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sexta-feira, 15 de março de 2013

Dia 9 na Grande Maçã

Sábado de chuva. Ainda não tinha comido patinho e porque chovia não fui ao Columbia Cottage mas ao Ollie’s. 
Roast duck @ Ollie's
Apanhei um táxi e fui para o Whitney. Foi a primeira vez que visitei este museu e vale muito a pena. Brevemente mudará as instalações para West Village bem perto do rio, as obras avançam velozmente.O museu não me decepcionou. Comecei pelo 5º andar e fui descendo. “American legends: from Calder to O’Keeffe” era uma das melhores exposições. Conheci coisas do Calder que não fazia ideias, como por exemplo, as suas obras com arame, para além dos tão afamados mobiles. É talvez o museu que vi com mais obras dele. Fiquei a conhecer a obra da Georgia O’Keeffe, que conhecia vagamente. Mas o que adorei foi a exposição do Edward Hopper, a maior de todas que vi deste artista. Vi um Roy Lichtenstein “Bathroom” e o projecto do novo Whitney que será em West Village, mais precisamente na West Village street , junto ao rio Hudson. Depois de mais de 30 minutos à chuva, consegui apanhar um táxi, depois de ter estado na Madison e depois na Park Avenue.


Whitney Museum of American Art
"Summer Days" - Georgia O'Keeffe (Copyright: Whitney Museum of American Artt
"Bathroom" - Roy Lichtenstein (Copyright: Whitney Museum of American Art)
"Electric chair"-Andy Warhol(Copyright: Whitney Museum of American Art)
"Early sunday morning" - Edward Hopper (Copyright Whitney Museum of American Art)
"A woman in the sun" - Edward Hopper (Copyright Whitney Museum of American Art)

Marquei às 7 no Johnny’s Bar em West Village com o A. e a C. antes de irmos jantar às 10 no LOURO. Bar cheio. Muitas histórias temos neste bar mítico. Perto das 10 lá seguimos para o LOURO. Restaurante novo com influência portuguesa. Com os cumprimentos do chef fomos presenteados com uma espécie de pastéis de bacalhau e camarões com piri-piri. De destacar que o pão quente com uma manteiga de banha era de chorar por mais. O dono e chef é um luso descendente com pais de perto de Leiria que já não visita Portugal há 10 anos. Escolhemos apenas os pratos principais e o vinho. Como estávamos com a chef Luisinha, tivemos a honra de falar com o Chef David Santos que nos disse que a pessoa que anotou os nossos pedidos estava curioso porque é que quase todos tínhamos escolhido tamboril!! O último miminho foi um porto da Quinta do Noval! Vale a pena a visita pelo espaço e pela qualidade da comida! Amena cavaqueira até às tantas da noite.




Piri piri shrimp
American red snapper
Monkfish
Spanish Mackrel






segunda-feira, 11 de março de 2013

Dia 6 e 7 na Grande Maçã


Um destes dias à noite, à ida para casa do F., depois da ópera, fomos a uma capela no Columbia Medical Center que está fechada para obras. É enorme, mais parece uma igreja, embora seja sem religião. Estava cheia de pó das obras e tinha um piano que o F. já experimentara. Fomos para lá. Parecia daqueles filmes de suspense, meia-luz, silêncio total, ecos, parecia que a qualquer momento alguém haveria de entrar...Cena mesmo de filme. O F. a tocar piano, uma capela fechada, no silêncio absoluto, que para lá da porta eram os corredores do hospital...Depois subimos ao coro, iluminados pela luz do tlm do F., onde estava um orgão estragado mas q o F. conseguiu tirar algum som. E depois... tocou duas vezes os sinos!!!! Quando os ouvi tocar lembrei-me imediatamente da paranóia do meu sobrinho mais velho pelos sinos (que depois contagiou o mais novo). Durante algum tempo achei que eles tinham um problema. Mal o mais novo andava e falava mas era vê-los a discutir sinos, principalmente de Braga, tons e cores. Coleccionavam todo o tipo de sinos. Inclusive os meus pais trouxeram de NY e Washington umas pequenas réplicas. Até têm sinos com galos de Barcelos! Existem uns vídeos do mais novo, que mal se equilibra das pernas, mas que já domina o tom dos sinos “tim-tão, tim-tão”!!! O mais velhos, outra vez, comeu todos os sinos de chocolate existentes na árvore de Natal e deixou lá os papéis. Agora o vício é outro: tudo o que tenha Cars 2! E parece que é uma moda mundial. Na FAO Schwartz e Toys’r’us era ver pais, avós e crianças, todos à procura do mesmo.
Estes dois dias foam também dedicados às compras. Sentada num Pret à Manger perto do WTC avisto o já mais alto edifício de NY. Não pára de crescer. Em frente tenho um “buraco” entre prédios revestido pelos nomes de muitas cidades do mundo.



