A
derrota do PSD era expectável. Pedro Passos Coelho tinha a seu
favor as baixas expectativas. Mas uma hecatombe
desta dimensão deixou muita gente surpreendida. A começar por mim. Ficar abaixo
da CDU é uma catástrofe. Só uma visão deturpada e uma cegueira intratável justificam o
mundo paralelo em que Passos vive desde o dia 4 de Outubro de 2015. Toda a
gente sabe que foi Passos que ganhou as eleições legislativas. Toda a gente
sabe que a formação da “geringonça” foi o golpe que Passos até hoje ainda não
aceitou. Toda a gente sabe que o fim do mundo não chegou e que não haverá
eleições legislativas antecipadas como Passos desde o primeiro dia da tomada de
posse de António Costa ambicionou. Toda a gente sabe que o diabo não chegará. E
como diz João Miguel Tavares: “Já várias vezes escrevi que o
país muito lhe deve, e que a História lhe fará justiça. Mas agora é hora de
pendurar o retrato na Rua de São Caetano à Lapa e dizer adeus”.
Acrescento o que disse Manuel Ferreira Leite “atónita e chocada com os resultados demasiadamente maus”.
José Miguel Júdice, que entregou o cartão de militante do PSD, disse que este
não é o partido de Sá Carneiro e nem consegue perceber qual a actual ideologia.
Os
candidatos do PSD em Lisboa e no Porto eram fraquíssimos e nascem de erros de
avaliação, de segundas e tardias escolhas e teimosia do seu líder. Começou com
o erro de não ter apresentado um candidato vencedor antes de Cristas e, depois,
não ter reconhecido isso e errar pela segunda vez não apoiando Cristas em
Lisboa e não ter apoiado Rui Moreira no Porto. Tenho muita pena que o José
Eduardo Martins, crítico interno de Passos, aceitasse ter escrito um programa
eleitoral que estava derrotado à partida. Tenho pena, também, da Teresa Leal
Coelho que aceitou a tarefa ingrata de não ser a primeira escolha e ter-se
sujeitado a este papel. Até admiro a frontalidade dela como deputada e as
opiniões anti-racismo que expressou, sozinha, durante as eleições. Mas, não
conseguiria pensar em candidata tão fraca e com tão pouco entusiasmo durante a
campanha. No entanto, acho que ela é a menor das culpadas.
Braga
continua completamente irrelevante sob o ponto de vista político nacional.
Braga, que
tantos dizem estar no mapa e que é a terceira cidade do país, nunca o é
nem nas eleições nem nas previsões meteorológicas. Com a maioria, pela segunda vez consecutiva, vamos ver se
Ricardo Rio saberá usar melhor depois de ter sido, segundo disse, condicionado
pelo estado das contas que encontrou no município. Este era um
resultado esperado. Primeiro porque uma governação jurássica do Partido
Socialista já não acrescentava nada a Braga e a oposição pouco mais fez do que
críticas avulsas. Acrescenta-se um PS totalmente descaracterizado, com os
arguidos apoiantes de Mesquita Machado de um lado e um Miguel Corais
orgulhosamente só do outro. No entanto, existem muitas coisas que têm que
melhorar nos próximos anos. É indiscutível como a cidade ganhou vida nos
últimos 4 anos. A relação com a Universidade é notória e de salutar. As
actividades culturais são muitas e diversificadas. A procura e oferta turística
tiveram um aumento exponencial. A revogação de alguns péssimos negócios como o edifício
das convertidas é um grande exemplo. A decisão sobre o S. Geraldo depois de
muita pressão pública foi outra das grandes decisões a mostrar que esta coligação
não está de costas voltadas para a população. As reabilitações do Parque
Exposições de Braga (PEB) e do mercado Municipal foram dois dos grandes
investimentos desta coligação. No entanto, há coisas que não se percebem: como
não se cria mais verde naqueles espaços à volta do parque da Ponte, mais ciclovias
e passeios?Como é que aquele parque pode ter tão pouca vida? O que se fez nas
margens do Rio Este nestes últimos 4 anos? Uma das promessas da coligação “Juntos
por Braga” era a revogação do aumento de
ruas com estacionamento pago. A minha rua fazia parte das ruas acrescentadas
cujo estacionamento é totalmente pago. Há uns tempos critiquei publicamente a
forma como o actual Presidente da Câmara prometera revogar a decisão da ESSE no
que respeita ao aumento do número de ruas com estacionamento pago. Fui
corrigida, posteriormente, pela sua Chefe de Gabinete (pessoa que prezo e tenho
consideração) que a acção teve parecer positivo do Tribunal mas que a ESSE
recorreu. É neste ponto que estamos. O pagamento continua a ser cobrado. Eu sou
residente numa rua cujo estacionamento é pago mas eu não tenho garagem. Ou
seja, qual a justiça de se cobrar o estacionamento a residentes que não têm
lugar de garagem. O que me sugerem é que pague a avença mensal? Tenho centenas
de euros por pagar. O que proponho: devia ser criado um dístico isento de
pagamento para residentes sem estacionamento. É o mínimo que se pede num país
civilizado e cujo cidadão comum paga por tudo o que usufrui. Será pedir muito? Uma
das promessas desta coligação é mudar a recolha dos lixos domésticos. Pois bem,
para quem conhece a recolha do lixo em Braga é qualquer coisa que considero
indescritível para o século XXI. O lixo é colocado nas calçadas à porta dos
prédios. Será que vai mudar em 4 anos?
O
resultado de Isaltino em Oeiras é
anedótico. O concelho com maior percentagem de licenciados e doutorados
do país elegeu, com um resultado esmagador, um senhor julgado,
condenado e preso por crimes praticados no tempo em
que era presidente da câmara. O exemplo de Oeiras faz-me lembrar a piada que
conto muitas vezes que os maiores burros que conheci na vida são doutorados. A
democracia (também) é isto?
Inês de Medeiros derrotar o bastião do PCP em Almada
foi outra surpresa, para mim. Uma candidata sem nenhum peso político, como Inês
de Medeiros, é a prova de que tudo corre bem ao PS. O estado de graça chegou para
ficar.
A frase tantas
vezes repetida, a mesma frase tantas vezes lida
“não me demito” não é sinónimo de coragem nem inteligência. É sinónimo apenas
de teimosia e não saber sair de cabeça erguida. Tomasse como bom exemplo o de
Paulo Portas, e quem sabe, pudesse voltar um dia. Desta forma, ficará como o pior
exemplo da história de agarrado ao poder. Nunca devemos ser nós a acharmos que
somos (sempre) indispensáveis. Os outros é que devem opinar por nós e deverão
fazer esse julgamento. Como tudo na vida devemos sair quando estamos a mais e não
esperar que nos empurrem.O grande
problema do PSD é quem quer ir para o lugar mais indesejável do país? Rui Rio é
um homem provinciano, bairrista, dizem que
equilibrou as contas no Porto mas nunca a cidade esteve tão apagada e
tão invisível como no seu tempo. Um homem sem visão é tudo o que o PSD não
precisa.
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