terça-feira, 1 de outubro de 2013
Ser espiritual – da evidência à ciência de Luís Portela
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O rescaldo das autárquicas
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Eleições autárquicas
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
O olhar vazio
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
O Poeta
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Domingo de afectos e arte
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
António Ramos Rosa (1924-2013)
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida num quarto só
António Ramos Rosa, O Grito Claro, 1958
Segundo dia do encontro “Portugal europeu. E agora?
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Lisboa que anoitece
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que “anoitece”»
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| Fotos tiradas do terraço do Bairro Alto Hotel |
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Um café com... Carlos Fiolhais e Carlos Grosso (Escolas do futuro)
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| copyright: Pedro Rocha/Global imagens |
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| copyright: Álvaro Isidoro/Global imagens |
Portugal europeu. E agora?
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| Copyright: Álvaro Isidoro/Global imagens |
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
9/11
Um exemplo a seguir
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Filantropia
sábado, 31 de agosto de 2013
Tudo fica bem quando acaba em bem
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Gaiola dourada
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Últimos dias de férias
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
As férias com crianças
Eu, que estou habituada a viver sozinha e que estou habituada a horários pouco ortodoxos e a ter o meu silêncio diário para ler, vejo-me rodeada do barulho, risos, gargalhadas e brincadeiras de duas crianças de 4 e 5 anos. Com crianças tudo muda. Tudo é feito em função delas.
O toque de alvorada começa a partir das 6:30, mais coisa menos coisa, quando o meu afilhado (sobrinho mais novo) acorda. Geralmente, munido da sua fralda e chupeta, vai enfiar-se na cama de quem ele decide naquela manhã. Eu, que não sou uma matutina, a única altura do ano que acordo espontâneamente e sem esforço, é nas férias na praia. Da cama, o meu afilhado segue para a cozinha, onde normalmente encontra a avó. Segue para o terraço, onde se senta à mesa, como um príncipe, à espera do pequeno-almoço. O irmão, sobrinho mais velho, é o oposto. Para acordar é um castigo! Não há (quase) nada que o demova do sono dos justos! Comem uns cereais que são espectaculares mas que eu evito, a muito custo comer! O mais velho, seguindo as minhas instruções senta-se bem longe de mim para eu não lhe "roubar" os cereais. O mais novo, apesar das advertências, tem pena de mim, e é o tentador: "Ó titi, pega, eu dou-te". O que posso eu fazer?
Vamos para a praia entre as 9:30 e as 10. Eu passo quase todo o tempo a ler, os avós intercalam entre as caminhadas e a vigia dos netos na água. O pai deles é o principal "vigia". Ao meio-dia regressamos a casa onde almoçamos e dorme a sesta quem quer. Eu, que todo o resto do ano não durmo mais do que 6 hrs por noite, na praia dou-me ao luxo de até dormir a sesta. É a única altura do ano que durmo muito e bem, como a maioria dos mortais. O meu sobrinho mais velho não dorme a sesta porque detesta dormir e se dormisse de tarde não dormia de noite. O meu afilhado dorme o sono dos justos de tarde e à noite.
Os camiões do lixo e da reciclagem são as perdições deles. E as vassouras e apanhadores do lixo. Um diz que quando for grande quer ser bombeiro e o outro diz que quer ser condutor de camiões do lixo. O meu afilhado tem como sua companheira preferida, a chupeta, parece a Maggie dos Simpsons. Já o meu sobrinho mais velho tem como companhia as dezenas de lápis de cor e os livros de colorir. À tarde voltamos à praia depois das 5 e só são tirados da água após ultimato. Adoram as bolas de berlim da praia e os pregões: "bolinhas, há com creme e sem creme".
Outra das coisas que os faz delirar é pedir ao avô que imite gatos, leões, pavão e pavoa. Não é para me gabar mas o meu pai é óptimo nisso!
Depois vem a saga dos banhos pós-praia. Levam tudo e mais alguma coisa para tomar banho junto com eles. Habitualmente, dezenas de carros do Cars 2. A seguir vem a saga da sopa diária, antes de se juntarem aos adultos na mesa. É preciso recorrer a todo o tipo de esquemas! Depois do jantar é a hora de irem para a cama, a que muito resistem. A hora de irem dormir implica a leitura de histórias. São eles que escolhem os livros, muitos deles trazidos de casa, e outros tantos comprados aqui na feira do livro. O meu afilhado, no fim da primeira história já dorme profundamente. O mais velho, é bem mais difícil. Várias histórias lidas e nada de dormir. A resistência ao sono tem que ser nossa porque os olhos quase se fecham depois de muitos minutos.
