afilhado (sobrinho mais novo). Passados 5 minutos de
chegarmos ao supermercado já estava a dizer que estava cansado... tempo de despachar
e sair. Mal sai fora do supermercado faz logo a observação que estão
estacionados 2 carros iguais aos do avô V. Aliás, teve a esperança que um deles
lhe pertencesse. Sabia que só veria os avós V. e A. Porque tinham ido a um
casamento. À hora de jantar estava sempre a perguntar quantas pessoas eram, e
se levavam carros (ele adora pedir as chaves do carro a toda a gente). Chegado
o padrinho do K., “cravou-o logo, para jogar a umas cartas improvisadas
enquanto o K. dava uma lição de “Cars 2” à G. Esteve a ensinar-lhe os nomes de
todos os carros!!!! Quando chegou o L., para além dos chocolates que lhes dá
sempre, mas que desta vez não puderam comer, ainda foi “cravado” para uma
observação médica aos dois pimpolhos. Aparentemente estavam os dois bem.
Felizmente, quando foram para a cama, por volta das 10, o jantar ainda não tinha
chegado à sobremesa e por isso não viram os bolos. Noite muito bem passada, com
muita conversa, muitas histórias, muitos risos, muitos ditados e muitas
gargalhadas. No dia seguinte às às 8 da manhã ouvi ao longe a criançada a tomar
o pequeno-almoço com o pai. Mais tarde, pouco passava das 10, ouço o telefone a
tocar e o mestre dos atendimentos do telefone, o meu afilhado foi desempenhar a
sua função. Era o avô V. a perguntar-lhe se queria ir a VV e ele disse que sim
mas que antes queria falar com a avó A. Depois do almoço foi dormir a sesta e
quis que fosse com ele para lhe cantar a canção do “Cuco” “para toda a gente”.
À noite soube que os dois tinham escarlatina, típico das crianças, e que eu só
conhecia a palavra da “Ciranda de bailarina” do Chico Buarque. Pouco depois opiniões
médicas asseguravam-me que não era nada de grave.
Ciranda de
bailarina
Procurando
bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem (...)
Chico
Buarque
No domingo
à noite comecei a sentir-me esquisita. De noite tive febre, acordei com febre.
Não podia ser escarlatina porque infecta principalmente crianças e não tinha
nenhum dos sintomas. Fui ao médico e diagnosticou-me infecção vírica... que é
um nome para quase tudo. Assegurou-me que hoje estaria melhor com a medicação
que me deu... Mas não... as dores de garganta com que hoje acordei eram muito
piores e a febre não tinha desaparecido... como se não bastasse, caiu-me um
dente... felizmente não é nenhum da frente! E só consegui consulta para quinta.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Jolie’s Disclosure of Preventive Mastectomy Highlights Dilemma
«One of the defining moments in
the history of breast cancer occurred in 1974 when the first lady, Betty Ford, spoke openly about her mastectomy, lifting a veil of secrecy
from the disease and ushering in a new era of breast cancer awareness.
Now four decades
later, another leading lady — the actress Angelina Jolie — has focused public
attention on breast cancer again, but this time with an even bolder message: A
woman at genetic risk should feel empowered to remove both breasts as a way to
prevent the disease. Ms. Jolie revealed on Tuesday that because she carries a
cancer-causing mutation, she has had a double mastectomy.
“She’s the biggest
name of all, and I think given her prominence and her visibility not only as a
famous person but also a beautiful actress, it’s going to carry a lot of weight
for women,” said Barron H. Lerner, a medical historian and the author of “The
Breast Cancer Wars.”
Breast cancer
experts and advocates applauded the manner in which Ms. Jolie explored her
options and made informed decisions, saying it might influence some women with
strong family histories of breast cancer to get genetic tests.
But some doctors
also expressed worry that her disclosure could be misinterpreted by other
women, fueling the trend toward mastectomies that are not medically necessary
for many early-stage breast cancers. In recent years, doctors have reported a
virtual epidemic of preventive mastectomies among women who have cancer in one
breast and decide to remove the healthy one as well, even though they do not
have genetic mutations that increase their risk and their odds of a second
breast cancer are very low.
