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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Robert Mapplethorpe: Pictures


23 de Dezembro de 2018

Já tinha estado no auditório de Serralves em várias conferências. Mas nunca visitei a Casa de Serralves nem os jardins. Desta vez, visitei o Museu, e continuo sem conhecer a casa e os jardins. Já era noite e faltava menos de duas horas para fechar. Na compra dos bilhetes disseram-nos que não teríamos tempo para visitar a exposição do Miró. Fui propositadamente para ver a exposição das fotografias do Robert Mapplethorpe que já tinha visto nos Estados Unidos. Como na altura não achei tão escandalosas como a polémica e os comentários que suscitaram em Portugal, queria ver o que de tão diferente tinha esta exposição. De relembrar que esta exposição provocou a demissão do Director artístico do Museu de Serralves, João Ribas. Algumas das fotografias foram colocadas numa sala à parte com a admissão permitida apenas a maiores de 18 anos. As fotografias presentes nessa sala restrita são essencialmente de “nús não canónicos” e práticas sexuais sadomasoquistas. Honestamente, tirando duas fotos, não achei nada do que vi naquela sala incompreensível para menores de 18 anos. Existem outras fotos fora desta sala restrita igualmente provocadoras. Mas a exposição não são só as fotografias mais polémicas. A maioria são retratos de pessoas mais ou menos famosas e anónimas, autoretratos, flores e estátuas. Esta exposição era muito maior do que a que tinha visto anteriormente. Algumas das fotos que vi anteriormente não estavam nesta e outras que estavam nesta não as tinha visto anteriormente.


Iggy Pop (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)
Isabella Rossellini (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)


Robert Mapplethorpe (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)

Deborah Harry (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)

Louise Bourgeois (copyright: Robert Mapplethorpe Foundation)

Robert Mapplethorpe (Copyright: Solomon R. Guggenheim Museum)

Robert Mapplethorpe (Copyright: Solomon R. Guggenheim Museum)




No jardim da entrada do museu tinha ainda uma instalação "Descent into Limbo" do artista Anish Kapoor, a única que vi. No interior do museu havia uma série de preparações e experiências que o artista fez e também uma quantidade de estruturas tridimensionais em ponto pequeno das obras dele, inclusive a "Cloud Gate" de Chicago.

"Descent into Limbo" Anish Kapoor



sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Dia 1 - Florença

Florença, 9 de Dezembro 2018

Venho pela primeira vez a Florença para ver a exposição da Marina Abramovic "The cleaner". Para além disso, apesar de todas as maravilhas que me disseram sobre a cidade, dos monumentos, da história, da paisagem, da atmosfera, da comida, dos vinhos, da arte, Florença nunca esteve entre as cidades italianas que tinha mais interesse em conhecer. Como já disse alguém, vim (apenas) para ver e andar por aí. (Mas) ledo engano! E fiquei fascinada pela cidade, pelo ritmo, pelas decorações de Natal, pela proibição de carros em muitas ruas do centro histórico, pelo vinho, pela comida, pela quantidade de pessoas que andam de bicicleta, pela conservação dos edifícios, pela limpeza (comparativamente com outras cidades italianas). 

Saí de Genova às 18:52 no comboio Frecciabianca. Os bilhetes, comprados com a devida antecedência, numa modalidade Super economy (que não permite mudanças nem reembolsos), vale muito a pena, principalmente , em primeira classe. A viagem foi directa de Genova à estação de Campo de Marte em Florenca. Teria, depois que mudar para um comboio regional que me levasse à estação de Santa Maria Novella, mais no centro da cidade e onde o meu hotel ficava. A viagem correu muito bem. A carruagem quase vazia, que é o que se pretende quando se escolhe a primeira classe. Dormi parte do caminho, o que é uma raridade. O comboio saiu a horas, em direcção a Roma. Tudo a parecer perfeito. Já estávamos na primeira estação de Florenca quando percebemos que algo se passava. Uma avaria qualquer numa das linhas que nos deixou parados mais de 50 minutos. O que fazer a não ser esperar? Após quase uma hora, o comboio lá retomou o trajecto e cheguei à estação de Campo de Marte. Quase ninguém. Passava das 11 da noite. Todos os comboios atrasados. Saí em direcção à entrada da estação e nenhum táxi disponível. Chamei um táxi com uma aplicação que uso em Genova e em aproximadamente 5 minutos tinha um táxi. Chovia. Cheguei ao hotel rapidamente, já que a distância não chegava aos 5 km. Paguei 20 euros.  Fiquei no hotel Diplomat da cadeia C-hotels. Escolhi este hotel pela localização, mesmo ao lado da estação de S. Maria Novella, e porque gostei do preço, do estilo minimalista do hotel e dos comentários. Só não vou dar 5 estrelas porque o funcionário da recepção não foi a simpatia em pessoa. De resto, o hotel foi aquilo que prometia. O quarto não era muito grande mas tinha uma cama de casal, uma vista agradável, com um chuveiro bom. Nada a reclamar. 

