quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Lisboa quase um ano depois

Não me lembro de ter estado tanto tempo sem vir cá. Cheguei ao aeroporto no início da tarde. No terminal 1, o Starbucks ao longe chama por mim. Lisboa de repente, em vez de ser Portugal, parece-me que acabei de aterrar nos EUA. Só eu e os funcionários somos portugueses. Perguntam-me o nome. Parece um dejá vu. Peço um regular iced coffee. E escrevem-me o nome no copo seguido de um smile. Quase ninguém me chama pelo nome. Chamam-me irmã, prima, titi, gaja, Anita, Ana Margarida, Martins, Martinez, Ana Martins, Anocas, Aninhas, Anita. Mas o meu nome que é pequeno, e que tem 3 letras apenas, ninguém me chama. E de repente, ouço o meu nome o maior número de vezes em menor tempo. Soletrado em português. E como se já não bastasse a minha alegria de voltar à cidade que mais amo, o sorriso abre sem que eu controle. Como o gelo é muito, volto para trás porque as minhas mãos estão prestes a congelar. Tento tirar um guardanapos e ouço chamar pelo meu nome, mas não ligo, porque Anas há muitas "sua palerma". Mas como continuam, decido olhar. E estendem-me um cartão que colocam nas bebidas quentes. Nunca ser chamada pelo meu nome me deixou tão feliz. O Starbucks é o que os Estados Unidos têm de melhor. É um sítio democrático. 
Dirijo-me aos táxis. A imagem do inferno. Uma fila gigantesca. Tal e qual como nos Aeroportos nos Estados Unidos. Mais pessoas do que táxis. Debaixo de um calor infernal. O dia mais quente do ano, dizem. A sensação térmica e de ter aberto a porta do forno. Desisto e vou para o metro. As filas para tirar bilhetes são muito menores e rápidas. Existe um funcionário que fala em todas as línguas. Eu sou, mais uma vez, a única portuguesa. Assisto boquiaberta a vê-lo trocar notas com uma amabilidade que desconheço nós portugueses, principalmente os do Algarve. Não lhe digo mas não aguento de tanto orgulho de ser portuguesa, perante esta cena. O metro é de 5 em 5 mns e em 20 minutos vou do aeroporto até aos Restauradores. Estou no início da avenida da Liberdade, ou no fim, dependendo da perspectiva. Os nossos Champs Elysees. São quatro da tarde e Lisboa está mais quente do que nunca. Sigo até à Rua Portas de Santo Antão e depois Elevador do Lavra. Só de olhar para a subida e para a inclinação dá-me um calafrio. Com o mesmo bilhete do metro subo o Elevador. No cimo, CEDOC. Vamos colocar a minha mala no carro. E vamos a um geladinho na Mú no Campo Mártires da Pátria. Depois, como as velhinhas, vamos para os bancos do Jardim do Torel olhar para os telhados de Lisboa que parecem um quadro da Maluda. Como temos um concerto e o lugar não é marcado, first come first serve, combinámos às 8:30 na entrada do Coliseu. Mas antes, comer qualquer coisa. Pensamos no Gambrinus mas a passar na Casa do Alentejo vemos que tem uma loja que vende queijos, presuntos, salpicão. Nada mais adequado. Uma sandes gigantesca em pão alentejano de presunto e uma imperial alemã. A sede é tanta que eu nem espero para comer. Bebo como se não houvesse amanhã. Apesar de ser de noite a temperatura não desce dos 30 graus. Parecemos derreter. Mais uma vez, o atendimento é irrepreensível e mais uma vez somos as únicas portuguesas. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Noite branca

Mesmo sem ter estado pessoalmente em nenhum dos 3 dias,  as opiniões e repercussões são as melhores possíveis. Aquilo que há uns anos era apenas uma noite, este ano foi um fim de semana. E desta vez, acho que nem os críticos têm muito a apontar.Sexta-feira à tarde disseram-me que a cidade estava inundada de gente. Durante o fim de semana, os autocarros circularam em horário extraordinário e de frequência regular. Os grandes concertos incluíram nomes como Carminho, Miguel Araújo, The Gift e Sérgio Godinho + Jorge Palma.  Houve actividades para os mais pequenos que incluía actividades como contar histórias, desenhar em paredes, construir a própria máscara, ofertas de algodão doce. Os museus estavam abertos e de entrada livre. As ofertas gastronómicas eram muitas. Orquestras sinfónicas e música clássica no Theatro Circo, assim como, DJ’s.  Cenas alternativas no GNRation. Danças no Largo São Paulo. Instalações espalhadas pela cidade. Performances. Bandas. Desta vez, parece que não há do que nos queixar. Ofertas para todos os gostos. Gente, muita gente a percorrer a cidade a pé. Uma cidade que foi para os pedestres. Não podemos deixar de aplaudir. O tempo também ajudou. É com estas dinâmicas que Braga se deve transformar. Uma cidade com diferentes ofertas culturais. Uma cidade pedestre, voltada para a rua e para o seu património e mostrar o que de melhor há. Havendo eventos, as pessoas saem à rua. Por isso, os organizadores, estão de parabéns.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Afinal houve golpe, não se consegui "botar" para fora Temer, e a querida saiu

Deixei de ter paciência para discutir sobre o Brasil. Aconteceu o mesmo quando há quase um ano o PS com uma coligação pós-eleições tomou “de assalto” o poder. Nada tenho em comum com este PSD. Mas a verdade é para ser dita. A coligação que ganhou as eleições não foi a que assumiu o poder. Foi, mas chumbaram o governo no parlamento. A história e os pormenores técnicos toda a gente os sabe. Mas os mesmos que tomaram de assallto o poder, os que o defendem e os que acham que esta esquerda é um governo ligitimo, são os mesmo que quando no Brasil se falou pela primeira vez em impeachment apelidaram-no de golpe.

Não sou analista política nem percebo nada de leis e estou apenas a dar uma opinião pessoal. Acho que se alguma vez um governo poderia ter sido destituído, esse teria sido na época da descoberta do “mensalão”. Aquele célebre caso em que o Lula era tão inocente que afirmou desconhecer o esquema e no qual muitos dos seus mais próximos foram presos, incluíndo José Dirceu. Contra o Lula tenho tudo. É uma espécie de Sócrates mas sem o mesmo nível e sofisticação. Acredito que será melhor pessoa. Mesmo depois de tudo, Lula, continua a ter mau gosto, a falar mal português, a precisar de umas aulas de etiqueta e por melhor que se vista e por mais banhos que tome, nunca deixará de ter ar de suburbano. Quando o acusaram de corrupção, os bens que lhe eram atribuídos, não era um apartamento num dos bairros nobres de São Paulo ou na zona sul carioca, mas um triplex nos subúrbios- São Bernardo do Campo. A outra propriedade, digamos mais de veraneio, ao contrário de ser numa charmosa ilha de Angra, Búzios ou Paraty, era na zona costeira paulista, que qualquer pessoa minimamente viajada nunca ouvira falar. Isto para dizer que se o Lula roubou, roubou à sua imagem, mal. Ou seja, nem gosto teve para roubar. Até no acto de roubar é simplório.