Ms. Jolie wrote on the Op-Ed page of The New
York Times that she had tested positive for a genetic mutation known as BRCA1, which left her with an exceedingly high risk for
developing breast and ovarian cancer. Her mother died at 56 after nearly a
decade with cancer, though Ms. Jolie did not specify which type. After genetic
counseling, Ms. Jolie opted to have both breasts removed and to undergo
reconstructive surgery.
Ms. Jolie, 37, who
declined to be interviewed for this article, was treated at the Pink Lotus
Breast Center in Beverly Hills, Calif., a clinic opened in 2009 by Dr. Kristi
Funk, identified on its Web site as a former director of patient education at
the breast center at Cedars-Sinai Medical Center in Los Angeles.
Her condition is
rare. Mutations in BRCA1 and another gene called BRCA2 are estimated to cause only 5
percent to 10 percent of breast cancers and 10 percent to 15 percent of ovarian
cancers among white women in the United States. The mutations are found in
other racial and ethnic groups as well, but it is not known how common they
are.
About 30 percent
of women who are found to have BRCA mutations choose preventive mastectomies,
said Dr. Kenneth Offit, chief of clinical genetics at Memorial Sloan-Kettering
Cancer Center in New York. Those who have seen family members die young from
the disease are most likely to opt for the surgery.
“It’s important to
make it clear that a BRCA mutation is a special, high-risk situation,” said Dr.
Monica Morrow, chief of the breast service at Sloan-Kettering. For women at
very high risk, preventive mastectomy makes sense, but few women fall into that
category, she said.
For women’s health
advocates, the trend toward double mastectomies in women who do not have
mutations is frustrating. Studies in the 1970s and 1980s proved that for many
patients, lumpectomy was as safe as mastectomy, and the findings were seen as a
victory for women.
Even so, there is
increasing demand for mastectomy. Dr. Morrow says that she has often tried to
talk patients out of it without success. Some imagine their risk of new or
recurring cancer to be far higher than it really is. Others think that their
breasts will match up better if both are removed and reconstructed.
Ms. Jolie’s
decision highlights the painful dilemma facing women with BRCA mutations.
“She is a special
case, and you can completely understand why she did it,” said Dr. Susan Love,
the author of a best-seller, “Dr. Susan Love’s Breast Book,” and a breast
surgeon. “But what I hope that people realize is that we really don’t have good
prevention for breast cancer. When you have to cut off normal body parts to
prevent a disease, that’s really pretty barbaric when you think about it.”
Women who carry
BRCA mutations have, on average, about a 65 percent risk of eventually
developing breast cancer, as opposed to a risk of about 12 percent for most
women. For some mutation carriers, the risk may be higher; Ms. Jolie wrote that
the estimate for her was 87 percent.
Because the BRCA
mutations are rare and the test expensive — about $3,000 — it is not
recommended for most women.
But for women with
breast cancer who do have mutations, knowing their status can help them make
further treatment decisions, like whether to have an unaffected breast or their
ovaries removed.
Women who should
consider testing are those who have breast cancer before age 50, a family
history of both breast and ovarian cancer, or many close relatives with breast
cancer, especially if it developed before age 50. Any woman with ovarian cancer
should consider being tested, as should Ashkenazi Jewish women with breast or
ovarian cancer. Men with breast cancer and their families should also ask about
the possibility of a genetic predisposition to the disease.
Because the cancer
risks for carriers are so high, women with the mutations are often advised to
have their breasts and ovaries removed as a preventive measure. It is generally
considered safe to wait long enough to have children before having the ovaries
removed, but the operation should be done by age 40, said Dr. Susan M. Domchek,
an expert on cancer genetics at the University of Pennsylvania and the
executive director of its Basser Research Center, which specializes in BRCA
mutations. There is no reliable way to screen for ovarian cancer, and most
cases are detected at a relatively late stage, when the disease is harder to
treat and more likely to be fatal.
Ms. Jolie said
that she herself had a 50 percent risk of ovarian cancer. “I started with the
breasts, as my risk of breast cancer is higher than my risk of ovarian cancer,
and the surgery is more complex,” she wrote.
