terça-feira, 20 de agosto de 2013

Gaiola dourada

Estreado a 1 de Agosto com uma enorme publicidade, um elenco de luxo, banda sonora do aclamado Rodrigo Leão, só restava visioná-lo. As expectativas eram grandes. Com actores como Joaquim de Almeida e a grande Rita Blanco seria difícil errar. Parte do filme é passado a rir. Exageros, hipérboles, caricaturas, pastorinhos de Fátima, imagens de santos, Amália, camisolas da selecção, garrafas de cerveja, sardinhas, batas, penteados, camisas abertas, futebol, palavrões.. isto é parte do filme. Mas a grande surpresa para mim foi a sensibilidade do filme. A grande catarse do filme acontece quando os personagens assumem a submissão das primeiras gerações de emigrantes e a vergonha da 2ª geração, quando mais culta, frequentadora de outros ambientes, mais bem preparados, mais abertos, mais estudados, se envergonham da sua ascendência.  Esta parte é a mais emocionante do filme. Quando as personagens se confrontam com os seus complexos e vergonha. Este filme faz-nos rir de nós mesmos, e lembra-nos que a seriedade e o trabalho faz-nos sempre ser respeitados. Estes emigrantes que representam uma geração que emigrou para fugir à miséria de um país, soube ganhar o respeito fora. Sem dominar a língua, sem estudos, com a saudade tão portuguesa, família deixada para trás, estas pessoas assumiram os postos de trabalho que os franceses não queriam. Mas apesar disso, subiram a pulso e foram sempre conhecidos como humildes e bons trabalhadores. Já há muito não via uma sala de cinema repleta. E a audiência era constituída maioritariamente por emigrantes. A maioria pareceu-me adorar e reconhecer-se. Este filme é principalmente genuíno. Tudo nele se percebe idealizado por um conhecedor profundo desta realidade. Ruben Alves, o realizador, também ele filho de emigrantes que para além dos seus dotes de realizador é giro!  E pelos vistos tem bom gosto, com uma casa no Chiado!

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