Mostrar mensagens com a etiqueta filmes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filmes. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de março de 2014

A cerimónia dos oscares

Vi a cerimónia toda em directo. Dizem que foi a mais vista da década. E eu sou suspeita porque adoro a Ellen DeGeneres. Desde o selfie mais partilhado até ao entregador de pizzas distribui-las com a ajuda do Bradd Pitt... foi hilariante!
Jared Leto ganhou o óscar de melhor actor secundário e dedicou-o à mãe, ao irmão e "a todos os sonhadores por aí, em sítios como a Ucrânia e a Venezuela". Não se esqueceu de todos os que morreram de SIDA e os que amam quem querem. Apesar de ter sido o melhor discurso da noite, tive uma amiga que me lembrou que  "só se esqueceu dos/as trans, mas a esses e essas ninguém os/as quer."
Lupita Nyong'o "roubou" o oscar de melhor actriz secundária à favorita Jennifer Lawrence. Discurso também emocionado: "No matter where you're from, your dreams are valid".
Eu vi o "Gravity". Achei a ideia do filme boa, o facto de ser quase em tempo real e os monólogos da Sandra Bullock são muito bons. E lembro-me que deu para sentir a claustrofobia e o medo. Quando os óscares técnicos estavam a ser atribuídos sem parar a este filme, cheguei a temer que também ganhasse o óscar de melhor actriz. Aí reagi e escrevi: "Se a Sandra Bullock ganhar o oscar atiro-me para o chão!".

copyright: Ellen DeGeneres
copyright: John Shearer/Invision/AP
copyright: Reuters


Vi "Blue Jasmine" e "August Osage County" (aos quais dedicarei um post). Nestes dois, a melhor interpretação foi sem dúvida a da Merly Streep. Como alguém disse "devem ter trocado os envelopes". Desta vez não houve choro no discurso. Fez lindos elogios às outras candidatos. E sim, o universo feminino ainda tem público!
Quanto ao oscar de melhor actor, ainda não vi o filme "Dallas Buyers Club",  mas parece que valeu a pena perder 20 kgs Matthew Mcconaughey! Só lamento o discurso... Esquecer-se de mencionar os doentes com SIDA não tem desculpa...
"12 years a slave" ganhou melhor filme, melhor argumento adaptado e melhor actriz secundária. Vou vê-lo sem falta. "Wolf of Wall Street" (que vi) e "American Hustle" (que não vi mas quero muito ver) foram os grandes derrotados.

Oscars 2014

Best Picture
12 Years a Slave
American Hustle
Captain Phillips
Dallas Buyers Club
Gravity
Her
Nebraska
Philomena
The Wolf of Wall Street
Best Actor
Christian Bale (American Hustle)
Bruce Dern (Nebraska)
Leonardo DiCaprio (Wolf of Wall Street)
Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
Best Actress
Amy Adams (American Hustle)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravity)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (August: Osage County)
Best Supporting Actor
Barkhad Abdi (Captain Phillips)
Bradley Cooper (American Hustle)
Michael Fassbender (12 Years a Slave)
Jonah Hill (Wolf of Wall Street)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)
Best Supporting Actress
Jennifer Lawrence (American Hustle)
Lupita Nyong'o (12 Years a Slave)
Julia Roberts (August: Osage County)
June Squibb (Nebraska)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)
Best Director
Martin Scorsese (The Wolf of Wall Street) 
David O. Russell (American Hustle)
Alfonso Cuarón (Gravity)
Alexander Payne (Nebraska)
Steve McQueen (12 Years a Slave)
Best Adapted Screenplay
John Ridley (12 Years a Slave)

Julie Delpy, Ethan Hawke & Richard Linklater (Before Midnight
)
Terence Winter (The Wolf of Wall Street
)
Billy Ray (Captain Phillips)