Removing the
breasts is not the only option, Dr. Domchek said. Some women with BRCA
mutations choose close monitoring with mammograms and M.R.I. scans once a year,
staggered so that they have one scan or the other every six months. Those tests
offer a chance to find cancer early.
For some women,
certain drugs can lower the risk of breast cancer, but not as much aspreventive mastectomy.
It is also
possible for women who are mutation carriers to avoid passing the gene to their
children, by undergoing in vitro fertilization and having embryos screened for
BRCA genes. Then, only embryos free of mutations can be implanted.
Ms. Jolie’s
celebrity and her roles as a mother of six and a movie star who plays strong women,
including the swashbuckling archaeologist Lara Croft, may give her decision
far-reaching impact.
Dr. Isabelle
Bedrosian, a surgical oncologist at M. D. Anderson Cancer Center in Houston,
has been a vocal critic of the trend toward double mastectomy among women who
are not at high genetic risk. However, she hopes the decision by Ms. Jolie will
focus women on the value of genetic counseling and making informed decisions.
“I think there is an important
upside to the story, and that is that women will hopefully be more curious
about their family history,” Dr. Bedrosian said. “We need to be careful that
one message does not apply to all. Angelina’s situation is very unique. People
should not be quick to say ‘I should do like she did,’ because you may not be
like her.”».
In "The New York Times", May 14, 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Quem tem medo compra um cão
Nunca acreditei que o Benfica ganhasse ao Porto no Dragão. Mas a verdade é que tinha uma confiança imensa quanto à possibilidade de um empate. A minha esperança era que o Benfica entrasse a jogar para ganhar. A verdade, é que jogamos para empatar. E quem joga para empatar, arrisca-se a perder. Quando aos 60 minutos, o JJ teima em segurar o empate previ que a derrota aconteceria em breve. O medo foi o que nos tramou. A mim não porque eu a perder tanto valia por um como por muitos.... mas essa foi a indicação do JJ quando fez as substituições para segurar o resultado. Se o JJ vai jogar com este medo contra o Chelsea arrisca-se a apanhar poucas...E quando me dizem que se o Benfica não tem sofrido o golo da derrota passados os 90 minutos, não estaria contra o JJ, reafirmo. Mesmo que o Benfica empatasse seria uma crítica. Um candidato ao título não pode ter medo! E como dizia o meu querido avô: "Não fiques triste porque eles ganham sempre!".
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
Ser benfiquista
Já não me lembrava de andar tão empolgada com o futebol
desde que o Benfica foi campeão com o Toni. Nessa altura eu andava no
secundário, era sócia do Braga, e fui ao estádio ver o Benfica ser campeão. Eu
e quase todos os meus amigos do colégio, benfiquistas ou não. O que eu sei é
que o jogo foi no final das aulas, num dia de semana, no estádio 1º de maio e
contra o Gil Vicente. Se não me engano ganhamos 2-0. Nesses anos eu era uma
adepta ferrenha do Benfica. Dessa época tenho todos os cromos de uma caderneta
inteira autografada pelos jogadores!!! Mas também era sócia do Braga e via
quase todos os jogos
Hoje, a coisa mudou. Não sou mais sócia do Braga, apesar de
estar sempre muito bem colocado na tabela classificativa. Não me reconheço com
os adeptos. São demasiado bairristas e pequeninos, bem ao estilo do Porto. Mais
parece uma equipa filial do Porto, um Porto-B. Ou não fosse o seu presidente “Dragão
de Ouro”. De qualquer das formas, continuo a achar o estádio AXA uma das mais
bonitas obras de arquitectura idealizadas por um arquitecto português. Conheço
mal a equipa do Benfica mas o meu “benfiquismo” (que mais parece um micróbio)
tomou conta de mim e esta euforia de final de campeonato voltou a fazer-me
acreditar. De outra maneira, não estaria a equacionar ir ver o último jogo do
Benfica contra o Moreirense ao estádio da Luz. Já não me lembrava o que era ver
jogos de futebol e sofrer mesmo! Dessa forma, já só sofria pela selecção. Os
Jogos do Europeu de 2006 eram todos de manhã ou à hora de almoço quando eu
estava em Houston. Cheguei a pedir ao meu chefe para faltar a reuniões. O
Europeu de 2012 foi todo sofrido em NY. Ou no meu gabinete em frente ao
computador ou em bares. Como ainda n cometo loucuras como ir a Amesterdão ver a final Benfica-Chelsea, fiquei-me pelo
devaneio da final do campeonato. Isto é, se não perdermos no Porto...E como diz uma amiga minha que é tão do Porto como eu sou do Benfica: "Não separe o futebol o que o gin uniu"! Salve!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
valter hugo mãe
valter hugo mãe é o escritor que não usa maiúsculas.
