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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Robert Mapplethorpe: Pictures


23 de Dezembro de 2018

Já tinha estado no auditório de Serralves em várias conferências. Mas nunca visitei a Casa de Serralves nem os jardins. Desta vez, visitei o Museu, e continuo sem conhecer a casa e os jardins. Já era noite e faltava menos de duas horas para fechar. Na compra dos bilhetes disseram-nos que não teríamos tempo para visitar a exposição do Miró. Fui propositadamente para ver a exposição das fotografias do Robert Mapplethorpe que já tinha visto nos Estados Unidos. Como na altura não achei tão escandalosas como a polémica e os comentários que suscitaram em Portugal, queria ver o que de tão diferente tinha esta exposição. De relembrar que esta exposição provocou a demissão do Director artístico do Museu de Serralves, João Ribas. Algumas das fotografias foram colocadas numa sala à parte com a admissão permitida apenas a maiores de 18 anos. As fotografias presentes nessa sala restrita são essencialmente de “nús não canónicos” e práticas sexuais sadomasoquistas. Honestamente, tirando duas fotos, não achei nada do que vi naquela sala incompreensível para menores de 18 anos. Existem outras fotos fora desta sala restrita igualmente provocadoras. Mas a exposição não são só as fotografias mais polémicas. A maioria são retratos de pessoas mais ou menos famosas e anónimas, autoretratos, flores e estátuas. Esta exposição era muito maior do que a que tinha visto anteriormente. Algumas das fotos que vi anteriormente não estavam nesta e outras que estavam nesta não as tinha visto anteriormente.


Iggy Pop (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)
Isabella Rossellini (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)


Robert Mapplethorpe (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)

Deborah Harry (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)

Louise Bourgeois (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)

Robert Mapplethorpe (Copyright: Solomon R. Guggenheim Museum)

Robert Mapplethorpe (Copyright: Solomon R. Guggenheim Museum)




No jardim da entrada do museu tinha ainda uma instalação "Descent into Limbo" do artista Anish Kapoor, a única que vi. No interior do museu havia uma série de preparações e experiências que o artista fez e também uma quantidade de estruturas tridimensionais em ponto pequeno das obras dele, inclusive a "Cloud Gate" de Chicago.

"Descent into Limbo" Anish Kapoor



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Lou Reed by Patti Smith

On Sunday morning, I rose early. I had decided the night before to go to the ocean, so I slipped a book and a bottle of water into a sack and caught a ride to Rockaway Beach. It felt like a significant date, but I failed to conjure anything specific. The beach was empty, and, with the anniversary of Hurricane Sandy looming, the quiet sea seemed to embody the contradictory truth of nature. I stood there for a while, tracing the path of a low-flying plane, when I received a text message from my daughter, Jesse. Lou Reed was dead. I flinched and took a deep breath. I had seen him with his wife, Laurie, in the city recently, and I’d sensed that he was ill. A weariness shadowed her customary brightness. When Lou said goodbye, his dark eyes seemed to contain an infinite and benevolent sadness.
I met Lou at Max’s Kansas City in 1970. The Velvet Underground played two sets a night for several weeks that summer. The critic and scholar Donald Lyons was shocked that I had never seen them, and he escorted me upstairs for the second set of their first night. I loved to dance, and you could dance for hours to the music of the Velvet Underground. A dissonant surf doo-wop drone allowing you to move very fast or very slow. It was my late and revelatory introduction to “Sister Ray.”
Within a few years, in that same room upstairs at Max’s, Lenny Kaye, Richard Sohl, and I presented our own land of a thousand dances. Lou would often stop by to see what we were up to. A complicated man, he encouraged our efforts, then turned and provoked me like a Machiavellian schoolboy. I would try to steer clear of him, but, catlike, he would suddenly reappear, and disarm me with some Delmore Schwartz line about love or courage. I didn’t understand his erratic behavior or the intensity of his moods, which shifted, like his speech patterns, from speedy to laconic. But I understood his devotion to poetry and the transporting quality of his performances. He had black eyes, black T-shirt, pale skin. He was curious, sometimes suspicious, a voracious reader, and a sonic explorer. An obscure guitar pedal was for him another kind of poem. He was our connection to the infamous air of the Factory. He had made Edie Sedgwick dance. Andy Warhol whispered in his ear. Lou brought the sensibilities of art and literature into his music. He was our generation’s New York poet, championing its misfits as Whitman had championed its workingman and Lorca its persecuted.
"As my band evolved and covered his songs, Lou bestowed his blessings. Toward the end of the seventies, I was preparing to leave the city for Detroit when I bumped into him by the elevator in the old Gramercy Park Hotel. I was carrying a book of poems by Rupert Brooke. He took the book out of my hand and we looked at the poet’s photograph together. So beautiful, he said, so sad. It was a moment of complete peace.
As news of Lou’s death spread, a rippling sensation mounted, then burst, filling the atmosphere with hyperkinetic energy. Scores of messages found their way to me. A call from Sam Shepard, driving a truck through Kentucky. A modest Japanese photographer sending a text from Tokyo—“I am crying.”
As I mourned by the sea, two images came to mind, watermarking the paper- colored sky. The first was the face of his wife, Laurie. She was his mirror; in her eyes you can see his kindness, sincerity, and empathy. The second was the “great big clipper ship” that he longed to board, from the lyrics of his masterpiece, “Heroin.” I envisioned it waiting for him beneath the constellation formed by the souls of the poets he so wished to join. Before I slept, I searched for the significance of the date—October 27th—and found it to be the birthday of both Dylan Thomas and Sylvia Plath. Lou had chosen the perfect day to set sail—the day of poets, on Sunday morning, the world behind him. 