Steve Coogan and Jeff Pope (Philomena)
Best Original Screenplay
David O. Russell and Eric Singer (American Hustle)
Bob Nelson (Nebraska)
Spike Jonze (Her)
Craig Borten & Melisa Wallack (Dallas Buyers Club)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Best Foreign Film
Denmark, The Hunt
Belgium, The Broken Circle Breakdown
Italy, The Great Beauty
Palestine, Omar
Cambodia, The Missing Picture
Best Documentary Feature
20 Feet from Stardom

The Act of Killing
Dirty Wars
The Square
Cutie and the Boxer
Best Animated Feature
The Wind Rises

Frozen
Despicable Me 2
The Croods
Ernest & Celestine
Film Editing
American Hustle
Captain Phillips
Dallas Buyers Club
Gravity
12 Years a Slave
Best Song
"Alone Yet Not Alone" (Alone Yet Not Alone)
"Happy" (Despicable Me 2)
"Let It Go" (Frozen)
"The Moon Song" (Her)
"Ordinary Love" (Mandela: Long Walk to Freedom)
Best Original Score
John Williams (The Book Thief)
Steven Price (Gravity)
Alexandre Desplat (Philomena)
Thomas Newman (Saving Mr. Banks)
William Butler and Owen Pallett (Her)
Best Cinematography
Philippe Le Sourd (The Grandmaster)
Emmanuel Lubezki (Gravity)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis)
Roger Deakins (Prisoners)
Phedon Papamichael (Nebraska)
Costume Design
American Hustle
The Grandmaster
The Great Gatsby
The Invisible Woman
12 Years A Slave
Makeup and Hairstyling
The Lone Ranger
Dallas Buyers Club
Jackass Presents: Bad Grandpa
Production Design
American Hustle
Gravity
The Great Gatsby
Her
12 Years a Slave
Sound Editing
All is Lost
Captain Phillips
Gravity
The Hobbit: The Desolation of Smaug
Lone Survivor
Sound Mixing
Captain Phillips
Gravity
The Hobbit: The Desolation of Smaug
Lone Survivor
Inside Llewyn Davis
Visual Effects
Gravity
The Hobbit: The Desolation of Smaug
Iron Man 3
The Lone Ranger
Star Trek Into Darkness
Short Film, Live Action
Aquel No Era Yo (That Wasn't Me)
Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything)
Helium
Pitääkö Mun Kaikki Hoitaa? (Do I Have to Take Care of Everything?)
The Voorman Problem

Short Film, AnimatedFeral
Get a Horse!
Mr. Hublot
Possessions
Room on the Broom
Documentary Short Subject
CaveDigger
Facing Fear
Karama Has No Walls
The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Gaiola dourada

Estreado a 1 de Agosto com uma enorme publicidade, um elenco de luxo, banda sonora do aclamado Rodrigo Leão, só restava visioná-lo. As expectativas eram grandes. Com actores como Joaquim de Almeida e a grande Rita Blanco seria difícil errar. Parte do filme é passado a rir. Exageros, hipérboles, caricaturas, pastorinhos de Fátima, imagens de santos, Amália, camisolas da selecção, garrafas de cerveja, sardinhas, batas, penteados, camisas abertas, futebol, palavrões.. isto é parte do filme. Mas a grande surpresa para mim foi a sensibilidade do filme. A grande catarse do filme acontece quando os personagens assumem a submissão das primeiras gerações de emigrantes e a vergonha da 2ª geração, quando mais culta, frequentadora de outros ambientes, mais bem preparados, mais abertos, mais estudados, se envergonham da sua ascendência.  Esta parte é a mais emocionante do filme. Quando as personagens se confrontam com os seus complexos e vergonha. Este filme faz-nos rir de nós mesmos, e lembra-nos que a seriedade e o trabalho faz-nos sempre ser respeitados. Estes emigrantes que representam uma geração que emigrou para fugir à miséria de um país, soube ganhar o respeito fora. Sem dominar a língua, sem estudos, com a saudade tão portuguesa, família deixada para trás, estas pessoas assumiram os postos de trabalho que os franceses não queriam. Mas apesar disso, subiram a pulso e foram sempre conhecidos como humildes e bons trabalhadores. Já há muito não via uma sala de cinema repleta. E a audiência era constituída maioritariamente por emigrantes. A maioria pareceu-me adorar e reconhecer-se. Este filme é principalmente genuíno. Tudo nele se percebe idealizado por um conhecedor profundo desta realidade. Ruben Alves, o realizador, também ele filho de emigrantes que para além dos seus dotes de realizador é giro!  E pelos vistos tem bom gosto, com uma casa no Chiado!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Flores raras e banalíssimas