Conheci-o há muitos anos através da poesia, quando eu própria descobria esse
novo encanto. O valter tinha alguns livros de poesia publicados e era nessa
altura sócio e editor da saudosa Quasi.
Era daquelas editoras que só publicava o que era bom, sobretudo poesia, mesmo
que não se vendessem muitos exemplares. Nessa altura eu procurei por todo lado
um livro dele que se chama E o resto da
minha alegria, uma frase de uma música da Adriana Calcanhotto, Mentiras. Não encontrei o livro em lado
nenhum e resolvi perder a vergonha e escrever ao valter a perguntar onde o
poderia comprar. Não sei onde me meter quando estou com as pessoas à minha
frente, mas por escrito, tenho toda a coragem do mundo. Passados uns dias, mais
rápido do que o que poderia esperar, recebo um bilhete lindo do valter e o
livro, que nas palavras dele tinha o prazer de me oferecer. Aquele livro tão
tocante e as palavras do valter só para mim atingiram-me para sempre. Escrevemo-nos
mais algumas vezes, estivemos juntos algumas vezes e ele continuou, sem motivo
nenhum, a ser muito amável e simpático comigo. Mais tarde, foi ele que me deu
convites (não só para mim como para os meus amigos) para os lançamentos dos
livros Letra só do Caetano Veloso e Algumas Letras da Adriana Calcanhotto. E
ainda foi tão gentil ao conseguir-me os livros autografados nas noites
respectivas. Essas noites mágicas e irrepetíveis no Teatro do Campo Alegre, no
Porto, ficaram para mim, inesquecíveis.
É de uma doçura incrível e acho que tem uma timidez
quase tão profunda quanto a minha. Não fiquei surpreendida, quando anos depois,
ele teve aquela recepção tão calorosa na Festa Literária de Paraty. Quando vi
na internet o video da comoção geral, daquele texto belíssimo que leu, percebi
a reacção daquelas pessoas. Quando há alguns dias a Adriana assinava a capa do
livro dele, que é a colecção dos relógios dela, ficou surpreendida com aquele
livro que é quase uma relíquia e dizia-me: “Ele agora é uma vedeta no Brasil.
Adorado!”. Eu sabia. Eu sei.
Foi também através dele que descobri Antony Hegarty, a voz e a alma dos Antony
and the Johnsons. Depois de muitos anos, e de muitos livros, de muitas
edições esgotadas e muitos prémios, depois de ser um famoso, consagrado e lido
escritor e eu ser uma fiel leitora, para mim será sempre aquele rapaz doce com
um sorriso lindo!
terça-feira, 30 de abril de 2013
As actividades dos mais novos
As crianças entre os 3 e os 4 passam a vida a querer calçar
os sapatos dos adultos. Está a tentar aprender a apertar os atacadores mas não
se tem revelado tarefa fácil. As outras actividades do meu sobrinho mais
novo são as cartas e o dominó. Para além disso anda agora com a mania das
moedas e pede sempre para atirá-las ao ar como os árbitros fazem. Depois
esconde as moedas numa das mãos e está sempre a perguntar qual delas está
vazia. Esta semana desequilibrou-se e o evento vai ficar-lhe registado para
sempre na testa! Já diz que o "dodoi" é grande mas que mudou para um penso
pequenino.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Ainda a licenciatura de Sócrates
No Público de hoje:
“O antigo vice-reitor da
Universidade Independente (UnI) Rui Verde encontra semelhanças entre os casos
das licenciaturas de Miguel Relvas e José Sócrates e pediu a declaração de
nulidade do curso do antigo primeiro-ministro, em nome do princípio da igualdade
(...) Verde lembra também a avaliação na disciplina de Inglês Técnico,
que foi feita por um professor que não era o da disciplina e da qual não existe
enunciado. Além disso, a pauta de Sócrates “é totalmente diferente das outras”.
