quarta-feira, 1 de novembro de 2017

“Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar”

Morrem crianças de fome em África. Refugiados de todo o Médio Oriente fogem para onde não tem saída. Vivem miseravelmente em campos ( dizem que temporários). Portugueses que ficaram sem nada nos incêndios. O mundo anda ao contrário.  A chuva teima em não cair. A luz é de outono mas o calor é de verão. Nada combina. A noite chega mais cedo. Os dias são mais tristes e menores. As castanhas são o pronúncio outonal em “magoados fins de dia”.

É imune a (quase) tudo. Empedernece, cada dia, um pouco mais. Será a distância da imagem? Tudo longe via televisão.

O que a devia incomodar, desvaloriza. O que devia desvalorizar, derrota-a. Coisas insignificantes (ainda) a surpreendem.  As noites são mais demoradas. Tem mais horas que o comum dos mortais. Mas, infelizmente, “quem não dorme não sonha”.  

À frente, no aeroporto,  vai um menino de óculos, chupeta e fralda, guiado pela mão da mãe. Estão felizes, nota-se. Mas ela,  desfaz-se.  Vai embora. Chegou o inverno.

Pensou que estava curada, depois de ter vivido o inferno. Mas o esgar da realidade (re)lembra-lhe como o castelo de cartas pode desabar num segundo. Esta é a fronteira ténue do que parece estar bem. A tão escondida fragilidade. Apesar de parecer impassível. O que é que fez com o pouco que passou a nada? Dizem que tudo passa. Um princípio e um fim.

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