Quem chega ao Rio de Janeiro e vê o fabuloso Parque do Flamengo não saberá, na sua maioria, que foi uma mulher que o idealizou. Lota de Macedo Soares foi a responsável pela construção do Parque do Flamengo. Uma mulher discreta, tímida, avançada para a época, cultíssima e vanguardista. Estudou muita coisa mas não recebeu qualquer diploma. Por esse motivo foi muito criticada, na época, por não ter uma formação académica formal e por ter sido amiga do então governador Carlos Lacerda. Em Samambaia, perto de Petrópolis, idealizou também uma casa com 4 elementos chave: cimento, vidro, metal e pedra. A rigidez do metal, a fragilidade do vidro, o brilho e a rugosidade das pedras do rio coexistiam numa harmonia perfeita. Esta casa simboliza a paixão de Lota pela arquitectura moderna.
O seu nome está essencialmente ligado à escritora americana Elizabeth Bishop com quem viveu mais de uma década. Bishop é uma das maiores poetisas americanas, vencedora de alguns dos mais importantes prémios literários, incluíndo o prémio Pulitzer.  Bishop aparece descrita no livro como “ uma senhora de cabelos brancos e olhos tristes”.  Teve uma infância infeliz. O pai morreu quando ainda era criança e a mãe morreu internada num hospital psiquiátrico. Era asmática e alcoólica, “...quando começava a beber não conseguia parar. Bebia até ficar inconsciente”.
Ocorreu-me agora falar do filme “Flores Raras”, cujo argumento se baseia no livro “Flores Raras e banalíssimas” de Carmen L. Oliveira que li há muitos anos, e por causa do filme, reli há pouco.
As críticas dizem que este filme de Bruno Barreto ficou entre os preferidos do público no Festival de Berlim. Foi também seleccionado para o Festival de Tribeca a realizar-se em NY entre 17 e 28 de Abril. A não perder!
Um dos livros de Elizabeth Bishop começa com a dedicatória a Lota de Macedo Soares:
“...O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que quanto mais vos pago, mais vos devo”

                                                           Camões

terça-feira, 19 de março de 2013

Óscares 2013


Melhor Filme
·         Argo
·         Lincoln
·         Zero Dark Thirty
·         Les Misérables
·         Silver Linings Playbook
·         Life of Pi
·         Django Unchained
·         Amour
·         Beasts of the Southern Wild
Melhor Realizador
·         Steven Spielberg por Lincoln
·         Ang Lee por Life of Pi
·         David O. Russell por Silver Linings Playbook
·         Michael Haneke por Amour
·         Benh Zeitlin por Beasts of the Southern Wild
Melhor Ator
·         Daniel Day-Lewis em Lincoln
·         Joaquin Phoenix em The Master
·         Bradley Cooper em Silver Linings Playbook
·         Hugh Jackman em Les Misérables
·         Denzel Washington em Flight
Melhor Actriz
·         Jessica Chastain em Zero Dark Thirty
·         Jennifer Lawrence em Silver Linings Playbook
·         Emmanuelle Riva em Amour
·         Naomi Watts em The Impossible
·         Quvenzhané Wallis em Beasts of the Southern Wild
Melhor Actor Secundário
·         Philip Seymour Hoffman em The Master
·         Tommy Lee Jones em Lincoln
·         Alan Arkin em Argo
·         Robert De Niro em Silver Linings Playbook
·         Christoph Waltz em Django Unchained
Melhor Actriz Secundária
·         Anne Hathaway em Les Misérables
·         Sally Field em Lincoln
·         Amy Adams em The Master
·         Helen Hunt em The Sessions
·         Jacki Weaver em Silver Linings Playbook
Melhor Argumento Original
·         Zero Dark Thirty
·         Flight
·         Django Unchained
·         Moonrise Kingdom
·         Amour
Melhor Argumento Adaptado
·         Lincoln
·         Argo
·         Silver Linings Playbook
·         Beasts of the Southern Wild
·         Life of Pi
Melhor Canção Original
·         "Skyfall", de Skyfall
·         "Suddenly", de Les Misérables
·         "Before My Time", de Chasing Ice
·         "Everybody Needs a Best Friend", de Ted
·         "Pi's Lullaby", de Life of Pi