Pois bem, Lula saiu e ganhou Dilma. A sua seguidora. Mulher, estudada, imagem da resistência à ditadura brasileira e capaz. Apesar dos seus discursos serem incompreensíveis ou como muitos dizem, de ser numa língua que a própria inventou, “dilmês”. Tenho para mim que o maior erro da Dilma é defender até à morte o seu padrinho político, Lula. Acho que só ganharia se soubesse criar um novo caminho. Foi afastada por um crime que não cometeu. Foi julgada por uma manobra política por senadores que nada têm de juízes. O compadrio, a senzala e os coronéis venceram. A perpetuação do poder parece instalada. A boa e a má notícia é que todos os políticos poderão concorrer nas próximas eleições.

Mas depois surge-me a grande dúvida: as pessoas que apoiam o PT e a Dilma  (e o Lula) são as mesmas pessoas que estiveram caladas perante a ditadura de Cuba, os mesmos que contrataram e apoiaram a ida de médicos cubanos para o Brasil a pagar-lhes menos de que aos médicos brasileiros (os médicos cubanos recebiam uma parte e o governo cubano outra); são os mesmos que apoiaram a subida de Chavez ao poder e os seus grandes amigos; são os mesmos que se calam e assistem impávidos e serenos à vergonha que se passa na Venezuela onde falta tudo; os mesmos que apoiam o Evo Morales... Assim sendo, como é que eu posso escolher um lado?

O Presidente Temer, que não foi eleito pelo povo mas que a constituição brasileira permite que seja presidente vai se-lo durante os próximos 2 anos. Um Vice-Presidente que traiu desta maneira a sua Presidente não lhe espera um futuro muito risonho. Vende-se por pouco. E deixa ficar mal os seus colegas da grande disciplina que é o Direito, a Universidade do Largo São Francisco e o título de Doutor que não honra. Colherá o que semeou. Como o ciclo da vida. "Não há mal que dure sempre nem bem que nunca acabe". E depois tem ainda o defeito triste dos homens que não sabem envelhecer: a necessidade de ter ao seu lado uma barbie com idade para ser sua neta.

Todos, acusados ou não, culpados ou não, julgados ou não, arguidos ou reus, vão poder candidatar-se nas próximas eleições. O que é um pronúncio muito optimista, não haja dúvida. Num país onde não existe vergonha, todas estas pessoas não terão qualquer problema em voltar a candidatar-se. Evangélicos, religiosos, palhaços, analfabetos funcionais, pessoas capazes das cenas tristes que foram divulgadas ao mundo do Congresso brasileiro.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A amizade

A amizade, como o amor, não se explica. Há quem diga que tem muitos amigos. Eu não. Há quem diga que as amizades não acabam. A minha experiência também me diz que pode, sim,  acabar. O que é verdade numa amizade, ao contrário do amor, é que nunca se fica a odiar a outra pessoa, apesar de tudo. Mas eu também não odeio ninguém, seja porque motivo for. Esse sentimento nunca tive por ninguém. Nunca tive muitos amigos. Dizem que não gosto de quase ninguém, a esse ponto. Dizem que gosto pouco de pessoas. Gosto muito de algumas pessoas.  E os meus amigos são aqueles a quem eu dei uma oportunidade. Às vezes em situações difíceis, que não me envolviam, tentei ajudar usando o meu humor judeu. Isso já me valeu o afastamento de algumas pessoas por quem eu tive que lutar. O que é uma verdadeira amizade? Quando damos conta que o tempo passou, e que apesar da distância e da rara convivência, a intimidade permaneceu. É não ter capas. É falar verdade. É ser transparente. Mas não há regras nem fórmulas.

Durante muitos anos, os amigos que me acompanharam e partilharam a vida, vivíamos como se não houvesse amanhã. Dançávamos, coisa que nunca fiz em público a não ser que a concentração alcoólica fosse alta. Fumávamos sem conta e sem limite. Fizemos muitas loucuras. Nunca nos cansávamos. Tínhamos asas muito grandes. Fizemos interventions uns aos outros. Testámos os nossos limites. E isso passou. Há um tempo para tudo. Hoje, alguns, permanecem.

Tenho amigos de cá e de além-mar. Amigos malucos, neuróticos, chatos. Amigos com pinta. Amigos que não gostam de ler e que gostam de ler. Amigos que tocam piano.  Amigos de todas as horas. Amigos que choram no meu ombro e no meu colo. Amigos que já me viram chorar e com quem chorei ao telefone. Amigos que me ampararam as quedas e os tombos. Amigos que me salvaram a vida mais do que uma vez. Amigos que são irmãos. Amigos que me dão sobrinhos. Amigos que se riem do meu humor judeu. Amigos que se desfazem e que “estão tão à flor da pele que qualquer beijo de novela os faz chorar”. Amigos que perdoam. Amigos que pedem desculpa. Amigos que se esquecem. Amigos que contam e guardam segredos. Amigos que se expõem e que não fingem. Amigos que não se fazem de fortes. Amigos sinceros e honestos. Amigos com corações muito grandes. Amigos com coração sem tamanho. Amigos que me dizem que me adoram. Amigos que eu reconheço as mãos no escuro.  Amigos que nunca me abandonam e que já me abandonaram. Amigos que vão e que ficam. Amigos mega, tera, giga bons. Amigos que acreditam. Amigos que respeitam. Amigos que se fazem de fortes. Amigos que cantam e que pintam. Amigos que ouvem e que falam. Amigos de todas as horas e de todos os dias. Amigos íntimos e mais afastados. Amigos sem definição.

É assim que eu queria que os outros me descrevessem quando morresse: uma boa pessoa, uma grande amiga que sempre fez bem. Este é o meu objectivo maior.


domingo, 28 de agosto de 2016

A pessoa que escolheu apenas (sobre)viver

Passaram-se 21 meses e 15 dias desde que ele se foi embora. Sem uma explicação. Sem um pronúncio. Sem uma sugestão. Sem nada que indicasse um fim.  Tudo é “eterno enquanto dura”. Ela escolheu ser infeliz. Uma eremita. Uma anti-social. Uma Greta Garbo (que não vive em NY). Fechou-se para a vida. Só se pergunta o que fez de errado, como se houvesse (alguma) ciência nos finais. Podia ter optado por sair todas as noites até de manhã e dormir de dia. Sendo livre, podia abraçar toda a gente. Tinha a liberdade de escolher com quem sair. Bebia todas. Pedia uma bebida e traziam-lhe uma bandeja. Saía como se não houvesse amanhã. Beijava bem. Não era de ninguém. Tinha sempre o copo cheio, pela madrugada dentro, até ser dia. Até que sentia-se mais sozinha com o passar do tempo. Era mais uma no meio da multidão. Agora, não perde tempo a conhecer ninguém. Como se tempo não fosse o que mais tem.