Acordei antes das 7 da manhã, ainda vi o o sol nascer. Voltei para a cama porque ninguém merece madrugar ao fim de semana, mesmo quando Florença nos chama lá fora. Acordei a tempo de tomar o pequeno-almoço e voltei para a cama. Por volta das 11 saí e não quis saber dos conselhos, das dicas, do Lonely planet, dos mapas... Saí para ver, apenas. Fui em direcção ao rio Arno, sem saber. Exactamente na Ponte antes da Ponte Vecchio. Estava um dia lindo. Céu azul. Temperatura amena. Caminhei ao longo do Arno, passei junto ao Museu Galileo, mas não entrei. Tirei a foto da praxe com a Ponte Vecchio ao fundo. Não passei pela ponte. Demasiada gente, demasiada confusão. No Uffizi está patente uma exposição do Leonardo da Vinci sobre um dos códigos. Debaixo dos claustros, os emigrantes de leste fingem que são pintores. Deixei-me enganar em Roma, não serei enganada mais. Vi as estátuas dos grandes: Dante, Leonardo, Michelangelo. [Aprendi com o meu colega de gabinete, de nome Pietro, nascido em Florença, a quem também chamam Ulisses, com cabelo e um longa barba ruiva, que em Florença referem-se a Leonardo Da Vinci como Leonardo e não Da Vinci]. Foi aqui que comecei a achar Florença mais do que esperava. Na Piazza della Signoria é de ficar de boca aberta com as reproduções de David, Hércules, Porseus e Neptuno (que está a ser reconstruído). Sento-me no chão apenas a olhar. E reconheço que preciso rapidamente de um dicionário de personagens mitológicas gregas. Esqueço-me do tempo. Daqui sigo para a casa de Dante. E depois sigo as ruas até ao Duomo. Não porque queria ver o Duomo mas porque queria ver a famosa cúpula. E especificamente queria ver a cúpula desde a Caffetaria delle Oblate situada na Bilioteca com o mesmo nome. Quando chego perto do Duomo e vejo aquela maravilha e o tamanho daquela obra de arte, rendo-me. Que obra explêndida. Não consigo fechar a boca tal é a minha surpresa. Não houve nenhum livro, foto, descrição, publicidade que descrevessem o que o Duomo é na realidade. Só vendo ali. Não há como a duas dimensões reproduzir a magnitude e a beleza de tão maravilhoso monumento. Ainda continuo em choque. Foi das coisas mais bonitas que vi na vida. Mesmo. E daqui sigo para a tal cafetaria que tem uma das vistas mais bonitas do Duomo, ou pelo menos, da mundialmente conhecida cúpula do Duomo de Florença. Não são mais do que 5 minutos a pé. Mas o que descubro? Dia 8 de Dezembro, feriado. Não só está fechado nos feriados como aos domingos. Voltarei. Mas como a desilusão é grande, não como desde o pequeno almoço e já passa das 4 da tarde, entro no primeiro restaurante que vejo. Espreito pela janela. Tem umas bonitas toalhas de pano aos quadrados brancos e vermelhos e umas peças de carne que darão origem ao famoso bistecca alla fiorentina. São 200 a 400 g de carne. Teria que estar faminta para conseguir comer essa quantidade, e mesmo assim, duvido. Não sei o que me fez entrar. Mas pareceu-me agradável, aconchegante, com uma luz discreta (como a Blanche Dubois gostaria). A essa hora ainda havia gente a almoçar e quem me atendeu foi muito simpático e prestável. Vi várias garrafas em cima do balcão e pedi opinião sobre qual deveria optar. Decidi-me por um Chianti, seguindo a sugestão. Depois pedi uma bruschetta que estava maravilhosa de tão simples. Não estava esfomeada, o que melhora a qualidade da apreciação. Eram três fatias de pão (com uns 3 cm) sem sal (como é típico em Florença), com quadrados pequenos de tomate com sal e azeite. Só isto, simplesmente. Acho que o segredo era a qualidade dos produtos. E pedi, também, uma tábua de queijos que veio acompanhada de uma compota de alperce e mel. Na maioria das cidades turísticas, entrar num restaurante assim às cegas, sem uma recomendação, pode revelar-se uma péssima experiência. Não foi o caso. Este restaurante de nome “Lo scudo”, mesmo junto ao Duomo, foi uma escolha muito acertada.