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Django


Não vou fazer a crítica do filme. Primeiro porque as críticas ficam sempre aquém dos filmes e segundo, como diz António Lobo Antunes: "os maus escritores é que acabam a escrever críticas". No entanto,  quero deixar aqui a recomendação. Adoro Tarantino. “Pulp Fiction” é um dos meus filmes favoritos. O humor negro dele, os excessos, tudo é exagerado e kitch. Este filme dá para rir alto. Aquelas cenas da cara tapada são hilariantes e fazem doer a barriga de tanto rir. A banda sonora é excelente, como em todos os filmes do Tarantino. Christoph Waltz tem uma merecida nomeação para o oscar, tão bem interpretado, que me apetece rever. Este ano compete com o também fabuloso Robert De Niro em “Silver Linings Playbook”. Não conheço os papéis dos outros nomeados mas se Christoph Waltz ganhar é mais do que merecido. Este filme vale a pena ser visto no cinema. Samuel L. Jackson aparece quase irreconhecível, este que é um dos actores fetiche de Tarantino. Neste filme tem um papel muito polémico, sendo mais papista que o Papa. E como todas as histórias de amor, tem um final feliz.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"Every night I cut out my heart. But in the morning it was full again".

in "The english patient" -  Michael Ondaatje

domingo, 20 de janeiro de 2013

Guia para um final feliz (Silver Linings Playbook)

Na sexta, já passava bastante das 10 da noite, acabada de sair do lab, sento-me no shopping a comer qualquer coisa rápida, enquanto esperava pela A. para ir à última sessão de cinema. A essa hora já quase ninguém jantava. No entanto, um olhar mais atento faz-me reparar numa jovem família. Os pais não tinham mais de 18 anos e a bebé não teria mais de 3 meses. Chegaram à mesa com os seus tabuleiros do McDonalds, o carrinho da bebé e a bebé no colo. A mãe apesar de ter sido mãe há tão pouco tempo, exibia a boa forma que só a tenra idade é capaz de manter...e o pai mostrava a parca experiência no simples colo da bebé. É isto que se percebe neste país. A natalidade está a baixar drasticamente, os pais responsáveis adiam os filhos ao limite, e a irresponsabilidade dos muitos jovens manifesta-se na sua contribuição para a natalidade. Tenho algumas amigas que estão a tentar engravidar há anos e não estão bafejadas pela sorte... e tão preparadas que elas estão. A irresponsabilidade dos mais novos levam-nos aos shoppings a horas tardias com crianças de colo que deveriam há muito estar a dormir...Nunca ninguém disse que a vida era justa...