Tem vivido o inferno de Dante. Não vive no presente, só no passado. Não tem futuro. Deixou de saber conversar. Só frases curtas e soltas. Toda a gente desistiu dela. Ninguém aguentava (mais) aquela depressão. Aquelas frase feitas. O pessimismo. A crítica ao ser humano. Cansaram-se de que lhes pedisse espaço. Não deixa que tomem conta dela. Nem que se aproximem. Os amigos desapareceram. Depois os colegas. Depois os conhecidos. Depois os que acabava de conhecer. E no fim, ficaram apenas os cães, que não cobram nada.

Não consegue distinguir a pessoa que foi nem na que se tornou. A irracionalidade tolheu-lhe o juízo. Não consegue mais ver o lado mais bonito de si. De como é bonita por dentro e por fora. O que ela sente é uma tristeza sem fim. Tem estado muito doente. Os médicos dizem-lhe para fazer o que lhe apetecer. Mas nada lhe apetece. Passa os dias a olhar o céu e o mar. Olha para o infinito. Vive de memórias. Ele não lhe sai da cabeça. Acha que amar sozinha também vale. Melhor um monólogo que nada. Vive de migalhas. O coração, esse orgão tão físico e tão complexo só lhe dá (falsas) esperanças e (falsos) sinais. O coração é o mais irracional dos orgãos. A razão mostra uma coisa e o sentimento indica a direcção contrária. A esperança que não cessa. Apesar do tempo que passou, não consegue entender a palavra fim. E que essa palavra, segundo as estatísticas, não tem continuação nem (re)começo. Não conseguiu mudar a página.Talvez um dia consiga reparar, dentro dos seus olhos cor de amêndoa, no instante que passa. A vida é uma viagem curta. Sente-se a morrer por dentro. As lágrimas não param de lhe cair. E todos os dias as seca. Os diamantes duram para sempre mas as pessoas não. Mas agora, ela (apenas) conta as horas e os minutos para que a morte chegue.

Coração bordado em tela by Daniela Ktenas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MICHIZAKI

Doze de Julho de 2016

Aproveitámos para comemorar o regresso da C. e do F. ao mundo depois de terminarem a escrita e a entrega das teses de doutoramento. O pior, segundo a maioria diz, está feito. Para mim, o pior, que é a defesa pública, ainda está para chegar. Felizmente para eles, que discordam de mim, a defesa será peanuts. Como nós arranjamos qualquer desculpa para festejar, o que quer que seja, fomos ao Michizaki. Ao contrário da maioria dos restaurantes japoneses all you can eat que servem os clássicos sushi, sashimi, crepes, temaki, katsu... em alguns restaurantes encontra-se ramen (mas não em Braga). Os melhores que experimentei em Portugal são o Gosho e um que acho que já fechou em Lisboa que era na R. da Misericórdia: UMAI.

Este Michizaki é pequeno. Convém reservar mesa. Tem um balcão onde se vê os chefs a preparar os pratos. Tem uma decoração minimalista e bem conseguida. Tem umas cadeiras lindíssimas e alguns bonsai. Não parece um restaurante mas um bar. A ideia é de degustação. Tudo é servido em pequenas doses (3 ou 4 unidades). Tem um boa carta de bebidas. Eu escolhi uma sakerinha (uma espécie de caipirinha com sake com pouco ou quase nenhum açucar). Pelo menu percebemos que existem diferentes opções para o almoço e para o jantar, incluindo o almoço, as famosas bento box. O que nos despertou o interesse foi saber que havia Tokoyaki  (uns bolinhos com polvo que são servidos a escaldar). Foi o que mais comemos. Experimentamos diferentes tipos de sashimi. De ressaltar que a variedade de peixes era maior que a normal e que a qualidade era perfeitamente distinguível. Comemos ainda uma massa vegetariana e pickles japoneses (que estavam maravilhosos). Eu comi ainda uma sopa miso.

O serviço é rápido. A espera entre os pratos mesmo quando se pede para repetir é muito aceitável. O ambiente é agradável. O espaço tem bom gosto. Produtos de óptima qualidade. Vale muito a pena. Não é barato nem nada que se compare (para se ficar satisfeita e eu como pouco): + 30 €/pessoa. Não é para desanimar nem para demover a vontade de experimentar. O preço é alto, mas justo. Para a qualidade e a experiência é um must go.



Copyrights: Braga Cool e Michizaki.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um banho de humildade

Tudo na minha vida profissional sempre me indicou que não podia ser (demasiado) optimista. Quando achei (alguma vez) que tinha alguma coisa para o ser, o universo encarregou-se de mostrar-me o meu devido lugar. Fiz um doutoramento sem nunca ter tido uma bolsa da FCT. Perdi as vezes que concorri e não tive. Acho que bati o recorde: no número de vezes que alguém concorreu e que não conseguiu. Podia entrar para o Guiness. Talvez tenha sido esse facto que treinou a minha paciência e a minha “não desistência”. Nunca desisto de nada antes de achar que acabou. A célebre frase: “se o fim não foi bom é porque não acabou”. Depois, quando acabei o doutoramento, uma ideia revolucionária dada por um grande amigo e a leitura obsessiva sobre o assunto durante um mês, resultou numa das maiores alegrias da minha vida profissional: uma bolsa de pós-doutoramento da FCT. Essa bolsa permitiu-me arriscar numa nova área, viver na cidade que sempre quis, trabalhar com quem quis e evoluir. Comecei de novo. Do zero. E com isso, com todo o banho de humildade de aos 31 anos começar a (re)aprender tudo de novo. Sem vergonha de questionar, de não saber, de pedir. Ao contrário da maioria dos pós-docs do meu laboratório, fui para fora e apostei numa nova área. Com todos os contras que isso implicava, teve as suas vantagens: ensinou-me muito e permitiu-me independência. Perder a vergonha foi o maior ensinamento. E o outro foi acreditar nas minha capacidades. A minha auto-estima profissional cresceu muito. Quando o elogio vem de pessoas que defendem e acreditam na meritocracia, esse é o desfecho.


No ano passado concorri pela primeira vez a Investigador FCT. A saga das rejeições regressou. Não tive. Este ano concorri novamente. Passei à segunda fase. Um dia antes das férias recebo o veredicto. Foi a maior pancada profissional deste ano. Foi um KO imediato. Não o resultado mas o comentário. Para mim, não existe nada pior do que a crítica injusta. Aceito (quase) tudo mas não lido bem com a injustiça e a ingratidão. Nesse dia fui para casa e fechei-me. Uma amiga disse-me “Podes gritar. Eu deixo-te”. Não consegui. Nem  gritar nem chorar. Mas uma dor imensa tomou conta de mim. É nestas alturas, em que o nosso ego é posto em causa, que vacilamos e descemos à nossa humilde condição de humanos. Olhamos em frente, relativizamos e descobrimos que a melhor maneira de continuar é não nos levarmos muito a sério. Por cada vitória e conquista teremos sempre uma proporção imensa do outro lado da moeda. A vida é assim. E a melhor recuperação é pensar sempre que não há nada como dormir porque amanhã será outro dia.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Cumpriu-se Portugal

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Este foi o poema de Fernando Pessoa do livro “Mensagem” que saiu no meu exame de Português no 12º ano. Começámos pequenos, com a conquista do que é agora Portugal aos Mouros. Fomos grandes na época dos Descobrimentos, que apesar de todo o mal causado aos povos nativos, teve o mérito de espalhar a língua portuguesa pelo Mundo. Tivemos as invasões Napoleónicas. Sobrevivemos e resistimos. Um grande português deu a independência ao Brasil (Grito de Ipiranga). Demos a independência a Goa, Damão e Diu, Timor e a todas as colónias de África. E finalmente Macau. Voltamos ao pequenino que sempre fomos. Não sendo, como se dizia no tempo do Estado Novo que Portugal era “do Minho a Timor”, mas do Minho ao Algarve (Portugal Continental) e ilhas (Açores e Madeira).