In The New Yorker

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Patti Smith: World Premiere of "Banga" @ Barnes&Noble-Union Square

Desde que estou em NY que queria ver a Patti Smith. Dois dos concertos que deu estavam esgotados nas primeiras horas que os bilhetes foram colocados à venda.  E uma apresentação que ia fazer numa das Barnes&Noble foi cancelada. Já estava a perder a esperança até que soube que o lançamento do novo CD dela "Banga" ia ser hoje.  Um lançamento destes, de uma pessoa com a idade dela, depois de tanto tempo, sendo um ícone em NY e no mundo, era de esperar a confusão que estaria. O lançamento estava marcado para as 7 e, como sabemos, aqui tudo começa a horas. Planeei o trabalho para poder sair às 6... mas como sempre, nada corre como queremos...eram 6:30 ainda não tinha saído do lab e estava quase a não responder por mim (mas isso são outros quinhentos). Quando percebo, pelo barulho na janela, estava a chover torrencialmente... Como?! Mas ainda estava sol há pouco!!! Saio pelo Presbyterian Hospital e tento apanhar um dos táxis (Gypsy)...Começo por perguntar quanto levam até Union Square debaixo daquele dilúvio... uns 40, outros 30, outros 25... Parecia a cantiga da feira! Quem leva menos. E eu disse que só podia dar 20 porque era o que tinha na carteira e eles não aceitam cartões... nada feito... 25 foi o valor final! Como só tinha 20 decidi-me a andar 100 metros e entrar no metro, claro, a achar como às vezes consigo ser muito estúpida a apanhar com um chuveiro daqueles para ir de táxi quando podia ir de metro!!! Sentadinha no metro da 168 até à 14 e aí mudar para outro que me levaria a Union Square. Não demorou mais do que 30 minutos. Quando cheguei a Union Square já não chovia e estava quente e húmido bem à NY. Sabia onde era a Barnes&Noble de Union Square mas nunca tinha lá entrado. Quando vou a Union Square vou sempre à Strand. Não se vai à Fnac quando se tem uma Livraria Lello ao lado. É mais ou menos isso que se passa com a Strand e a Barnes&Noble. Subi as várias escadas rolantes. E percebo que a última que faltava subir estava com um polícia a bloqueá-la. Não se podia subir porque o evento estava cheio! E eu a não acreditar que tinha saído do lab aquela hora, que tinha levado com um banho e agora a 100 metros de ver a Patti Smith a lançar o "Banga" ia ficar ali? Durante uma hora só a ouvi. As perguntas que lhe fizeram, as respostas que deu, os parabéns que cantaram a um membro da banda e as 3 canções que cantou. Para quem achava que a Patti Smith tinha acabado, este show case mostrou que a senhora está aí para as curvas.  Os loucos anos 60 com as drogas psicadélicas, os ácidos lisérgicos e o álcool (legal) só conservaram esta senhora de 66 anos! Quando terminou a apresentação e ela começou a assinar livros, CDs, e afins, tudo o que lhe levavam... abriram as escadas. Nunca vi coisa tão organizada. As pessoas que esperavam pelas assinaturas mantinham-se sentadas e eras chamadas por filas. E foi assim que passei duas horas. Sentadinha. Mas claro, como nunca nada corre completamente bem, sentou-se um maluquinho ao meu lado. E começa a meter conversa por causa do meu cartão de Columbia que estava pendurado na mochila (que estava no chão). Começa-me a perguntar o que faço já que ando naquela universidade "só para pessoas inteligentes) mal ele sabe... E eu lá lhe explico, à espera que o assunto ficasse por ali. Mas não. O homem saca de um jornal e começa a desenhar um coração e a classifica-lo anatomicamente. ventrículos, aurículas, veias, artérias, válvulas.... E eu a achar que estava perdida!! E como se chama esta intersecção? E isto e aquilo...Depois mudou ligeiramente a conversa e começa a perguntar porque é que eu não vou para Medicina, ou para Dentária ou para Farmácia... Eu a tentar explicar-lhe e à espera que o homem se calasse.  Ele fingia que percebia e daí a dois minutos começa outra vez com as mesmas perguntas e porque se mudasse para medicina ia ganhar muito dinheiro... E porque só entra em Medicina quem tem A+, e porque este ano concorreram 4000 alunos para as faculdades de Medicina de NY e cada uma delas só tem 160 vagas... E eu só me apetecia dizer-lhe "Ó homem, cale-se um bocadinho"! Mas não o fiz. O senhor tinha as unhas grandes e sujas, barba mal aparada, boné, cheio de roupa (quando a temperatura é de verão) e estava cheio de sacos. E eu lá tentei mudar o assunto: "Gosta da Patti Smith?" Mas estava mais do que visto que o homem não queria mudar de assunto porque respondeu que a conhecia mal mas que tinha aproveitado para comprar o CD e o livro e já tinha gasto o dinheiro de amanhã com isso... E lá volta outra vez, porque é que eu não ia para Medicina...E que tinha escrito muitos papers e passado muitas horas em bibliotecas e e que a investigação dele era sobre a desintegração da Jugoslávia. Eu acho que muita gente à nossa volta já se ria sem querer. Passei duas horas nesta conversa!!! E quando nos chamaram para a fila dos autógrafos propriamente dita, felizmente o senhor meteu conversa com outra pessoa atrás dele. A Patti Smith é muito muito simpática, notava-se o quão cansada estava depois de 3 horas a assinar tudo o que lhe punham à frente. Tem uns lindos olhos azuis. E um bigode de fazer inveja à JD Samson (Le Tigre/Men). 








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