Depois fomos à última sessão ver "Guia para um final feliz". Adorei o filme. Sempre adorei gente louca e desequilibrada . O personagem principal (Bradley Cooper) perdeu tudo: a casa, o trabalho e a mulher. Depois de  apanar a mulher com outro no chuveiro, enquanto passava a música do casamento, descontrolou-se. Este episódio leva-o a ser internado numa instituição durante 8 meses e volta a viver de novo em casa dos pais. . Tem uns pais peculiares pais com uma obsessão pelos Eagles.  O personagem do Robert de Niro é de rir. O argumento deste filme é brilhante. Estas são pessoas com problemas psicológicos e psiquiátricos profundos e muito a sério, não como na maior parte dos filmes em que tornam doenças mentais numa palhaçada ou que aligeiram este tipo de distúrbios.  Estas personagens são palpáveis, reais, emocionalmente complexas e no fundo iguais a nós, que acabamos por ter uma afeição enorme por elas, uns bipolares, outros com DOC, outros com distúrbios sexuais. E o argumento compreende-os de um modo surpreendente e comovente, a dança da vida deles é a catarse do filme à la Tarantino. O filme tem uma velocidade alucinante. Passamos de rir desalmadamente ao choro. Três dos actores estão nomeados para os oscares. Bradley Cooper mostra neste filme o caminho crescente para a carreira que tem feito. Jennifer Lawrence, representa uma jovem viúva com uma história arrasadora e quase tão maluca como a do personagem principal. De todos os filmes nomeados que vi, o oscar de melhor actriz vai para Emmanuelle Riva ou para Jennifer Lawrence.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

So hard to forget


“... Eu conheço uma pessoa que adora fazer a linha intelectual, que sofre mas não perde a pose. É engraçado isso, né? Quando alguém sofre perto de você, você adora ajudar, dar conselho. Agora quando você sofre, você se encolhe, você entra dentro dessa concha e não deixa ninguém te ajudar. Aliás, você despreza a ajuda das pessoas. Vai ver é isso mesmo. Você não precisa da ajuda de ninguém porque você é perfeita. Você é perfeita...”

"Como esquecer" de Malu de Martino

domingo, 23 de dezembro de 2012

Amour, de Michael Haneke


Sabemos previamente que Anne morreu, a primeira sequência do filme mostra o arrombamento do apartamento, onde  encontram o corpo de uma mulher morta na cama rodeada de pétalas.“Amor” é um filme surpreendente. As expectativas eram grandes pelas críticas que tinha lido e pela sinopse. Os octagenários actores franceses interpretam em  um casal de músicos cheio de amor e cumplicidades, que quase não precisa de palavras para se entender. Percebe-se a vida cosmopolita deles numa ida a um concerto de um antigo aluno. Mas um dia, como o livro da Joan Didion, toda essa vida desaba, quando ela adoece. O dramático efeito de um acidente vascular cerebral tem numa pessoa que apesar da idade, tinha uma vida normalíssima e que dividiam tudo entre os dois. O corpo entra em declínio e o casal, isolado num apartamento, vive o inferno da própria dor.

O filme, passa-se quase inteiramente num apartamento parisiense,retrata a deterioração lenta, gradual e penosa da velhice, mostrando com compaixão a dor de assistir à doença de um ente querido, de observar sua lenta passagem em direcção à morte, ao fim, sem que nada o consiga evitar.

Este filme mostra acima de tudo o que o amor é capaz de suportar mesmo quando as pessoas nos deixam de reconhecer. A humanidade, compaixão e amor com que aquele marido tratou a mulher até quase ao fim.  O percurso do casal é mostrado em detalhes, na vida quotidiana de um doente, desde o dar de comer, o banho, mudar fraldas... . No limite, ele agride-a, quando tenta que ela beba água e não morra à sede, e ela já sem consciência do que é e do que faz, a cospe. Uma cena particularmente bem filmada.