Os franceses demonstraram mau perder. Acreditavam que já estava ganho. O autocarro já estava pronto. A Torre Eiffel que sempre se iluminou com as cores da bandeira nacional que ganhara, apagou-se. Ganhar é bom mas saber perder é uma virtude. Um país a achar que era superior...

Pelo Ronaldo que saiu pequenino da Madeira que teve uma infância mais do que humilde e que, como a mãe, sonhou o sonho de ser feliz. Ele é o exemplo para muitos meninos espalhados pelo mundo. E a mim, particularmente, faz-me acreditar que tudo é possível e que nada está predestinado à nascença. Um menino que disse em tempos à sua mãe:  “A mãe que não chore. Quando for grande, vou ganhar bastante dinheiro. Vou comprar uma casa e tirar a mãe do trabalho”. Dizem que todo ele é força de vontade e muito trabalho. E um homem bom.

Pelos portugueses espalhados pelo mundo que já ouviram uma piada/crítica/comentário xenófobo, pelos emigrantes que algum dia foram humilhados, pelos portugueses que fazem sucesso, pelos muitos que brilham, pelos muitos estudantes, pelos que trabalha arduamente e honestamente. Isto também é a vitória deles.

Como diz Fernando Pessoa “a minha pátria é a minha língua”, talvez seja isso que une os portugueses espalhados pelo mundo. Dizem que somos 11 milhões, mas somos mais. Mundial ou um Europeu como o deste ano, só vivi o de 2004 ou quando estava nos EUA. Nessa altura que me senti uma emigrante. Privilegiada mas emigrante. Estar longe da pátria. E quando se está longe é quando mais se sofre e quando mais se ama. Saudade, essa palavra tão portuguesa que não tem tradução.

Como escreveu uma grande amiga “Porque já estive lá fora e sei a falta que o nosso país nos faz e a alegria que é quando aterramos em casa. Pode ser futebol e 11 malucos com a bola nos pés, mas hoje é uma alegria que dão aos 11 milhões. Aproveitemos. E acreditemos que conseguimos. No futebol e na vida”. É (só) isto! Ontem e hoje. “Sonhar é grátis”, como disse o Ronaldo. Só vacilei quando ele saiu lesionado. Aí achei que estava tudo perdido. Mas os 11 em campo, apoiados pelos milhares no estádio e milhões em Portugal e espalhados pelo mundo, continuaram a acreditar. Se não tivéssemos ganho não seria o mesmo. Mas o sentimento de gratidão seria igual. É (só) futebol. Mas sonhar e acreditar que é possível é a melhor metáfora da vida.

Ganhámos contra tudo e contra todos. Dizem que jogámos mal, que não merecíamos. Pelos que nos chamaram nojentos, que nunca acreditaram que seria possível, que nos criticaram, que falaram mal, que nos consideraram menores, que só sabíamos construir casas e ser porteiras, que nos humilharam. “Não importa se jogamos bem ou mal, o que importa é levar a taça para o nosso Portugal”.  

Que esta vitória sirva para termos orgulho e acreditarmos sempre. Nada é impossível. E como dizia alguém: “O céu é o limite”.

E domingo, merecidamente, com justiça e pelos portugueses espalhados pelo mundo, ganhamos! Demonstramos união e espírito de missão, e isso é quase tudo! E no dia seguinte fui de directa trabalhar, depois de muito festejar e de o barulho na minha rua não ter terminado até de manhã. No dia 10 de Julho cumpriu-se Portugal! Obrigada!














quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sonhar é grátis

Quando tudo corre bem, todos falam bem. Mas a verdade é que esta selecção ouviu de tudo desde o início do EURO 2016: a equipa não era forte, não tinha suficientes valores individuais, CR7 não estava ao melhor nível, não jogava um futebol bonito, teve sorte,quem mandava na selecção era o Jorge Mendes e a Nike, o Messi é que é, Fernando Santos não é um bom treinador... Talvez por excesso de críticas, desde o início, acreditei nesta selecção. Não sei exactamente o motivo. Não jogávamos bonito mas éramos eficientes. No final era sempre a sensação de dever cumprido. Temos um seleccionador que antes de ser um grande treinador é um senhor e um grande ser humano. Um homem cheio de valores e que acredita e mima a sua equipa. Os jogadores parecem estar mais unidos que nunca e parece que querem tanto ganhar quanto os adeptos. Não sei o que me fez acreditar que estaríamos na final. Mas acho que estes jogadores merecem e os portugueses também. 

Numa época que estamos tão cheios de maus exemplos, de crise, de austeridade, de má governação, de más notícias, de roubalheira, de fuga aos impostos, temos um CR7. Um jogador que não desiste de investir em Portugal. Vejam o último CR7 Hotel. Vejam o encanto daquela família. Um jogador que apesar dos milhões que ganha não quer ser (só) milionário basta-lhe ser rico. Não foge aos impostos. Não foi apanhado nas listas dos paraísos ficais, por exemplo.

Quando vimos o primeiro golo de CR7, o que pensamos é que desafiou as leis da física. O que muitos o acusaram, de não estar ao seu nível nos jogos anteriores, culminou no grande primeiro golo e na assistência para o segundo. E o que é mais bonito? O melhor do mundo (ainda) chora! E diz coisas tão simples e tão tocantes como: “Sonhar é grátis”. #JesuisPortugal!


 Se fosse a escolher quem quero na final preferia a França para o “acertar” de contas quando fomos eliminados por causa de uma suposta mão do Abel Xavier. Ainda se lembram? Principalmente para alegria dos milhares de emigrantes portugueses França e que vão encher Paris no Domingo. E depois para todos os portugueses em Portugal e espalhados pelo mundo. Que alguma coisa nos faça alegres por algumas horas. O tal do sonho. Sejamos grandes por um dia!









quarta-feira, 22 de junho de 2016

Cristiano Ronaldo

O Cristiano Ronaldo não precisa que o defendam. Mas num mundo como o que vivemos, que é muito mais fácil criticar do que enaltecer, e muito mais fácil humilhar do que aplaudir, junto-me ao grupo daqueles que não esquecem os feitos deste grande jogador.