Depois, andei pelas ruas a ver e a entrar nas lojas. As ruas estavam repletas de gente e muito bem decoradas com enfeites e luzes de Natal. Gostei especialmente de uma loja Legami (www.legami.it) que é semelhante à Tiger mas ainda melhor, para pessoas viciadas como eu em esferográficas, cadernos, lápis, borrachas... No fim do dia fui tomar um aperitivo ao Eataly.














quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

"The onion" Marina Abramovic


Na televisão vê-se Marina Abramovic a trincar, mastigar, deglutir até ao fim uma cebola grande com a casca e ouve-se em simultâneo a sua voz a dizer este texto:
"Estou cansada de mudar de aviões com tanta frequência, esperar nas salas de espera, estacões de autocarro, estações de comboio, aeroportos. Estou cansada de esperar pelos intermináveis controlos de passaporte.
Compras rápidas em centros comerciais. Estou cansada de mais e mais decisões de carreira, inaugurações em museus e galerias, intermináveis recepções, estar em pé com um copo de água na mão a fingir que estou interessada nas conversas. Estou tão cansada das crises de enxaqueca, quartos de hotel solitários, lençois sujos, serviços de quarto, chamadas telefónicas de longa distância, filmes maus na televisão.
Estou cansada de me apaixonar sempre pelo homem errado; cansada de ter vergonha do meu nariz ser tão grande, do meu rabo ser enorme; envergonhada pela guerra na Jugoslávia. Quero ir embora, para um lugar tão distante que não possa ser contactada por telefone ou fax.
Quero envelhecer, ser tão velha, que nada importa mais.
Quero entender e ver claramente o que está por trás disto tudo. Quero não querer mais".

Dia 2 "The Cleaner" - Marina Abramovic no Palácio Strozzi em Florença

Dezembro de 2018

Marina Abramovic é conhecida pelas suas performances perigosas, arriscadas, na maioria das vezes, chocantes. Na maioria delas os seus limites físicos e psicológicos são testados. Ver o trabalho de Marina Abramovic é sobretudo uma experiência sensorial. Sentir e experimentar. Quando me perguntaram quantas horas se demora a visitar a exposição respondi que é o tempo que quisermos. Ou nos deixamos mergulhar naquele universo ou sairemos muito rapidamente.