A minha avó, felizmente, apenas na sua última semana de vida é que se recusou a beber e a comer. E eu revi tanto a minha avó nestas cenas. E este filme mostra e vem dar razão ao que sempre defendi, que as pessoas, apesar das diminuições graduais das suas capacidades, não devem morrer fora de casa e devem ser cuidadas pelos seus familiares próximos. É aquela frase “there is no place like home”.



domingo, 22 de abril de 2012

Tribeca Film Festival

Já tinha comprado o bilhete há bastante tempo para ver a conversa entre Michael Moore e Susan Sarandon. Ninguém adivinhava o tempinho maravilhoso de hoje...e de ontem... Já não me lembrava de ver chover assim em NYC. O caos, como podem imaginar, instalou-se. Filas de trânsito intermináveis, mais pessoas a pedir para os táxis pararem do que os táxis que circulavam...Como hoje é domingo levantei-me tarde mas tinha que ir ao lab antes de ir para o festival. O tempo que demorou para entrar e sair do metro (no total uns 2 minutos) foi o suficiente para os meus pés parecerem que estavam descalços, mas na verdade, estavam numa pocinha de água (que eram os meus ténis). Já saí de casa atrasada, demorei mais tempo no lab do que o que queria, saí atrasada do lab, corri para o Starbucks para comer qualquer coisa e para molhar-me mais um bocadinho... 

Como já passava das 2 e o festival começava às 3, e como eu estava quase do lado oposto da ilha, tenho a brilhante ideia (a de sempre) de ir de táxi. E como não aprendo, por mais repetições que aconteçam, lá fui eu perguntar aos "gipsys" quanto era até Tribeca... Percebi imediatamente que não fazia ideia do que eu estava a dizer, não sei se não entendi inglês (embora esta palavra seja a mesma em quase todas as línguas) ou se não sabia onde era (o que era ainda mais grave)... Mas como eu já estava por tudo, e a chuva não perdoava, agora não eram apenas os pés que pareciam descalços... Ainda me perguntou qual era a rua.... "Chambers" respondi eu. Ele começou a pensar, e eu debaixo de chuva, e lá responde: "30 dolars". E eu sem nem esperar um segundo entrei no carro. Ele disse-me que se não houvesse trânsito chegaríamos em 20 minutos. Que optimista que era o homem! Isso nem à noite!!! Mas para abreviar, o que supostamente demoraria 20 minutos transformou-se numa hora. Pela janela do carro via o dilúvio de NYC. Mas cheguei onde queria! A conversa entre a Susan Sarandon e o Michael Moore foi o que seria de esperar, interessante. Se alguém naquele auditório fosse republicano devia ter detestado. E o melhor guarda-se sempre para o fim, as perguntas do público. 









sexta-feira, 23 de março de 2012

Found Memories

Ontem tinha de estar às 9 no MoMA para ver o filme "Found Memories - Histórias Que Só Existem Quando Lembradas" da cineasta brasileira Julia Murat que estreava no festival de cinema "New Directors/ New Films".   Fui jantar com o F. ao Meal Plan e ainda tinha que fazer uma leitura de uma placa antes de sair. Claro, conversa mais conversa já eram 8:30.. solução: apanhar um táxi. Pela primeira vez em NYC era uma senhora a conduzir. Comecei a achar que não tinha sido boa ideia... eu disse "MoMa" e toda a gente em NYC reconhece, toda a gente sabe onde é mas ainda tive que dar a morada... Mete-se na West Highway e comecei a achar que ia morrer ali. A senhora não sabia o que era uma recta, estava sempre a mexer com o volante. Quando regressamos ao engarrafamento respirei de alívio. Aí começamos a falar. 

A senhora não entendia quase nada de inglês. Eu pergunta-lhe uma coisa e ela respondia-me outra completamente diferente. Parecia uma conversa de malucos. Ela falava em espanhol e eu respondia em inglês... Mas no meio das conversas sem nexo soube que tinha sido casada com um português do Porto que tinha morrido há 20 anos, aos 44 anos de ataque cardíaco fulminante. E a senhora (que não me lembro o nome, ela disse-me mas tenho este problema grave de não me lembrar dos nomes ou confundi-los) quando eu lhe disse que era de Braga, disse-me que conhecia muito bem, que era tão bonita. E que costumava falar com o marido em português mas que como se tinham passado 20 anos já pouco se lembrava. Dizia ela que era uma língua tão bonita. 