Não podemos nunca esquecer qual a origem do Ronaldo e que faz dele um grande exemplo. Um menino de uma zona muito pobre da Madeira que tinha, se não fosse o seu enorme talento e trabalho, um destino comum ao de tantos outros. No entanto, ainda menino foi para Lisboa onde se formou nas escolas do SCP e antes do 20 anos era já jogador do Manchester United. Depois, tornou-se numa das mais caras transferências de sempre do futebol quando se transferiu para o Real Madrid. Este jogador pago a peso de ouro, ajudou toda a família, amigos e muitos mais. As irmãs e a mãe têm mais do que uma mala Birkin que custam mais de cinco milhares de euros, numeradas e feitas manualmente. Ele faz com que os sonhos dos seus mais próximos se concretizem como se da lâmpada de Aladino se tratasse. O Ronaldo nas passagens de ano manda fechar o Ritz do Funchal a família e amigos. Aluga barcos e aviões. Paga férias de luxo aos que mais gosta. Tem casas em Madrid, Lisboa, Gerês, NY e Algarve, só para dizer algumas.

Sei de muitas doações que faz anonimamente a crianças e adultos vítimas de cancro e doenças raras. Já todos vimos as muitas acções que faz quando alguém lhe pede uma camisola ou alguém que contra tudo e todos quer com ele tirar uma selfie.

Assume e tem orgulho da família que tem, tem nela o seu exemplo e a sua maior força, vive orgulhosamente com a família. E depois, é unânime o que dizem sobre ser um profissional exemplar, metódico, correcto, trabalha sempre muito, mais e melhor.

Há 12 anos quando estava a tirar o Doutoramento em Houston ia frequentemente a uma loja de conveniência e um dos funcionários adorava o Ronaldo. Naquela altura ainda não era o astro mundial de hoje mas esse rapaz já lhe previa um grande futuro. Tinha uma camisola dele da selecção portuguesa. Lembro-me que nesse ano foi o Mundial de 2006 na Alemanha e a diferença horária era de 6 horas. Os jogos eram sempre de manhã ou à hora de almoço. Só quem está fora do país é que sabe do que é que falo. Não se explica por palavras. Parece que somos melhores portugueses. Chora-se a ouvir o hino. Temos um orgulho imenso e qualquer motivo é suficiente para nos juntarmos. E foi o Ronaldo que levou novamente o nome de Portugal ao mundo. É verdade, por mais que muitos queiram negar e não ver as evidências. Lembro-me ainda há muitos mais anos ouvir uma entrevista da Purificação Tavares no rádio em que ela dizia que quando estava nos Estados Unidos fazia kms para ir ver uma equipa portuguesa de qualquer coisa.

Em NY toda a gente conhece o Ronaldo, principalmente pelos grandes cartazes de publicidade da Armani espalhados pela cidade. Foi por causa do Ronaldo que a Irina Schayk se tornou numa modelo mediana e com acessos directos a mundos restritos. Ronaldo é um nome por si só que tem valor.
Basta de crucificarem o rapaz porque falhou um penalti e porque muitos dos seus remates teimaram em não entrar. Mas não o acusem, por favor, de não ter lutado! Há dias assim, menos bons para todos, E ele, apesar de especial, é (também) humano.

Hoje, concordo com a Dona Dolores que Portugal vai ganhar e eu acredito (ainda mais) que vão ser vários os golos. Os emigrantes merecem esta festa para comemorarem. Os portugueses merecem para se esquecerem (por horas) da crise em que teimamos não sair. Os jornais e os jornalistas precisam de fazer um mea culpa.


E eu espero que depois deste Europeu, dos anos de sucesso que o Cristiano Ronaldo ainda tem pela frente como jogador, tenha a coragem, tal como outros, de fugir ao preconceito instalado e ao machismo no futebol e assumir-se orgulhosamente. Um homem honesto, talentoso, um exemplo só se tornará ainda maior quando se assumir por inteiro. E aí sim, ainda mais palmas e elogios merecerá porque os enormes exemplos são eternos. É o que sobreviverá para sempre e ficará escrito nos livros.

Copyright: RR

P.S. Quanto ao episódio de hoje de manhã em que o Ronaldo atirou o microfone da CMTV ao lago fez muito bem. Pegar no microfone e atirá-lo sem magoar ninguém foi a coisa mais sensata que fez. Aquilo que aqueles pseudo-jornalistas fazem não é jornalismo... nem sei que nome chamar aquilo. Podia ter sido muito pior. Eu atirava-o ao jornalista ou dar-lhe-ia um murro.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Uma carta para os pais, para os homens, e para a família deles:

- Quando se casarem, mesmo que descubram que se enganaram, que a pessoa com quem se casaram não existe mais, que tudo não passou de uma ilusão, que as pessoas de facto não mudam (só se for para pior), não coloquem a hipótese de se divorciarem;

- Se por acaso tiverem filhos, o problema (só) aumenta exponencialmente, e em vez de “não colocarem a  hipótese de se divorciarem” mudem para “nunca se divorciem;

- Leiam as estatísticas de quantas mudanças, guardas, e responsabilidades parentais foram atribuídas aos pais (homens) desde a última mudança da lei. Acreditem nelas (porque existe a tendência para achar que é mentira e que os direitos são iguais, afinal estamos no séc. XXI);

- Quando vos disserem que os direitos de pais e mães em relação aos filhos são iguais, riam-se e relativizem. Nem sempre o que está escrito corresponde à verdade. O Direito não é uma ciência e muito menos exacta;

- Quando vos disserem que os magistrados são a classe mais bem preparada do país, esqueçam. A quantidade de juízes e procuradores aplicados, estudiosos, competentes, progressistas e que não sejam tendenciosos é como encontrar um grão de areia branca num areal preto (Eu que nunca mais oiça dizer que os médicos portugueses são maus porque me vai dar um ataque);

- O máximo que poderão esperar da decisão do tribunal é a “chapa 5”: um jantar todas as quartas-feiras, um fim-de-semana de 15 dias, Natal, Páscoa e aniversários à vez e uma via sacra de martírios, de vergonhas, de cenas, de espectáculos, de insultos, de mentiras e gastos de rios de dinheiro em Psiquiatria;

- Pelas experiências empíricas que conheço, em 4 anos, zero sessões de julgamento para alterações da guarda. Apenas, conferências de pais, requerimento para aqui e para ali, relatórios de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, CPCJ, hospitais, papéis, tinta, muita tinta, resmas e resmas que ninguém lê, árvores abatidas;

- Encontrem conforto nas palavras dos poucos que ainda defendem  as crianças, não ligando ao género dos pais, mas aquele que é mais competente. A anotar: Dr. Maria Saldanha Pinto Ribeiro e Prof. Daniel Sampaio;

- E para aqueles que acham que as mulheres são todas iguais, não generalizem. De facto, as grandes mulheres existem e andam aí: “Vou dizer uma coisa que muitas mulheres detestam que eu diga, mas, hoje em dia, há muitas situações em que os homens são prejudicados e são discriminados. Dou como exemplo o que acontece na regulação do poder paternal. Normalmente o que acontece é que as mulheres, por serem mulheres, são beneficiadas judicialmente em detrimento dos homens. Não estou a dizer que não haja casos em que isto faça sentido. Agora não pode ser um princípio geral de que as mulheres serão sempre melhores como mães. Isto é uma questão de igualdade e mais, é de bem-estar das crianças. Não podemos defender a igualdade dizendo que nós somos mais iguais que eles. Não. O que temos de discutir hoje é a igualdade em tudo, quer nos casos em que as mulheres são discriminadas quer nos casos em que os homens são”-Doutora Graça Fonseca, actual Secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, Jornal Público, 01/02/15.