No dia seguinte mais compras. Uma ida a West Village, outro mundo. Almoço no Fish. Seis ostras, um copo de Merlot e uma sopa de peixe. Vou arrefecer para a montra exterior da Book Book, onde se encontram verdadeiras pechinchas. Uma livraria pequena na Bleecker street que era conhecida como “Biography Bookshop”. Quando a cara e as mãos já não aguentam entra-se e encontra-se outras tantas perdições. Por cada livro que se compra colocam um marcador. Sigo pela Bleecker em direcção à W 11th street. Entro na Bookmarc onde se encontra sempre excelentes livros de arte, mesmo em frente tem uma Magnolia, que hoje pela hora ou por ser dia de semana não tem fila de turistas. Mesmo ao lado entro na Marc Jacobs e invisto na prenda da minha afilhada. Como não podia deixar de ser, vou ao 11thstreet Cafe. Tem excelentes omeletes de cebola e coentros e tem wireless. Passei muitas horas a escrever aqui e só boas memórias. Uma passagem rápida por Times Square, entra-se num Starbucks para aquecer... Segue-se para jantar ramen na Broadway com a 125, perto do Main Campus de Columbia, Jin Ramen Noodle Bar. Que bom! Sake é que não é comigo, nem quente nem frio!









sábado, 16 de fevereiro de 2013

Regresso à Grande Maçã


Regressar a NYC ao fim de 7 meses foi como regressar a casa. Parece que nunca saí daqui. A fila interminável na Alfândega que demorou quase 3 horas, marcar o Super Shuttle e regressar a NYC, não como habitualmente pelo Lincoln Tunnel, mas pela ponte George Washington directamente a Washington Heights. Cheguei ao fim da tarde do dia dos namorados que aqui significa filas e filas e horas de espera em restaurantes, ramos e ramos de flores nos braços das pessoas, mais flores individuais, mais lojas com decorações alusivas ao dia, peluches e mais peluches, balões, muitos balões e muitas cores. Ainda vi a figura mítica de WH, a Dianinha Ross!!! Fomos jantar ao “Las Palmas” que é o restaurante mexicano mais peculiar e autêntico que conheço em Washington Heights. A entrada é uma mercearia mexicana e nas traseiras é um restaurante com 6 mesas. É frequentado principalmente por mexicanos e médicos, estudantes de medicina, grads e afins do Medical Center. A comida é autêntica, muito barata e farta. A senhora que serve à mesa só fala espanhol. Perguntou como sempre se queria picante. Resolvi arriscar o “poquito” que ela sugeriu! O picante era tanto para os meus standards que nem o arroz e o feijão (que não tinham picante) me salvaram. A garrafa de sidral desapareceu! Todo o meu tubo digestivo da boca ao estômago parecia fogo! Acabei no Rite Aid a comprar pastilhas para a acidez no estômago (A., como te compreendo!). Cheguei a casa e o F. mostrou-me todos os seus novos gadjets. Fiquei fascinada com o mini projector portátil. É a verdadeira sala de cinema em casa! Quando o meu corpo teimava que já era hora de acordar, estava a deitar-me, às 3. 



Como sou expert em jet lag, às 8 como castigo, estava acordada! Fui almoçar ao Whole Foods em Columbus Circle. Atravessei o Central Park até à FAO Schwartz. Nada de especial, não fosse o porteiro vestido de soldadinho de chumbo e o turístico piano do “Big” (cujo filme eu não me lembro de ter visto). Entrei na Trump Tower e fui ao Starbucks. Os meus gostos são algo duvidáveis mas achei a entrada e aqueles dourados todos no limite do pindérico. Mais tarde, a descer a 5th Avenue, para me aquecer, entrei na igreja de St Thomas pela primeira vez. Todos os bancos são almofadados a veludo e têm bíblias para cada pessoa e almofadas para ajoelhar. Se em Portugal os padres até têm que guardar as hóstias, imaginem almofadas e bíblias onde estariam... A seguir fui ao MoMA só para ver “O grito” do Edvard Munch que depois da desilusão da “Mona Lisa” no Louvre, foi uma agradável surpresa. A sala está escura e depois no meio lá está o quadro que parece desenhado a lápis de cera.






Como não podia deixar de ser, depois de 7 meses, perdi o treino do metro. Tinha que estar às 8 numa exposição e enganei-me a entrar... Já ia pra Brooklyn quando o meu objectivo era West Village.  Cheguei 20 mns atrasada à exposição da Liz Collins. Isto sim era NYC! Uma exposição muito pequena, para lá do esquisito, tínhamos que nos baixar para passar por entre as pessoas porque as peças de arte (t-shirts penduradas num enorme balão) impediam-nos a passagem.  Bebidas à borla, muita gente diferente, música, projectores, roupas excêntricas, penteados espectaculares, valeu a visita. Depois ainda fomos a uma loja de roupa em segunda mão mas não me perdi. Já a noite ia avançada fomos jantar a St Marks Place. Gente, muita gente, restaurante cheios e acabamos num “hole in the wall” a comer comida japonesa. Ainda fomos a um bar mas como o meu jet lag manda em mim voltamos a casa pouco depois da meia-noite.


domingo, 24 de junho de 2012

Pride em NY

Enquanto escrevo estou sentada num café pequenino em West Wilage chamado 11th street Cafe. Queria ter encontrado um café que descobri com o L. no ano passado no dia do pride. Mas como sempre, quando não tomo noto, a minha memória (extremamente) selectiva aka “de peixe” descarta tudo.