Cheguei às 9 em ponto ao MoMA e a Julia Murat já estava a falar. Coitadinha, nervosa e grávida. E emocionada pelo privilégio do filme ter sido escolhido para o festival. É esta parte que mais gosto aqui. Os realizadores e os actores a falarem sobre os filmes, das histórias que estão por trás deles, de como surgiu a ideia, de como foram seleccionados os actores... Nos primeiros minutos achei o filme um tédio. Um filme quase mudo, pela quase ausência de diálogos, com o silêncio como companhia, escuro, mas com uma fotografia lindíssima. Eu que não percebo nada disso, consegui ser tocada pela qualidade da filmagem. Não demorou muito a ficar completamente rendida. Um filme simples, numa região do interior profundo do Brasil e que me fez ter a certeza que se eu vivesse num lugar assim morreria. Uma dúzia de velhinhos com uma rotina diária quase mecânica, que assiste apenas ao passar do tempo, fazem pão, o café, vão à missa, almoçam juntos. Mas o que mais me tocou, isto tem a ver com as minhas lembranças, foi uma música que eu só conhecia a letra: "quando eu morrer/ não quero choro nem vela/ mas uma fita amarela/ com o nome dela". 

E vou para casa e o que faço? Tento acabar os projectos da FCT... A que horas fui dormir? Quase 8! E a que horas acordei? Às 10 para me mudarem um painel da janela. Penso em ir para o lab e o que acontece? Recebo um email a dizer que o lab está fechado e o acesso aquele corredor, inclusive os elevadores, estão fechados porque alguém entornou 500 ml de mercaptoetanol... eu nem quero imaginar o cheiro. Se os serviços de segurança não permitirem acesso ao lab às 8 da manhã, as minhas células estarão mortas....

terça-feira, 13 de março de 2012

Detachment


É um filme de Tony Kaye, cujo protagonista é  Adrien Brody (“The pianist”). Este filme tem como narrador o próprio Adrien (Henry Barnes) no papel de um professor substituto numa escola pública de NY, com todos os problemas sociais associados. Percebe-se desde o inicio que Henry evita a todo o custo alguma ligação emocional com as pessoas que o rodeiam. No começo, as suas ligações emocionais resumem-se apenas ao avô demente e às memórias que o atormentam. É um filme tocante, comovente, profundo, muito bem filmado e cheio de pormenores. Num determinado momento do filme dá-se a explosão do aparente controlo das diversas pessoas... Henry destrói uma sala de aula quando uma colega insinua comportamentos inapropriados quando está apenas a tentar ajudar uma aluna... a psicóloga que não resiste à apatia, à inércia e à falta de ambição de uma aluna pseudoiludida tem um ataque psicótico... Num tempo em que os males do mundo são sempre destacados, é de uma sensibilidade comovente o personagem de Adrien Brody que parece viver com toda a infelicidade dele e do que os rodeiam às costas. “Todos temos o caos dentro de nós”. No debate após o filme deu para perceber pela reacção dos muitos espectadores que muitos eram professores e que a realidade retratada no filme era semelhante ao que de facto existe nas escolas públicas americanas.

Adrien Broady na discussão após a projecção do filme @ 92Y Tribeca

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mais uma semana

Desculpem a minha ausência por aqui. Vou ter uma apresentação para o grupo amanhã. Mais os projectos da FCT... não sobra muito tempo. O fim de semana que passou foi o primeiro que fiquei em casa desde que cheguei. 

Depois do "bichinho" da NETFLIX transmitido pelo F., eis que subscrevi o serviço. Até comprei um leitor de DVD. Agora é esperar que me chegue o primeiro filme pelo correio. Para quem não sabe, a NETFLIX é um serviço pago, que permite, de acordo com o plano subscrito, ver filmes, séries na internet ou receber via correio o(s) DVD(s). Os meus amigos pegaram-me este micróbio... e vamos ver, se agora, para além da pilha de livros que acumulo para ler, começo a acumular uma lista de filmes para ver. 