Pela primeira vez em muitos anos não trouxe o computador. Não vejo tv, só leio, como, durmo e descanso!
sábado, 3 de agosto de 2013
A primeira viagem de comboio dos meus sobrinhos
Dia tão esperado: 1 de Agosto! Fomos buscar os meus sobrinhos a casa da mãe, como combinado, às 11. Ainda não lhes tínhamos comunicado a surpresa: iríamos de comboio para o Algarve (que eles há tanto ambicionavam mas só conheciam de me levar à estação quando ia para Lisboa). Inicialmente, para conforto dos mais pequenos pensamos ir de avião mas tivemos que afastar essa hipótese porque a mãe considera-os imaturos para uma viagem de 45 minutos de avião. Como no ano passado já tivemos a experiência penosa de fazer a viagem de carro, não a quisemos repetir. No ano passado demorou-nos quase 12 horas. Conhecemos todas as estações de serviço, todas as casas de banho, todos os parques, todos os estacionamentos de auto.estrada, do norte ao sul.
Apenas com duas mochilas, duas crianças e 2 adultos começamos a aventura. Há uma da tarde em ponto, o nosso querido taxista Carlos (que eu e a C. tão bem conhecemos das nossas aventuras nocturnas), esperava-nos à porta de casa dos meus pais. Os olhos dos meus sobrinhos começaram logo a brilhar: primeira vez que andavam de táxi! Chegados à estação fomos para o Porto nos inter-regionais ("os amarelos que andam devagarinho e param em todo o lado"). Já no Porto, para esperar as quase duas horas que faltavam, omos para uma esplanada. Entre gelados, coca-colas "para os grandes"' livros de colori, lápis de cor e livros, o tempo passou rápido. Já no Alfa pendular ficamos naqueles lugares para 4 pessoas com mesa. Ao passar numa das pontes que separa o Porto de V.N. de Gaia, o meu sobrinho mais velho grita: "Ei, olha ali tantos sinos em NY!!!". Toda a gente à nossa volta riu! A esta altura jáultrapassava as 8 vezes que perguntavam se faltava muito para chegar à praia. Entre pinturas, auscultadores, conversas, perguntas, idas ao bar e à casa de banho e sestas, o tempo passou rápido. Com o entusiasmo próprio das crianças ainda acharam que chegaríamos a tempo de ir fazer castelos de areia na praia... Mas quase às 9 da noite, não nos pareceu viável. A essa hora tínhamos o meu pai à espera em Tunes. Os meus sobrinhos todos eufóricos correram para os braços do avô a contar-lhe as aventuras da primeira vez que andaram de comboio.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
José e Pilar
terça-feira, 23 de julho de 2013
Ser cientista
Sou uma leitora compulsiva desde criança. Aos 3 anos queria aprender a ler e ser grande para saber ler!! Aos 3 anos já riscava paredes e caixas e portas com o meu nome e com os das pessoas que conhecia. Nunca fui uma aluna brilhante porque tinha muitos outros interesses para além do que se aprendia na escola (que no meu caso foi sempre um colégio de padres desde os 6 até entrar na Universidade!!). Desde que me lembro como gente, queria ser médica, mas aos 16 anos percebi que nunca teria as notas necessárias porque não conseguia dedicar-me em exclusivo aos estudos e muito menos deixar de ler outras coisas. Sempre achei que o pior dia da minha vida seria o da defesa do meu Doutoramento. Se não foi o pior, andou lá perto. Nunca pensei que sobrevivesse. Na primeira aula que dei, depois de doutorada, na Universidade do Algarve, eu estava muito pior do que quem me assistia. Nesse dia, para disfarçar a minha timidez, usei o meu humor judeu e expliquei (para quebrar o gelo) que eu sou um exemplo de uma pessoa que nunca foi brilhante mas que chegou onde todos podem chegar quando são brilhantes. Queria Medicina, acabei em Biologia e depois tirei o Doutoramento entre Braga (Universidade do Minho)e Houston (Rice University). Fiz um Doutoramento em Engenharia Biomédica sobre materiais para serem usados em Engenharia de Tecidos ósseos. E quando achei que esta área não podia ajudar tantas pessoas como gostaria (também dei este exemplo numa palestra que dei na Universidade do Algarve) mudei para a área cardíaca. E como sempre sonhei viver em NY, nada melhor que juntar o excepcional dos 2 mundos: ciência no centro do mundo! No tempo que me sobra leio, vou muito a museus, gosto de andar a pé, viajo, adorava fumar mas deixei (ou estou a tentar deixar porque dizem que os viciados são para sempre)... Escrevo muito, todos os dias, mas não ganho pelo que escrevo. Nada é ficcional, nem inspirado. Apenas resultados! “In God we trust, all the others must bring data”.
