Hoje no dia do Pride, tudo lá fora é multidão. Multidão de pessoas, de lixo, de cores. Este ano celebra-se o primeiro Pride depois da legalização do casamento em NY. Como a maioria das pessoas que me conhece sabe, não sou grande adepta de multidões, nem de manifestações, sejam elas referentes ao que for. Provavelmente, este é um traço da minha personalidade. Acho o significado de todas as manifestações importantes, eu é que não participo nelas. Mas estar em NY e não assistir ao Pride é daquelas coisas, que quem tiver oportunidade, não deve perder a experiência. Tanta gente, tão diferente, diferentes tribos e credos. Mas há uma parte muito exibicionista e folclórica. Homens quase nus, travestidos, demasiado maquilhados, drag queens, algumas mulheres a mostrar as mamas, mas a indumentária dominante parece ser a moda dos minúsculos calções, quer se tenha corpo ou não. Faz parte do show, como diz a música. Invejo, muito honestamente, a auto-estima destas pessoas.

Este ano vim ao Pride, lamento, não para ver a marcha mas para encontrar as massagens de 10 mins a 10 dólares de asiáticos no Pride Street Fair que acontece na Hudson Street desde a W 14 até (quase) à 11. Já estava desanimada quando, finalmente, encontrei a barraca das massagens. Estava mesmo a precisar. O senhor (que não falava inglês) mas que no fim soube dizer “dear, tip!”, insistiu no meu ombro esquerdo e aquilo doeu mesmo e depois demorou-se no trapézio...será este o nome?....No final dos 10 minutos não sei se saí de lá melhor ou pior.... sei q saí a ver mal do olho esquerdo por estar com a cara enfiada naquelas cadeiras... No percurso ainda me colaram um autocolante  “Obama Pride”!

Ontem fui jantar a um restaurante português, Pão, que (quase) todos os portugueses que moram em NY conhecem. Portugueses mesmo, só este, o Alfama e o de inspiração portuguesa, nouvelle cuisine, com uma estrela Michelin, o Aldea. Fiquei na esplanada. Estava uma noite quente, abafada, como a maioria das noites de verão de NY, quase não corria brisa, mas talvez por estar perto do rio, torna-se uma das zonas mais suportáveis de se estar.
Comi um caldo verde, pastéis de bacalhau e ameijoas à Bulhão Pato, acompanhado por um branco Quinta de Cabriz. Para sentir-me ainda (bem) mais culpada comi uma mousse de chocolate. Para desgastar, e porque estava mesmo cheia, resolvi andar, que é uma coisa que aprendi a gostar em NY. Sempre ruas diferentes, percursos alternativos, nunca nada é igual.  Da Spring Street segui até à 34 (Penn Station). O melhor destes percursos são sempre as pessoas. E ontem, particularmente por ser sábado, como deve acontecer em todas as cidades do mundo, os subúrbios “visitam” a cidade. Por muitos lugares que frequente, ao sábado à noite, parece que há uma hegemonia na vestimenta. Aqueles vestidos colados ao corpo que deixam (quase) tudo à vista. Podia até ter um toque de classe, mas não, este traje não favorece a maioria das pessoas, digo eu. Mesmo as mulheres com o corpo melhor do mundo ficam com um aspecto vulgar.  E então, ontem no meu percurso era vê-las a passar por mim todas iguais, só as cores mudavam, e os tamanhos. A maioria, não sei bem qual a razão usa números que lhes deixaram há muito de servir. E a maioria também, tenta equilibrar-se, o melhor que pode (e sabe), nos seus saltos altos. Nunca vi tanta gente a não saber andar de saltos altos! É quase um esterótipo.

Agora, vou para o lab, onde me esperam umas boas horas entre trocar os meios às células, captar no microscópio o batimento das células nos meus materiais e aproveitar o tempo a “correr” PCRs.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

THREE LIVES & COMPANY

THREE LIVES is an anachronism.
It is the shop around the corner.
A touchstone in a neighborhood.
A place with a human face and a cast of characters.
84 Charing Cross Road colored by the time and place.
A haven for people who read.

"One of the greatest bookstores on the face of the Earth. Every single person who works there is incredibly knowledgeable and well read and full of soul. You can walk in and ask anybody, really, what they've read lately and they'll tell you something - very likely something you've never heard of. [But] it's always going to be something interesting and fabulous. I go there when I'm feeling depressed and discouraged, and I always feel rejuvenated".- Michael Cunningham.

Como é possível eu ainda não conhecer esta livraria, esse "santuário", e para Michael Cunningham, como descreve nos agradecimentos do livro "As horas", o centro do universo civilizado. Daqui a umas horas vou conhecer. E só podia ser onde?! West Village!!



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