Esta é também a "Semana dos Orfãos do Meal Plan". O Meal Plan é um serviço de refeições (apenas jantares) que os grad ou MD/PhD students de Columbia podem subscrever. As opções vão de 1 a 3 jantares/semana e cada jantar fica em média por 6 dólares. Um óptimo negócio para os preços de NYC. O meal plan inclui saladas à escolha, prato principal com a opção de vegetariano, sopa, duas peças de fruta, sobremesa e duas bebidas (lata/garrafa). É um tipo de serviço de cantina mas de melhor qualidade e maior variedade do que a maioria das universidades em Portugal. Obviamente que eu estaria à partida excluída do meal plan porque não sou estudante... Mas como nos últimos tempos tenho sido bafejada pela sorte (da mesma forma que consegui um estúdio nos apartamentos de Columbia) consegui inscrever-me. Tudo isto para dizer que esta semana não há meal plan porque é o "Spring Break"... logo faço parte dos "orfãos do meal plan". Esta semana o Tamaya, Coogans, entre outros, é que vão ficar a ganhar.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

The girl with the dragon tatoo


No sábado à noite fui ao cinema ver "The girl with the dragon tatoo", já passava das 10, numa sala de cinema perto de Times Square a abarrotar, onde sobravam apenas as cadeiras junto ao ecrã. Duas horas e quarenta minutos de filme e desta vez não pude queixar-me que não conseguia ver bem as caras. Este filme foi adaptado pela segunda vez pelo David Fincher (Seven e Fight Club) sobre a primeira parte da trilogia do escritor sueco Stieg Larsson.  

Mikael (Daniel Craig) é jornalista, casado e pai de uma filha. Um dia é procurado por um intermediário de Henrik Vanger (Christopher Plummer- o Capitão von Trapp da "Música no Coração) empresário que tem como objectivo principal saber o que aconteceu há 40 anos com a sobrinha: fuga, suicídio ou homicídio? Vanger acredita que alguém da família poderá estar relacionado com o desaparecimento da sobrinha, cujo corpo nunca foi encontrado. O empresário faz uma proposta irrecusável ao jornalista: dá-lhe acesso total à sua vida, documentação pessoal, empresa, dados familiares e excelente remuneração em troca de uma solução para o caso. A actriz principal, a tal das tatuagens e dos piercings, que dá o nome ao filme é Lisbeth Salander, assistente do jornalista. Completamente inadaptada socialmente, nunca olha as pessoas nos olhos e evita o contacto físico.  Sem saber conviver com pessoas,  viciada em solidão, computador, cigarros e coca-cola, ah, claro, tatuagens e piercings.  Com uma inabilidade visível para manter conversa (apenas monocórdica). Percebe-se que tem um passado misterioso. Tem qualidades informáticas de fazer inveja ao Bill Gates e ao Steve Jobs e com uma memória prodigiosa. Conhecia a Rooney Mara apenas do papel do “Social Network”. Neste filme ela está irreconhecível. De uma palidez de meter medo à morte, anorética, cabelo pretíssimo, sobrancelhas descoloradas, carregada de piercings. Li algures que o escritor, Larsson, ter-se-á baseado  no síndroma de Asperger para compor a personagem. 

O filme é assustador, repleto de segredos ("as pessoas têm sempre segredos, é uma questão de os descobrir"), abusos de menores, violações, crimes macabros. O filme tem cenas pesadíssimas mas para isso eu já ia preparada. A verdade revelada é cruel .  Este filme, baseado no livro de  Larsson, passa-se na Suécia onde a educação é exemplar e gratuita, E que instituiu o prémio Nobel,  é recordista em qualidade de vida, tem o Ikea, os Abba...mas onde as estatísticas revelam 4000 violações/ano  num universo de 9 milhões de habitantes. Com 10 milhões, Portugal não ultrapassa as 500 por ano. Dá que pensar...



facebook