Cheguei ao Palácio Strozzi por volta das 11 da manhã e esperei  uns 20 minutos para comprar o bilhete para a exposição, que custava 12€ , mas com o desconto da Booking custou 9.5 €. Subi umas escadas e a primeira coisa com que  nos deparamos é uma sala separada por uma parede de vidro, pela qual saberei depois, se pode entrar. Do outro lado da parede de vidro estão duas pessoas nuas em pé debaixo do que simula uma porta. Um rapaz e uma rapariga com alturas muito diferentes. Ele muito alto e ela baixa. Ambos são caucasianos. Ambos são muito jovens. Olham-se nos olhos. Nus. Entre eles há um pequeno espaço físico que só permite a passagem de uma pessoa de lado e que obrigatoriamente terá que tocar em um deles ou nos dois. Do lado de cá do vidro olho sem pressa e aprecio as pessoas que têm coragem de passar entre eles. Depois observo pequenos pormenores como nenhum dos dois estar completamente depilados. E como apesar de serem os dois magros seriam muito mais bonitos vestidos. Os dois tinham caras muito jovens e bonitas. Ele tinha bigode e barba de vários dias. Tinha também vários piercings e brincos na orelha. Um deles era no mamilo. Ela não tinha qualquer piercing nem tatuagem. Uma pele jovem e muito branca debaixo da luz. Ele tem uma pila grande e ela tem a pubis coberta de pêlos. As pessoas vão passando entre eles e a concentração deles mantem-se inalterada. Comparo com as performances, que vi da própria Marina Abramovic com o Ulay há muitos anos atrás, no  youtube. E também com as fotos que vi no seu livro autobiográfico. Esta performance chama-se Imponderabilia. Por aqui comecei e nela acabei quando terminei de visitar o primeiro andar da exposição. Passadas mais de uma hora, o casal era outro. A diferença de alturas era grande também. Ele não era bonito e não era tão jovem. Ela era muito bonita e seria tão bonita vestida como nua. Ela também não era tão nova mas o tempo não lhe deixou marcas nefastas no corpo. Ele não era bonito nem tinha um corpo bonito, tinha muitos pêlos e uma pila que parecia a cópia do David do Michelangelo.

Muitas das performaces estão a ser mostradas a preto e branco em televisões. Muitas delas conhecia-as de exposições anteriores, do youtube e da autobiografia. "Relation I" em que Abramovic e Ulay estão a dar estalos um ao outro, à vez, com maior ou menor intensidade. "AAA-AAA" é uma performance de 1978 que dura 15 minutos na qual grita até perder a voz. "Breating in/breathing out", tal como a descrição em inglês indica é uma performance em que Abramovic e Ulay colam as bocas, semelhante a um beijo, e respiram de lábios colados. Em "Rest energy" Abramovic puxa o arco da flecha com a mão e deixa-se inclinar pelo peso do corpo à medida que puxa o arco e ao mesmo tempo Ulay, do outro lado, puxa a flecha. Outro dos vídeos mostra Abramovic e Ulay nus a correrem em direcções opostas contra colunas e o público a assistir. A separação de Abramovic de Ulay é também mostrada, quando os dois decidem atravessar a muralha da China, cada um começando a caminhada do lado oposto do outro e encontrando-se no caminho. Esta é uma das descrições mais sensíveis que me lembro da autobiografia. Pode ver-se também a performance de quando desenhou uma estrela na barriga e depois se cortou com uma lâmina de barbear. Não falta, talvez a mais conhecida de todas, aquela que a tornou uma das mais famosas artistas contemporâneas, e que a consagrou: “The artist is present” no MoMa em 2010. Nesta performance Marina Abramovic sentou-se durante 8 horas numa cadeira, diariamente, vestida com um longo vestido vermelho ou preto, com apenas uma mesa a separá-la da outra pessoa. No Palácio Strozzi são mostradas em simultâneo as caras das milhares de pessoas que por lá passaram acompanhadas pela expressão de Marina Abramovic.

“The house with the ocean view”, interpretada in loco, uma pessoa vive numa espécie de mezzanine com escadas de facas com a lâminas como degraus e existem  três divisões de uma casa incluíndo um quarto e uma casa de banho.

Outra das performances sobre a qual tinha lido, uma das mais recentes e que implica a intervenção do público e da qual ela tão detalhadamente fala na sua autobiografia é: “Counting the rice”.  Montes de grãos de arroz branco e preto estão em cima de uma mesa na qual várias pessoas se podem sentar. Coloca-se os auscultadores. Segue-se as intruções. Conta-se grãos. Separam-se grãos. O conceito de “faz tu mesmo”. O silêncio como companhia e o tempo a passar. Este é o objectivo de Marina Abramovic no instituto que criou em em Hudson perto de NY.