- Ser crente ajuda. Para quem tem fé, acredita que se a justiça dos homens não funcionar, a justiça de Deus funcionará. E mesmo quando tudo parecer perdido, há sempre um milagre à espreita. Para quem não acredita, para além de não encontrar conforto terreno, passará acreditar que existe sempre mais fundo;


- Termino a sugerir a todos os licenciados e mestres em Direito: escolham como tema de doutoramento uma análise de decisões dos Tribunais de Família e Menores do norte do país (tradicionalmente mais conservador) e comparação das decisões da guarda dos filhos por género.

domingo, 12 de junho de 2016

O elogio a uma vida boa e longa

Hoje vamos exaltar apenas as virtudes e a qualidades de um homem de família. Marido. Pai. Irmão. Amigo. Um homem austero. Sério. Duro. Forte. Conservador. Tradicional. De bom gosto. Antecipava cenários e crises. Por vezes, exagerado. Trabalhador. Crente. Defensor das mulheres. Sempre defendeu a sua emancipação e a sua independência, sobretudo profissional. Conversador nato. Recto.

Teve uma vida boa. E quando a doença apareceu não houve muito que a Medicina pudesse fazer para o curar. Aceitou a doença e foi um bom doente. A voz, que era a sua característica e identidade, modificou-se, mas não se perdeu.

A última vez que o vi, tinha já sido diagnosticado. Uma semana antes da Páscoa. Se eu não soubesse não acreditaria. Estava igual ao que sempre foi. Crítico da política. Elogiou grandes homens. Criticou maus exemplos. Propunha soluções. Acompanhado, como sempre, pelo seu vinho branco que tanto orgulho tinha. Como sempre à volta da mesa e do famoso lanche. O que eu vi naquele dia foi um homem (ainda) cheio de energia e optimismo que me mostrou como se via mensagens no telemóvel e um cartão pré-pago especial para falar quando quisesse com a minha madrinha na Austrália. Nesse dia, levei duas garrafas de jeropiga, que lhe disseram que eu gostava. De facto, a melhor jeropiga do mundo. 

Como no salmo, o Senhor foi sempre o seu Pastor e por isso nada lhe faltou. Nos últimos dias, quando as forças lhe começaram a faltar, nos limites da condição humana, viveu uma vida de qualidade, apesar de difícil. As noites eram longas e silenciosas. Sempre contou com a melhor das ciências dos homens e com a Graça de Deus para não ter medo. Aceitou e soube viver com isso. Não se revoltou nem desistiu.

Nunca é fácil perdermos uma pessoa que gostámos. E sobretudo, achamos (sempre) que foi cedo demais e que tinha (ainda) tanto para dar. Mas a parte boa é que teve 79 anos de vida saudável e sem limitações.Teve o fim da vida ideal e que todos desejam. Rodeado e assistido pela família, que tudo fizeram. Nunca esteve só. Suportado pelo amor. Em casa. Em paz. Preparou tudo. Esteve lúcido, quase até ao fim. 

Em especial, para a família, sintam-se orgulhosos deste homem e do que por ele fizeram. A forma como o acompanharam e se apoiaram na doença é um exemplo. Sintam-se abraçados e confortados pelo vosso exemplo. Bem-hajam.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

SCOTE (Snack COfee TEa)

O SCOTE  é das melhores descobertas que fiz nos últimos tempos. Um misto de café, bar de hotel, salão de chá e sala lá de casa. Boa música. Faz lembrar o Starbucks, com um balcão enorme e cadeiras altas virado para a rua, copos de plástico de diferentes tamanhos to go. Tem umas mesas com cadeiras aos pares a lembrar um salão de chá ou um bom restaurante. Depois tem uns sofás baixos e umas mesas a lembrar os bares e as salas de estar dos hotéis. A decoração é de extremo bom gosto. Nada de muito pretensioso mas cool. Apetece ficar, sem horas, a ler um livro ou a estudar (para quem precisa). Tem umas sandes óptimas de pão de Montalegre enormes. Dá para duas pessoas. As saladas são visualmente apetecíveis e generosas. Chás, cafés (americano, expresso, pingado), pastelaria portuguesa, brownies, bolos caseiros, muffins, são muitas das escolhas. Um lugar destes era para estar a abarrotar e ter fila. Apesar de não estar vazio, tinha (apenas) pessoas que davam para contar pelos dedos de duas mãos. Acho que nem em Lisboa vi um café assim. Apetece elogiar tudo. Com pormenores que beiram a perfeição. Sóbrio e limpíssimo. Não sei se são as pessoas que não percebem o conceito. Se é errado para as pessoas de Braga. Mas sei dizer que está a minutos a pé da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho e do Hospital de Braga. Se estivesse no centro, perto de minha casa, onde eu poderia ir a pé, confesso que seria a minha segunda casa. O dono é competente e muito simpático. Sabe do que fala e do valor que tem. É um homem do mundo e um cosmopolita pelas influências que se destacam. Como António Variações dizia estava entre Braga e NY. Nasceu e viveu cedo de mais, para o seu tempo.  Este conceito do SCOTE parece, um misto de Braga e NY, desajustadíssimo para a tacanhez e rotina dos bracarenses. Desejo ao dono o maior sucesso porque o SCOTE é bom demais para Braga. E deixo uma crítica directa: a elite deste país que entra com as notas mais elevadas de todos os cursos deve ser a classe menos intelectualizada, cosmopolita e aberta ao novo que conheço. Senhores, as notas e o maior número de palavras decorados em menos tempo não é tudo na vida! Aproveitem porque não vivemos para sempre e não levamos nada! 





Copyright: SCOTE

quarta-feira, 25 de maio de 2016

E a Venezuela, senhores?

Começo com um título, parafraseando uma grande artista brasileira que nos seus espectáculos usa sempre um respeitoso: “Boa noite, senhores”. Pois bem, nos últimos tempos, amigos, mais amigos, menos amigos, conhecidos, gente que gosta muito de mim, do contra que gosta menos, que me apoia, que discorda muito, perguntam-me: “E a Venezuela?”. Toda a gente que me conhece (muito bem) sabe que quando eu deixo de falar de uma coisa repetidamente, sistematicante, até que os outros se cansem muito, eu perdi a esperança. Revelo o pior de mim, desisto. A Venezuela é um dos casos. Tenho dois grandes amigos venezuelanos com quem aprendi muito e com quem aprendi, de uma forma privilegiada, a realidade venezuelana. Isso foi sempre o que me ligou à Venezuela, a amizade. De outra forma, seria (apenas) mais um país da América Latina. Um país que não tem nada de muito mais importante a dar ao mundo, a não ser o “ouro negro”. E até esse, que nos últimos tempos perdeu o valor que lhe davam, reduziu muitos à sua insignificância. Ao contrário, por ex. do Brasil, a Venezuela não tem uma elite cultural (sequer) parecida. Não foi o berço de nenhum tipo de música. Não é o maior país onde se fala castelhano, ao contrário do Brasil que é o maior país onde se fala português. Não é um país de escritores, nem de arquitectos, nem de artistas. A sua culinária não é conhecida mundialmente. E até no mau não tem comparação. Não tem Carnaval, nem a mulata, nem as famosas favelas, nem os mais procurados bandidos, nem os mais milionários, nem os mais corruptos. No entanto, tem de igual modo, belíssimas praias, a floresta amazónica e grandes rios. E muito menos gente. Tem o mesmo subdesenvolvimento dos países de terceiro mundo. Os muito ricos e os muito pobres. Mulheres muito arranjadas que cuidam do cabelo e pintam as unhas. Mas que vivem numa favela e têm mais do que três filhos, preferencialmente de homens casados, a quem o pai não é obrigado a dar o nome.