O terceiro motivo apontado prende-se com a inexistência do projecto final de
curso, obrigatório para a conclusão de licenciatura”.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Mário Soares, o visionário
Este senhor foi o mesmo que há uns anos, sem qualquer noção do ridículo se auto-proclamou candidato presidencial do seu partido contra o outro camarada, Manuel Alegre. Nesse ano teve uma derrota que o devia ter enchido de vergonha.... Mas pelos vistos não...
E há ainda quem lhe dê tempo de antena. Nunca simpatizei com este homem. Ainda me lembro nitidamente,
apesar da minha memória ser semelhante à de um peixe, da campanha presidencial
Soares vs Freitas do Amaral. Andava na primária e ouvia “Soares é fixe”. O que
me irrita nele é que viveu a vida toda à custa da política, foi o Presidente português
que mais viagens fez. Depois, segundo as biografias mais ou menos autorizadas,
descrevem-no como um bon vivant e um homem de várias mulheres. Para além de lhe
ficar muito bem, como homem de família, dá uma credibilidade desgraçada ao seu
conceituado casamento com a Maria Barroso. Depois o tão badalado acidente do
filho, que fez a sua mulher reconverter-se ao catolicismo, nunca se soube
muito. Nunca se explorou essas ambíguas relações com Angola e se isso tinha
alguma relação directa com o seu enriquecimento pessoal. Não percebo também,
como a sua própria Fundação, que só serve para os seus proveitos pessoais e
para o da família próxima, continua com o apoio do governo português. Foram tão
céleres a extinguir a Fundação Paula Rego mas continuam a patrocinar a Fundação
Mário Soares...
Este senhor, de
fraca memória, deve ter-se esquecido que foi o governo dele nos anos 80 que
pediu ajuda externa para Portugal não cair na banca rota. E foi 20 anos depois, o mesmo partido a que ele pertence, que voltou a pedir ajuda financeira. O que
me deixa boquiaberta não é a entrevista, mas onde esta foi publicada, num dos
mais importantes jornais brasileiros. Este senhor mostra que vergonha na cara é
coisa que ele não tem. Uma das coisas que ele afirma é que “Nunca houve tanto desemprego, tanta pobreza, tanta
miséria ..”. Este senhor sabe por
acaso o que é pobreza e miséria? Ou reparte a sua fortuna pessoal com alguém?
Ou a sua fundação é mecenas de alguém??
Mais à frente tem a brilhante afirmação “Eu sou partidário da tese da
Argentina e também do Brasil que quando estavam nessa situação disseram: 'nós
não pagamos'....”. Este senhor está bom da cabeça? Não pagamos??? Isso é
solução? O partido do qual ele faz parte assinou um memorando e agora quer
recusar a pagar??
Mais
pérolas: “O Serviço Nacional de Saúde quase desapareceu, há gente que não vai
aos hospitais porque não tem dinheiro para pagar [as contrapartidas cobradas
conforme procedimento]. As universidades, como as de Lisboa, do Porto, de
Coimbra, Aveiro e do Minho, que eram reconhecidas pelo nível internacional,
hoje não têm dinheiro. Os professores são obrigados a sair e a emigrar”. Este
senhor esquece-se de dizer que independentemente de se ser um milionário ou um
indigente, caso se necessite em Portugal de assistência médica, paga-se 20 euros
por uma consulta e necessários exames complementares de diagnóstico. Também se
esqueceu de dizer que o atendimento num Centro de Saúde não ultrapassa os 5
euros. Este senhor já experimentou o sistema de saúde brasileiro ou americano, que quem é pobre morre mesmo?! Deduzo pelas palavras deste senhor, que as
universidades públicas que ele cita que são instituições credíveis e de
reputação internacional, deixaram de o ser por causa da crise...?
Mais
à frente afirma: “Um dos grandes objectivos da Revolução de 25 de abril foi
descolonizar...”. A história ainda vai mostrar como a descolonização foi tão
bem feita...
Para
quem tiver curiosidade, aqui fica o link da entrevista.
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