sábado, 1 de outubro de 2016

A antítese

Percorro a Rua Direita de manhã e o ambiente de hoje não é o mesmo. Turistas e mais turistas. Daqueles que querem ver o maior número de coisas em menor tempo. Brasileiros, muitos brasileiros. Mulheres plastificadas de caras iguais. Daquelas que falam muito alto. Lula teve essa responsabilidade, democratizou o acesso das viagens para o exterior. Estas brasileiras não são daquelas que habitam muitos dos prédios em Portugal. Não são daquelas que descem à rua a mostrar mais do que devem, mesmo quando os seus corpos não sejam (para ninguém) um objecto de desejo, mas que ganham dinheiro para mandar para a terra natal com os anúncios que colocam no jornal a publicitar os seus serviços (cada vez a preços mais baixos. Dizem que é a crise, senhores). Não, não são dessas. Mas são aquelas que entram numa livraria e dirigem-se (apenas) para a secção infantil para comprar os presentes de Natal. São daquelas que apregoam aos sete ventos, no Brasil, perante as suas faxineiras e diaristas que são descendentes directas de alemães, espanhóis ou italianos. [Portugueses não. O português é europeu mas é  brega. O português é (apenas) o dono de padaria, supermercado ou restaurante. E isso, não é suficientemente bom para elas]. Estas são aquelas que dizem que são caucasianas puras e não morenas, pardas, pretas, mestiças. Apregoam isso, como se fosse uma virtude. E são aquelas que vêm a Portugal e continuam com o síndrome do colonizado. A culpar Portugal pelo mal do Brasil, que foi descoberto em 1500 e é independente desde 1882 mas não sabem que José Bonifácio foi quem descobriu o lítio. Eu gosto é de grandes mulheres brasileiras que assumem o que são. Que não têm vergonha do que são. Que não precisam da sua ascendência nem da sua genética para provarem o que valem.
O cenário muda quando chego à tenda do Folio Lounge. Tudo atrasado, felizmente. Agradeço ao universo pelos americanos que tentaram entrar no meu quarto porque confundiram o número. E mesmo com o aviso de "Não incomodar" insistiram em tentar abrir. O barulho foi tanto que acordei de uma sesta que devia ser de minutos e foi de mais de uma hora. Acordei na hora do evento. 

Passam por mim Pedro Sá, o grande amigo de Moreno Veloso. O estupendo músico, guitarrista da banda Cê que acompanhou Caetano Veloso. Deixou crescer o cabelo. Vejo o Pedro Luís, grande músico, também. Passa por mim, também, a (aparentemente) tímida Alice Santa'anna, uma enorme poeta que para pena nossa ainda não está publicada cá. Vejo também a omnipresente Anabela Mota Ribeiro que se desculpa pelo atraso. Este será o evento da Casa Cais idealizado pela Luana Carvalho (que eu não conhecia, como é possível?). É esta a composição: Luana Carvalho, Alice Sant'anna, Pedro Sá e Rafa. Um palco sóbrio com uma laranjeira que até se verão folhas a cair. A vida em movimento. Pedro Luís subirá ao palco para os acompanhar numa música. Anabela Mota Ribeiro abre com a leitura de um excerto do grande livro do não menos grande Machado de Assis, "Memórias Póstumas de Brás Cubas" personagem que fez Direito na Universidade de Coimbra e viajou de Lisboa, onde chegou de barco e depois seguiu para a cidade dos estudantes. Eu não tenho palavras para descrever o que este evento foi. Tanta música desnecessária no mundo e eu não conhecia a Luana Carvalho? Que descobri hoje ser filha da Beth Carvalho. A Alice Sant'anna é a delicadeza em pessoa. Lê bem, apresenta-se bem e (ainda) canta bem. Leu partes de um dos seus livros e as palavras que mais retive foram: baleia e Japão. Que lindo que foi. Que maravilha. A vida feita de pequenos nadas. É aquela laranjeira, carregada de laranjas, cujas folhas caiam... A iluminação perfeita. Uma obra de arte. Inesquecível. E estes são também brasileiros. A antítese perfeita. Como não amar?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Vange Leonel

Na segunda fui apanhada de surpresa pelo anúncio da morte da Vange Leonel. Desconhecidíssima em Portugal, era uma escritora e activista brasileira que seguia há muito. Não a conhecia para além do que escrevia. Sabia que tinha algo próximo dos 50 anos, embora não parecesse. Acompanhava-a também no twitter, apesar de há alguns dias não postar nada. Quando li que tinha morrido pensei em duas coisas: acidente ou suicídio. Simplesmente porque ainda há poucos dias a lera. Surpresa: morreu de cancro aos 51 anos. Há 20 dias descobrira um cancro nos ovários. Uma semana depois estava internada. Descobrira metastases. Segunda, apenas 20 dias depois de saber que estava muito doente, morreu. Há muitos anos que me pergunto qual a razão de quando as pessoas descobrem um cancro parece que encontram o rastilho de pólvora. Curta, como a vida. É o que dizem. A uma hora destas é nisto que penso: como a vida é fugaz. Como diz a música: “Sooner or later, they [we] all will be gone”.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Hélio Oiticica – “Museu é o mundo” @ Museu Colecção Berardo