A Venezuela foi governada durante anos pela direita que não fez muito a não ser enriquecer (mais) a si mesma. A esquerda, a grande esperança dos desgraçados, dos miseráveis dos pobres, daqueles que não tinham nada, além de não os ensinar a pescar ainda lhes deu pouco peixe. A Venezuela,  ao contrário do Brasil, não elevou os pobres a uma classe média ambicionada há muito, não levou os seus filhos para estudar nas universidades públicas a partir do seu mérito, não se desenvolveu, não criou riqueza. Os venezuelanos, ao contrário dos brasileiros, não passaram a viajar em massa para o exterior nem passaram a viver melhor do que viviam.

Não vou comparar Chavez a Lula porque um já morreu e não morro de amores pelo outro. Mas a verdade é que não se pode comparar a afronta de Chavez em relação aos ricos com o que se passou no Brasil. Nunca vi no Brasil os discursos de esquerda inflamados como os que vi na Venezuela. A Venezuela não foi projectada para o mundo, ao contrário do Brasil. O que eu achei que nunca aconteceria na América Latina, temo que aconteça na Venezuela, uma guerra civil.

Na semana passada o The New York Times publicou uma reportagem sobre as condições indescritíveis dos hospitais venezuelanos. Quando vi aquelas fotos e aqueles textos achei que tinham sido cuidadosamente seleccionados pelos media americanos ( que muitos dos meus amigos acusam da sua tendencial preferência pela burguesia e capitalismo). Não, não é mentira nem é exagero. Aquilo está mesmo assim. Não há medicamentos básicos, os medicamentos para tratar neoplasias há muito desapareceram e só se traficam no mercado negro. Não há quase nada importado. As pessoas estão nas filas para tudo. Não há segurança (embora isso nunca houvesse muito). Pessoas presas sem razão. Presos políticos. As instituições não funcionam. Tudo se compra e se vende. Não existe Democracia. Maduro comporta-se como um coronel nas antigas fazendas no tempo da escravatura.

Muitos pensavam que a morte de Chavez acabaria com a ditadura boliveriana. Chavez não parecia jogar com o baralho todo. Mas Maduro conseguiu o impossível: mostrar que o buraco pode sempre ser mais fundo. Enquanto a Venezuela se vai destruindo e limitando-se apenas aos pobres e miseráveis (porque os ricos já saíram quase todos), os restantes poderes de  esquerda dos países da América do Sul ou assobiam para o lado ou (fingem) acreditar que os EUA estão a apoiar um golpe.


Onde está a elite Venezuelana e a oposição? Onde está o mundo que não denuncia e não se importa com a Venezuela?
Copyright: Reuters

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Dilma

Faço aqui uma declaração de interesses: Não simpatizo com o PT, não partilho da ideologia política e não tenho particular admiração por Lula. A mesma coisa achava de Dilma. Não achei a sua eleição (no primeiro mandato) tudo aquilo que escreveram. Não fiquei comovida por ter sido a primeira mulher presidente do Brasil. E não concordei com o título de “Presidenta” em vez de “Presidente”. No entanto, depois da segunda eleição, que ela ganhou no limite, considerei ter sido o mal menor. A sua oposição era constituída por gente menos preparada do que ela e por gente mal relacionada e/ou ligada a coisas menos sérias. Depois da segunda eleição comecei a admirar a força desta mulher que tem lutado estoicamente contra tudo e contra todos. Como as árvores, Dilma escolheu morrer politicamente de pé. Com a destituição de Dilma ficamos a saber o que há muito desconfiamos: os políticos brasileiros são na sua maioria corruptos, o poder é passado de geração em geração como se de uma Monarquia se tratasse, a política serve para enriquecer, na política vale tudo, a maioria dos deputados são analfabetos funcionais, os evangélicos têm um dos maiores poderes no Brasil ( o domínio e o aproveitamento sobre a ignorância de um povo), os políticos brasileiros são muito bem pagos e têm regalias incomparáveis com o cidadão comum. Apesar de tudo isso, a corrupção e as acusações sobre quase todos os políticos não os envergonha. Não se demitem por nada, seja qual for o teor da acusação. São como lapas. Seguem de cabeça erguida como se nada fosse. E como os vermes, em vez de se recatarem pelo mal causado, lançam ameaças de não caírem sós. Analisando a vida, a biografia, o CV e o percurso de cada político brasileiro poderemos contar pelos dedos aqueles sobre quem nada paira. Quase não existem imunes ou intocáveis. No entanto, apesar de todas as perseguições, de todo o escrutínio, depois de todas as investigações, a Dilma parece um oásis no deserto. Se ela é perfeita? Não. Se está bem rodeada? Não. Se seguiu a política que devia? Não. Mas é o mal menor, de facto. A questão é que tudo está mal. Num país com os milhões de pessoas que tem o Brasil, onde a educação e a saúde não é igual para todos, “quem tem um olho é Rei”. As classes mais desfavorecidas, das periferias, dos morros, do sertão, do interior, dos subúrbios serão sempre facilmente enganados e cativados pelos políticos mais populistas e que nada farão por eles. Servirão, apenas, como um degrau para a sua escada para chegarem ao topo da pirâmide. Um país em que a elite caucasiana, será sempre instruída, continuará a viajar para o estrangeiro, para fazer compras em Miami e NYC, continuarão a comprar apartamentos em Lisboa nos metros quadrados mais caros, continuarão a viver em condomínios fechados resguardados por grades electrificadas e separadas do mundo real, continuarão a viver no séc passado em que existe o mundo para a elite eo mundo para o subalterno, continuarão a ter contas na Suiça e a fugir aos impostos, continuarão a viajar em primeira classe e em executiva. Mas apesar disso continuarão a não ser evoluídos nem educados: o carro continuará a ser o que mais poluí, continuarão a atirar lixo para o chão para alguém de uma classe inferior apanhar, continuarão a perpetuar o desperdício, os seus cães continuarão a sujar as cidades para alguém as limpar, continuarão a ter cozinheira, faxineira, diarista e motorista, continuarão a passear pelas cidades com as babysitters atrás vestidas de branco. Enquanto a elite não se envergonhar destes comportamentos e perceber que o mundo mudou e que estamos no séc XXI, nada mudará. Enquanto a elite não perceber que comportamentos assim envergonham uma sociedade, serão sempre a piada do exterior. Enquanto a elite não perceber que os caucasianos não são o povo eleito e que toda a gente tem possibilidade de ascender socialmente, não há como esperar melhoras. O Brasil só mudará quando a elite não se sentir ameaçada. O Brasil só mudará quando os privilégios acabarem para quem teve a sorte de nascer caucasiano. O Brasil precisa ter orgulho de ser negro. E apostar na educação. Demora gerações, mas a mudança será visível. Enquanto a menor percentagem da sociedade continuar a comandar os seus destinos e tiver este tipo de poder, o Brasil continuará condenado. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Bem-vindo estranho