A exposição do Hélio Oiticica tinha uma projecção do Magic Square nº 5 permanente do Museu do Açude no Rio de Janeiro. 




A exposição valeu por ter visto de perto os “Parangolé Pamplona” a capa que “a gente mesmo faz”.



Parangolé Pamplona

O parangolé pamplona você mesmo faz 
O parangolé pamplona a gente mesmo faz 
Com um retângulo de pano de uma cor só
E é só dançar 
E é só deixar a cor tomar conta do ar
Verde Rosa 
Branco no branco 
no peito nu 
Branco no branco no peito nu
O parangolé pamplona 
Faça você mesmo
E quando o couro come 
É só pegar carona 
Laranja Vermelho
Para o espaço estandarte
"Para o êxtase asa-delta"
Para o delírio porta aberta 
Pleno ar 
Puro Hélio
Mas, o parangolé pamplona você mesmo faz

Adriana Calcanhotto


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Andy Warhol


O nome de Andy Warhol está muito ligado a NYC. É talvez o maior nome da arte pop. Quem não conhece as latas de sopa da Campbell? Um nome muito ligado à publicidade e à realização de fimes. Foi também o mentor da banda The Velvet Underground. Muitos dizem que “era feio como a morte”. É famoso pelos retratos coloridos e de cores berrantes que incluem Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Mick Jagger....

Em Union Square abriu o seu próprio estúdio pintado de prata conhecido como “The Factory”.  Rapidamente tornou-se o lugar da moda, onde toda a gente queria ver e ser visto, frequentado pelos ricos, famosos e celebridades. Estas festas juntavam tribos tão diferentes como intelectuais, actores, drag queens, celebridades de Hollywood, modelos, boémios...

O seu nome é também indissociável do mítico Studio 54 e é o autor da célebre frase:  “In the future, everyone will be world-famous for 15 minutes”. O Studio 54 era famoso pelo bom aspecto das pessoas que o frequentavam, pela libertinagem sexual e pelo uso democrático da cocaína. Muitos dos frequentadores destas raves morreram anos depois de SIDA. Os frequentadores assíduos incluiam Diana Ross, Truman Capote, Calvin Klein, Dali, Mick e Bianca Jagger, Yves Saint Laurent, Gia Carangi, Liza Minelli, Madonna... Era um lugar sem regrasl e onde tudo era possível, onde os comuns dos mortais (desde que escolhidos entre a multidão  por Steve Rubell) podiam conviver com celebridades.
O Studio 54 ficará na história. Depois do Studio 54 nada ficou do jeito que já foi um dia.


sábado, 29 de setembro de 2012

Pittsburgh e Andy Warhol


Pittsburgh não é daquelas cidades que nos marca. Tem um rio que divide a cidade. Lembro-me que ficamos num excelente hotel (Hilton) em frente ao rio por um preço imbatível e tínhamos um motorista que nos ia levar e buscar onde queríamos. Agora mudou de nome mas dá para ver o quão magnífico era, aqui. Isso foi até motivo de muita polémica na altura porque o nosso hotel era melhor que o do nosso orientador!! E aluno de doutoramento, segundo as instruções dele nunca ficavam num hotel com mais de 3 estrelas... Ainda por cima, nada habitual nos hotéis nos Estados Unidos, o pequeno almoço era incluído. Este era um hotel de 5 estrelas ao preço de um de 3. Lembro-me que depois da conferência passávamos horas no bar do hotel a beber vinho e a fumar. No tempo em que ainda era permitido fumar em alguns hotéis nos EUA. E a maior recordação que tenho de Pittsburgh é o museu do Andy Warhol, cidade onde ele nasceu. Antes de ter ido a Pittsburgh (em 2006) achava que Warhol era nova-iorquino.






















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