O espectáculo é baseado na obra "Be Mine", da  britânica Angela Clerkin, e explora a relação entre mãe e filha. Jackie (Regina Duarte), e a sua filha Elaine (Mariana Loureiro) que é advogada, vivem num pequeníssimo apartamento em Londres. É este o cenário da peça: o escuro e as várias divisões do apartamento. A relação delas é conturbada e oscila entre o extremo afecto e o insulto. Percebemos que Jackie teve a filha com 12 anos. Jackie é uma personagem complicada e fascinante. Deve ter sofrido muita para ser assim. Uma mãe manipuladora, profundamente amorosa, quase sufocante de tão apaixonada que é pela filha. Tão carente e tão incapaz de olhar para si mesma e incapaz de viver sozinha sem a “muleta” da filha. Uma egocêntrica nata. É daquelas pessoas que acha que a solidão é a morte e abomina-a. Gosta de ser mimada e de ser o centro das atenções, e consequentemente, usa todos os recursos possíveis para prender a filha junto de si "até que a morte nos separe.” O exagero da Jackie em relação à filha e é que gera o humor. É mesmo muito exagerada. Veste-se sem noção da idade, sai para “tomar todas”, totalmente descontrolada. Chega a ter graça de tão exagerada que é.

Um dia surge um estranho que pode “roubar” a filha. Com a chegada de Joseph (Kiko Bertholini), o misterioso namorado de Elaine, que se prepara para viver no mesmo apartamento provisoriamente, a atmosfera de suspense entra em erupção, levando a um conflito de desejos incontroláveis cujas consequências são imprevisíveis. Joseph, acusado da morte bárbara da namorada,  foi defendido em tribunal por Elaine. E ela conseguiu provar a sua inocência e conseguiu a sua absolvição. Ela acredita, de facto, na sua inocência. Elaine é uma filha carente e insegura e faz o papel da boazinha, de submissa e de certinha.

Humor, suspense e tensão, pautadas por uma banda sonora exemplar. Momentos de um suspense intenso e absorvente misturam-se com um humor muito perspicaz e inteligente. O publico oscila entre o riso e a gargalhada, o susto, a sugestão, o medo e a hipótese. O final é surpreendente, e tal como Regina pediu no final: “não contem pra ninguém”. Regina Duarte já conquistou o papel de diva. É esta a palavra que me ocorre usar. Uma interpretação magistral regadas pelas suas gargalhadas, gritos e voz inconfundíveis. A interpretação é acompanhada pelos enormes talentos dos outros dois actores.

A peça fala do ser humano. De sentimentos, emoções, desejos, frustrações e descontroles de seres humanos. Uma peça do tamanho do talento de Regina Duarte. Uma peça onde ela brilha e faz brilhar os dois outros actores. Regina Duarte mostra que está em plena forma aos quase 70 anos. 











quarta-feira, 27 de abril de 2016

A dignidade de se passar de bolseiro de pós-doutoramento a investigador de doutoramento

A ANICT, associação que representa investigadores doutorados (bolseiros ou contratados), que trabalham em Portugal, está a fazer um questionário nacional que pretende averiguar a opinião dos investigadores doutorados sobre a eventual conversão de bolsas de pós-doutoramento em contratos de trabalho a termo. “A passagem de bolsas a contratos está associada a um aumento dos custos de recrutamento. A ANICT defende que o rendimento líquido anual dos atuais bolseiros de pós-doutoramento não pode sofrer cortes, aquando desta mudança. Este fato, irá implicar um aumento de custos na ordem dos 33%. A ANICT defende que os orçamentos dos projetos financiados pela FCT, assim como a sua duração, sejam compatíveis com esta nova realidade”. A pergunta é ouro sobre azul. Questionam os investigadores se concordam ou não com um contrato que mantenha os mesmos valores da bolsa pós-doc. Em letrinhas quase ilegíveis pode ler-se que isto implicará que em cada 3 bolseiros pós-doc apenas 2 terão contrato.

Obviamente que questionar um bolseiro pós-doc, talvez a posição mais precária de toda a carreira académica, que não têm qualquer aumento do valor da bolsa há mais de 12 anos, que não descontam para a Segurança Social (a não ser através do precaríssimo Seguro Social Voluntário), que em caso de não renovação da bolsa não têm direito a subsídio de desemprego, acenar com um contrato, quem poderá dizer que não?

A questão sobre se os bolseiros pós-doc concordam ou não com um contrato deveria ser seguida da explicação. Eu concordo, em absoluto, que haja contratos para pós-docs. Mas isso, quem não concorda? A questão é: a qualquer preço? Não! Eu sou daquelas que não serão beneficiadas por estes possíveis contratos. Sou bolseira há 6 anos e pelas actuais regras, não estarei incluída neste pacote.
Mas eis o que eu questiono:
1)   Que haja obrigatoriedade de contratos pós-doc. Como nos habituam em ciência, a célebre questão do mérito e do merecimento. Quem merece e quem não merece? Como se faz essa avaliação? Os “protegidos” estarão sempre nos 2/3 a contratar. A questão é para onde vão os restantes 1/3?

2)  O que acontecerá aos investigadores pós-doc após 3 anos? Esta parte não está explicada. O que pretendem a ANICT e a FCT propor após 3 anos? Que o investigador pós-doc continue a concorrer para contratos sucessivos de 3 em 3 anos mantendo o valor de 1450€/ano + SS + subsídio de alimentação?
3) Que diferenciação de valores terá um investigador pós-doc após 3, 6 ou 9 anos?

4) No que se baseará a diferenciação entre investigador pós-doc e os actuais contratos de investigador FCT?

5)  No que se baseia a FCT e o Ministro da Ciência para cada 3 bolseiros de pós-doc atribuir apenas 2 contratos de investigador pós-doc? Partindo do princípio que quem financiará isto é o governo. Implicando, de facto, um aumento de 33% por cada investigador em impostos, esses mesmos valores retornarão para a máquina do Estado. Ou seja, não há qualquer perda. O dinheiro só se deslocará dentro do mesmo Estado entre diferentes Ministérios. Aqui residem as minhas maiores reticências. Deverão os bolseiros pós-doc aceitar os contratos a qualquer preço? Não deverão reflectir mais nesta questão? Não existirão, de facto, maiores gastos para o Estado/bolseiro.

Se se trata de discutir, e a decisão ainda não está tomada, aqui ficam as minhas opiniões que são só minhas e que não representam ninguém além de mim.

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